Foto: Priscila Buhr

A Nação Zumbi tinha dito que o show de ontem na Feira Música Brasil, no Recife seria ines­que­cí­vel. E foi. Como o pior da banda.

No show de gra­va­ção do segundo DVD do grupo, uma série de erros com­pro­me­te­ram a apre­sen­ta­ção. Primeiro com o atraso de uma hora. Depois, pelas inter­rup­ções. Quem con­se­guiu ver o show todo, como o Recife Rock e o blog Acerto de Contas, se decepcionaram.

Hugo Montarroyos escre­veu no Recife Rock.

E aí veio a Nação Zumbi. E, com ela, gente saindo pelo ladrão. Até pare­cia noite de car­na­val. E come­ça­ram os pro­ble­mas. Logo na aber­tura, com “Fome de Tudo”, deu pane no palco, e mal se ouvia o que Du Peixe can­tava. Ainda ten­ta­ram dar sequên­cia com “Hoje, Amanhã e Depois”. E, na ter­ceira música, tive­ram de parar. Du Peixe pediu des­cul­pas e disse que a banda vol­ta­ria em dez minu­tos. Voltaram, toca­ram “Etnia”, e nova­mente não se ouvia o vocal. O pro­blema, infe­liz­mente, acon­te­ceu em pelo menos 80% do show. Arnaldo Antunes pre­ci­sou ser cha­mado duas vezes para can­tar “Antene-se”. Zeroquatro tocou cava­qui­nho e can­tou em “Rios, Pontes e Overdrives”, mas o som não cola­bo­rava. “Risoflora” ficou sem voz durante quase toda a sua exe­cu­ção. A banda estava visi­vel­mente – e com razão – irri­tada. O grande momento do show aca­bou sendo “Cidadão do Mundo”, onde o grupo pare­ceu des­car­re­gar toda sua raiva.

Foi anun­ci­ado então um inter­valo de cinco minu­tos para a entrada dos Paralamas do Sucesso, que aca­bou se con­ver­tendo em quase meia hora de espera. Tocaram uma ver­são espe­ta­cu­lar de “A Praieira”, bem dife­rente da ori­gi­nal, e emen­da­ram com “Selvagem”, do Paralamas. E aí resolvi que já era hora de ir embora.

Pierre Lucena, do blog Acerto de Contas.

Antes do show come­çar a praça do Marco Zero estava total­mente lotada, o que não é difí­cil, pois não se trata de uma área tão grande para shows gra­tui­tos. Aliás, não sei quem inven­tou que ali era um bom lugar para fazer shows. Para car­na­val serve, pois a festa se espa­lha pelo Bairro, mas para um evento único, e gra­tuito, o espaço se torna muito pequeno.

Apesar do belo palco e ilu­mi­na­ção, o som estava pés­simo, e só foi melho­rar do meio para ao fim do show, e mesmo assim longe de qual­quer padrão mínimo de qua­li­dade. Quem não estava na frente do palco só ouvia o que rolava como som ambi­ente. Os ins­tru­men­tos todos aba­fa­dos, com excesso de “gra­ves”, pra­ti­ca­mente não se escu­tando a voz de Jorge Du Peixe.

Depois de três músi­cas a banda inclu­sive inter­rom­peu o show por alguns minu­tos para arru­mar o som. Além disso, como é nor­mal em gra­va­ções de DVD, vol­ta­ram para repe­tir músi­cas com pro­ble­mas na apre­sen­ta­ção.

O curi­oso é que muita gente não con­se­guiu nem mesmo che­gar ao local dos show, no Marco Zero, tra­di­ci­o­nal palco para shows de grande porte. Nação Zumbi é uma banda com um apelo popu­lar indes­cri­tí­vel no Recife. Pessoas de todas as parte da Região Metropolitana vem até o show, como se fosse um cha­mado. As ruas no entorno da praça esta­vam api­nha­das e várias bri­gas foram regis­tra­das. Qual lugar no Recife com­porta um show gra­tuito da Nação Zumbi? Nenhum.

Fui a um show do grupo no Carnaval do Recife, em 2005, no Rec Beat. O palco era menor e o espaço ficou aper­tado para tanta gente. Resultado: uma das pio­res expe­ri­ên­cias que já pre­sen­ciei. A impres­são que dava era que exis­tia uma briga gene­ra­li­zada e que seria piso­te­ado. Demorei 40 minu­tos para me eva­dir por uma das ruas ao lado do Paço Alfândega, onde acon­te­cia tudo. A banda, claro, não tem muito a ver com isso, mas ao mesmo tempo em que se dis­cute a infra-estrutura para espe­tá­cu­los na cidade, se reflete tam­bém sobre o tama­nho que ela alcan­çou hoje em dia.

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