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Mês: junho, 2008

Não há melhor maneira de exorcizar fantasmas e curar feridas do que compor músicas ou álbuns inteiros. Os exemplos são infinitos, mas com pouco esforço lembro de Alanis e Lily Allen. O CSS (nosso antigo Cansei de Ser Sexy e a futura CPMF) liberou toda a sua raiva com o antigo empresário (agente) traidor em Rat Is Dead (Rage). O clipe para a música foi lançado no MTV Overdrive ontem, dia 26.06.

A letra e a música são simples como o trabalho anterior da banda, mas agora sua sonoridade está mais rock do que eletrônica. O clipe investe em uma performance com forte apelo visual. Não é para menos, pois a diretora de Rat Is Dead é Nina Nourizadeh a mesma de Ready For The Floor do Hot Chip, L.E.S. Artistes da Santogold e LDN da Lily Allen. Infelizmente o MTV Overdrive não permite incorporação, mas o link para assistir em uma qualidade melhor é esse.

Rat Is Dead funciona mais como um clipe que está reapresentando a banda ao público depois das mudanças (sonoridade, saída de integrante, por exemplo) do que como uma parte da obra da banda. Logicamente, a estética do clipe chama atenção e causa impacto, mas não causa mais do que alguns “Ok, o clipe é divertido e bem cuidado visualmente”.

Vídeoclipe relacionado

27 jun 2008

A nova cara do CSS

    » Escrito por Eduardo Dias | Categoria: Lançamento

O Vanguart finalmente lança clipe para a ótima Semáforo e recorre à participação de “todos os seus amigos” para compor uma viagem quase-psicodélica.

O apelo visual desse vídeo é o grande destaque: cada cena é cuidadosamente trabalhada para causar impacto, para entreter. A diversão dos personagens e da banda é utilizada para contrapor-se à celebração dos ícones da contemporanidade – semáforo, avião, relógio – contida na música.

Imagem de Amostra do You Tube

Semáforo é exemplo de videoclipe que parte de pedaços da música (uso dos “amigos” ou o semáforo como ícone religioso) para construir uma jornada visual que busca a estimulação emocional através do rendimento gráfico da imagem. O clipe também procura se destacar através dessa profusão de cores e sons. Semáforo é um belo trabalho visual que explora toda a potencialidade da imagem do vídeo e suas ferramentas de produção e pós-produção.

Vídeoclipe relacionado

26 jun 2008

A jornada visual do Vanguart

    » Escrito por Eduardo Dias | Categoria: Lançamento

Plano-seqüência ou longas tomadas sem cortes costumam exercer fascínio nos espectadores pela importância que possuem em um filme ou vídeo. A necessidade de manter sob controle toda a encenação sem erros é um trabalho complexo. É esse fascínio a grande qualidade de Oxford Comma do Vampire Weekend.

A banda Vampire Weekend vem fazendo sucesso nos últimos meses, conquistando um público através e blogs e sites especializados em música. Fazem um rock com influência de música popular e folclórica africana. Ainda misturam o ska e o reggae jamaicanos. Lançaram no último dia 21 o clipe para Oxford Comma.

Imagem de Amostra do You Tube

Esse clipe é dividido em quatro capítulos e mais um epílogo, que marcam a passagem da banda por um campo onde acontece coisas improváveis e aleatórias, sempre pontuadas pela passagem dos músicos.

Oxford Comma é um videoclipe no qual a música se apresenta mais como uma acompanhante, uma trilha sonora para a ação que acontece nas imagens. A relação entre música-imagem é distante e pouco clara.

Vídeoclipe relacionado

25 jun 2008

A tomada sem cortes do Vampire Weekend

    » Escrito por Eduardo Dias | Categoria: Lançamento

O próximo clipe de Beck, Modern Guilt, está perto de ser finalizado e um trailer de cerca de 2 minutos foi disponibilizado no site da Amazon. Infelizmente, a Amazon não permite incorporação de seu vídeo. O link direto é este.

O clipe tem participação do Beck em todas as etapas da concepção à produção. O trailer tem uma montagem em preto-e-branco que mistura referências de diversas frentes da cultura.

O trailer por si só já se constitui como um produto do Beck por ter uma edição e uma sonorização própria que se liberta dos formatos do making of. O cantor sempre foi muito cuidadoso com seus clipes e com toda a dimensão visual de seu trabalho.

Estamos ansiosos no aguardo do lançamento do clipe e disco novos.

