

OS FANTASMAS DE REZNOR
NIN briga com gravadoras, faze disco independente e mantém acesa a discussão sobre propriedade intelectual na era da internet
Por Ricardo Malta
Dezenove anos atrás, o Nine Inch Nails lançava seu debút fonográfico, o single Down in It. Pouco depois, em 20 de outubro de 1989, era lançado seu primeiro álbum, Pretty Hate Machine. Em 1992 lançam o EP Broken e menos de vinte e quatro meses depois a obra-prima The Downward Spiral. Ficam um bom tempo sem gravar um disco, e em 1999 colocam o duplo The Fragile no topo da parada da Billboard. Na semana seguinte as vendas caem vertiginosamente e a banda somente retorna com um novo trabalho em 2005, com With Teeth. O álbum seguinte, Year Zero, crítico em relação ao governo dos Estados Unidos, é lançado em 2007.
Este pequeno resumo serve como introdução à nova aventura musical de Trent Reznor, Ghosts. Lançado no último dia 2 de março, o álbum é composto de 36 músicas divididas em 4 volumes. Todas as faixas são instrumentais e nenhuma delas tem nome. Elas somente podem ser identificadas por números.
Com pouco alarde, parcas informações e nenhuma gravadora, este disco representa o primeiro lançamento independente da banda. Após as brigas com Interscope e a Universal Music e com o conseqüente término do contrato que envolvia os três, o NIN resolveu lançar o disco diretamente na grande rede, utilizando uma licença Creative Commons para uso não comercial da obra.

De download gratuito a CD Duplo a US$ 75: novo disco para todos os bolsos
É um projeto distinto na trajetória da banda, apesar de ter certas similaridades com o que foi feito com Year Zero e seu alternate reality game.
A empreitada contou com a participação de Atticus Ross e Alan Moulder nos arranjos, na mixagem e na produção do disco. Já na parte musical os convidados foram Alessandro Cortini, Adrian Belew e Brian Viglione, enquanto que Rob Sheridan cuidou dos conceitos visuais que complementam a obra..
No hotsite de Ghosts há opções para todos os bolsos. Pode-se baixar gratuitamente as nove faixas que compõe o volume I, assim como pagar U$ 5 pelo download dos arquivos em mp3, U$ 10 pelo cd duplo ou U$ 75 pelo cd duplo acrescido de um dvd e um disco em Blu-ray com as faixas em múltiplos formatos de áudio. Havia também a versão Ultra-Deluxe limitada a 2.500 edições, que encontra-se esgotada. Pelo que consta, em apenas três dias foi faturado o equivalente a U$ 750 mil em vendas pela internet.
Ao tentar encontrar novos rumos tanto para si quanto para uma indústria que não se atualiza frente a uma realidade digital muito mais dinâmica e com infinitas possibilidades, Reznor proporciona um apanhado de canções que podem ser encarados como uma trilha-sonora mutável ao gosto do ouvinte. Como muitos acertadamente já disseram, tratam-se de temas que poderiam ser encaixados em filmes distintos ou mesmo em imagens das mais variadas. Até então, do ponto de vista musical, a iniciativa mais próxima a esta feita pela banda, fora a trilha original para o jogo Quake.
Desde o início, Trent Reznor sempre se preocupou com os aspectos visuais de sua obra. Pode-se perceber isto nas capas e nos encartes dos singles, discos e vídeos, assim como na caprichada produção dos shows e dos videoclipes. Esta preocupação tornou-se um referencial para os fãs, que sabem que um disco da banda nunca se resume apenas à música.
Corroborando isso, cerca de duas semanas atrás, Reznor tomou mais uma interessante iniciativa ao criar o Ghosts Film Festival. A idéia é criar vídeos inspirados em quaisquer faixas do álbum e exibi-los através do YouTube. A princípio não há prêmios e a real motivação parece ser apenas a interação entre os fãs e a banda.

Novos Rumos: Reznor lançou o novo disco sob uma licensa Creative Commons
É de se esperar o resultado disto, uma vez que por ser totalmente instrumental, o disco deve ter as mais variadas e bizarras interpretações daqueles que querem colocar em imagens o que sentem ao escutá-lo.
Não se pode precisar o impacto ou mesmo a relevância imediata de tais atitudes para um mercado ainda milionário. No entanto, com iniciativas como a do Radiohead e seu In Rainbows no ano passado, e agora com o Nine Inch Nails e seu Ghosts, a tendência parece ser que as grandes bandas se distingüam das demais não só pela qualidade de sua música, mas inclusive pela capacidade de trabalhá-la em qualquer mídia existente.
NOTA: 10
SAIBA MAIS:
Hotsite Ghosts: http://ghosts.nin.com
Ghosts Film Festival: http://br.youtube.com
Creative Commons: http://creativecommons.org
Year Zero Game (Alternate Reality Game): http://en.wikipedia.org
Site Oficial: http://www.nin.com
Nine Inch Nails Brasil: http://www.ninbrasil.com/
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Publicado no dia 14 de abril de 2008 às 11:22. Arquivado em Crítica · Música · Recomendado — Nine Inch Nails [Imprimir essa matéria
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Nota 10 é um exagero.
Também sou fâ da banda mas não podemos esquecer que as letras do NIN são o ponto forte. Sem a fúria e a angustia de Trent Reznor nos vocais a banda se perde um pouco nesse projeto. Um desafio para os fâs seria colocar letras em cima das músicas, que sem dúvida, são ótimas, mas ainda falta um pouco para 10.


Nota 7, acima da média, ou seja, passou de ano.