Videoclipes são uma interessante maneira dos músicos abordarem assuntos polÃticos ainda que suas músicas não se encaixem em um contexto de crÃtica. Esse é o caso do novo vÃdeo do Bloc Party, Mercury.
A intenção de uma crÃtica polÃtica e social não está clara, mas pode ser apreendida. O clipe também pode ser visto descolado desse posicionamento à medida que usa a narrativa do vÃdeo como metáfora para a “fabricação” de lÃderes e Ãdolos.
Com referências claras a algumas instituições americanas (cidades, órgãos públicos, universidade, programas de tv), uma guerra contra o Brasil (!) por causa de bananas é deflagrada, levando a versão do frankstein feita para o clipe à Presidência. É esse contexto que beira o absurdo que dá o tom cômico-polÃtico do clipe.
Por se dedicar ao desenrolar da história, o clipe explora a imagem através de elementos de cenário, ambientes e alguns letreiros. Escolha acertada, já que tentar construir uma pequena história com uma grande carga de informações é de grande dificuldade para um formato enxuto como o clipe.
Por trabalhar no limite do absurdo, o diretor e a banda ficaram livres para exagerar visualmente, o que se torna uma qualidade neste caso.
No balanço, Mercury é um bom clipe com uma engraçada história por ser estranha, que fica ofuscado pelo subtexto de discussão polÃtica e por pertencer a um momento de corrida presidencial. A polÃtica, infelizmente, tirará a crÃtica e a diversão um tanto quanto debochada das imagens desse videoclipe.

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