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Mês: março, 2008

Após um hiato de 16 anos, o B-52’s anunciou o lançamento de seu novo álbum de inéditas para o dia 24 de março. O disco se chama Funplex, que também é o nome do primeiro single. O videoclipe para Funplex foi lançado no Myspace da banda no dia 25 de março.

Imagem de Amostra do You Tube

O vídeo inicia com uma cena dos integrantes da banda numa escada-rolante de um complexo de diversão – o tal funplex. Essa cena dá o tom do que iremos encontrar durante o vídeo: diversão e exagero. As imagens não destoam do universo dançante e artificial criado pela músicas e pelos vídeos anteriores.

Nesse vídeo, o exagero e a artificialidade são deliberados, buscando um destaque pela comicidade e excentricidade das situações.

A letra descreve as atividades de diversão que a personagem da música tem num centro de compras, incluindo não apenas as compras, mas também decepções amorosas decorrentes daquele estilo de vida.

Mesmo após um longo hiato, o B-52’s não perdeu o foco do estilo próprio criado por eles sem soar repetitivo ou preso num passado remoto.

Vídeoclipe relacionado

28 mar 2008

The B-52’s – Funplex

    » Escrito por Eduardo Dias | Categoria: Lançamento

A banda paralela de Jack White, The Raconteurs , surpreendeu a todos e anunciou em 17 de março em seu MySpace que lançaria seu novo disco em uma semana – 25.03. O lançamento ainda contou com uma falha na loja virtual iTunes que liberou para download no dia 21 de março e logo que foi descoberto o erro retirado do ar. Se a mudança de data se deveu a evitar o vazamento on-line, a iTunes jogou contra a banda, já que no dia de lançamento oficial o disco já estava disponível em redes de compartilhamento on-line.

O disco se chama Consolers of The Lonely e o primeiro single é Salute Your Solution, cujo clipe foi lançado na última terça-feira em seu site oficial, data do lançamento oficial de todos os formatos planejados pela banda: digital audio, CD, vinil.

Imagem de Amostra do You Tube

O vídeo é formado por mais de 2000 stills da fotógrafa Autumn de Wild da banda executando a música. As fotos foram sequenciadas em diversas velocidades, o que contribuiu para uma sincronia entre as imagens e a velocidade da música.

Ao trabalhar com imagens em preto-e-branco, a fotógrafa passa a ter a iluminação como uma aliada para a construção do discurso imagético, pois nesse tipo de foto a luz, o contraste e o jogo de claro-escuro ganham destaque. Outra ferramenta expressiva advinda da composição dos stills é retrabalhar a movimentação do corpo a partir da falta de alguns instantes do movimento corporal completo.

A banda e a artista claramente revelam que buscaram fazer um clipe de performance diferenciado, que contivesse um elemento narrativo-imagético singular.

O site Stereogum provoca ao afirmar que a utilização de instantâneos e também de stills é uma “escolha estética do vídeo dos dias atuais”. Esse site também cita os vídeos de Kaki King e The Polyphonic Spree, que, diferentemente do vídeo do Raconteurs, não são uma compilação de imagens ritmicamente sequenciadas, as fotos apenas substituíram a gravação em vídeo abrindo mão de uma sincronia com o ritmo da música.

Vídeoclipe relacionado

27 mar 2008

The Raconteurs – Salute Your Solution

    » Escrito por Eduardo Dias | Categoria: Lançamento

Os ingleses do Muse lançaram em 17 de março o DVD e CD com o registro de suas duas apresentações feitas em junho de 2007 no estádio Wembley em 2007, após a reforma que modernizou o estádio. O álbum e o DVD se chamam The H.A.A.R.P. Tour: Live From Wembley. O título se refere ao High Frequency Active Auroral Research Program, que pesquisa as propriedades e comportamentos da ionosfera.

Alguns clipes desse show estão disponíveis na página da banda no Youtube. Desses clipes, aquele que merece destaque é o vídeo da faixa Plug In Baby, um de seus maiores sucessos.

Imagem de Amostra do You Tube

Nesse vídeo, a banda explorou toda a estética dos vídeos de performance ao vivo ao intercalar imagens do público com imagens da banda a partir de diferentes câmeras, variando enquadramentos, movimentações e angulações.

A edição procurou se encaixar no andamento da música, dando cortes rápidos em momentos de ritmo acelerado ou movimentando a câmera em nos instantes mais lentos. As câmeras também procuraram utilizar os telões localizados atrás da banda e o cenário do palco como elementos visuais, destacando-os em alguns momentos.

