O novo clipe do Dandy Warhols, Mission Control, é uma viagem no tempo. Exatamente para 1969 - ano da chegada do homem à lua e referência forte das viagens espaciais no novo álbum da banda, … Earth To The Dandy Warhols.
Para ser adequar à época das viagens espaciais e do simbólico ano, a banda escolheu fazer um “videoclipe de época”. Isso significa muita roupa metalizada, efeito de gravidade zero, instrumentos musicais antigos e uma TV com imagens da Lua e da Terra.
A grande sacada do vídeo foi transformar a imagem em um tom sépia remetendo a fotografias antigas e transformando o próprio clipe numa transmissão ao vivo pela televisão - assim como foi em 1969.
Mission Control é um clipe corretíssimo: direção, edição e fotografia bem elaboradas e bem executadas. Uma inteligente utilização dos símbolos relacionados à música e ao álbum.
Kanye West é uma máquina criativa. Ele não pára de produzir, lançar single e clipes. O mais novo lançamento é da faixa Good Morning, um cartoon que reúne todo o visual da arte de seu último álbum, Graduation.
Além do traço do desenho, o visual relacionado a Kanye está presente, o jeans, a jaqueta, o “óculos-persiana” de Stronger e, claro, a cerimônia de colação de grau. Visual impressionante que mistura o melhor da animação 2D em uma temática futurista (preste atenção à cidade representada no clipe).
A saga do Kanye-cartoon que não consegue chegar em sua colação representa a “passagem” do próprio Kanye para o time de grandes estrelas do hip-hop e - por que não? - da música pop e foi executada de maneira precisa e minimamente calculada.
Não há sobras nem deslizes em Good Morning, Kanye sabe o que faz.
O cantor John Legend convidou, entre outros, Andre 3000 do Outkast para uma parceria em seu próximo disco. Não bastasse isso, a música virou o primeiro single com direito a clipe. Ela se chama Green Light e foi composta por Andre 3000
Mostrando a força de empolgar uma festa chata, o clipe tem a essência da música black atual: batidas aceleradas. Além de colocar a festa inteira para rebolar, John e Andre representam ícones cool de festas privadas dos novos ricos.
Green Light funciona exatamente como planejado: diverte, empolga e ainda “vende” a música e o estilo de vida. Ou seja, cultura pop em cada cena. Destaque para o ótimo refrão e para o cuidadoso trabalho na direção de arte e figurino. Green Light é um possível concorrente ao VMA 2009.
Yelle se tornou musa da música, na falta de uma denominação melhor, “dance pop” com seu som que foi rapidamente relacionada ao tecktonik (dança dos jovens franceses) devido ao clipe A Cause Des Garçons. Essa relação foi acentuada com o clipe de Je Veux Te Voir gravado em um club. Seu último lançamento é Ce Jeu.
Ce Jeu é um exagero (no bom sentido) de cores, texturas e figurinos. Algo parecido com a Santogold em Lights Out. Para registro: o clipe da Yelle é anterior ao da Santogold.
Ainda que o francês seja de compreensão mais difícil, o clipe é, principalmente, suas imagens cool e cheias de cores. E no domínio visual, a Yelle é quase imbatível. Basta dar uma olhada em seus três clipes para notar como ela explora os efeitos gráficos.
Depois de 6 meses, o Radiohead anunciou no último dia 11.08 o resultado da competição para a criação de um vídeo em animação para uma música do último álbum, In Rainbows.
Em vez de 1 vencedor, foram 4. As músicas que receberam clipe foram: 15 Step, Videotape, Reckoner (que tem rodado o Youtube com uma cover feita pelo Gnarls Barkley) e Weird Fishes/Arpeggi.
O prêmio para o vencedor era de 10 mil dólares pagos pelo aniBoom. O Radiohead assumiu os outros 30 mil. Na página especial do concurso, pode-se acompanhar os vídeos de todas as fases.
15 step v 2.0
O clipe para 15 Steps apostou - e se deu bem - no tom cômico e no nonense do cartoon. O ritmo acelerado da música contribuiu bastante para isso. Apesar da letra bem existencialista, essa junção funcionou bem. Prêmio merecido.
16tracks vs Videotape 2.0
Reckoner v2
Os clipes para Videotape e Reckoner escolheram um caminho mais conceitual, conseguindo uma fascinação pelas belas imagens e pelas ações abstratas. As imagens têm origens diferentes - digital (Reckoner) e real (Videotape) -, mas apostaram em imagens sem significação imediata para atingir a emoção de cada pessoa. E foram bem felizes nas escolhas.
