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Artes Visuais em destaque, este final de semana em Olinda

O projeto Célula Máter abre hoje a segunda mostra coletiva de Artes Visuais, às 18h, no casarão 97 da rua 13 de maio, em Olinda. A iniciativa faz parte do projeto do professor, designer e “Imaginauta” Ghustavo Távora.

Essa segunda mostra vai agregar exposições de fotografia, pintura e design gráfico, além de um bazar de roupas, bijou e origamis, que funcionará até o dia 20 de janeiro de 2008. Na área de fotografia, os coordenadores do Célula Máter convidaram Ivan Alecrim para fazer a curadoria de uma mostra de fotojornalismo que vai trazer o tema “Alegria do Povo”.

Segundo Alecrim, a idéia é aproveitar uma produção fotográfica que vários profissionais têm em seus acervos, mas que raramente é publicada nos veículos de comunicação. A exposição vai contar com a participação de Alexandre Severo, Carol Pires, Chico Porto, Gustavo Bettini, Marcos Michael, Mateus Sá, Rodrigo Lobo e do próprio Ivan Alecrim, que ainda quer inserir imagens de Annaclarice Almeida, Alexandro Auller, Beto Figueirôa, Cristiana Dias e Hélia Scheppa.

A fotógrafa Raquel Santana, apresentará o trabalho Mazurca do Alto do Moura, que traz o resultado da documentação fotográfica da tradicional manifestação cultural do Alto do Moura, em Caruaru, que Santana realizou para o seu projeto de conclusão de curso em jornalismo, na Universidade Federal de Pernambuco, em 2006.

Ainda na área de fotografia, Marília Santos apresenta a instalação Pisa na Fulô, que reúne trinta fotos de várias espécies de flores fotografadas durante as viagens que a publicitária fez entre 2006 e 2007. Há imagens de flores da Nova Zelândia, Patagônia e da cidade de Dallas, no Texas, bem como diversas espécies do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, e da cidade de Gravatá, no agreste pernambucano. O projeto Futurama, feito por alunos de fotografia a AESO, também participará da mostra coletiva trazendo interpretações fotográficas do Manifesto Futurista, de Marinetti, em suporte preto-e-branco.

Entre os trabalhos de design gráfico, Diogo TodÉ vai apresentar o TodE´s Cardápio de Intervenções Urbanas. O artista tem a intenção de discutir com os visitantes a possibilidade de qualquer pessoa poder financiar obras e intervenções artísticas no espaço público, de modo que a escolha sobre o que a população pode ver em suas cidades transcenda a figura institucional do curador. A segunda iniciativa de artes gráficas envolve a revista Traça que conta com 32 páginas e formato A5 e vai ser vendida por quatro reais por seus organizadores. Em pintura, o artista plástico Álvaro César vai apresentar seis telas em técnicas mistas que fazem parte do trabalho Composição Sem Eixo.

Paralelamente às exposições, o casarão do Célula Máter vai ser ocupado pelo “Bazar da 13”, que foi elaborado em uma parceria de Ana Renata, Cecília Pessoa, Eva Duarte e Flávia Lira. O público poderá adquirir peças de brechó e da coleção de Cecília Pessoa, bijou feita por Ana Renata e origamis feitos por Eva Duarte, que também vai disponibilizar um display de origami em tamanho natural para que os visitantes posem para fotos. “Em uma mostra que tem tanto fotógrafo, achei que poderia ser uma idéia interessante colocar a peça para as pessoas usarem como se faz nos displays de Lampião e Maria Bonita: colocar o rosto e tirar uma foto. Eu creio que vais ser uma experiência engraçada fazer isso com origami”, disse.

O horário de funcionamento da segunda mostra coletiva do Célula Mater é de sexta a domingo, a partir das 17 horas. O público e instituições interessadas também podem agendar visitas durante a semana com a coordenação do projeto. Os contatos podem ser feitos por meio dos telefones de Ghustavo Távora – (81) 8617 8324 – e Gustavo Soares – 8795 0330.

