Imprensa

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Segunda de descoberta de novas revistas. Todas do ótimo blog Nas Capas, um depositário de publicações do mundo todo.

Esta Indie Magazine, da Austria é uma das mais bacanas revistas de moda que já conheci. Sem autoridade e com bom-humor, tem editoriais um tanto esquisitos, nem sempre com foco em coleções.

Na edição atual, traz ainda matéria com a dupla canadense Crystal Castle. Dá pra ver a edição na web, naquele esquema “flap” em flash.

Melhor: o blog oficial da revista, o The Pet Fanclub traz cobertura de moda e algumas seções fixas (e bizarras), como uma que mostra famosos ou não posando com uma pelúcia.

Olha:

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A atriz espanhol Penélope Cruz é a capa da edição de janeiro de 2010 da Interview. Fundada por Andy Warhol em 1969, a publicação vive sua melhor fase atualmente em anos.

Quem assina o editorial é o fotógrafo Mikael Jansson e o texto a atriz francesa Marion Cottilard (Piaf). O legal é que esse revistão vende em revistarias grandes ou na Livraria Cultura.

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Mais listas da década: RS

A Rolling Stone gringa mandou bem na sua capa especial de melhores discos e músicas da década. Será que a edição brasileira fará uma igual?

Safe choice, o melhor disco dos anos 2000 para os editores da RS foi Kid A, do Radiohead.

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Vale a pena gastar um tempinho vendo esses virais de 2009 escolhidos pelo blog Videogum. Vamos lá. Relembre o quanto você procrastinou no trabalho esse ano vendo esse clipezinhos.

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Esso

Amigos/colegas venceram o Prêmio Esso de Jornalismo, o mais importante do jornalismo brasileiro.

Schneider Carpeggiani ganhou o prêmio principal com o especial Os Sertões, que ele fez com a Fabiana Morais, que idealizou o projeto. Os dois trabalham no mesmo caderno no Jornal do Commercio, onde saiu a reportagem.

Schneider também é o DJ residente da festa Hola, Que Tal, que produzo com o pessoal da Revista O Grito!.

Já a Erika Corrêa venceu por Contribuição à Imprensa com seu Museu da Corrupção, do jornal Diário do Comércio.

Parabéns, fellas.

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O Fábio Bianchinni escreveu um post interessante neste dia que comemora os 15 anos da morte de Mussum.

Hoje, na onda da discussão sobre o twit do Danilo Gentili, também faz todo o sentido lembrar que o tipo de humor dos Trapalhões também renderia acusações de racismo, entre outras. Afinal, Didi chamava Mussum de “grande pássaro”, “cromado”, “suco de peneu” (com essa pronúncia aí mesmo), entre várias outras. Quando era para negar alguma possibilidade, Mussum dizia “quero morrer preto se tal coisa acontecer”. Amigo meu lançou “sobre perpetuação de preconceitos: se o Costinha surgisse hoje, quanto tempo até ele tomar um processo de alguma organização lgbt?”. E aí?

É algo que me causa muito interesse esse humor cheio de cuidados e sanções. Este #Mussumday instituído no Twitter talvez nos renda mais munição para o debate.

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Fiz esta matéria sobre o novo disco do Silvério Pessoa como encomenda do JC Online. Eles postaram também um vídeo que fiz do músico no estúdio, explicando o conceito do álbum.

Com proposta filantrópica, novo disco de Silvério Pessoa aposta em temática do bem

Sinônimo da música popular pernambucana, Silvério Pessoa lança esta semana o disco Ciclos, o quinto de sua carreira e o primeiro com uma proposta filantrópica. Com participação de Elba Ramalho, o álbum terá parte da renda destinada a instituições que trabalham com crianças órfãs e com câncer e ainda a abrigo de idosos.

Segundo o músico [veja vídeo abaixo], o lançamento funciona como um trabalho independente do que vem fazendo em mais de dez anos de carreira. As músicas passeiam por uma sonoridade folk, rural, com mais instrumentos de cordas. “O clima das canções é ameno, revestido de levadas universais com base no folk e ritmos locais, como é o caso de Alma gêmea, um xote com frases de acordeom”.

A proposta é que o disco ganhe uma repercussão por si próprio. Por esse motivo, Silvério não tem planos para shows nem apresentações. “Minha vontade é gravar um DVD ao vivo, mas em estúdio, sem plateia. Porque acho que o que há de mais bonito neste registro é sua atmosfera mais intimista, reflexiva”, explicou.