Vídeoclipe relacionado

23 jun 2008

Beck divulga trailer de Modern Guilt

    » Escrito por Eduardo Dias | Categoria: Lançamento

Essa eu vi no PapelPop.

Para promover a canção Semi Babe, Pop Levi lança no Youtube uma experiência hipermidiática um tanto inusitada.

Para assistir ao clipe é preciso ver 2 vídeos ao mesmo tempo e também é preciso que o usuário sincronize os dois vídeos para poder assistí-lo de maneira correta. O sistema funciona assim:
- dê play nos dois vídeos e espere ambos carregarem para não haver interrupção e dessincronização. é recomendável ver os dois clipes nesta página para facilitar a visualização.
- dê play no primeiro vídeo (à esquerda) e dê pause quando a contagem terminar.
- dê play no segundo (à direita) e logo após as instruções volte a dar play no primeiro.

A grande qualidade desse vídeo é trazer o espectador para uma experiência no domínio digital, pois o vídeo (ou vídeos) ficam devendo em termos de elaboração imagética. Experiências similares foram feitas em 2007 pela banda Arcade Fire, que colocou os clipes Neon Bible e Black Mirror na web em forma de site que funcionam na dependência da interação com o usuário.

Ainda assim, Semi Babe é um videoclipe que merece atenção por trazer uma das mais simples ferramentas de compartilhamento de conteúdo audiviosual a um nível de experiência e interatividade mais avançado do que apenas apertar o botão play e construir conteúdo em outros suportes e disponibilizá-lo no site. O youtube é parte importante desse videoclipe e apenas com um certo domínio de suas ferramentas, o projeto do Pop Levi funciona.

É de experimentações assim que estamos construindo o futuro da expressão audiovisual nas próximas décadas.

P.S.: Nos comentários do PapelPop, foi indicado este link que utiliza 4 vídeos simultaneamente. Vale a pena conferir.

Vídeoclipe relacionado

23 jun 2008

Pop Levi amplia o uso do Youtube

    » Escrito por Eduardo Dias | Categoria: Lançamento

Recorrer ao grotesco, ao sombrio, ao bizarro, ao ilógico e àquilo fora da ordem natural é um recurso bem presente nos videoclipes, porque é sempre uma forma de chamar atenção e se destacar. Mistress Mabel, recente clipe do The Fratellis é um exemplo desse tipo de videoclipe.

Imagem de Amostra do You Tube

Através do pequeno rato somos levados para um mundo paralelo que possui uma dinâmica própria longe de qualquer compreensão nossa. Essa realidade a qual somos levados é bem expressiva, cheia de detalhes que possamos explorar.

A maior qualidade é, sem dúvida, o acertado uso de cores nos diferentes ambientes. Assim, esse universo paralelo é construído de micro-universos, também simultâneos, que se cruzam no final do clipe, como não poderia deixar de acontecer.

A falha em Mistress Label é que o apelo visual de suas imagens não possui um bom encaixe com a música. Há muitas lacunas para se preencher o que dá em algumas pontas soltas. É uma pena que um trabalho tão bem elaborado não tenha uma sustentação para se tornar mais enfático.

Belas imagens não são suficientes para a eficácia de nenhum produto audiovisual.

Vídeoclipe relacionado

20 jun 2008

Muitas lacunas do The Fratellis

    » Escrito por Eduardo Dias | Categoria: Lançamento

Alguns dias depois de eu ter escrito sobre o The Ting Tings um novo vídeo surgiu na web. A jogação da vez é com a música Shut Up and Let Me Go.

Os elementos de That’s Not My Name e Great Dj continuam nesse clipe: a bateria marcando o ritmo das imagens, a ênfase na voz da vocalista, o uso freqüente de cores e formas geométricas e uma forte interação entre a dupla que compõe a banda.

É incrível a capacidade da banda de transformar uma letra triste, melancólica até, em uma música divertida e eletrizante. Eles conseguem levar essa energia também para as imagens, provando uma boa sintonia entre si e com o diretor.

Esse vídeo é um exemplo muito bom de montagem vertical: não há seqüência linear e temporal entre as cenas, pois elas são simultâneas e sobrepostas. Boa sacada em utilizar as mãos do casal para dar entrada para os diversos momentos do relacionamento do casal. Direção de arte e iluminação espetaculares. É impressionante não achar uma escorregada sequer nesse vídeo.

O efeito de abismo não é novo, recentemente, o White Stripes utilizou em Seven Nation Army. Mas The Ting Tings personalizou o efeito/truque do abismo ao optar por um maximalismo nas suas imagens para evitar comparações com o minimalismo do White Stripes (está de bom tamanho de serem uma banda formada por um casal).

