Mais des­ta­ques dos docu­men­tá­rios inter­na­ci­o­nais divul­ga­dos hoje pelo fes­ti­val , que acon­tece de 26 de março a 6 de abril em São Paulo e no Rio de Janeiro, e de 7 a 13 de abril em Brasília.

Duas pro­du­ções ilu­mi­nam aspec­tos da China de ontem e de hoje. Exibido na última edi­ção do Festival de Cannes, Fengming — Memórias de uma Chinesa (de Wang Bing) pro­põe um balanço da vida de uma chi­nesa de 60 anos, que recorda como a Revolução de 1949 transformou-se em um pesa­delo que durou 30 anos. Em Subindo o Rio Amarelo (de Yung Chang), filme sele­ci­o­nado para o Sundance 2008 e con­si­de­rado melhor docu­men­tá­rio cana­dense no Festival de Vancouver, um barco levando a bordo inú­me­ros turis­tas oci­den­tais desloca-se no Rio Amarelo, ao longo da rota de cida­des, vilas e fazen­das que serão inun­da­das devido à cons­tru­ção da gigan­tesca represa das Três Gargantas — obra que impli­cou no des­lo­ca­mento de nada menos de qua­tro milhões de pessoas.

O aus­tra­li­ano Scott Hicks come­çou em julho de 2005 o docu­men­tá­rio Philip Glass: Retrato em 12 Partes visando cele­brar o 70º ani­ver­sá­rio do com­po­si­tor Philip Glass, em 2007. Pelos 18 meses seguin­tes o rea­li­za­dor teve pleno acesso à rotina do músico e compôs um notá­vel mosaico sobre um dos artis­tas mais famo­sos e con­tro­ver­sos da atu­a­li­dade. Woody Allen, Martin Scorsese e Godfrey Reggio são alguns dos cine­as­tas que tes­te­mu­nham sobre a par­ce­ria de Glass nas tri­lhas sono­ras de seus fil­mes. Hicks atu­al­mente tra­ba­lha em uma co-produção anglo-australiana com par­ti­ci­pa­ção do ator Clive Owen inti­tu­lada The Boys are Back in Town.

Filmado em 1960, Description d’um Combat, de Chris Marker, foca­li­zava ima­gens e per­so­na­gens de Israel num momento em que a jovem nação ape­nas come­çava a cons­truir o futuro que se abria à sua frente. Quarenta e sete anos depois, o dire­tor isra­e­lense Dan Geva, nas­cido em 1964, retoma aquele filme em Relato de Memória (13 Lembranças do Documentário ‘Descrição de um Combate’ de Chris Marker), refa­zendo seu tra­jeto e explo­rando novos cená­rios que o cine­asta fran­cês nunca teria ima­gi­nado. Cria-se, assim, um diá­logo entre os dois fil­mes, analisando-se as expec­ta­ti­vas frus­tra­das à luz do estado de guerra per­ma­nente e da grande inqui­e­ta­ção polí­tica do pre­sente no Oriente Médio.

O ativo docu­men­ta­rista inglês Brian Hill volta sua câmara em Os Não Mortos para as cica­tri­zes psi­co­ló­gi­cas pro­vo­ca­das por diver­sas guer­ras (no Iraque, Malásia e Bósnia) que afe­tam da mesma forma a vida de três ex-soldados e dei­xam como legado sín­dro­mes pós-traumáticas e ten­ta­ti­vas de suicídio.

Vencedor do prê­mio espe­cial do júri no fes­ti­val Hot Docs (Canadá), Depois do Rei, de Michael Skolnik, trata da última monar­quia da África, o reino da Suazilândia, onde a opu­lên­cia da vida de seu rei con­trasta com alar­man­tes índi­ces de pobreza, com mais da metade da popu­la­ção de pouco mais de um milhão de habi­tan­tes vivendo com uma renda infe­rior a um dólar por dia e com 42 % de seus habi­tan­tes sendo HIV posi­ti­vos, o maior índice mun­dial de contaminação.

O argen­tino Porta 12, de Pablo Tesoriere, revi­sita o trá­gico con­flito à saída de um jogo de fute­bol entre os times rivais River Plate e o Boca Juniors em 1968, quando um nunca escla­re­cido tumulto cul­mi­nou com a morte de 71 tor­ce­do­res e mais de 100 feri­dos. Quarenta anos depois, ainda se dis­cu­tem as cau­sas da tra­gé­dia e lança-se dúvi­das sobre falhas e até mesmo uma hipó­tese polí­tica – algu­mas tes­te­mu­nhas ocu­la­res garan­tem que tor­ce­do­res do Boca gri­ta­ram slo­gans pero­nis­tas, em plena dita­dura militar.

Curtas
Na Competição Internacional de Curtas-Metragens estão nove pro­du­ções, com des­ta­que para Salim Baba, uma co-produção EUA/Índia diri­gido por Tim Sternberg que foca­liza um senhor indi­ano apai­xo­nado pelo cinema e é fina­lista na dis­puta do Oscar deste ano.

Vencedor da com­pe­ti­ção naci­o­nal do Festival Cracóvia em 2007, o polo­nês 52% (de Rafal Skalski) acom­pa­nha a luta de uma jovem para se tor­nar bai­la­rina. Premiado com o tro­féu Pomba de Ouro no Festival de Leipzig 2007, Apenas um Odor (do liba­nês Maher Abi Samra) é uma via­gem ao meio da guerra do Líbano, onde o cheiro da morte envolve tudo ao redor. A lin­gua­gem ino­va­dora e, ao mesmo tempo, comu­ni­ca­tiva do cine­asta ale­mão Jan Peters ren­deu ao curta Como me Tornei um Guia de Turismo con­vi­tes para deze­nas de fes­ti­vais e pre­mi­a­ções por parte de júris ofi­ci­ais (como no European Media Art Festival), da crí­tica (em Bremen) e do público (em Hamburgo, Weisbaden e Bochum).

Já o norte-americano Jay Rosenblatt, que mere­ceu um pro­grama espe­cial no É Tudo Verdade 2007, acom­pa­nha em Cineasta Iniciante as pri­mei­ras fil­ma­gens fei­tas por sua filha durante um ano cheio de desa­fios. Igualmente dos Estados Unidos — e iné­dito no cir­cuito inter­na­ci­o­nal de docu­men­tá­rios -, o curta O Lugar, de Alexandre O. Philippe, foca­liza os estra­nho acon­te­ci­men­tos ocor­ri­dos no local do assas­si­nato do Presidente Kennedy.

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