Cena: Tênis

Como fazer um indie-rock bem feito, página 1 da cartilha
Por Wagner Beethoven
Formado no começo dos anos 2000, em Belo Horizonte, a banda Tênis é composta por Juliano Rosa (voz e guitarra), Lucas Soares (guitarra), Taís Oliveira (bateria) e Eduardo Soares (baixo) e tem referências de Pavement, Sonic Youth, Teenage Fanclub, Blur, Nirvana, Weezer, Megadeth e Guided by Voices. Eles já têm um disco (Tennis), um EP de 5 faixas, em que a banda traz consigo um som renovado, cantando em português e versando sobre vida cotidiana.
Por e-mail, o baixista Eduardo Soares conversou com O Grito!, sobre a banda, cena-indie e indústria fonográfica.
O Grito! - Tênis era um projeto paralelo de Juliano Rosa da Multisofá. Ainda continua dessa forma? Qual a diferença entre os dois?
No início o Tênis era só o Juliano. Ele compunha e gravava todos os instrumentos sozinho em casa. Aí, quando tinha show, ele reunia alguns amigos e tocava. Mas, agora, nesta nova fase, o Tênis é uma banda mesmo, um conjunto com formação fixa. Hoje todos participam das composições e gravações. Uma diferença entre as duas bandas?
O Multisofá é uma banda séria, nós somos meio bobos.
O primeiro disco era cantado em inglês e agora vocês abandonam isso? Isso reflete uma nova fase da banda? Quais os motivos?
As letras do primeiro disco, quando havia, eram escritas por quem cantava, alguns amigos do Juliano. Não faz muito sentido ser uma banda brasileira, tocar para um público brasileiro e cantar em inglês. Existe a impressão de que rock em inglês soa melhor, mas na verdade, é porque, para quem não tem intimidade com o inglês ou qualquer outro idioma que não falamos, a voz funciona apenas como mais um instrumento. Percebemos que é possível, sim, cantar, em português, coisas legais e com que as pessoas possam, de repente, se identificar.
As letras da Tênis falam de amor e do cotidiano. Como é o processo da criação da letra e da música, elas são autobiográficas?
Acho que são autobiográficas sim. Escrevemos sobre o que experimentamos no dia-a-dia. Somos pessoas simples, daí as letras serem também simples e diretas. Às vezes alguém chega com uma letra pronta, mas na maioria das vezes é um processo colaborativo. A música vem em primeiro lugar, depois pensamos nas palavras.
Vocês pertencem ao selo mineiro Bay King Music, mas ainda disponibilizam as mp3 da banda. O que você está achando do mercado fonográfico brasileiro atual?
Na verdade, a Bay King lançou o primeiro disco, mas atualmente está meio às moscas. Não sabemos ainda se vamos lançar alguma coisa por lá novamente. Quanto ao mercado fonográfico, não só o brasileiro mas o mundial nunca mais será o mesmo. Com o advento da internet e do mp3, ra uma questão de pouco tempo até as pessoas pararem de comprar discos. É uma luta vã, a indústria já entrou perdendo. Resta ao mercado se conformar e se ajustar. Se a internet prejudica por causa do mp3, por outro lado é uma ferramenta poderosa de promoção e divulgação de shows, por exemplo.
Que bandas devemos ficar de olho no cenário musical de BH?
De tempos em tempos, surgem bandas muito boas em Belo Horizonte. É uma pena que aqui não haja uma cena consolidada, o que pode ser bastante desestimulante. Mas isso está para mudar… Há mais ou menos uma dezena de bandas independentes muito boas aqui. Nós gostamos muito do Ímpar, do The Dead Lover’s Twisted Heart e do Monno. Tem também o Churrus, que é excelente, de São João Del Rei, cidade vizinha de BH.
As referências do grupo me parecem muito focadas no indie-rock. Vocês não têm medo de acharem que a musicalidade da banda possa parecer restrita e até datada, visto que as referências, em sua maioria são dos anos 90, tais como Pavement, Blur e o Weezer?
Eu não vejo problema em soar como uma banda dos anos 90. É o tipo de som que crescemos ouvindo e gostamos. É natural que essa influência apareça na música do Tênis. Costumamos citar essas bandas como referência para quem nunca ouviu nossa banda. Mas nossas influências não estão apenas no filão do indie rock. A guitarra do Lucas tem muito de Rock ‘n’ Roll, por exemplo.
Além do bom e velho indie-rock, o que vocês andam escutando de nacional e gringo?
Posso citar Battles, Animal Collective, Daniel Johnston. Mas não saberia dizer se isso não se enquadra em “indie rock”. O Lucas e o Juliano estão todo ouriçados com o show do Megadeth em junho.
O indie-rock está passando por uma crise ou morreu de vez?
Acho que não morre não. O My Bloody Valentine e o Jesus and Mary Chain voltaram, o Stephen Malkmus lançou um disco que foi super bem recebido, sei lá… Acho mais fácil essa onda New Rave passar do que o “indie rock” morrer.
Recife está nos planos de turnês futuras? Que banda recifence vocês admiram?
Com certeza. Recife tem uma cena muito legal e bandas muito boas, como Volver e Vamoz!. Quando o Vamoz! tocou aqui, no ano passado, o pessoal ficou instalado na casa do Juliano. São gente finíssima. O baterista é uma figuraça.
Pode contar alguma história curiosa sobre alguém da Tênis?
Alguns de nós fizemos xixi na cama até uns 14 anos de idade.
SAIBA MAIS
MySpace: www.myspace.com/bandatenis
Trama Virtual: tramavirtual.uol.com.br/
Comunidade no orkut: www.orkut.com/Community.aspx?cmm=38670821
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Só para esclarecer que eu não faço parte dos que fizeram xixi na cama até 14 anos.
Eu fazia dois, um de costume e o outro para esquentar o de costume!
Fiquei sabendo que alguns integrantes (ou integrantAs) usam fraldas…