Após Machine Gun, Portishead lança hoje The Rip, o seu segundo single do álbum Third. A banda que estava em um hiato de cerca de 10 anos voltou causando barulho no mundo da música. O álbum dividiu a crÃtica em “ame ou odeie”, pois foi acusado e ao mesmo tempo celebrado por explorar/repetir/aperfeiçoar as sonoridades que a banda construiu na década de 90.
Da mesma forma que Machine Gun, o clipe de The Rip foi disponibilizado primeiramente no site da banda apenas para membros cadastrados. Como nada passa desapercebido pelos usuários do Youtube, não demorou para o clipe surgir por lá também.
Ao contrário do clipe anterior, The Rip não possui nenhuma cena da banda ou de pessoas, sendo composto por uma animação surrealista cujas imagens não possuem relação imediata entre si nem com a música.
A música se divide em dois momentos que, apesar de possuÃrem ritmos distintos, transmitem a mesma sensação de desilusão explicitada pela letra da música. Porém, sempre haverá esperança e encontramos no refrão da música uma ponta de fé para o jogo que irá mudar.
The Rip abre mão de constituir qualquer sentido, preferindo instigar e intrigar os espectadores com aquelas imagens estranhas e com um sentido obscuro. A animação tradicional explora a expressividade que o traço do desenho permite e abusa de sombreamentos, das cores fortes e exploram um movimento não-natural de seus personagens e da câmera pelos ambientes criados em desenho.
A sensação que o vÃdeo passa é de estarmos em um abismo nonsense e aparentemente sem fim – efeito produzido pela ausência de cortes. As mudanças de cenários são feitas por mutações da própria imagem que conecta espaços de maneira improvável e produz efeitos de quadro-dentro-do-quadro.
Ao combinar o ritmo das imagens com a música – operação banal dos videoclipes -, o diretor e a banda direcionam por qual meio nossa sensibilidade está sendo explorada e por quais elementos devemos nos aproximar desse clipe.

Deixe um comentário