Serviço:
Célula Máter – Segunda Mostra Coletiva de Artes Visuais
Data: 21 de dezembro de 2007 a 20 de janeiro de 2008
Local: Casarão 97 – Rua 13 de Maio (esquina com a rua Henrique Dias) – Sítio Histórico – Olinda
Horário de visitação: sexta a domingo – a partir das 18h
Visitas agendadas durante a semana pelos telefones (81) 8617-8324 (Ghustavo Távora) e (81) 8795-0330 (Gustavo Soares)

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Publicado no dia 21 de dezembro de 2007 às 10:22. Arquivado em Berros, [Imprimir essa matéria | Enviar por email ]

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2 comentários em “Artes Visuais em destaque, este final de semana em Olinda”

  1. Almandrade disse:

    DESEJO E O COMPROMISSO / MÁQUINA SEMIÓTICA

    Haroldo Cajazeira Alves

    Insisto gratuitamente em desenhar a lógica desta miragem da miragem, que é a escritura de Antônio Luiz M. de Andrade (Almandrade). Miragem da miragem porque o sujeito Almandrade, faiscamento de rituais, marcas da instituição / arte “produz” uma escritura na garantia desta legitimidade. O pequeno escândalo anal em que este artista insiste, poderia não ser fascinante. Aliás, o teorema de Godel também. Andrade, como Godel, produz um saber sobre a impossibilidade de consistência de um sistema de signos. Godel teve como solo / texto / doxa, desmitologisar a prática de Frege e Russel; já Andrade tem como solo a ser desconstruido, o construtivismo. Contra o mapeamento higiênico do espaço significante que postulava o construtivismo. Propõe Almandrade uma máquina semiótica atravessada pelo desejo, pelo poder, pelo gratuito e pela loucura. Contra a lei da acumulação do construtivismo ele lança o desperdício.

    O território artístico funciona de forma semelhante ao sintoma, ao sonho. O desejo social recalcado para ser realizado implica na instauração de compromisso com a ordem, com o sonho. O desejo pode ser realizado no sujeito e no espaço gramaticalizado pelo compromisso, na sociedade também, o espaço é uma gelatina desejante permitida. Andrade como Duchamp, instaura uma discussão sobre compromisso “sua arte gera um terror geométrico, que só se suporta como um riso”.

    Armadilhas para Deus

    Outro método tem os trabalhos. Tomam como ponto de discussão, não o real, mas sim o conjunto de dispositivos que garantem que uma representação seja vivida como real, verdadeira. Neste sentido nos oferecem coordenadas de um ponto inexistente.

    Um pequeno livro lacrado com parafuso, e o seguinte título: “Conheça Lautréamont”. O olhar com seu sensualismo empírico se torna inoperante. O trabalho não sede ao mito da retina, exige, ao contrário, um cálculo, uma operação mental. O conde Lautréamont, sabemos, é o pseudônimo do autor dos “Cantos de Maldoror”. Esse escritor obsessivamente apagou todas as suas pegadas, assassinou o mito do autor.

    Um livro sobre um acontecimento que é um puro enigma é um livro desejado, mas o problema é que esse livro está lacrado. Paradoxo: livro que propõe reconstituir um sentido através da interdição do mesmo. A interdição do sentido, a suspensão do sentido é, parece-me, uma situação impossível, ou mais especificamente uma situação mental. A ausência de sentido é um aparelho epistemológico através do qual podemos “observar” os buracos negros da linguagem, área utópica onde há o desejo de representar o real, onde a linguagem goza de seu próprio funcionamento.

    Um outro trabalho: dois pedaços de madeira comprimem uma mola presa com arame. O mecanismo composto por esses elementos retém uma energia. Retenção inútil, como a criança exerce com as fezes e o afásico com as palavras. É evidente que uma máquina acumula energia, tensão, força, mas acumulação obedece a um processo teológico de deslocamento de energia retida em função de uma modificação de um acontecimento desejado. A máquina sem atrito reconhece a reta como o menor caminho entre dois pontos. Estranhamente esta máquina proposta por Almandrade não materializa um princípio teológico. Trabalha implosivamente, retendo força para o próprio gozo, como o halterofilista acumula músculos para o gozo do espelho / olho.

    Sem dúvida é difícil pensar os trabalhos sem relacioná-los com o tecido cultural e seus produtos. Os trabalhos se ocupam, investem nessa massa de signos. Há, como tentamos “demonstrar”, uma operação de desconstrução do espetáculo reservado para os objetos de arte. Vimos a quebra do mito da retina, na medida em que os trabalhos mobilizam um envolvimento mental da parte do sujeito espectador.