Vídeoclipe relacionado

26 mar 2008

Muse – Plug In Baby Live at Wembley

    » Escrito por Eduardo Dias | Categoria: Lançamento

O cantor inglês radicado em Berlim Jamie Lidell é conhecido por utilizar a sua voz como instrumento musical, produzindo sons de percussão com a própria boca. Ele também teve uma música – Multiply - incluída na trilha sonora do seriado americano Grey’s Anatomy.

Em abril, ele lançará seu novo álbum Jim e o clipe do seu primeiro single já está disponível em sua página no MySpace.

Imagem de Amostra do You Tube

O trágico assassinato de um amante pelo seu companheiro é reproduzido nesse clipe em um invólucro kitsch, carregado de referências visuais e espirituais. Jamie interpreta o assassino de um estranho ser – um unicórnio -, que é assassinado após uma noite de sexo. Uma constante no vídeo são as referências espirituais, seja nos objetos do cenário ou no comportamento do cantor, que manipula os objetos ou faz alguma reverência. O que fica claro no vídeo é a ambigüidade na personalidade da personagem interpretada por Jamie, que possui um fetiche com o cabelo do unicórnio e também esconde esse lado serial killer.

Vídeoclipe relacionado

25 mar 2008

Jamie Lidell – Little Bit of Feel Good

    » Escrito por Eduardo Dias | Categoria: Lançamento

A cantora francesa Camille lançará em abril seu terceiro álbum Music Hole e o clipe do primeiro single – Gospel With No Lord - foi lançado na última semana. Camille também faz parte da banda Nouvelle Vague e participou do filme Ratatouille, emprestando sua voz à dublagem da personagem Colette.

Imagem de Amostra do You Tube

Este clipe dispensa qualquer recurso de cenário e narrativa e se baseia no artifício de multiplicar a cantora a fim de que cada cópia seja responsável por uma camada sonora da música. Dessa forma, Camille é a responsável não apenas pelo vocal, mas também pelos sons de fundo que a música possui. O clipe se baseia na brincadeira com a multiplicação da cantora e dá destaque à performance que ela faz de sua música.

Vídeoclipe relacionado

23 mar 2008

Camille – Gospel With No Lord

    » Escrito por Eduardo Dias | Categoria: Lançamento

Um dos clipes mais comentados em 2007 e citados em listas de melhores do ano foi Sirens do rapper Dizzee Rascal.

Imagem de Amostra do You Tube

Através de uma metáfora visual bem elaborada, ele conta a história descrita na música da captura de seu personagem. A imagem foi trabalhada nos âmbitos da técnica e da estética para que produzisse um impacto visual marcante, utilizando para isso contrastes entre as cores dos ambientes e as dos figurinos dos personagens.

Apesar de ser descrever através de metáforas a maior parte das imagens sugeridas pela letra, o clipe não cai na trivialidade devido a escolha das alegorias imagéticas.

Recentemente, o rapper lançou clipe para a música Where Da G’s.

Imagem de Amostra do You Tube

Nesse novo clipe, Dizzee fala sobre um falso rapper que age como se pertencesse a mesmo grupo que ele, mas só está fingindo. A letra da música questiona através dos clichês do gangsta rap a autenticidade desse intruso. Nas imagens podemos ver os símbolos e códigos do gênero musical e das pessoas que estão envolvidas nesse mundo e esse intruso é representado como um espião, que com seus óculos avançados consegue registrar todos aqueles que estão em volta de um chefe do crime e do tráfico.

Esses dois clipes do Dizzee Rascal demonstram mais uma vez que os rappers estão conscientes da necessidade de fazer clipes que fujam dos clichês e estereótipos do gênero, que giram em torno da ostentação de bens materiais e da exploração do sexo.

Vídeoclipe relacionado

21 mar 2008

Dizzee Rascal

    » Escrito por Eduardo Dias | Categoria: Lançamento

Após 10 anos sem nenhum lançamento, o Portishead lançará em abril seu terceiro álbum de inéditas, Third. A banda já disponibilizou em seu site oficial o novo clipe, Machine Gun.

Imagem de Amostra do You Tube

O vídeo é o registro de uma sessão de ensaio da música, um clipe de performance que enfatiza os instrumentos e, por conseqüência, a música em vez de destacar os membros da banda. As imagens ainda fazem referência à arte do álbum, explorando os tons azulados e uma imagem granulada, que contribuem para dar um clima intimista à canção.

A música explora batidas eletrônicas que se assemelham à sons que cadenciam a marcha de militares. A letra aborda a possibilidade de salvação de alguém que sofre com a ausência da pessoa amada e questiona essa salvação ao preferir que o outro retorne. A imagem azulada e escura acentua o clima de sofrimento do personagem da música.

Apesar de utilizar um formato desgastado, o Portishead e o diretor buscaram – e conseguiram – transpor para a imagem a sua visão e seu sentimento em torno da música.