Ciclos retoma um antigo projeto de Silvério, Quando a vida é alegria, uma fita K-7 lançada em 1993 quando o músico era ligado a grupos de ações sociais de Jaboatão dos Guararapes, como o Comitê da Cidadania Contra a Fome, e atividades com crianças e professores.

“Depois de dez anos de carreira, entre viagens ao exterior e atividades locais, consegui espaço na agenda para fazer esse trabalho”, comemora. As letras abordam temas universais, como ecologia, solidariedade, paz, família, amizade e existência de Deus. Assim como a fita K-7 que deu início a tudo, o disco também foi feito com a proposta de servir de auxílio pedagógico a instituições que trabalham com crianças e adolescentes.

“É minha contribuição como pedagogo”, brinca. E avisa que não se trata de um disco religioso, como podem sugerir a dedicatória ao médium Chico Xavier e a Oração de São Francisco cantada por Elba Ramalho. “São músicas para reflexão, independente do credo”, avisa.

Com dez faixas, o CD teve seis canções assinadas por Silvério e três em parcerias com os músicos Robson e Izabel, Valdir Dantos e Clóvis Nunes, além de Elba.

BENEFICENTE – A distribuição da renda do disco Ciclos, destinada a instituições de caridade, seguirá um modelo independente. O músico doará cópias dos álbuns aos órgãos para que eles possam comercializar a obra.

Os interessados poderão comprar o produto diretamente às instituições, através do telefone (serviço abaixo). Nesta primeira fase, serão três casas beneficiadas: Abrigo Batista de Carvalho; SOS Criança, ligado ao Grupo de Ajuda a Criança com Câncer (GAC); e Lar Ceci Costa.

Segundo o músico, lojas de discos e livrarias também venderão o disco a partir desta semana. Os lucros da primeira remessa deste tipo de compra serão destinados aos custos do produção e às seguintes terão uma parte enviada aos órgãos filantrópicos. O valor sugerido para o CD é R$ 10.

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Série de resenhas que escrevi para a edição #06 da revista Coquetel Molotov. A capa é de Guizado. A revista tem distribuição gratuita e pode ser conseguida pelo www.coquetelmolotov.com.br

GUI BORATTO – Take My Breath Away (Kompkt)
Desde que lançou “Beautiful Life” seu maior hit até agora, Gui Boratto não largou mais a alcunha de DJ mais bem-sucedido do País. Assim como o álbum anterior, Chromophobia, este Take My Breath Away também foi editado pelo selo alemão Kompakt, e já ganhou repercussão lá fora mesmo antes de um lançamento por aqui. Boratto continua firma nas experimentações do minimal house, gênero conhecido por uma elegante discrição e certas viagens hipnóticas, mas agora reforça seu intuito em botar as pessoas para dançarem. “Atomic Soda”, com batidas sujas, é a mais pesada do disco e é um chamariz para pistas, assim como “Besides”, cheia de barulhinhos. E se tem algo que o DJ e produtor brasileiro ficou conhecido é pelo seu talento em criar melodias de forte impacto no ouvinte, caso de “No Turning Back”. Aqui, sai o Gui Boratto esteta e entra o curador de temas emotivos e passionais.

JEMAPUR – Evacuation (W+K Tokyo Lab)
Toshiaki Ooi é um ilustre desconhecido no meio independente mundial, e isso não se deve ao fato dele ser japonês. Com seu projeto Jemapur, Ooi se aventura em estilos sem muito apelo pop, além de mostrar um claro interesse em experimentações de toda sorte. Com apenas 23 anos, ele lança este Evacuation, uma orquestra um tanto caótica, que vai do industrial ao Hip Hop, passando pelo Dubstep, ritmo em alta na cena eletrônica e o IDM. Para os que mantiverem a paciência durante toda a audição do álbum, vai poder conferir as boas intenções do rapaz. A principal delas é “Maledict Car”, música com tons psicodélicos, que ganhou até um bom videoclipe. “Panter Time” também é outra boa surpresa. Para quem quiser apostar no garoto, a filial japonesa da EMI comprou os direitos de distribuição deste disco.

THE VERY BEST – Esau Mwamwaya and Radioclit are the Very Best (Ghettopop/Green Owl)
Desde que a primeira década do século começou, a música pop já mostra sinais de que está interessada em ritmos menos ortodoxos. O projeto The Very Best é a prova de que a junção entre hits do Ocidente e a África é algo que pode render frutos criativos. A dupla franco-sueca Radioclit se uniu ao artista malauie Esau Mwamwaya e fez uma mixtape onde passeiam por canções de M.I.A. a Vampire Weekend. Mais do que ser um ótimo trabalho de copy+paste, o disco mostra de forma bem-humorada o quanto é rica a musicalidade africana e como ela se casa tão bem ao panorama pop atual. Entre divertidos remixes e samplers, ao menos duas músicas já são hits em pistas: “Kamphopo”, que remodela “Heart It Races” do Archicteture In Helsinki e “Get it Up”, que tem participação de M.I.A. e Santogold.

