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VISÕES DEMAIS
é estrela de , remake sobre cegueira, fan­tas­mas e sus­tos bem pro­du­zi­dos
Por Raphaella Spencer

Depois de 20 anos de cegueira a vio­li­nista Sydney Wells (Jessica Alba) passa por um trans­plante de cór­neas e volta a enxer­gar. Durante a fase de re-adaptação a pro­ta­go­nista começa a ver fan­tas­mas e relem­brar epi­só­dios que não viveu. A prin­cí­pio — e sobre a ori­en­ta­ção, cheia de segun­das inten­ções do neu­rop­si­có­logo e galã Dr. Paul Falkner (Alessandro Nivola) — ela atri­bui as visões a um fenô­meno cien­tí­fico real cha­mado memó­ria celu­lar, pelo qual pes­soas trans­plan­ta­das pas­sam a ter tra­ços do com­por­ta­mento de seu doa­dor. Mas quanto mais con­vul­si­vos são os sus­tos que a edi­ção do filme ofe­rece ao espec­ta­dor, mais a vio­li­nista se con­vence de que o buraco é mais embaixo, mais pre­ci­sa­mente, em Santa Fé, no México, onde Sydney vai parar em busca do pas­sado de sua doadora.

O Olho do Mal é um remake do filme chi­nês Gin Gwai, The Eye (2002). A von­tade de refil­mar a pro­du­ção sur­giu ainda no lan­ça­mento do pri­meiro e levou Tom Cruise a com­prar os direi­tos do roteiro para a sua pro­du­tora, C/W Production. A equipe do filme é um ver­da­deiro Frankenstein de Blockbusters, a come­çar pela “Mulher-Invisível”, Jessica Alba, mas passa tam­bém por fun­ções téc­ni­cas como a da pro­du­tora Paula Wagner (Missão Impossível I, II e III), a maqui­a­gem de Mathew Mungle (X-Men: O Confronto Final) e pelo Sound Design de Mike Minkler (Dreamgirls, Chicago, Kill Bill I e II). A exce­ção é da dupla de dire­to­res fran­ce­ses David Moreau e Xavier Palud.

Nem a equipe pre­mi­ada e o tema cegueira con­se­guem tirar do filme a sen­sa­ção de dejavu. Essa impres­são é fácil de expli­car já que o pró­prio filme dos Irmãos Pang, o ori­gi­nal The Eye, na época do seu lan­ça­mento sofreu for­tes com­pa­ra­ções com fil­mes lan­ça­dos (e já refil­ma­dos) antes dele, como o Ringu (1998) que baseou o bem suce­dido O Chamado (2002), ou, pra citar outro exem­plo, ainda mais seme­lhante até pela rela­ção com o uni­verso dos mor­tos, O Sexto Sentido.


Ensaio sobre a cegueira: Alba começa a ver espí­ri­tos após trans­plante de córnea

A dife­rença é que o ori­gi­nal de olhi­nhos puxa­dos tem o cui­dado esté­tico e o ritmo anguns­ti­ante do bom e velho filme de ter­ror asiá­tico, acom­pa­nhado da com­plexa e dife­rente cul­tura ori­en­tal, o que torna a expe­ri­ên­cia por si só mais enriquecedora.

Na ten­ta­tiva de man­ter uma certa fide­li­dade ao filme ori­gi­nal, O Olho do Mal acaba se tor­nando ingê­nuo, pois repete for­mu­las já uti­li­za­das com mais pro­pri­e­dade em outros fil­mes, como as inú­me­ras vezes onde o foco e o des­fo­que que simu­lam a recu­pe­ra­ção da capa­ci­dade de enxer­gar anun­ciam a assus­ta­dora impres­são de ter visto algo. Ou ainda quando nos sem­pre cal­mos e maca­bros cor­re­do­res, seja do hall do pré­dio de Sydney ou do hos­pi­tal onde volta várias vezes, acaba sem­pre acon­te­cendo alguma coisa. Tudo isso pre­en­chido por uma pri­mo­rosa edi­ção de som que evi­den­cia a acui­dade sonora da per­so­na­gem cega, nos dando uma ino­va­dora repre­sen­ta­ção dessa sen­si­bi­li­dade audi­tiva, emba­lada numa sofis­ti­cada foto­gra­fia, uma cópia mais assép­tica da foto­gra­fia original.

O OLHO DO MAL
David Moreau e Xavier Palud
(The Eye, EUA, 2008)

NOTA: 5,5

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