Revista O Grito! — Cultura pop, cena independente, música, quadrinhos e cinema https://www.revistaogrito.com Notícias, resenhas e artigos de arte, quadrinhos, cultura pop e cena independente Wed, 03 Jun 2020 18:47:54 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=5.4.1 FIQ em CASA: Festival Internacional de Quadrinhos realiza edição especial virtual https://www.revistaogrito.com/fiq-em-casa-festival-internacional-de-quadrinhos-realiza-edicao-especial-virtual/ https://www.revistaogrito.com/fiq-em-casa-festival-internacional-de-quadrinhos-realiza-edicao-especial-virtual/#respond Wed, 03 Jun 2020 18:47:37 +0000 https://www.revistaogrito.com/?p=84082 O Festival Internacional de Quadrinhos realiza o FIQ EM CASA, evento virtual que acontece entre os dias 5 de junho e 3 de julho através do YouTube e Instagram, além da plataforma de podcasts Anchor. A edição online segue uma tendência de diversos eventos culturais que tiveram suas edições canceladas ou adiadas por conta da pandemia do novo coronavírus. O FIQ 2020 estava previsto para acontecer entre os dias 27 de maio e 31 de maio, mas teve sua realização […]

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O Festival Internacional de Quadrinhos realiza o FIQ EM CASA, evento virtual que acontece entre os dias 5 de junho e 3 de julho através do YouTube e Instagram, além da plataforma de podcasts Anchor.

A edição online segue uma tendência de diversos eventos culturais que tiveram suas edições canceladas ou adiadas por conta da pandemia do novo coronavírus. O FIQ 2020 estava previsto para acontecer entre os dias 27 de maio e 31 de maio, mas teve sua realização adiada, com data ainda a definir.

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A nossa cobertura da última edição do FIQ

Esta edição especial do FIQ terá diferentes tipos de atividades, como lives com quadrinistas e animadores, em conversas sobre técnicas artísticas e de produção; entrevistas com pesquisadores, editores e produtores de conteúdo sobre as perspectivas do mercado; e a exibição de vídeos, nos quais os quadrinistas irão mostrar seu local de trabalho, rotina, material artístico e processo criativo em casa.

As lives começam nesta sexta (5) com um papo entre Germana Viana e Guilherme Kroll sobre perspectivas do mercado editorial. Na segunda (8) tem uma conversa sobre humor em tempos difíceis com Paulo Moreira. O FIQ em CASA tem ainda participações de Luli Penna, Laura Athayde, Igor Marques e Janaína de Luna, entre outros.

O acesso é gratuito. Aqui mais detalhes do evento virtual.

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Zeca Viana reafirma estilo lo-fi no novo disco, TRËMA https://www.revistaogrito.com/zeca-viana-reafirma-estilo-lo-fi-no-novo-disco-trema/ https://www.revistaogrito.com/zeca-viana-reafirma-estilo-lo-fi-no-novo-disco-trema/#respond Tue, 02 Jun 2020 20:55:00 +0000 https://www.revistaogrito.com/?p=84046 O cantor e compositor pernambucano Zeca Viana seu novo disco, TRËMA, todo feito em seu home studio durante o isolamento social causado pela pandemia do novo coronavírus. Com influências que passeiam pelo estado de sonho, sintetizadores e guitarras psicodélicas, o álbum flerta com elementos etéreos Desde o seu primeiro disco Seres Invisíveis, lançado em 2009, o músico vem desenvolvendo uma linguagem bastante própria através da gravação caseira, se tornando hoje uma das referências da música lo-fi nacional. TRËMA foi gravado, […]

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O cantor e compositor pernambucano Zeca Viana seu novo disco, TRËMA, todo feito em seu home studio durante o isolamento social causado pela pandemia do novo coronavírus.

Com influências que passeiam pelo estado de sonho, sintetizadores e guitarras psicodélicas, o álbum flerta com elementos etéreos

Desde o seu primeiro disco Seres Invisíveis, lançado em 2009, o músico vem desenvolvendo uma linguagem bastante própria através da gravação caseira, se tornando hoje uma das referências da música lo-fi nacional.

TRËMA foi gravado, mixado e masterizado pelo próprio músico em seu home studio Recife Lo-Fi entre as madrugadas dos anos de 2017 e 2020.

O novo trabalho conta com participações especiais de Carol Pudenzi e Kamila Ataíde nos vocais e Igor Taborg nas flautas. São 10 faixas que passeiam pelo de forma despretensiosa pelo Dream Pop, Krautrock e Synth Pop, com letras que nos remetem aos poetas simbolistas em passagens de faixas como “Alquimista”, ‘Fata Morgana” e “Amigo Umbilical”.

O disco está disponível nas plataformas de streaming e também no YouTube:

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DFB Festival, maior evento de moda autoral do país, realiza edição virtual https://www.revistaogrito.com/dfb-festival-maior-evento-de-moda-autoral-do-pais-realiza-edicao-virtual/ https://www.revistaogrito.com/dfb-festival-maior-evento-de-moda-autoral-do-pais-realiza-edicao-virtual/#respond Tue, 02 Jun 2020 20:24:41 +0000 https://www.revistaogrito.com/?p=84075 O DFB Festival, um dos mais importantes festivais de moda e economia criativa do Brasil, realiza edição inédita em formato virtual. O evento que ocorre tradicionalmente em Fortaleza, no Ceará, teve de ser cancelado por conta da pandemia do Covid-19. Com uma programação multidisciplinar, o DFB DigiFest reflete sobre o momento global de reflexão sobre as formas de consumo dos produtos culturais e os rumos da indústria da moda. O evento inclui debates, concursos de moda e ações sociais. Mais […]

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O DFB Festival, um dos mais importantes festivais de moda e economia criativa do Brasil, realiza edição inédita em formato virtual. O evento que ocorre tradicionalmente em Fortaleza, no Ceará, teve de ser cancelado por conta da pandemia do Covid-19.