    Haroldo Cajazeira Alves

    (crítico de arte e frofessor de filosofia)

    http://www.provadoartista.com.br/almandrade.html

    http://www.expoart.com.br/almandrade

  2. Almandrade disse:

    O URINOL DE DUCHAMP E A ARTE CONTEMPORÂNEA
    Em 1917, com o pseudônimo de R. Mutt, Marcel Duchamp enviou para o Salão da Associação de Artistas Independentes um urinol de louça, utilizado em sanitários masculinos, com um título sugestivo de “Fonte”. Não era o primeiro readymade (apropriação e deslocamento de objetos pré-fabricados para o meio de arte), em 1913, Duchamp já havia se utilizado de um banco de cozinha onde parafusou no assento uma roda de bicicleta. Mas foi o primeiro enviado para uma exposição.

    Noventa anos depois, deste gesto irreverente que determinou praticamente o destino das artes plásticas até os dias de hoje, é um momento oportuno para interrogarmos que relação existe entre Duchamp e o que estamos presenciando com designação de arte contemporânea. Aclamado como influência libertadora por uns, blasfemado por outros, como influência facilitadora e catastrófica. Talvez seja muito citado e pouco entendido. Certamente, Duchamp e diversas manifestações realizadas em nome da arte, não se combinam.

    Mas do que um provocador, Duchamp era um pensador discreto. No contexto da arte moderna a invenção do readymade, é um dos gestos mais significativos. O impressionismo foi a primeira revolução na arte ao romper com a linha que contornava a figura, o cubismo realizou o rompimento definitivo com o espaço renascentista, a decomposição da figura colocou em evidência o plano, como a verdade do espaço plástico moderno. O gesto de Duchamp foi mais além, uma ruptura com uma tradição que reconhecia na técnica e na habilidade do artista, a condição da obra de arte. O artista deixou de ser o sujeito que faz uma obra e passou a ser alguém que escolhe e decide o que é arte. O readymade é um objeto produzido industrialmente e proposto por um artista como objeto de arte. O artista não constrói o objeto, escolhe-o e assina.

    Não mais dependendo da mão do artista, a arte passou a ser qualquer coisa determinada pelo poder exercido por um sujeito/artista, que age no interior de uma instituição específica capaz de legitimar seus atos. Renunciou ao saber das mãos para se constituir em uma atitude crítica, num mundo dominado pelas imagens produzidas pelos modernos meios de produção e reprodução. Fazer arte passou a ser uma forma de reflexão sobre a condição da arte na sociedade moderna, um dispositivo do pensamento e não do entretenimento como ocorre em manifestações artísticas, na situação da contemporaneidade.

    O readymade pode ser uma espécie de paradigma da arte contemporânea, mas ao mesmo tempo é a negação do jogo de facilidades, da pressa e da repetição que contaminaram a arte, distanciando-a do pensamento. Duchamp tinha consciência do perigo de cair na facilidade, no vício e na rotina e se limitou a fazer poucos objetos de arte. Logo percebeu o risco de repetir esta forma de expressão indiscriminadamente e construiu uma obra pequena e cuidadosa.

    Estamos atravessando uma época pobre em matéria de artes visuais, apesar do fluxo descontrolado que circula nos salões, bienais e nos centro culturais, celebrado por curadores e investidores. Vem acontecendo uma supervalorização de determinadas experiências artísticas para atender interesses externos à natureza da arte. O artista que sempre produziu contemplando as obras do passado, hoje, ele olha para o que ainda não aconteceu: o futuro e se preocupa, muitas vezes, com questões alheias a própria arte. A cada nova tecnologia, um palpite, uma previsão, mas a arte não é uma ilustração de performance tecnológica, política ou ideológica, ela é um sistema autônomo e integrado no corpo da sociedade.

    O gesto de Duchamp queria dar uma resposta à crise das artes artesanais na sociedade industrial e indagar o funcionamento da instituição arte, embora, ele nunca abandonou de fato, o trabalho artesanal, vejam o grande vidro. Foi um ponto de vista crítico frente à arte e suas instituições. A arte é também um jogo de poderes que as operações técnicas não explicam.

    De perto, readymade e o modelo mais difundido de arte contemporânea, não se misturam.

    Almandrade
    (artista plástico, poeta e arquiteto)

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