Sandman Casa de Bonecas


SOBRE SONHOS E LENDAS
Relançamento de Sandman melhor do que a encomenda!
por Paulo Floro
SANDMAN - A CASA DAS BONECAS
Neil Gaiman
[Conrad, 256 págs, R$ 60]
No fim dos anos 80, Neil Gaiman realizou uma das maiores obras dos quadrinhos, Sandman. Ao lado de Frank Miller com o seu Batman - O Cavaleiro das Trevas e Alan Moore com Watchmen. A saga de Morpheus, o perpétuo Senhor dos Sonhos, e sua aventuras no Sonhar fez um grande sucesso, foi um fenômeno editorial e alçou os quadrinhos a um nÃvel artÃstico nunca antes alcançado. Tudo bem que Will Eismer já se utilizava da linguagem das HQ´s (ou Arte Seqüencial) para criar obras de arte espetaculares (como Avenida Dropsie, O Nome do Jogo), mas nunca um gibi de linha de uma mega editora havia alcançado esse feito. Agora depois de um primeiro volume bem sucedido, a Conrad lança a segunda saga de Sandman, novamente num acabamento luxuoso e papel de primeira.
O segundo livro, A Casa de Bonecas, inicia o passeio de Gaiman pelas profundezas do Sonhar e suas personagens. Conta a historia de Rose Walker, uma deslocada garota que atrai a atenção do Lorde Morpheus por carregar um mal que ameaça o Reino dos Sonhos. A moça de repente recebe um convite para uma viagem onde precisará procurar para um lado obscuro de sua história. Na aventura Rose encontra tipos exóticos, tÃpicos do universo de Gaiman; assassinos, perdidos, loucos, psicóticos.. Além disso, Sandman ainda precisa arrumar a bagunça deixada no primeiro livro, cuidar da fuga de alguns pesadelos e pôr ordem no caos. É neste volume que somos apresentados aos outros irmãos perpétuos, como Desejo e Desespero. Interessante que muitos dos elementos desta parte ainda serão abordados no futuro, mas não é difÃcil ler livro como uma obra em separado. Genial a parte em que Rose encontra uma convenção de Serial Killers e o pequeno conto sobre um imortal que debate a metafÃsica de estar vivo ao longo dos séculos com Sandman, sempre no mesmo lugar.
Ao conceder Morpheus, o Senhor dos Sonhos e todas as personagens de sua história, Neil Gaiman criou todo um universo de conceitos e referências. Portanto, ao começar a ler a obra de Sandman, que será publicada em 10 volumes pela Conrad e cujo segundo volume A Casa de Bonecas chega agora à s livrarias, deixe-se imergir no sonho que fabulosamente foi construÃdo. Tudo parece familiar e estranho no livro. Gaiman se utiliza muito bem da linguagem dos quadrinhos. Ele não a repele e sim a desconstrói. Os planos, os desenhos, os enquadramentos se assemelham um pouco a tudo antes feito. Mas os artistas Mark Dringenberg e Michael Jones.III utilizam referencias do cinema, fotografia para criar um ambiente de sonho. Colagens. Perspectivas absurdas e um acentuado tom expressionista, forte, apenas com cores primárias.
Alguns entusiastas da obra tentam retirar esta caracterÃstica, mas Sandman é uma HQ de super-heróis, Gaiman se farta de todas as referencias do universo DC e os mistura a pitadas pop de cinema, literatura clássica inglesa, mitologia, misticismo, bruxaria e lendas modernas. E é isso a prova da genialidade de N.G. Para criar a maior obra dos quadrinhos, não precisou subverter a lógica nem a estética do gênero, apenas alçou e um patamar artÃstico-literário, que se não fosse a obra, nunca teria alcançado.
NOTA:: 9,0
MAIS BERROS SOBRE GAIMAN
ANANSY BOYS - Não bastou a coleção de Sandman se esgotar nas comic shops americanas, agora o absoluto Neil Gaiman encabeçou a lista dos livros mais vendidos com o sua nova obra Anansy Boys, que conta a historia de um workaholic inglês que se descobre descendente de um deus africano. Pelo sucesso da obra é certo que o livro chegue logo às livrarias, assim como o anterior Deuses Americanos. É a primeira vez que o autor inglês se aventura de cabeça no gênero cômico sem um final traumático de seus últimos livros.
MIRRORMASK - Encomendados pela produtora dos Muppets, a Jim Henson Pictures, o filme escrito por Gaiman e dirigido por seu parceiro Dave Mckean, conta a história de Helena uma garota membro de uma famÃlia circense que acaba imersa em um sonho de trevas. Rodado com um orçamento Ãnfimo, o filme, segundo os autores tenta resgatar a antiga magia de produções como Labirinto com David Bowie. Gaiman e Mckean trabalharam de graça na produção, a ser lançada pela Sony, com participação nos lucros e total domÃnio da obra. Provavelmente deverá se tornar cult. E provavelmente também não chegara aos cinemas brasileiros.
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