Com uma programação multidisciplinar, o DFB DigiFest reflete sobre o momento global de reflexão sobre as formas de consumo dos produtos culturais e os rumos da indústria da moda. O evento inclui debates, concursos de moda e ações sociais. Mais detalhes no Instagram do DFB.

O diretor geral do DFB Festival, Cláudio Silveira, explica que “todo o planejamento do DFB DigiFest foi pensado para contemplar quem mais precisa de auxílio neste momento de crise, seja designer, aluno, artista, microempreendedor ou restaurante que teve suas atividades afetadas e seu faturamento comprometido”.

Por isso, o DFB DigiFest une forças com Enel para a doação de máscaras de proteção, que serão doadas a domicílios em áreas de vulnerabilidade social, localizados na Região Metropolitana de Fortaleza.

Veja a nossa cobertura da última edição do DFB Festival.

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Entrevista com Marcelo D’Salete: “O racismo opera na lógica de negar a humanidade dos outros” https://www.revistaogrito.com/plaf-entrevista-com-marcelo-dsalete-2/ https://www.revistaogrito.com/plaf-entrevista-com-marcelo-dsalete-2/#respond Tue, 02 Jun 2020 18:32:34 +0000 https://www.revistaogrito.com/?p=84058 Este texto foi publicado originalmente na edição impressa da revista Plaf. Você também pode ler todas as edições passadas em pdf e aqui comprar a edição atual. Tudo que cerca o mais recente trabalho de Marcelo D’Salete, Angola Janga, vem sublinhado pela dimensão grandiosa empreendida pela obra e seu artista: 11 anos de pesquisa, dezenas de livros lidos, viagens feitas e entrevistas realizadas que desembocam em 432 páginas de histórias em quadrinhos que se cruzam para, na dimensão simultaneamente do […]

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Este texto foi publicado originalmente na edição impressa da revista Plaf. Você também pode ler todas as edições passadas em pdf e aqui comprar a edição atual.

Tudo que cerca o mais recente trabalho de Marcelo D’Salete, Angola Janga, vem sublinhado pela dimensão grandiosa empreendida pela obra e seu artista: 11 anos de pesquisa, dezenas de livros lidos, viagens feitas e entrevistas realizadas que desembocam em 432 páginas de histórias em quadrinhos que se cruzam para, na dimensão simultaneamente do detalhe e do panorama, se aproximar das dimensões sensíveis e simbólicas de um dos maiores acontecimentos da História do Brasil: a existência de Palmares. 

Nenhum número, no entanto, consegue dar conta do quão importante é esse álbum, não apenas para os quadrinhos brasileiros, mas sobretudo para que se revisite as ferramentas narrativas, de uma maneira geral, que constituem o imaginário de ser brasileiro. 

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Na entrevista desta edição, D’Salete conversa sobre os processos internos e externos que o levaram a Angola Janga, as não tão sutis operações do racismo, a necessidade de se debater quadrinhos e negritude e as influências e referências que atravessam não apenas esse, mas como todos os seus demais livros.

Já são mais de dez anos de pesquisa pra você chegar a Angola Janga. E essa é uma narrativa que, como várias outras narrativas de resistência negra no Brasil, são apagadas ou minimizadas em nossos livros de História. Quando apareceu pra você a urgência de se fazer uma HQ sobre Angola Janga e, desde então, que tipo de material você foi buscar para compor esse trabalho?

Minha trajetória como alguém interessado em artes visuais começou cedo. Tive muita  influência do grafite e do hip hop na passagem dos anos 1980 para os 1990. Quando já estava um pouco mais velho, fiz um curso sobre História do Brasil focado na população negra. Era um curso com o Petrônio Domingues, no Núcleo de Consciência Negra da USP, em 2004. Ali tive contato com textos sobre Palmares. 

Lendo sobre o conflito, percebi o potencial para uma boa história em quadrinhos. Notava, por outro lado, que havia uma ausência dessas narrativas nos quadrinhos que tinha acesso. Em 2006 foi quando cheguei a ler um livro maior sobre Palmares. Isso foi antes de publicar Noite Luz (2008) e Encruzilhada (2011). Naquele momento, eu já sabia que fazer Palmares em quadrinhos seria um projeto de médio e longo prazo. Mas não imaginava que fosse durar 11 anos! Precisei de muita pesquisa e leitura pra encontrar o caminho certo. Meu propósito foi fugir de alguns arquétipos sobre escravidão, evitar as histórias que não aprofundam esses personagens e que os colocam somente como pessoas passivas. 

Pra isso, pesquisei imagens e textos da época. Aos poucos fui percebendo que os fatos sobre Palmares eram fatos registrados do ponto de vista dos soldados brancos. Pra mim, era importante tentar reconstruir a partir da ficção um certo universo cultural dessas pessoas, seus objetivos, princípios, sua cosmogonia, que era em grande parte Bantu, do Congo e Angola. Fui no Memorial dos Palmares, em Alagoas, para conhecer um pouco da geografia e clima do local. Tudo isso ajudou a montar esse quebra-cabeça e construir a narrativa. O nome Angola Janga, que pode ser traduzido como “pequena Angola” ou “minha Angola”, era um termo usado pelos próprios palmaristas no século 17 para se referir aos mocambos da Serra da Barriga. Considerei que era a melhor opção para o título do livro, na tentativa de trazer a perspectiva dessas pessoas para o centro.  

