FÁBULAS — O ÚLTIMO CASTELO
Bill Willingham (texto)
[Publicado na revista Pixel Magazine 3, Pixel Media, 48 págs, R$9,90]

Fábulas, de Bill Willingham, desde seu sur­gi­mento foi tido como a suces­sora de Sandman, maior sucesso do selo Vertigo. A his­tó­ria é tão pro­saica quanto genial. Todos os per­so­na­gens de con­tos de fada são obri­ga­dos a se refu­gi­a­rem em Nova York num lugar conhe­cido como Cidade das Fábulas e outros menos urba­nos, no local cha­mado A Fazenda, depois que um ser cha­mado O Adversário inva­diu o mundo natal deles e colo­cou todos pra correr.

O Último Castelo, que a Pixel lança den­tro de seu título men­sal Pixel Magazine, conta a his­tó­ria das últi­mas horas das Fábulas antes da des­trui­ção total de seu mundo pelo adver­sá­rio. O conto é nar­rado pelo Garoto Azul, assis­tente de Branca de Neve. Começamos a his­tó­ria com Chapeuzinho Vermelho sendo per­se­guida à cavalo por mons­tros hor­ren­dos. A bata­lha é dura, uma dife­rença quan­ti­ta­tiva gri­tante e armas mais pode­ro­sas. Enquanto guer­rei­ros ten­tam impe­dir que as for­ças do Adversário ocu­pem o Castelo, as Fábulas ten­tam clan­des­ti­na­mente fugir para o mundo real, mais pre­ci­sa­mente Nova York. O deta­lhe pri­mo­roso no roteiro é mesmo a his­tó­ria de amor entre Garoto Azul e Chapeuzinho Vermelho.

Fábulas sur­pre­ende o tempo todo. A come­çar pela idéia, absurda e inu­si­tada, levando o ino­cente lei­tor a sol­tar um “eu não vou ler uma boba­gem des­sas”. A nar­ra­tiva sim­ples, que mis­tura ação, romance e aven­tura, além de mes­clar esco­las capa-e-espada com coti­di­ano pós-moderno de forma coe­rente e cri­a­tiva éo prin­ci­pal trunfo de Fábulas. Olhando por essa pers­pec­tiva, ela é mesmo a suces­sora de Sandman, cum­prindo com lou­vor a res­pon­sa­bi­li­dade de man­ter a tra­di­ção da Vertigo, edi­tora refe­rên­cia de qua­dri­nhos adul­tos e de his­tó­rias fantásticas.

Bill Willingham, cri­a­dor da série, já rece­beu diver­sos prê­mios Eisner, mas pro­mete termina-la em breve. Assim como a cri­a­ção máxima de Neil Gaiman, tam­bém quer entrar para a his­tó­ria [Paulo Floro].

Nota: 8,5

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comentários (03)

  • Gostei do que li de “Fábulas” até hoje, e espero bas­tante dessa “1001 Noites”. Mas tam­bém con­cordo que a fama de pró­ximo “Sandman” é bem exa­ge­rada. Gosto do texto de Willingham, mas ainda acho suas his­tó­rias um tanto limi­ta­das. Mais pre­ten­são que inven­ção, talvez.

    Wilson 29.07.2007 08h48
  • Achei Fábulas bobi­nha mesmo. 1001 Noites espero que seja melhor.No Mix, Cob Web é ruim, Planetary bem con­fusa, Costantine é o melhor da revista.

    Fábulas é bem fra­qui­nho.
    Enunca vai che­gar a ser ou igual­mente bom como é Sandman

    Wagner 29.07.2007 12h31
  • Não vou posar de inte­lec­tual aqui, até por­que adoro Fábulas, mas o que o Bill criou aqui foi ape­nas o con­texto da Cidades das Fábulas, a Fazenda e o embate com Geppetto (o adversário).

    Todo o back­groud som­brio que se vê aqui é sugado des­ca­ra­da­mente da ‘Mitologia Geral: A Idade da Fábula’ de Thomas Bulfinch e ’ Da Fera à Loira’ de Marina Warner.

    É ótimo, ver­dade seja dita, mas Neil Gaiman con­se­guiu ser infi­ni­tas vezes mais inven­tivo em seu Sandman quando uniu do nada a con­tra­cul­tura, o pop e as mais diver­sas mito­lo­gias do Velho Mundo.

    Grande Abraço.

    Luwig 25.07.2007 12h51