Os Beatles em 68
Na última semana, o assunto principal d’O Grito enfoca o Maio de 68 e suas repercurssões na sociedade e na cultura da França e do mundo. Para marcar esse especial, o Cultura Clipe traz um mini-especial com vÃdeos da banda mais importante dos anos 60.
É inegável a influência dos Beatles na cultura pop do final do século passado, pois eles ajudaram a formar todo o ambiente que circula em torno do pop - tanto no âmbito da música e do rock quanto em áreas afins.
No audiovisual, a banda foi uma pioneira com o filme A Hard Day’s Night (no Braisl foi chamado de Os Reis do Iê-Iê-Iê) que trouxe em si alguns dos elementos que iriam ser a essência do videoclipe - os números musicais pontuando a narrativa, a dinâmica acelerada das imagens, etc.
Em 1966 os Beatles lançam Strawberry Fields Forever, considerado o primeiro clipe da banda que dá um passo além dos vÃdeos anteriores que se baseavam no registro da performance musical.
Em 68, a banda lança três clipes: Lady Madonna, Hey Jude e Revolution. As três faixas são do White Album, que a Mariana fez uma ótima resenha para o especial da Revista.
Lady Madonna sugere uma celebração da admiração de Paul às mães solteiras que criam os seus filhos com dificuldades. Como muita coisa que envolve a banda, essa música é cercada de divergências quanto à inspiração e motivação das letras. Deixemos de lado.
O vÃdeo de Lady Madonna é um corriqueiro promo video com imagens de estúdios dos Beatles. A relevância do vÃdeo fica por conta da inovação em gravar os vÃdeos promocionais para substituir as apresentações deles. Outro ponto importante é a questão do arquivo de imagens que tanto fascina os fãs.
A história conta que Hey Jude foi composta por McCartney para consolar Sean Lennon após a separação dos pais. A canção possui 7 minutos e teve uma versão encurtada para tocar nas rádios americanas que se recusaram a executar uma canção tão longa. A delicadeza de Hey Jude contou com a aprovação de John.
Esse vÃdeo que circula na web como promo para Hey Jude é uma apresentação ao vivo e possui com todos os lugares-comuns desse tipo de vÃdeo: ênfase no vocalista seguida de ênfase no resto da banda durante o refrão e a participação da platéia para representar a catarse envolvida naquele momento.
Revolution foi a última canção lançada em 68 e possui 3 versões. A primeira versão é uma faixa com uma forte presença das guitarras e foi utilizada no vÃdeo promocional. A segunda é uma versão acústica e a terceira é uma versão experimental de longa duração que tem a participação intensa de Yoko Ono - que trouxe suas influências do Fluxus, grupo experimental de arte contemporânea do qual ela fazia parte.
Revolution apesar de ser o registro de uma performance já possui uma edição bem acelerada com takes que alternam imagens de John com as de Paul e George cantando a música. A presença de muitas câmera no mesmo espaço também antecipa uma caracterÃstica dos videoclipes a partir do final dos anos 80, que filmam um mesmo pequeno ambiente através de uma quantidade quase “exagerada” de câmeras, angulações e cortes.
Essa canção foi lançada como single em Setembro e tem influência direta dos acontecimentos de Maio. Essa canção marca um começo de mudança do foco das canções da banda, que deixaram a psicodelia de lado e se voltaram para uma representação dos acontecimentos da sociedade da época. Essa mudança tem um pouco de influência de Yoko Ono em John e da repercussão da turbulência cultural e social provocada pelos jovens franceses.
Dos três vÃdeos lançados em 68, Revolution se destaca não somente por fazer referências ao Maio de 68, mas também por apresentar pequenas ousadias audiovisuais em sintonia com a música. No mais, é sempre um prazer ver imagens dos Fab Four (não resisti ao clichê) reunidos em seu habitat.












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