O racismo opera na lógica de negar a humanidade dos outros.

Imagino que, durante esse longo processo, muita revisão da tua própria história tenha se passado pela tua cabeça. O quanto esse livro também te ajudou e foi teu parceiro num processo de autorreflexão?

Este livro foi relevante para repensar nossa história e perceber o quanto ainda precisamos fazer para que essas narrativas não sejam esquecidas. Palmares e todo o sistema colonial do século 17 tinha conexões não só com o que estava acontecendo no Brasil, mas também com o que estava acontecendo na África, principalmente em Angola e Congo. Soldados luso-brasileiros atuavam nos dois lados do Atlântico naquele período, o Terço do Henrique Dias foi um exemplo disso. Em Angola, guerreiros da rainha Nzinga, capturados na guerra, chegaram a vir, escravizados, para o Brasil. Inclusive, os senhores de engenho de Pernambuco no século 17 temiam que houvesse contatos entre Palmares e líderes africanos escravizados.

Internamente, houve o acordo com Ganga Zumba que resultou nas terras de Cucaú em 1678, criando uma cisão com os mocambos de Palmares. Comparando com outros países, na Jamaica, por exemplo, houve negociações com o poder colonial que resultaram em acordos mais longos. Mesmo com a queda de Macaco, em 1694, e o assassinato de Zumbi um ano depois, Palmares ainda continuou por mais 20 anos. Existiam outros líderes quilombolas importantes nesse período, como Mouza e Camuanga. Esses fatos ainda conhecemos pouco. Provavelmente não há documentos novos a serem descobertos, mas precisamos, sim, fazer novas perguntas e interpretações sobre esse episódio. 

Cena de Cumbe, HQ com episódios passados durante o período da escravidão no Brasil. (Divulgação).

O quanto da tua própria história é conscientemente colocada nos teus trabalhos?

No meu caso é difícil dimensionar o quanto exatamente de mim está na história, mas com certeza tem muito. Construímos personagens a partir das nossas experiências, do nosso entorno. Além disso, é preciso pontuar que na história do Brasil, personagens negros, ainda mais no período colonial, são apresentados como secundários e terciários nas narrativas. É muito difícil você ver essas pessoas como sujeitos de suas ações, como indivíduos inteiros. 

Essa estratégia de apagamento relaciona-se à história do negro no Brasil, onde não é permitido que essas pessoas tenham uma representação complexa e muito menos reconhecimento. E qual o resultado disso? Naturalizar a sub-cidadania das pessoas negras e pobres ainda hoje. Essa naturalização alinha-se com o encarceramento em massa de uma juventude negra periférica que, quando não está presa, é tratada como ameaça e mesmo assassinada. Mas isso não sensibiliza grande parte da nossa população. Daí a importância de criar personagens negros que tenham complexidade, demonstrem afetividade. Afeto este que sempre foi negado em nossa história. Não podemos ter representações mais complexas, dentro dessa lógica, porque tudo isso te torna humano. 

E o racismo opera na lógica de negar a humanidade dos outros.

Cena de Cumbe. (Divulgação).

A maior parte do que foi criado sobre o imaginário do negro no Brasil é uma construção de pessoas brancas. Você sente em algum momento, enquanto artista negro, uma sensação de responsabilidade em empoderar outros jovens artistas negros a ocuparem os espaços de criação de imaginário?

Procuro fazer as histórias dialogando com minhas experiências e com o máximo de liberdade possível em termos de narrativa. Ao mesmo tempo, sei que estou inserido dentro de um universo social e cultural. Militei durante um tempo em alguns grupos negros. Meu trabalho, acho, tem muito dessa experiência. Principalmente depois de Cumbe (2015), encontrei leitores muito interessados nesse universo. Tenho feito algumas oficinas por aí e encontrado artistas novos que acabam vendo nesse trabalho uma referência.

Me interessam histórias que sejam significativas pra pensar nas possibilidade de um pensamento crítico sobre o que é ser negro e ser brasileiro nesse país. Esse imaginário do que é ser negro foi elaborado quase sempre por e para pessoas brancas. Se a gente for pensar no público negro lendo literatura, e especificamente literatura negra, isso é mais recente. No entanto, hoje esse público pode influir no debate público, como aconteceu com a Flip. Considero imprescindível ter autores negros produzindo obras sobre universos negros e sobre outros grupos, não negros. 

Por outro lado, não criamos essas histórias em um campo neutro. Vamos precisar discutir e dialogar com outras pessoas, autores e leitores, sobre essas representações. E é fundamental que autores negros também façam parte desse debate. 

Na história do Brasil, personagens negros são apresentados como secundários e terciários nas narrativas, é difícil ver essas pessoas como sujeitos de suas ações.

Tem muito de montagem de cinema no teu trabalho. Em Encruzilhada, chegam até a aparecer aquilo que, imagino, sejam algumas referências dos tipos de filme que te atraem. De que forma a linguagem cinematográfica passa pelo teu trabalho?

