Cobertura: Abril Pro Rock 2006

01.05.2006 às 11:49

Este ano o evento teve um de seus menores públicos e teve atrações que dividiram opiniões de quem compareceu. Sem nenhuma grande escalação, o APR se assemelhou um pouco às origens quando muitas bandas conseguiam visibilidade tocando no festival.
Por Paulo Floro. Foto: Circuito PE.

1. MONTAGE (Ceará)
Como previsto o Abril pro Rock começou pontualmente às 22 e 30 da noite de sexta (21 de abril de 2006), num palco pequeno, diferentemente do anterior (a mega estrutura). O electro, a grande atração da noite, não precisava de muito… Apenas do Montage para fazer a pulsação aumentar e muita gente dançar, eles foram a abertura do Abril, mas “fecharam”. O Montage, banda do interior do Ceará, mais precisamente do Cariri, formada por Patrick Bachi (guitarra e programação), Leco Jucá (groovebox e programação) e Daniel Peixoto (voz e visual) abriram com à música Raio de fogo e até cantaram música nova, o vocalista esbanjou carisma e muita intimidade e contou por várias vezes com a participação do público que uníssono emitias as letras da música, que entrarão logo no primeiro trabalho do conjunto electropunk. Resumo da opera, o Montage conseguiu fazer os poucos amantes do electroclash dançarem e se divertirem muito! Depois do show, foi tentar ir ao banheiro, mas os “fãs” quase que não deixavam o showman do Montage fazer o xixizinho!

Para mais informações: fotolog.com/_montage ou fotolog.net/danielpeixoto

2. KOOK feat. ROXXY (Alemanha)
Depois um show de trinta e cinco minutos do Montage, a dupla from Berlin, Kook feat. Roxxy, chegou com o seu eletrônico nada inovador, porém o desempenho de Roxxy, cantora de punk rock de longas datas (Tempo Nublado, Recife - 1897) apesar do corpo um tanto fora de forma, a loira (e muito loira, diga-se de passagem) veio sem essas preocupações. Fez um show bonito e muito dançante, porém falou em português, mas um tanto constrangida, pôr um “Tudo bem Olinda e Recife” , alguns blá blá blás e se enrolar na bandeira brasileira não foi suficiente para que o público ficasse mais animado. Kook já chefe de festa há uns 10 anos, cantou e encantou muitos os olhos da platéia… E com isso animou um pouco mais, “enquanto a senhora” trocava de roupa, pois ela fez uma infeliz escolha… Infeliz mesmo. Tocaram as músicas do seu primeiro trabalho, Phantom Hitchhiker lançado em 2005 pela Pale. A guitarra de coraçãozinho de Roxxy e sua maquiagem a lá Blade Runner trouxeram um pouco mais de felling ao show.

Para mais informções: kook-music.com/ ou roxxybione.de

3.DIPLO (EUA)
Diplo foi o melhor show da noite. Na verdade, muita gente foi apenas para vê-lo. Com uma programação sem novidades, sem nada do mainstream o povo estava se preparando para dançar funk, já que não conhecia nenhum dos escalados. Diplo não fez feio, mas também não ousou. Foi o ápice da noite, com samplers hip hop junto à batidas do já tão falado funk carioca. Funk não é uma merda, é uma catarse, pensa-se ao se dançar ao som do dj americano. Depois desse show todos já poderiam ir embora, mas ninguém sabia que as outras atrações seriam tão insignificantes.

STEREO TOTAL e o resto.
Fez o público se empolgar a ponto de invadir o palco, o que diferente da segurança do evento, a banda apreciou muito e acabou trazendo mais um monte de gente pro palco. A dupla franco-germânica faz um pop nonsense, com performances malucas (ridículas) e instrumentação caótica. Se Diplo não tivesse tocado, teria sido a melhor atração da noite. O Dj americano abusou no Recife no que sabe fazer de melhor, misturar electro com funk e mais um monte de bizarrices que estremeceu o Pavilhão do Centro de Convenções, onde ocorre o festival. O Bloco Mega Hits foi um projeto do Dj Dolores que ficou dissonante naquela noite que poderia ter sido uma electrohard quente e frenética. A tentativa de fazer versões de hits do pop clássico em versões meio carnavalescas com bastante metal não deu tão certo. De longe pareceu desnecessário o APR ter tentado incluir uma coisa regionalista (reducionista) neste dia. Chato.

O evento chegou num ponto de transição e reflexão. Até onde um festival desse porte pode ousar trazer bandas sem muito público sem que tenha que se render ao que há de pior no mainstream. E ainda não ter que repetir as atrações. Além disso muitos colunistas e pagantes reclamaram do preço do ingresso, já que o evento foi patrocinado pelo Estado. Fora isso, houve um certo abandono por parte do próprio festival. Tirando o stand da Petrobrás, quase não houve standes e barraquinhas. ano passado, muitas bandas, selos, lojas e artistas puderam mostrar seu trabalho para um público, que diferente desse compareceu.

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