Death Cab For Cutie | Narrow Stairs

13 de May de 2008

Death cab for Cutie (Foto: Divulgação)

Banda não supera obra prima Transatlanticism, mas traz o bom e velho lirismo indie-rock
Por Mariana Mandelli

DEATH CAB FOR CUTIE
Narrow Stairs
[Atlantic, 2008]

Quem ouviu “I Will Possess Your Heartâ€, primeiro single de Narrow Stairs, sétimo trabalho do Death Cab For Cutie, pode ter uma impressão errada do novo álbum. Com seus mais de oito minutos e meio de cordas e bateria, a faixa pode soar cansativa no meio das outras preciosidades que o disco guarda, apesar de ser uma canção introspectiva sobre o desejo e a solidão – quem viu o clipe pode perceber que as cenas parecem inspiradas em Encontros e Desencontros (2003), belíssimo filme de Sofia Coppola, fazendo do vídeo uma espécie de “Lost in Translation around the worldâ€.

A caminhada que trouxe a banda de Ben Gibbard até aqui foi longa, atravessou a década de noventa e os anos 2000 e consagrou seu grupo como um dos maiores ícones do indie pop da história. Com letras nostálgicas sobre uma adolescência e juventude ambientadas em lugares bucólicos, saudade de amores e desamores, lembranças distantes e abismos sentimentais pela ausência ou abstinência do “alguém amadoâ€, Gibbard fez de seu DCFC um exemplo de lirismo e poesia no rock atual. Todo esse desespero poético culmina em texturas delicadas, arranjos bem trabalhados, vocais harmônicos e sons climáticos, elementos presentes na sonoridade de um grupo que vai muito além da alcunha de “rock fofo†imposta por muitos críticos e amantes da música em geral.

O DCFC sempre soou melancolicamente doce – parte da culpa disso é do timbre de voz de Gibbard. Mas as composições atormentadas e os acordes hipnóticos que a banda consegue criar mostram que o grupo amadureceu e que, mesmo após lançar sua obra-prima, Transatlanticism (2003), o Death Cab ainda tem muito para mostrar sem plagiar o próprio som. Narrow Stairs é a prova disso.

O disco abre com “Bixby Canyon Bridge”, faixa que começa delicada e sutil para desembocar em tons pesados e tensos no refrão, mexendo com a dualidade do som da banda. Após “”I Will Possess Your Heartâ€, segunda canção, vem “No Sunlight”, um hit certeiro com acordes de power pop e twee. O piano e o baixo definem o resto, tornando a faixa quase dançante.

“Cath…â€, provavelmente dedicada a alguma Catherine e uma das melhores do disco, tem um certo ar country em suas guitarras, fato que a torna ainda mais bela e etérea. Também climáticas e com referências de dream pop são “Talking Birdâ€, a orquestrada “You Can Do Better Than Meâ€, a saudosista “Grapevine Fires†(atenção para o piano aqui) e “Your New Twin Sized Bedâ€.

As batidas de “Long Division†fazem dela a mais acelerada e, conseqüentemente, a mais indie rock do disco. Dinâmica e original, “Pity And Fear†vem na seqüência, com batidas que lembram sons de floresta. Para fechar, “The Ice Is Getting Thinner†encerra o disco tão melancolicamente quanto “A Lack Of Color†em Transatlanticism. Sons hipnóticos de guitarra e baixo acompanham a letra dilacerante de Gibbard sobre o “velório†de um relacionamento, instante em que o casal percebe que o sentimento está morrendo (“o gelo sob nós está se desfazendoâ€, canta ele).

Menos coeso e mais experimental do que Plans (2005), de certo modo inferior ao brilho de Transatlanticism e melhor produzido e trabalhado do que os primeiros discos, Narrow Stairs abusa das cordas e das batidas menos efusivas e, com isso, torna-se um belíssimo disco. É original ao seu modo e, ao mesmo tempo, um típico álbum do Death Cab For Cutie, coisa de banda que já conquistou seu espaço e sabe o que faz: lirismo em forma de indie rock.

NOTA: 8,5

[+] DE DEMO-TAPES AOS SHOWS LOTADOS, O AVANÇO DO DEATH CAB FOR CUTIE RUMO AO SUCESSO

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14 de May de 2008

Achei o álbum meia-boca. Mas admirável a coragem da banda em mudar o som após o aclamado Plans. Em relação a resenha só uma observação: não consegui encontrar o “abuso de cordas” citado.