Aprendi a contar histórias a partir do cinema. Primeiro devido a influência do amigo Kiko Dinucci. Além de músico, ele é cineasta e me apresentou muitos filmes e escritores. Depois, aprendi a desenhar luz e sombra vendo obras do Cinema Novo e do neorrealismo italiano. Eu pausava o filme pra desenhar imagens em preto e branco. Desse modo, acabei aprendendo a contar histórias lendo roteiros de cinema. Sempre tive um fascínio muito grande pela forma de contar narrativas com imagens. Quando elaboro uma história, primeiro realizo o roteiro, depois o esboço das páginas e finalização. Muito do roteiro inicial muda nesse processo. Gosto de prestar atenção no ritmo das imagens, em como funciona esse encontro de uma cena com outra.

Existe uma visualidade muito particular do desenho em preto e branco e queria que você falasse mais sobre essa tua opção estética.

Meu desenho talvez não seja algo próximo daquilo que se costuma ver nos quadrinhos. Gosto bastante de trabalhos em preto e branco e me aproximei de artistas como o (Sergio) Toppi, o (Lorenzo) Mattotti, o (Alberto) Breccia, Taiyo Matsumoto etc. Todos eles foram referências fortes. Me fascinam as infinitas possibilidades do jogo de luz e sombra. E considero que ainda estou aprendendo a lidar com isso. 

Esse imaginário do que é ser negro no Brasil foi elaborado quase sempre por e para pessoas brancas.

Desde o Noite Luz, passando pelo Encruzilhada e chegando ao Cumbe, existe uma estrutura episódica nas tuas histórias. Mas mesmo dividindo a narrativa em capítulos que são aparentemente independentes uns dos outros, há também uma energia que todas compartilham. Há uma preocupação sua em manter essa energia circulando? E, segundo, Angola Janga mantém essa estrutura?

Todos os livros que fiz foram um processo de aprendizado tanto de desenho quanto de narrativa. Até hoje tenho um interesse muito grande pelo formato Conto na literatura. Gosto de histórias longas também, mas aprecio aquelas na qual cada capítulo funciona quase de maneira independente. No caso de Angola Janga, trabalhei com uma única história, mas dividida em capítulos. Angola Janga é um pouco diferente dos outros livros, justamente porque se assemelha mais a um romance. De qualquer forma, me interessam histórias que funcionem mais como um mosaico e menos como algo linear, de começo, meio e fim. Gosto de imaginar que a leitura e compreensão do todo é feita pelo leitor também. 

Quis fugir de arquétipos sobre escravidão, evitar histórias que colocam os personagens como pessoas passivas.

Com frequência, tanto eu quanto Dandara Palankof (duas das editoras da Plaf) somos chamadas pra falar sobre a “mulher nos quadrinhos”, porque o ambiente é sobretudo masculino e porque, sendo mulheres, talvez esse seja o tema que “nos cabe”. O quanto você é chamado para debater sobre “o negro nos quadrinhos”, ou esse é um debate que ainda passa longe das pautas desse universo?

Tem duas coisas que valem ser citadas aí. Primeiro, acredito existir uma certa ausência desse debate (sobre a negritude) dentro do universo das histórias em quadrinhos. Segundo, não tenho problema nenhum em falar sobre isso. Este tema perpassa minha obra. Porém, é preciso tomar cuidado pra não cairmos dentro de certas formas e discursos em que você somente pode falar a partir daquele local. São alguns perigos que temos que enfrentar, seja sobre a presença negra nos quadrinhos, quanto com a questão de gênero, imagino. Podemos falar sobre isso, mas podemos também falar sobre outras coisas, partindo de diferentes perspectivas. O espaço da arte é justamente aquele que permite você se colocar no lugar do outro. Mas, claro, pra se colocar no lugar do outro é preciso ter responsabilidade e profundidade.

Frantz Fanon, em Pele Negra, Máscaras Brancas escreve em certo momento: “O entusiasmo é, por excelência, a arma dos impotentes. Daqueles que esquentam o ferro para malhá-lo imediatamente. Nós pretendemos aquecer a carcaça do homem e deixá-lo livre. Talvez assim cheguemos a este resultado: o Homem mantendo o fogo por autocombustão.” Somente com entusiasmo você não consegue passar mais de dez anos dedicados a fazer uma HQ, como é o caso de Angola Janga. Você acredita nessa ideia de que é preciso sempre se manter em autocombustão para fazer as coisas acontecerem?

Autocombustão… O Fanon é incrível, né? Ele foi uma referência quando comecei a conhecer intelectuais  negros. O modo dele perceber e desnudar a realidade, tão camuflada por códigos e símbolos, me fascina. Um projeto longo como Angola Janga só é possível se você tem muita paixão durante todo esse tempo, talvez seja isso que o Fanon chama de autocombustão. Cada vez que lia um pouco mais sobre Palmares, ia entendendo os meandros da história e me apaixonava um pouco mais por ela. O que fiz foi uma ficção com base em fatos históricos. Espero que ela nos ajude a entender melhor como o Brasil, de séculos atrás, ainda está presente hoje, em muitos sentidos.

Angola Janga está à venda pela Veneta. O livro também ganhou edições em francês (pela Ça et La) e em inglês pela Fantagraphics.

