Death Cab For Cutie: Carreira e Discografia

13.05.2008 às 2:50


Foto:Andrew Paynter/ Divulgação

QUERO SER GRANDE
Após o lançamento do aguardado novo disco, Narrow Stairs, resta saber se o Death Cab For Cutie vai sobreviver a trilha de sucesso que construíram
Por Mariana Mandelli

A banda que conquistou os corações indie mundo afora com canções lindas e a voz doce de Ben Gibbard, já tem mais de dez anos de carreira. Formado em 1997, em Bellingham, Washington, Estados Unidos, o Death Cab For Cutie (nome de uma faixa do álbum Gorilla, 1967, da banda Bonzo Dog Doo-Dah Band) na verdade se resumia a Gibbard e uma fita cassete produzida por ele e nomeada You Can Play These Songs With Chords – que, mais tarde veio a ser considerado o primeiro disco da banda, mesmo sendo relançado oficialmente no mercado em 2002.

Gibbard, hoje frontman, compositor e guitarrista do grupo, ficou surpreso com o sucesso repentino de You Can Play e decidiu montar uma banda de verdade. Ele chamou Chris Walla, que também havia ajudado na produção do cassete, para tocar guitarra; Nick Harmer para o baixo e Nathan Good para a bateria. Assim, o DCFC foi formado na Western Washington University, onde seus membros estudavam – o próprio Gibbard, estudante de engenharia na época, usava o porão da casa em que morava com diversos colegas para gravar as demos da banda. Essa ligação com Bellingham explica o porquê de várias letras do início da carreira apresentarem referências a diferentes locais da cidade.

Com essa formação, o DCFC lançou Something About Airplanes (1998), que deu seqüência ao sucesso na cena independente que a banda vinha conquistando. Em 2000, durante a produção de We Have the Facts and We’re Voting Yes, Natham Good saiu do grupo. Sua participação em “The Employment Pages†e “Company Calls Epilogue†foi mantida, mas Gibbard assumiu as baquetas nas outras faixas e recrutou Michael Schorr para substituir Good. A primeira aparição de Schorr como membro do DCFC foi no EP The Forbidden Love (2000).


Ao Vivo e feliz:O Death Cab seguiu um caminho tranquilo até o sucesso (Foto:Ryan Russell/ Divulgação)

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Em 2001, a banda lançou The Photo Album e, algum tempo depois, o DCFC, mais uma vez, trocou de baterista: Schorr saiu de cena para dar lugar a Jason Jason McGerr, professor de uma escola de música de Seattle e membro do Eureka Farm. McGerr foi o responsável pelas baquetas da obra-prima do grupo, Transatlanticism (2003), álbum que lançou o DCFC aos braços do mainstream. Faixas do disco fizeram parte da trilha sonora de seriados como The O.C., CSI: Miami, Six Feet Under e Californication, além de filmes de grande alcance popular – como Penetras Bons de Bico (2005).

O segundo passo para a saída do mundo indie se deu com a assinatura de um contrato com a Atlantic Records, depois de uma carreira inteira lançando discos pela Barsuk. A nova situação deixou a banda tensa – afinal, agora havia pressão corporativa sobre os ombros dos membros do DCFC – e, assustados, Gibbard e companhia incentivaram seus fãs a baixarem suas músicas da internet.

O ano de 2005 chegou e o primeiro trabalho da banda por uma grande gravadora foi lançado. O sucesso dos dois primeiros singles de Plans, “Soul Meets Body†e “Crooked Teeth†garantiram ao DCFC uma participação no Saturday Night Live, uma indicação ao Grammy Award de “Melhor Disco Alternativo†de 2005 e 47 semanas consecutivas na lista da Billboard.

Com os terrenos do mainstream dominados, a banda caiu de vez no gosto do mercado e começou a aparecer cada vez mais na mídia. Lançou dois DVDs, Drive Well, Sleep Carefully (2005) e Directions (2006), este um conjunto de onze curtas-metragens inspirados nas faixas de Plans e dirigidos por diferentes profissionais do cinema; assinou contrato com a Apple para vender seus vídeos em formato para iPod; aderiu à causa dos direitos dos animais ao associar-se com o PETA e começou a participar de grandes festivais – como o Bridge School Benefit, organizado por Neil Young. Gibbard ainda lançou um projeto eletrônico com Jimmy Tamborello, o ótimo The Postal Service, que lançou o disco Give Up (com o hit “Such Great Heightsâ€) em 2003.

Agora 2008 chegou e o novo disco do DCFC, Narrow Stairs, também. Com sete álbuns e cinco EPs lançados, ninguém duvida que o Death Cab For Cutie firmou-se como uma das bandas indie de maiores sucessos da história da música. Resta saber se o grupo vai resistir ao monstro gigantesco que eles próprios criaram: a popularidade. Narrow Stairs prova que eles ainda estão no caminho certo.

