Os lançamentos do Portishead sempre são promessa de uma boa produção. Dessa vez se trata do clipe para Magic Doors, que faz a imagem pulsar com a batida marcada da música e sobrepõe imagens que remetem a lembranças de uma pessoa.
A associação de imagens – vemos um jornal, uma banana, imagens da Beth Gibbons, de pássaros na praia, de abelhas e muitas outras coisas – feita de maneira aleatória se trata dessas ligações mágicas que dão tÃtulo à música e são revistas na letra da música.
Ao contrário do clipe anterior, The Rip não possui nenhuma cena da banda ou de pessoas, sendo composto por uma animação surrealista cujas imagens não possuem relação imediata entre si nem com a música.
The Rip abre mão de constituir qualquer sentido, preferindo instigar e intrigar os espectadores com aquelas imagens estranhas e com um sentido obscuro. A animação tradicional explora a expressividade que o traço do desenho permite e abusa de sombreamentos, das cores fortes e exploram um movimento não-natural de seus personagens e da câmera pelos ambientes criados em desenho.
Ao combinar o ritmo das imagens com a música – operação banal dos videoclipes -, o diretor e a banda direcionam por qual meio nossa sensibilidade está sendo explorada e por quais elementos devemos nos aproximar desse clipe.
Apesar de utilizar um formato desgastado, o Portishead e o diretor buscaram – e conseguiram – transpor para a imagem a sua visão e seu sentimento em torno da música.