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Conto: Le drâme de l’Hotel de France https://www.revistaogrito.com/conto-le-drame-de-lhotel-de-france/ https://www.revistaogrito.com/conto-le-drame-de-lhotel-de-france/#respond Tue, 02 Jun 2020 10:14:00 +0000 https://www.revistaogrito.com/?p=84053 Morri por uma overdose de ópio no Hotel de France, em Nantes, em 6 de janeiro de 1919. A guerra havia terminado e ainda convalescente de um ferimento provocado por fragmentos de um obus eu esperava a desmobilização de meu regimento de infantaria. Não tinha muita certeza do que iria fazer quando aquele dia chegasse. A ideia de voltar à medíocre vida burguesa, trabalhando na indústria de meu pai não me parecia a melhor coisa a ser feita, sobretudo após […]

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Morri por uma overdose de ópio no Hotel de France, em Nantes, em 6 de janeiro de 1919. A guerra havia terminado e ainda convalescente de um ferimento provocado por fragmentos de um obus eu esperava a desmobilização de meu regimento de infantaria. Não tinha muita certeza do que iria fazer quando aquele dia chegasse. A ideia de voltar à medíocre vida burguesa, trabalhando na indústria de meu pai não me parecia a melhor coisa a ser feita, sobretudo após conhecer Jacques.

 O impacto emocional do meu encontro com Jacques me lançara numa espécie de vida paralela bem diferente dos últimos anos mergulhado na lama das trincheiras em meio a corpos despedaçados. O humor fino e mordaz e o dandismo rebelde a la Wilde, me encantaram desde o primeiro momento em que nossas almas se encontraram no acampamento americano em Saint-Nazaire, no final de 1917. Jacques era como versos arrebatados de um poema de Verlaine e, ao mesmo tempo, um personagem anárquico e inusitado que parecia ter saído das páginas do Ubu, de Jarry. 

Assim como eu, Jacques também desdenhava da estupidez da guerra e nunca se rendeu à feiura e à sujeira reinante no front. Mantinha seus cabelos castanhos impecavelmente penteados para trás, o rosto belo e luminoso sempre sem pelos e o mesmo porte elegante dos personagens dos desenhos que vivia rabiscando, desde que tivesse uma folha de papel à mão. O passado familiar ligado à vida na caserna, seu avô e o pai foram militares, não era motivo de orgulho. Jacques preferia recordar o escândalo e a polêmica desencadeada na vida provinciana de Nantes com os escritos publicados, por ele e amigos, quando ainda era estudante, episódio que o levou a ser expulso do liceu onde estudava. 

Eu esperava os encontros com Jacques em meio a uma grande ansiedade. Na possibilidade de ter alguma licença, ficava imaginando se conseguiria vê-lo, se em vez de ficar em Nantes, quando poderíamos passar as noites perambulando pelos bares, ele não teria ido a Paris encontrar os seus amigos escritores e, entre eles, André, um jovem irreverente, cujo amor por Jacques era facilmente percebido. Minha maior alegria, portanto, era receber uma carta de Jacques confirmando que estaria me esperando para irmos ao cinema ou ao Teatro de Apolo, na rua Racine, assistir a uma peça de teatro.

Ao ver Jacques, a melancolia que me atormentava constantemente desde a minha convocação para a guerra, desaparecia. Os olhos miúdos cintilantes e o sorriso delicado desenhado pelos seus lábios finos quando me encontrava me davam a certeza da existência de um pacto entre nós que não precisara ser declarado. Não me importava com a sedução e o fascínio por ele exercidos sobre mim. Quando sua mão tocava o meu rosto e envolvia minha nuca, sentia meu espírito acariciado. Depois de jantarmos, bebermos algumas garrafas de vinho, invariavelmente íamos ao hotel onde entregávamos nossos corpos aos jogos do amor e fumávamos ópio, hábito adquirido com a guerra para suportar as dores físicas e existenciais por ela provocada.

No dia seguinte, ainda sob o efeito anestesiante da substância que a deusa Deméter tomara para esquecer o estupro de sua filha Perséfone, quase sempre ficávamos despidos deitados, horas a fio, falando de poesia, de teatro e dos projetos que Jacques não parava de idealizar. Por vezes, uma tristeza vaga, mas profunda nos invadia. O retorno ao front, a necessidade de manter aquele amor interdito aos olhos do meio onde vivíamos não raro levava Jacques a falar sobre o suicídio como solução para aquela angústia perene em nossas vidas.

Quando o armistício foi anunciado em novembro de 1918, os combates haviam cessado, mas o efeito de todos aqueles anos convivendo com a morte à espreita não desapareceu. Jacques me mostrou uma carta que escrevera para o seu amigo André. Após alguns comentários sobre o teatro de Apollinaire e as agruras da vida militar, ele dizia ter se recusado a morrer em tempo de guerra: só morreria quando ele quisesse morrer.  Na sequência, afirmava, porém, que morreria com alguém ao seu lado, de preferência com um de seus melhores amigos, pois, para ele, seria muito entediante morrer sozinho. Ao ler aquele trecho, aparentemente mais uma de suas boutades, lancei um olhar inquieto para Jacques e ele me sorriu. Disse para eu não me preocupar, seria eu, Paul, seu companheiro de partida.

Depois daquela carta, não mais me abandonou o espírito uma ligeira sensação de volúpia de morrer nos braços de Jacques. Ao menor desencanto, a uma irritação ligeira, meu coração sofria uma leve aceleração e via seu rosto próximo ao meu oferecendo sua boca para beijá-lo. Um beijo que poria fim aos nossos dias. Enquanto eu soçobrava na tristeza, Jacques expandia-se em excessos. Sob a justificativa de me alegrar, ele propunha nos entregarmos ao prazer, bebíamos absinto, dançávamos nos prostíbulos e no auge de nossos devaneios me dizia: Paul! A arte é uma loucura! Ela precisa ser engraçada e esmagadora! E seguíamos assim rindo, abraçados pelas margens da Loire. Quem visse aquelas demonstrações efusivas, apenas pensaria estar vendo os arroubos de dois jovens irresponsáveis embriagados, quando, na verdade, éramos dois corações enamorados e, ao mesmo tempo, fustigados pelas sombras de um destino incerto. 