DISCOGRAFIA

You Can Play These Songs With Chords
[Barsuk, 1997/2002]

Por ser o primeiro disco da banda, é tido como uma compilação de demos gravadas por Gibbard e Walla em um cassete. Na edição de 1997, o álbum contava com apenas oito músicas – entre elas, os hits “Pictures in an Exhibitionâ€, “Amputationsâ€, “President of What?” e “Champagne from a Paper Cup” , que fariam, mais tarde, parte do tracklist de Something About Airplanes. Ao ser relançado em 2002, You Can Play ganhou mais dez faixas – entre elas, um cover quase punk de “This Charming Manâ€, dos Smiths, entre outras raridades. Como debut e esforço, é um álbum louvável e uma promessa de desenvolvimento musical de Gibbard.

Something About Airplanes
[Barsuk, 1998]

Mais barulhento e com faixas complexas que enchem os ouvidos do começo ao fim, esse é o disco do DCFC que mais se aproxima, como um todo, do noise pop e do twee. As baladas acústicas deram lugar a guitarras e bateria tensas, vocal distante e letras atormentadas de um indie rock original e estiloso que a própria banda impôs. Combinações etéreas de som somadas ao uso de violoncelo e sintetizadores dão o tom de Something About Airplanes, apresentando efeitos sonoros e melodias líricas e climáticas, como em “Your Bruise†e a lindíssima “Bend to Squaresâ€.

We Have the Facts and We’re Voting Yes
[Barsuk, 2000]

Com exceção do primeiro trabalho da banda, We Have the Facts talvez seja o álbum mais simples do DCFC. Apresentando um chamber pop luminoso, o disco mostra uma clara evolução de Something About Airplanes, permitindo dizer que a banda se encontrou ao entregar os acordes das guitarras a uma espécie de “soft indie rockâ€. O resultado é um álbum sólido (“Lowell, MAâ€, “Title Track†e “The Employment Pages†são símbolos dessa coesão) mas que não desenvolve o potencial da banda ao máximo – problema que só será resolvido anos mais tarde, com Transatlanticism.

The Photo Album
[Barsuk, 2001]

The Photo Album tem um certo gosto de missão abortada, porque não desenvolve o potencial da banda que já foi mostrado nos outros trabalhos. Contudo, passa longe de ser um disco ruim. Mais emo e com influências de the post-punk, o disco é maduro e menos cansativo do que os anteriores, com faixas diferenciadas que apostam em instrumentação diversificada (piano e órgão marcam presença) e tons menos repetitivos. “I Was a Kaleidoscope”, “Styrofoam Plates†e o hit “A Movie Script Ending” são as pérolas desse álbum.

Transatlanticism
[Barsuk, 2003]

A obra-prima. O disco é a definição do momento em que todo o hype existente em torno da banda concretizou-se em um disco lírico. As histórias cantadas aqui por Gibbard retratam um jovem solitário e desiludido com o amor que, ao lidar com o naufrágio de seus sentimentos, é obrigado a enfrentar suas lembranças e nostalgias de um tempo em que era mais feliz. Com letras dignas de Elliot Smith e doses equilibradas de dream pop, indie rock e sadcore, a brilhante seqüência de faixas arrasta o ouvinte para o mundo transatlântico das emoções contidas, construindo uma atmosfera envolvente e mágica. “Title And Registrationâ€, “Passenger Seatâ€, “Death Of An Interior Decorator†e a apoteótica “We Looked Like Giants†(hit sobre a saudade das descobertas amorosas e sexuais dos tempos de adolescente) fazem de Transatlanticism o tipo de álbum que não enjoa – pelo contrário: a cada “ouvida†se torna mais genial e avassalador.

Plans
[Atlantic, 2005]

O disco mais pop, “fofo” e coeso da banda. Acusado de ser muito produzido e excessivamente impecável – conseqüência da migração do DCFC para uma gravadora maior – Plans é a consagração comercial do estilo Death Cab de música. Letras poéticas e introspectivas que falam de solidão e reflexão continuam sendo o forte da banda, agora aliado a texturas muito bem trabalhadas que atingem a essência do pop – “Crooked Teethâ€, “Soul Meets Body†e “Your Heart Is An Empty Room†são provas disso. Mas ainda há espaço para a construção de melodias belíssimas, como é o caso de “What Sarah Said†e, principalmente, “Brothers On A Hotel Bedâ€.

[+] NARROW STAIRS: SEM NOVIDADES, PORÉM MAIS COESO

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