Fatboy Slim em Recife
Fatboy Slim toca para quase cem mil pessoas no Recife na maior abertura não-oficial do Carnaval pernambucano
por Paulo Floro
FATBOY SLIM
Marco Zero, Recife - 01 de Fevereiro
Norman Cook, o Fatboy Slim merece mesmo o tÃtulo de maior DJ do planeta. Ele está acima do chamado “superstar dj”, sobretudo acima da máxima “god is a DJ”. Acima de cenas, de estilos, de tendências. Talvez por isso os amantes de música eletrônica o hostilizem tanto. Nem mesmo produzir Think Thank um dos discos mais legais do Blur adiantou. Portanto, está acima do estilo que o consagra. Os adictos das batidas e raves não apreciam o som do inglês. Com um apelo mainstrain, o DJ se faz em grandes produções, praticamente micaretas e carnavais, e isso em todo lugar do mundo. Farofa, gosta mesmo é de multidão e não está nem aà para iniciados e indies do electro.
Noite de quinta-feira, 80 mil pessoas no Marco Zero, Recife Antigo. Todos esperavam a chegada de lancha do grande DJ. Pena que poucos viram, já que a área VIP, que estava na lateral do palco, comprou não só uma boa visão do show e conforto, como também o mar, o vento. Mas apesar da multidão, pessoas penduradas nos postes, nas árvores, nos telões, a estrutura formada foi bastante eficaz. Era possÃvel ver o DJ em várias direções e o som chegava até as ruas mais distantes, além dos telões que projetavam imagens do show.
Norman já começou com o clichê “I Love This Country”, levantando a multidão, a imensa maioria nem mesmo sabendo quem era aquele inglês branco e animadinho. Em seguida mandou hits, pra garantir, inclusive “Superstylin” do Groove Armada, tocada idêntica ao disco. Teve também “Feel Good Inc.” do Gorillaz e “Around The World” do Daft Punk. Num populismo declarado, mas bem feito, colocou no telão passistas de frevo, desfiles de maracatu, misturado à s imagens do smile, aquela carinha amarela Ãcone do acid-house.
O ponto positivo do Fatboy Slim, além do seu explÃcito caráter popular, é que ele é um DJ presente, totalmente diferente da visão que temos do DJ inglês frio e distante. Ao fazer um set-list de arrasar para 80.000 pessoas que nem o conhece e talvez nem gostem de música eletrônica, provou que é maior DJ do mundo, já que nenhum outro conseguiria agregar tanta gente, apesar de toda reputação.
No auge da festa, ocorreu uma pane que interrompeu o show por mais de uma hora. O público sem entender, esvaziava o Marco Zero, enquanto Norman usava de seus dotes de performer, segurando uma sombrinha de frevo, arriscando passos e falando com a platéia, instigando o público a pressionar pela volta do show. Estresse zero por parte do DJ. A platéia nesse momento cantava Marreta You Planeta, Axé e música de carnaval, mostrando o lado multicultural (pra não dizer cÃnico) dos recifenses. Quem aguentou esperar se deu bem, pois teve espaço livre pra dançar. O público inclusive fez até trenzinho. E pra quem estava sentindo falta dos hits “Praise You” e “Rockafeller skank”, os teve finalmente no final. Norman Cook, o Fatboy Slim, pode ser previsÃvel, mas responde ao público de uma maneira espetacular. Com seu carisma, dá ao público o que ele pede.
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