Aproveitando, Shut Up and Let Me Go é trilha de um recente comercial do Ipod.

Imagem de Amostra do You Tube

Vídeoclipe relacionado

19 jun 2008

The Ting Tings arrasa novamente

    » Escrito por Eduardo Dias | Categoria: Lançamento

Snoop Dogg tinha uma tarefa difícil: fazer um videoclipe sucessor que não deixasse saudade do ótimo Sensual Seduction. A música eleita para esse desafio foi My Medicine, uma homenagem ao cantor country Johny Cash.

O rapper fez inteligentes escolhas para esse clipe. Primeiro, a música – assim como Sensual Seduction – se afasta do gangsta rap que o fez famoso e traz novas sonoridades, mostrando potencial de sobrevivência no mundo superpopuloso do rap americano. Em segundo, a utilização dos elementos do country no vídeo: figurino, instrumentos, locações e a temática de viagem e volta à terra natal sempre presente no country.

Imagem de Amostra do You Tube

My Medicine tem um cuidado em trabalhar texturas, cores, iluminação nas imagens. Ao trabalhar o apelo visual, o vídeo conquista uma distinção que tem potencial para prender a atenção dos espectadores. Nesse ponto, My Medicine se aproxima muito de Sensual Seduction, mas reformula a exploração da textura das imagens ao não se prender a um estilo de determinado período. Fotogramas de filme, fotografias, imagens aparentemente de VHS ou em sépia se intercalam durante toda o clipe.

A tarefa era difícil e Snoop Dogg foi inteligente e conseguiu superar o desafio ao utilizar o estilo do clipe anterior para destacar o videoclipe novo mesmo após um estrondoso sucesso do clipe anterior.

Vídeoclipe relacionado

18 jun 2008

A mão certa de Snoop Dogg

    » Escrito por Eduardo Dias | Categoria: Lançamento

Era impossível falar de Standing Next To Me, novo single e clipe do The Last Shadow Puppets sem falar antes de The Age of Understatement. Principalmente por causa do contraste que há entre os dois clipes. The Age… clipe – resenhado no post anterior – é grandioso e imponente, já Standing… é modesto, mas não menos inventivo.

Imagem de Amostra do You Tube

Standing Next To Me remete a algumas apresentações de estúdio e programas de TV dos Beatles – as referências visuais estão nas roupas, nos cortes de cabelo e no clima quase-ingênuo da música. Essa referência britânica foi mesclada a uma filmagem sem cortes e a uma importância da iluminação naquele cenário.

The Last Shadow Puppets faz um clipe de performance simples, mas utiliza elementos que incrementam o seu apelo visual como, por exemplo, o estranho corpo de baile que remete às dançarinas do ótimo clipe Brianstorm do Arctic Monkeys em uma versão mais light. A banda apostou na simplicidade e fugiu do simplório conseguindo um resultado expressivo.

Vídeoclipe relacionado

17 jun 2008

The Last Shadow Puppets acerta de novo

    » Escrito por Eduardo Dias | Categoria: Lançamento

Talvez devesse existir um gênero de videoclipe, assim como o clipe de performance, que reunisse os clipes relacionados a esportes. Desses, destaco o mais famoso Eletrobank do Chemical Brothers e com a Sofia Copolla interpretando a Nadia Comaneci. Além do óbvio clipe Uma Partida de Futebol do Skank, outro clipe mais recente é o If Only da KT Tunstall.

The Last Shadow Puppets é o projeto paralelo de Alex Turner, vocalista do Arctic Monkeys, que revela outros sons saídos da mente desse pequeno gênio. The Age of Understatement é o primeiro disco do projeto e a faixa homônima é o primeiro videoclipe da banda.

Imagem de Amostra do You Tube

Ambientado em cenários bastante expressivos, The Age of Understatement utiliza uma pista de patinação no gelo como palco para celebrar a personagem da música e utiliza as ambientações militares para contextualizar o esforço necessário para conquistar essa mulher, pois ela é forte e dura na queda.

Com inteligentes metáforas e cenários intrigantes, The Last Shadow Puppets faz um videoclipe repleto de minúncias e nuances. Estão presentes no vídeo diversas referências aos maiores poderes do séc. XX como a Igreja e os Estados Totalitários. Estas são marcas de artistas cuidadosos com seus produtos, o que os diferencia em meio a tanta trivialidade nos videoclipes.

Vídeoclipe relacionado