Foi nessas andanças que conhecemos Warnow, um sammier, de pele morena, com bigode bem talhado e cabelos crespos cortados rente a nuca. Como boa parte dos soldados americanos acampados em França, Warnow transmitia vitalidade e alegria. Seu corpo bem feito e ágil exalava sensualidade e despertava desejos eróticos. Não tardou para que passássemos a fazer sexo os três. Durante alguns dias, o intenso prazer dividido desanuviou a amargura que nos acometia, embora na maioria das vezes, Warnow apenas observasse nossa intimidade como se admirasse a paixão com que Jacques e eu entregávamos nossos corpos um ao outro. 

Na noite do dia 5 de janeiro encontrei Jacques num café da rua Racine. Ele estava mais silencioso do que o habitual. Não dei muita importância a este fato, afinal havia dias em que era eu quem me comportava exatamente da mesma maneira. Pouco depois, Warnow chegou acompanhado por Émile e Marcel, um soldado da artilharia. Quando Jacques colocou sobre a mesa um pequeno pote de porcelana descobri que ele convidara os rapazes para fumar ópio e ficar de pernas para o ar, eufemismo para dizer que iríamos fazer sexo em grupo. 

Meu amor por Jacques não impedia nenhuma de suas propostas. Morte ou prazer, não havia distinção, estar ao lado de Jacques era o que importava. No meu quarto do Hotel de France nos lançamos ao consumo de cigarros egípcios e em um pequeno cachimbo a compartilhar o vapor inebriante do néctar das papoulas asiáticas. Marcel não gostava de ópio e decidiu ir embora. Pouco depois, Émile sentiu-se mal e nos deixou. Apenas Warnow ficou sentado na poltrona em frente a cama com o olhar perdido em seus próprios delírios. Eu e Jacques nos despimos e começamos a nos acariciarmos, até ficarmos excitados o suficiente para realizar aquele ato sublime que nos unia cada vez mais. 

De tantas vezes em que havíamos feito sexo, aquela de longe havia sido a mais intensa e iluminada. Jacques fixou seus olhos nos meus como nunca havia feito antes. Pela janela o sol de inverno lançava seus raios tênues aos nossos pés. Warnow dormia profundamente. Jacques pegou minhas mãos, as beijou com solenidade e encostou a palma da minha mão direita na sua face. Um nó na garganta e a vista embaçada me trouxeram de volta a sensação de volúpia que me perseguia há dias. Jacques pegou o pote de porcelana e disse que estava na hora de realizarmos o nosso último ato. Hipnotizado pela beleza do instante estendi a mão e nela Jacques colocou uma grande quantidade de pasta de ópio. Pegou também para si e, juntos, ingerimos a passagem para o desconhecido. Permanecemos deitados lado a lado, Jacques deu um sorriso com ares de vitória e eu o respondi com a mesma intensidade, um leve toque em nossas mãos foi o último gesto compartilhado em vida, em seguida as pálpebras pesadas pelo entorpecimento interromperam a entrada da luz até os nossos cérebros. 

Quando Warnor acordou encontrou os dois corpos sobre a cama. Desesperado, recompôs-se apressadamente e saiu correndo para avisar o gerente do hotel sobre o ocorrido. Quando a polícia chegou era tarde demais. Os pulmões de Jacques ainda se movimentavam de forma quase imperceptível. Tentaram reanimá-lo, mas em poucos segundo eles pararam de vez. Os jornais de Nantes noticiaram o episódio, omitindo os nossos sobrenomes por pertencermos a famílias importantes. Os corpos nus foram um problema para os jornais explicarem o que havia ocorrido. Falou-se em acidente, de inexperiência no consumo de ópio, de que a nudez seria uma espécie de ritual, rumores pela cidade falaram de encontros sexuais furtivos entre nós, mas em poucos dias o assunto foi esquecido.

As ligações de Jacques com escritores e artistas o transformaram, contudo, num personagem mítico da Nantes das letras e das artes. Anos depois, as cartas, a eles endereçadas, foram publicadas e sua influência sobre André o consagrou como um dos precursores de um relevante movimento artístico. O dândi excêntrico que usava lenços de seda nas trincheiras, que adotava, por vezes, um pseudônimo anglófono, fruto de seu domínio da língua inglesa e o trabalho como intérprete junto às tropas inglesas e americanas, sobreviveu ao corpo físico consumido pelos opioides. 

De mim ninguém disse muita coisa, a não ser que estava despido ao lado de Jacques. André, por conta da carta recebida meses antes, insinuou que Jacques preparara o seu suicídio como um ato teatral e que eu teria sido o coadjuvante e os demais amigos a plateia. André carregava uma estranha homofobia latente. Não me importei com o papel a mim atribuído. Na verdade, o meu amor por Jacques sempre foi maior do que tudo que foi dito a posteriori. Agora, vagando pela eternidade, carrego no meu corpo etéreo a luz violeta dessa paixão cuja intensidade ainda ecoa por aí inebriante e terna.

