
Críticos nos EUA estão comentando as similaridades entre o épico alien Avatar e Dança Com Lobos. E muitos estão chamando o filme de racista, por mostrar, mais uma vez, o homem branco como esperança de um povo.
Assim como Dança Com Lobos, o filme dirigido por James Cameron também mostra um homem branco se infiltrando entre os nativos e se tornando um grande líder.
O filme é memorável por sua experiência em 3D e os efeitos visuais que poderão influenciar o modo como vemos cinema no futuro. Mas o roteiro não é apenas convencional, é pobre. Temos aqui os velhos clichês de filmes de aventura que mostram arquétipos caducos, como o herói que se transforma após privações, a especialista/intelectual que apresenta o novo mundo (Sigourney Weaver, perfeita) e o coadjuvante que ajuda os heróis e tem uma duas tiradas interessantes antes de morrer (Michele Rodrigues, sempre mal-aproveitada).
O site Gawker levantou a questão. Jake Sully representa o alienígena humano que, com a proposta de “ajudar” o povo Na’vi, acaba se tornando seu guerreiro mais importante. Em Avatar, pode parecer que James Cameron quis criticar o imperialismo, mas com seu roteiro fraco, acabou endossando a ideia de superioridade racial.
No artigo do site, outros filmes que envolvem alienígenas, como Distrito 9 e caem na mesma armadilha ao mostrar o roteiro sob uma perspectiva humana.
Quando iremos ver um filme sobre alienígenas em que um personagem daquele grupo irá emergir como protagonista. Ou quando iremos compreender as inquietações de um povo tão diferente aos humanos sem precisar inserir uma pessoa da Terra naquele contexto alien? Agora nesse novo século, discussões éticas envolvendo ET’s, robôs, clones poderão fazer mais sentido.
E talvez, toda uma nova geração de filmes sobre alienígenas tenha um campo vasto a ser explorado.


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