Transmutation (Weird Fish/Aperggi)
O clipe para Weird Fish/Aperggi começa de maneira fantástica com um stop motion trabalhoso e fascinante. Mas decepciona em 70% do vídeo ao iniciar uma narração contada por ilustrações e legendas. De todos, é o que menos merece o prêmio.
Pink continua mantendo a sua fama de troublemaker em seu novo clipe So What. Agora, ela é uma rock star que está arrumando forças para esquecer o ex-namorado e está quase lá. A equação Pink + universo do rock + discurso “vocè é um idiota” só poderia resultar em um clipe raivoso e debochado.
Em todas as cenas de So What, Pink arruma confusão e faz com que o desabafo seja encoberto pela raiva/vingança. Na verdade, ela deseja mesmo arrumar essa confusão quando canta “i wanna start a fight”.
A direção de arte e fotografia em So What é primorosa. Imagens bem cuidadas, de grande impacto e marcantes. A edição. logicamente, é enérgica como a canção.
So What cumpre muito bem o seu papel de ilustrar a música e promover a cantora. Todo potencial para ser um grande hit.
Mallu Magalhães lança seu segundo clipe, Tchubaruba, que é bem representativo do universo imaginário em que ela vive. Segundo suas entrevistas, tchubaruba é uma palavra criada (?) pela própria Mallu para designar coisas boas e agradáveis.
As imagens do clipe simulam uma gravação feita em VHS. O ambiente escolhido foi uma feira livre de bairro em que as compras são interrompidas por delírios hortifrutigranjeiros da Mallu. A aposta é na fofura dessa brincadeira, na juventude de suas músicas e dos climas ingênuos criados pelo universo paralelo de suas canções.
Diferentemente de J1, seu primeiro single, que tem um grande apelo pop (não à toa tornou-se jingle para a Vivo), Tchubaruba aposta na atitude - que é um discurso cansado e batido para a música.
Tchubaruba é divertido… para quem tem menos de 20 anos ou é conquistado pela persona Mallu Magalhães. A boa notícia é que a Mallu vai amadurecer.
Um elevador foi escolhido para representar o universo “rodeado por estranhos” da música Paper Planes, novo single da banda I’m From Barcelona. Como era de se esperar, no pequeno espaço do elevador acontece de tudo e da maneira mais absurda possível.
Ao lugar inusitado, o clipe escolheu um tom cômico para ilustrar detalhadamente a maior parte dos versos da canção. Essa junção tem um grande apelo junto ao público que se interessa pela “estranheza reconhecível” das imagens da televisão.
O caráter inusitado do ambiente, a brincadeira com os aviões de papel e as imagens bem-humoradas fazem de Paper Planes um divertido clipe. E isso é uma grande qualidade.
Uma sessão de ensaios na serra é o novo clipe dos cariocas do Moptop, que lançam seu novo single Aonde Quer Chegar.
As imagens quase cotidianas e a edição simples foram escolhidas para dar destaque para a música em si. O clima do campo e o astral compõem um belo cenário para o clipe, mas adicionam pouca coisa à canção.
Aonde Quer Chegar é um clipe correto e bonito, porém de impacto inferior ao de O Rock Acaboue Sempre Igual, por exemplo. No final das contas, compartilhamos dos momentos de diversão e tranqüilidade de Aonde Quer Chegar.
O novo clipe da Estelle, Pretty Please, replica a idéia que aproxima o videoclipe do cinema (curta-metragens). Não que essa idéia seja ruim, mas também não é bom. Os clipes devem muito ao cinema, mas construíram sua linguagem específica distante das regras cinematográficas.
Com direito a créditos do clipe e “roteiro” bem amarrado com apresentação de personagens, da história, ápice e gancho final, Pretty Please consegue transportar para suas imagens a mesma intensidade emocional da música e da voz da Estelle.
O clima cool de American Boy foi trocado por uma ambientação que mistura o som urbano atual a um estilo das apresentações de cantoras soul do passado.
Estelle acerta novamente no alvo de promover a sua música e do universo relacionado à sua figura. American Boy, entretanto, é superior e mais inspirado e inspirador do que o apenas correto Pretty Please.
A música conta com a participação do Cee-Lo, metade do gnarls Barkley, que infelizmente não aparece no vídeo. A referência feita ao Gnarls é um sósia da outra metade, Danger Mouse. Também vemos uma sósia da Paris Hilton em uma cena no início do clipe.