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Encontro indie potiguar, Plutão Já Foi Planeta faz cover do Talma&Gadelha https://www.revistaogrito.com/encontro-indie-potiguar-plutao-ja-foi-planeta-faz-cover-do-talmagadelha/ https://www.revistaogrito.com/encontro-indie-potiguar-plutao-ja-foi-planeta-faz-cover-do-talmagadelha/#respond Mon, 01 Jun 2020 15:30:32 +0000 https://www.revistaogrito.com/?p=84042 A banda potiguar Plutão Já Foi Planeta lança o single “O Roqueiro e a Hippie”, regravação da Talma&Gadelha, banda também de Natal. Com um som que trafega entre indie-pop e o rock, a Plutão Já Foi Planeta sempre tocou covers em seus shows. A faixa do Talma&Gadelha ganhou um arranjo de reggaeton, dançante e melódico na mesma medida. Quem comanda os vocais é a vocalista do grupo, Natália Noronha. “É a nossa forma de homenagear uma banda que admiramos e, […]

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A banda potiguar Plutão Já Foi Planeta lança o single “O Roqueiro e a Hippie”, regravação da Talma&Gadelha, banda também de Natal.

Com um som que trafega entre indie-pop e o rock, a Plutão Já Foi Planeta sempre tocou covers em seus shows. A faixa do Talma&Gadelha ganhou um arranjo de reggaeton, dançante e melódico na mesma medida. Quem comanda os vocais é a vocalista do grupo, Natália Noronha.

“É a nossa forma de homenagear uma banda que admiramos e, mais do que isso, fez parte da formação musical e da vida da galera mais jovem em Natal em meados de 2011, 2012. Também é uma maneira de mostrar nosso amor pela cidade”, comenta Natália.

A cantora complementa que “O Roqueiro e a Hippie” é apenas uma das músicas que ganharão versões de Plutão Já Foi Planeta. Segundo Noronha, ainda este ano, a banda fará o lançamento de um álbum com cinco músicas de artistas do Rio Grande do Norte, sendo uma delas uma canção inédita do quarteto potiguar. O lançamento é uma iniciativa do selo DoSol, através do projeto Incubadora DoSol.

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Katherina lança clipe de “Rainbow” inspirada nas forças da natureza https://www.revistaogrito.com/katherina-lanca-clipe-de-rainbow-inspirada-nas-forcas-da-natureza/ https://www.revistaogrito.com/katherina-lanca-clipe-de-rainbow-inspirada-nas-forcas-da-natureza/#respond Mon, 01 Jun 2020 15:08:11 +0000 https://www.revistaogrito.com/?p=84038 A cineasta grega-brasileira, dançarina, psicóloga e roteirista Katherina lança o clipe de “Rainbow”, canção que está no seu primeiro disco Lilith. O vídeo mostra uma mulher que se engessou diante dos desafios da vida agora posa rígida, fria e só. Ela se relaciona com elementos da natureza e quando consegue manusear poderosa o fogo assim como a chuva fazem-se presentes a mulher-água, o homem-dourado e o arco-íris. “Realizar esse clipe foi um desafio, a gente sempre acha que vai ser […]

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A cineasta grega-brasileira, dançarina, psicóloga e roteirista Katherina lança o clipe de “Rainbow”, canção que está no seu primeiro disco Lilith.

O vídeo mostra uma mulher que se engessou diante dos desafios da vida agora posa rígida, fria e só. Ela se relaciona com elementos da natureza e quando consegue manusear poderosa o fogo assim como a chuva fazem-se presentes a mulher-água, o homem-dourado e o arco-íris.

“Realizar esse clipe foi um desafio, a gente sempre acha que vai ser tranquilo, mas o encontro entre subjetividades somado ao êxtase da criação são sempre alquimias de um set a serem manuseadas com equilíbrio”, diz a artista. “Este clipe foi filmado no jardim da minha casa, em São Paulo, contou com uma elaborada direção de arte para tornar meu jardim uma selva. Conseguimos muitas plantas de corte da jardinagem da vizinhança, minhas filmagens sempre contam com essa magia do acaso.”

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Natalhão celebra diversidade no rap no clipe novo de “Nice” https://www.revistaogrito.com/natalhao-celebra-diversidade-no-rap-no-clipe-novo-de-nice/ https://www.revistaogrito.com/natalhao-celebra-diversidade-no-rap-no-clipe-novo-de-nice/#respond Mon, 01 Jun 2020 14:18:14 +0000 https://www.revistaogrito.com/?p=84034 Cria da Maré, a rapper carioca Natalhão faz um som que mostra a pluralidade e diversidade da música e principalmente do hip hop carioca. Em seu novo single, “Nice”, ela canta o amor em todas suas formas acima de preconceitos. A música conta com participação de LODK47 . No clipe, uma menina dá match em um casal em um aplicativo de relacionamentos e o clipe, dançante e vibrante e com referências à noite carioca, se desenrola com os papéis dos […]

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Cria da Maré, a rapper carioca Natalhão faz um som que mostra a pluralidade e diversidade da música e principalmente do hip hop carioca. Em seu novo single, “Nice”, ela canta o amor em todas suas formas acima de preconceitos. A música conta com participação de LODK47 .

No clipe, uma menina dá match em um casal em um aplicativo de relacionamentos e o clipe, dançante e vibrante e com referências à noite carioca, se desenrola com os papéis dos gêneros na sociedade e como isso é uma construção.

