Corrida Mortal

27.10.2008 às 12:46

Um filme para homem nenhum botar defeito
Por Lidianne Andrade

CORRIDA MORTAL
Paul W.S. Anderson
[Death Race, EUA, 2008]

Se você é chegado em pensar pouco e ver duas paixões masculinas jutas, mulheres gostosas e carros, chegou aos cinemas uma boa opção do fim de semana. Carros batendo, tiros, mortes com closes minimalistas… tudo isso reunido em 105 minutos e de brinde uma boa dose de brigas gratuitas em Corrida Mortal, para nenhum fã de cinema trash botar defeito.

Baseado em Death Race 2000, de 1975 por Paul Bartel, o longa conta a história do operário Jason Statham, trabalhador inocente que tem sua mulher morta para ser incriminado e ir parar na prisão da diretora mercenária Hennessey (Joan Allen). Vale lembrar que as personagens estão no ano de 2012, onde as prisões foram privatizadas e a diretora usa seus carcerários como atração de um programa televisionado de corridas de carro, o Corrida Mortal, divida em três estágios: nos dois primeiros os prisioneiros só precisam sobreviver(parece impossível!) para no terceiro ganhar e acumular vitórias, pois na terceira ganham a liberdade. Uma solução irônica para ganhar dinheiro com os presidiários, já que para assistir a corrida precisa pagar pelo pacote na TV por assinatura de mais de 250 câmeras ao vivo, e, de quebra, desafogar o sistema prisional. Um Velozes e Furiosos na cadeira, diga-se se passagem.

O ator Jason Statham vive o Frankenstein, corredor mascarado conhecido pela destreza ao volante que pode ser assumido por qualquer um, pois usa máscara em público (por isso incriminar o pobre pai de família e usar sua filha como chantagem). Jason, verdade seja dita, já é conhecido no cinema trash por Carga Explosiva e Adrenalina, mas nada superável a Corrida Mortal. Com voz rouca entre sexy e falta de expressão, tenta aparentar com esforço desnecessário um cara bom na pele de um homem formado pelas circunstâncias, mas tudo fica pela metade e nenhuma personalidade é firmada que não seja pelas falas, reflexivas ao ponto de prever-se o que os atores vão falar antes mesmo deles abrirem a boca.

Se a perda da mãe por um lindo bebê indo parar na adoção, surras na prisão por guardar, negros, índios, alemães, pardos e feios, mortes toscas e os carros que atiram como loucos uns nos outros não atraírem alguém, o público masculino ganha mais um atrativo aos 30 minutos de exibição: a chegada das acompanhantes de corrida. Prisioneiras gostosonas ao som de “I´m so sexy…†com câmera lenta e seios saltitantes, garantindo atenção total na cadeira pelos marmanjos por pelo menos 10 minutos.

Bons os filmes em que o cinéfilo ganhava um desafio: descobrir o paço seguinte. Corrida Mortal é didático ao exagero. A diretora malvada com um babaca ao lado a quem explica todos os seus planos (falar sozinho com o espelho é tática de novela mesmo), lembranças com flashback constantes, música lentas para chorar e animadas para atiçar, enfim, não adianta dizer o resto porque os clichês baratos e que nem sempre funcionam. O longa traz uma ordenação infinda que subestima a capacidade do espectador de entender algo por si próprio (ajudante nerd, mecânico latino, equipes divididas entre negros, orientais e russos, e por aí vai).

A aparência com um jogo de videogame (mais especificamente Mario Kart, só não podia pegar “vidasâ€) pode ser atribuída ao felling do diretor Paul W. S. Anderson por seus sucessos anteriores em adaptações para o cinema como Mortal Kombat e Residente Evil. Mas, na verdade, Corrida Mortal é o que mais se parece com um videogame, com direito a vinhetas de vencedor e closes na morte dos personagens que mais lembram que lembras as trocas de nível de um jogo. Como curiosidade, o ator David Carradine que gravou a primeira versão no papel que é hoje de Stathan aparece no novo filme, na primeira seqüência como o corredor Frankenstein.

NOTA: 1,0


Trailer

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