BURAKA SOM SISTEMA – Black Diamond (Enchufada/Sony-BMG)
O Buraka Som Sistema é uma banda de Portugal que ficou conhecida por reentroduzir o ritmo Kuduro na cena musical de Lisboa e, em menor proporção, no resto do mundo. Mas, os méritos da banda ainda vão além. Eles foram até a África, mais precisamente Angola e Moçambique e redescobriram novos estilos, entre eles o Semba, o Kalemba, entre outros. Nessa multiculturalidade, sobrou espaço até para o funk carioca, com a participação de Deize Tigrona em “Aqui Pra Vocês”. Tem muita gente apostando na proposta, até mesmo M.I.A., que canta em “Sounds Of Kuduro”. Resta saber o grupo terá fôlego para sobreviver após o estouro da bolha que foi o sucesso do kuduro.

N.A.S.A. – The Spirit Of Apolo (Anti-Records)
Este disco do N.A.S.A. era um dos lançamentos mais aguardados desde que foram divulgados seus participantes: Tom Waits, David Byrne, Karen O., dos Yeah Yeah Yeahs, Spank Rock, Chuck D, Lovefoxxx, do CSS, a onipresente M.I.A. e mais outra dezena. A ideia de juntar tanta gente de estilos tão díspares foi do norte-americano Squeak E. Clean e do brasileiro Zegon. Um caldo tão heterogêneo que vai do Samba ao Hip Hop poderia desandar para algo caótico, já que tantos estilos costurados comprometem um pouco da unidade do trabalho. Mas, conceitualmente, The Spirit Of Apolo é isso mesmo, um imenso caldeirão, onde as músicas funcionam, cada uma, como um hit em potencial. Em tempos de Last.FM e blogs de MP3, esta talvez seja a premissa dos tempos atuais. Ouça no random mode.

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Revista O Grito! 76

Ontem foi publicado a edição 76 da Revista O Grito!. A capa é do Spacca, quadrinhista nacional que lança este mês Jubiabá, adaptação de um livro de Jorge Amado. O livro sai pelo novo selo de quadrinhos da Cia das Letras, o Quadrinhos na Cia. Ele, na verdade, sempre foi a menina-dos-olhos da editora, que vendeu milhares de cópias de Santô e os Pais da Aviação. O autor ainda não teve, na minha opinião, destaque merecido.

Quem fez o texto foi nossa repórter de quadrinhos, Lidianne Andrade. Nesta edição também estreia nossa nova fase, com o início das comemorações de 2 anos da revista. E vem mais novidades por aí.

Dá uma sacada no índice.

Capa
Spacca

Com sagacidade, cartunista paulista leva aos quadrinhos o livro Jubiabá do baiano Jorge Amado

SOCIEDADE / CYBERSPAÇO
Gawker, um dos principais blogs dos EUA é ameaçado por reformulações

ARTES VISUAIS
Os dilemas e conflitos de O Lugar Dissonante, no Salão de Artes Plásticas de Pernambuco
Galeria: Alejandro Zambrana e o outro olhar das romarias

LIVROS
Especial Chico Buarque: autor invade os cinemas e as livrarias com lançamentos em seu nome
Preview de Leite Derramado

MÚSICA
Passion Pit corre para ser a mais relevantes das surpresas de 2009
O primeiro disco do Inverness
Entrevista com o prodígio Leo Gandelman, saxofonista de 21 anos
A Pedreira Paulo Leminski pode ser fechada para sempre
+ Música: Re-lançamento luxuoso do Pearl Jam e Diana Krall

CINEMA
Falando sobre incesto gay, Do Começo Ao Fim cria hype antes da estreia
DVD: Filme abusa da fama de Julia Roberts
DVD: Hooligans 2 não supera seu já superior filme de estreia
+ Cinema: Um Noite no Museu 2, W e Vocês, Os Vivos

QUADRINHOS
Entrevista com Eloyr Pacheco rememora trajetória das HQ’s no Brasil
+ Quadrinhos: Sequência de Diário de Um Banana, novo encadernado dos Fugitivos e um livro para (tentar) explicar a DC
Tira: João Montanaro

COLUNA
Felipe Attie: No Bar da Esquina

EDITORIAL
Dois anos já!