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“Essa música e esse clipe deseja mostrar os 2 lados da moeda, que a realidade de um homem pode ser a msm pra uma mulher também. Eu falo da sociedade também como um todo com a frase ‘vocês vão me amar até se não quiserem’ porque é um pouco disso, se eu ostentar tudo que eles sonham de certa forma eles vão me amar mesmo que não queiram. Daí a questão de que posso ter mulheres, joias e tanto dinheiro quanto o maninho do feat”, conta ela.

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Faça Uma Playlist: “Your Song”, Elton John https://www.revistaogrito.com/faca-uma-playlist-your-song-elton-john/ https://www.revistaogrito.com/faca-uma-playlist-your-song-elton-john/#respond Mon, 01 Jun 2020 13:31:01 +0000 https://www.revistaogrito.com/?p=84031 Ele desconfiou do futuro daquela relação quando pediram os chopps logo depois de terem assistido a um filme de Tarantino e ela desdenhou da paixão dele por Elton John. “É brega”, ela sentenciou, definitiva. Ele despejou todo o chopp garganta abaixo e preferiu não responder. Não queria estragar a noite. Riram, contaram histórias engraçadas e tristes, reclamaram um pouco, sonharam com planos mirabolantes. A noite passou rápido e ela preferiu ir para casa. Sozinha. No pequeno apartamento, ele, ainda apostando […]

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A série Faça Uma Playlist traz contos inspirados em clássicos musicais de diferentes gêneros, épocas e estilos. Os textos são assinados por Ismael Machado, roteirista e escritor paraense, radicado no Rio de Janeiro, autor do livro Sujando os Sapatos – O Caminho Diário da Reportagem, entre outros. As artes são de Igor Alves, ilustrador e DJ paraense, atualmente residente em Portugal.

Ele desconfiou do futuro daquela relação quando pediram os chopps logo depois de terem assistido a um filme de Tarantino e ela desdenhou da paixão dele por Elton John. “É brega”, ela sentenciou, definitiva. Ele despejou todo o chopp garganta abaixo e preferiu não responder. Não queria estragar a noite.

Riram, contaram histórias engraçadas e tristes, reclamaram um pouco, sonharam com planos mirabolantes. A noite passou rápido e ela preferiu ir para casa. Sozinha.

No pequeno apartamento, ele, ainda apostando fichas na relação, pôs ‘Don’t go breaking my heart’ para tocar e fez uma dancinha desengonçada, mas feliz.

Marcaram novos encontros. Começaram a namorar. E ele, mesmo evitando tocar no assunto, sempre recorria a Elton John nos momentos de oscilações no relacionamento. Quando dormiram juntos a primeira vez ele amanheceu ouvindo “Rocket Man”. Ela torceu o nariz, e ironizou enquanto tomavam o café da manhã. Logo após a primeira briga feia, ele chorou sozinho ouvindo Mona Lisas and Mad Hatters. Quando se reconciliaram, ele reviu diversas vezes a cena de Quase Famosos, com a música “Tiny Dancer”.

Um dia a relação chegou ao fim, como tudo na vida. Ele passou dias e noites ouvindo canções melancólicas como “Goodbye Yellow Brickroad”, “Daniel”, “Skyline Pigeon” ou “Benny and the Jets” na voz de Nei Lisboa.

Um dia recebeu uma mensagem. Fazia meses que não trocavam palavras. Ele quase nada sabia dela. Evitava.

A mensagem era curta. “Você tinha razão. Ele é foda! E você pode contar pra todo mundo que essa é a tua canção”. O arquivo tinha um anexo. Ele o baixou e o suave som do piano deu vez a uma voz já tão conhecida. “It’s a little bit funny this feeling inside/I’m not one of those who can easily hide”. Ele primeiro sorriu. Depois chorou. E ‘Your Song’ se fez ouvir durante todo o dia. 

Leia mais contos da série:

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Escritor e músico, Daniel Pandeló Corrêa estreia com o EP Invocações https://www.revistaogrito.com/escritor-e-musico-daniel-pandelo-correa-estreia-com-o-ep-invocacoes/ https://www.revistaogrito.com/escritor-e-musico-daniel-pandelo-correa-estreia-com-o-ep-invocacoes/#respond Mon, 01 Jun 2020 11:26:00 +0000 https://www.revistaogrito.com/?p=83896 O escritor e músico Daniel Pandeló Corrêa lança o EP de estreia, Invocações mesclando poesia falada e música. A obra traz poemas inspirados do Rio de Janeiro a Paris. Após relançar seus três primeiros livros em formato digital, Pandeló Corrêa apresenta uma nova faceta de seu trabalho no EP “Invocações”. O álbum mescla spoken word e música, e inaugura uma série de lançamentos em áudio do autor, que já anunciou o álbum “Voando reto num muro de tijolos” para o […]

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O escritor e músico Daniel Pandeló Corrêa lança o EP de estreia, Invocações mesclando poesia falada e música. A obra traz poemas inspirados do Rio de Janeiro a Paris.

Após relançar seus três primeiros livros em formato digital, Pandeló Corrêa apresenta uma nova faceta de seu trabalho no EP “Invocações”. O álbum mescla spoken word e música, e inaugura uma série de lançamentos em áudio do autor, que já anunciou o álbum “Voando reto num muro de tijolos” para o dia 06/07.

A estreia na literatura aconteceu com Bucolidade Urbana aos 16 anos. De lá para cá, Daniel Pandeló Corrêa vem transitando entre a poesia, a composição musical, o conto e a novela – desde então, já lançou também o cordel Nadastar (2007) e Tristes camelos (2009).

Ouça o EP

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