O APURADO [Parte Um]
Por Paulo Floro
Muita coisa aconteceu no furacão pop este ano. E para não perder o rumo, O GRITO faz agora um recall do que rolou até agora. Elaboramos uma lista de música que você PRECISA ouvir para entender o panorama rock-pop por enquanto. E continua…

BLUE AFTERNOON :: Angel
Formado por uma só pessoa, o bastante para ser completo, acredite, o Blue Afternoon é Guilherme Barella responsável pela loja Peligro e o zine 4 Hearts in A Can. Inspirado pelo folk inglês e ecos de Bob Dylan, o grupo é uma experiência impar da música brasileira. No fundo, uma visão particular de um grande artista sobre a música americana dos anos 50, 60. Lançado pelo selo Bizarre, o disco Foxploitation é uma grata surpresa que precisa ser descoberta.

BLOC PARTY :: Helicopter
Foi uma evolução grata e obvia. Primeiro veio o Franz Ferdinand, agora o Bloc Party, com seu starman Keke Okereke, a despontar no cenário new-rock atual. Não tão elegante quanto o Franz, o Bloc Party são os “essenciais” do momento. Misturando The Cure, Gang Of Four e com hits básicos com Banquet tirados do disco de estréia Silent Alarm, o Bloc Party são a representação máxima do cool hoje.

KILLERS :: Jenny Was A Friend Of Mine
Primeiros a despontar na re-invenção oitentista que aconteceu o rock este ano, os americanos do The Killers trouxeram uma fabrica de hits no excelente disco Hot Fuss. É incrível que toda essa euforia glam venha de Las Vegas, visto que o Killers bebe (e muito) de fontes brit com The Jam e New Order. Considerando a revelação do rock em 2004, a banda já se apresentou em megaeventos como o Coachela e Glastonbury como megastars. Seus clipes esborram referências de moda e estilo, como o vocalista Brandon Flowers fazendo às vezes de generation-icon. Escute também Mr. Brightside, Somebody Told Me e não fique por fora.

GORILLAZ :: Dare
Damon voltou ao estúdio como um desenho animado após um disco elogiado junto com a sua antiga banda, o Blur (Think Tank) para a continuação do projeto Gorillaz. Cada vez mais, o Gorillaz se desvencilha de comparações com seus artistas de carne e se firma como um projeto de sucesso, que mistura referências pop do cinema, música, tecnologia e quadrinhos. No segundo álbum Demon Days, a banda se aventura em temas disco como a faixa Dare e parcerias de luxo como Ike Turner. Tudo sem esquecer a mistureba quase squizo que fez o Gorillaz ser tão divertido: rock-hipho-groove, eletrônica e que o mais vier.

ARCADE FIRE :: Cold Wind
Tirado do ainda não lançado novo disco dos canadenses, esta entrou para a trilha do seriado Six Feet Under (A Sete Palmos). Imbatíveis no palco, perfeitos em estúdio, o octeto canadense é uma das melhores coisas que já aconteceu no rock nos últimos tempos. Com um som que beira o indescritível, usam de guitarras a sanfonas, além de vocal feminino. Como fazem um som muito diferente do que vinha sendo feito, muito críticos consideram que o Arcade Fire inaugurou a música pop da década 00.

DUNGEN :: Panda
Gustav Ejstes é sueco e multinstrumentista. Sua banda, o Dungen decidiu se desvencilhar das amarras pop e criar um som experimental, que mistura psicodélica com acid-jazz. Além disso, todas as músicas são cantadas em sua língua natal. Ta Det Lungnt foi aclamado como o Pet Sounds da geração Soulseek. A banda esteve no Brasil para uma apresentação no Festival No Ar e no Campari Festival.

THE KILLS :: The Good Ones
O rock está sempre a precisar de gritos e transgressões. Formado por VV e Hotel, a banda anglo-americana, The Kills traduz ao extremo o obvio do rock. O grupo usa guitarras e algumas bases pré-programadas. Além disso, nunca se viu uma performance ao vivo tão pesada e estonteante como o The Kills. Não ultimamente. O hit The Good Ones, tirado do disco No Wow, mostra o quanto o grupo é certeiro para o movimento: estilo, estética e atitude rock. O típico grupo que faz a festa de fotógrafos e hypados.

CANSEI DE SER SEXY :: Meeting Paris Hilton
O coletivo paulista Cansei de Ser Sexy, é a coisa mais moderna hoje na música brasileira. Como bonecas de luxo, as vocais poser-trash do grupo abusam da estética eletro-porno-punk, misturando eletroclash com new-wave. Sem disco lançado já tocaram no Tim Festival, são trilha de seriado norte-americano e tornaram o hype do ano aqui no Brasil. A banda começou, mesmo sem uma música ensaiada, no fotolog da vocalista Lovefoxx em 2004. Outros hits: “A-la-la” e “Hollywood”.

BABYSHAMBLES :: Fuck Forever
Depois de transformar sua antiga banda, o Libertines numa lenda como o Stone Roses, Pete Doherty, o charming man, ícone-mor do rock atual, idealização perfeita do que se espera de um dândi britânico, formou o Babyshambles, depois de ser “expulso” do seu excesso de… Tudo! Excesso para Doherty é o mínimo. Depois de roubar a própria banda quatro vezes para se afundar em crack, se isolar no Camboja para tratamento, ter brigas homéricas com sua namorada Kate Moss, ter apresentações proibidas no Reino Unido, ser capa da Vanity Fair, perder tudo em cocaína, Pete não precisava de muito para ser ícone, lenda, star.

THE BRAVERY :: Honest Mistake
Adentro a onda do retrô-rock. Com muito couro, o The Bravery se utiliza da velharia new-wave com clichês à medida. Imagine se pudéssemos reinventar o rock oitentista. Isso só não aconteceu com o The Bravery por que a banda conseguiu ser muito mais além disso. Muito mais do que uma simples banda de neo-new wave, o grupo é múltiplo, multimídia. O vocalista Sam Endicott, também é diretor, fotografo e produtor da banda.
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Publicado no dia 31 de agosto de 2005 às 16:34. Arquivado em Matéria — Arcade Fire, Babyshambles, Bloc Party, Blue Afertnoon, Bravery, CSS, Dungen, Gorrilaz, The Killers, The Kills [Imprimir essa matéria
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