Vídeoclipe relacionado

20 mar 2008

Portishead

    » Escrito por Eduardo Dias | Categoria: Lançamento

Em 1995, Segue o Seco (lançado no ano anterior) foi o grande vencedor do Video Music Brasil, premiação da MTV Brasil. O álbum ao qual essa música pertence – Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-rosa e Carvão – consagrou-se com sucesso de público e de crítica.

Imagem de Amostra do You Tube

O vídeo da Marisa tornou-se um épico audiovisual sobre a situação da seca no Sertão nordestino. Em suas imagens, ele retrata de maneira poética uma espera contínua e incessante pela chuva, que não apenas alivia o sofrimento com a falta d’água para consumo e irrigação da lavoura, mas também traz esperança de sobrevivência por mais uma temporada para aquele povo.

As imagens ainda trazem os símbolos da cultura nordestina nos detalhes da cenografia e do figurino. Costumes populares também estão presentes no vídeo, como a tradição de recorrer à fé para que a chuva não falte, o recolhimento de água em pequenos reservatórios naturais.

O clipe ainda impressiona pelo cuidadoso trabalho feito com as imagens, que recorre ao contraste e à saturação das cores. Em contrapartida ao tom ocre da terra rachada pela falta d’água e em oposição aos tons naturais do algodão das roupas dos sertanejos, as roupas da cantora são bastantes coloridas.

A chuva no vídeo é utilizada como elemento de rendenção da música, que se assemelha a uma prece por aquelas pessoas desamparadas. Porém, o final do clipe não se distancia da realidade e volta ao seu estado árido natural.

Vídeoclipe relacionado

19 mar 2008

Marisa Monte

    » Escrito por Eduardo Dias | Categoria: Baú

Estava lendo o capítulo do livro Money for Nothing, do Saul Austerlitz que discute o vídeo de performance. O autor parte de uma listagem dos clichês do estilo de filmagem para discutir como o vídeo se reinventou. Em um exemplo bastante interessante, ele utiliza o vídeo Head On dos Pixies para falar dessas reinvenções. Por isso, decidi colocá-lo aqui também.

Imagem de Amostra do You Tube

Nesse vídeo, a montagem se constitui como um elemento discursivo, pois o vídeo como o vemos só é possível devido ao tratamento pelo qual as imagens gravadas passaram. A proposta de montagem do produto final também guia o momento do registro das imagens, pois foi necessário para a construção desse clipe a instalação de 12 câmeras que pudessem registrar os movimentos dos corpos dos membros da banda.

O diretor e a banda criaram um vídeo de performance que ganha destaque por fugir aos padrões do gênero, recusando um estilo que foi banalizado devido ao seu uso excessivo.

A iluminação do clipe também merece destaque por marcar mudanças nas imagens e tambémpor ter sido utilizada como um elemento narrativo ao criar climas e acompanhar o ritmo da música de uma maneira sincrônica e expressiva.

Vídeoclipe relacionado

18 mar 2008

Pixies – Head On

    » Escrito por Eduardo Dias | Categoria: Baú

A banda norte-americana Modest Mouse lançou recentemente um videoclipe para a música Fly Trapped in a Jar, faixa de seu recente álbum We Were Dead Before the Ship Even Sank. A banda irá revezar-se com o The National na abertura de alguns shows da nova turnê do R.E.M.

Imagem de Amostra do You Tube

Esse clipe de animação retrata uma espécie de deserto no qual os personagens da música parecem ter se refugiado para contar a histórias de mortos-vivos indesejados em uma cidade. Essa história é contada na segunda parte da música, que se diferencia musical e imageticamente da primeira parte. Na segunda parte, o ritmo da música se acelera, o vocal é mais falado do que cantado e utiliza mais instrumentos. A imagem que era predominantemente rosa se transforma em azul, mantendo os padrões de listras.

Do início ao fim do clipe, a animação acompanha o ritmo da música, apesar de não explorar movimentos de câmera e cortes como elementos expressivos e estéticos do vídeo. A imagem, então, enfatiza o movimento dos personagens da banda durante a performance através de movimentos bem marcados, limpos e claros. O aparecimento e desaparecimento dos personagens que se assemelham a Oompa-Loompas contribui para marcar o clima da música, que em momentos mais acelerados multiplicam-se e em momentos mais lentos desaparecem. A banda e os diretores desenvolveram uma estranha e curiosa maneira de representar as imagens de rejeição e morte presentes na música, pois dificilmente há metáfora que represente a solidão e exclusão como o deserto. Metáfora essa que é recorrente, porém sempre eficiente.

Vídeoclipe relacionado

18 mar 2008

Modest Mouse

    » Escrito por Eduardo Dias | Categoria: Lançamento