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A África foi hype ano passado, mas o grupo Buraka Som Sistema tomou de assalto a música pop – mais precisamente dos EUA – no início deste ano. Eles se utilizam do estilo kuduro, de Angola para promover misturas com outros ritmos como música eletrônica e funk.

Escrevi a matéria do disco novo, Black Diamond para a Continente de maio. Como a revista saiu das bancas, reproduzo o texto abaixo.

Efeitos sonoros em composição eclética
O grupo português Buraka Som Sistema, que mistura o kuduro de Luanda com música eletrônica e hip hop, lança Black diamond, disco bem-recebido pela crítica

Cantado em português, com uso de ritmos oriundos de países como Angola e Brasil, o grupo Buraka Som Sistema é um caso curioso de sucesso dentro do cenário pop internacional. Desde que lançou o disco Black diamond nos EUA, em fevereiro deste ano, a banda acumula êxitos. O mais recente é a escalação para um dos maiores festivais musicais do mundo, o Coachella, na Califórnia, que recebe mais de 170 mil pessoas em seus três dias de shows. A agenda da turnê ainda passa por mais 17 cidades até junho. A premissa básica foi misturar o kuduro, gênero nascido na periferia de Luanda, com música eletrônica e hip hop.

Natural da cidade de Amadora, um dos distritos de Lisboa, o Buraka Som Sistema fez sucesso em 2006 com o single Yah, despertando interesse de bandas e produtores europeus que os incluíram em seus sets. Depois de dois EPs lançados com tiragens baixas em Portugal, eles alcançaram inesperada repercussão com Black diamond, álbum que levou o grupo ao panorama da música eletrônica, quando propôs criativa mistura de música eletrônica com os ritmos tocados nas periferias de Luanda e Lisboa. O disco, ainda sem previsão de lançamento no Brasil, foi lançado pela multinacional Sony BMG, em parceria com o pequeno selo luso Enchufada. Até o momento, já alcançou disco de platina, com mais de 10 mil unidades vendidas apenas em Portugal.

A gênese desse sucesso faz parte de uma conjuntura pela qual passa a música do Ocidente, de buscar uma interação com a chamada “periferia” do mundo globalizado. Neste caldo de forte apelo étnico, produtores e DJs da Europa estão indo até a África em busca de novas sonoridades. Este novo tipo de “african pop” vem cheio de aparatos modernos, mas traz referências à música tradicional de países como Angola, Moçambique, Congo e Malauí.

A experiência antropológica do Buraka Som Sistema passa longe do puramente exótico. Surge num contexto de uma Europa cada vez mais miscigenada e tenta criar novos significados para a interação luso-africana, sem negligenciar anos de dominação europeia no continente. O kuduro angolano é o principal ponto de ligação. Ritmo de fortes influências tribais, ele ganhou roupagens modernas nas periferias portuguesas, como o electroclash, dance music e rap. O BSS aproveitou esse processo em ebulição e lançou o projeto que logo foi apelidado de “guettotech”.

A boa aceitação que o álbum teve na imprensa especializada tornou o kuduro conhecido entre outros públicos. Serviu também para apresentar ritmos que, mesmo soterrados sob roupagens modernas traz diversas ligações com uma África tradicional. A música “Kalemba (Wegue Wegue)”, resgata o Semba, ritmo tradicional de Angola e tem versos em quimbundo, uma das línguas bantas mais faladas em Angola.

Coletivo global
O sucesso do kuduro através do trabalho de produtores europeus tem semelhança com a trajetória do funk carioca no cenário internacional. Os portugueses do Buraka Som Sistema foram além e criaram com Black diamond uma espécie de sintonizador de tendências e ritmos oriundos da África, Brasil e Europa. Estão lá o funk, com a participação da cantora Deize Tigrona, os britânicos do Vírus Sindycate, a rapper anglo-cingalesa M.I.A., que toca a música cartão-de-visita da banda, “Sounds Of Kuduro”, além de cantoras angolanas e portuguesas, como Pongo Love, Puto Prata e MC Saborosa.

A banda consegue jogar luz sobre diversos artistas, que longe de ficarem presos ao moribundo rótulo de “world music” fazem parte do cenário da música pop, sem que com isso precisem se despir de suas origens locais. Mais do que um curioso sucesso do momento, o Buraka Som Sistema pode ser parte de uma nova ordem mundial na música popular mundial.

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