Rafael Sica (Foto Divulgação)

NADA ORDINÁRIO
Por Paulo Floro

assina tiras diá­rias em seu blog e ganhou reper­cus­são com suas tiras quase sur­re­a­lis­tas, onde explora sen­ti­men­tos huma­nos como hor­ror e medo. Refletem tam­bém uma dis­tor­ção do coti­di­ano, apre­sen­tando cenas absur­das. Duas novi­da­des este mês refle­tem o reco­nhe­ci­mento deste artista gaú­cho. A pri­meira é a expo­si­ção “Cinza-Choque”, que será apre­sen­tado em Porto Alegre até o dia 30 de novem­bro no Museu do Trabalho, com 13 dese­nhos à lápis, todos inéditos.

A segunda é a pri­meira cole­tâ­nea de tiras de Sica, que sai pela nova edi­tora Barba Negra, for­mada pelos ex-editores da Desiderata, Lobo e Odyr. O Grito! con­ver­sou com o artista, que falou não per­ce­ber a influên­cia que seu tra­ba­lho repre­senta no qua­dri­nho atual e tam­bém sobre suas refe­rên­cias quando dese­nha. “Acho o hor­ror uma efi­ci­ente forma de sátira do com­por­ta­mento humano levado ao extremo, levado ao medo”.

Confira tam­bém alguns tra­ba­lhos que esta­rão pre­sen­tes na expo­si­ção e tam­bém tiras do blog.

Muitos dizem que suas tiras são as mais influ­en­tes entre os novos auto­res. Como chega a você esta reper­cus­são? O que acha disso?
Não tenho uma idéia muito clara disso. Fico muito tempo dese­nhando e é difí­cil acom­pa­nhar outros dese­nhis­tas. Tento fazer um tra­ba­lho ori­gi­nal, que é o que bus­cam todos que dese­nham. Se meu tra­ba­lho cru­zar no cami­nho de outro dese­nhista e isso for uma via pra ele bus­car algo par­ti­cu­lar, acho natu­ral no pro­cesso. Mas real­mente não tenho exem­plos pra con­cor­dar com essa tua observação.

Como sur­giu a pro­posta de abrir a expo­si­ção? Já tinha feito algo pare­cido?
O con­vite veio do Museu do Trabalho. O Fábio Zimbres tem uma rela­ção muito pró­xima do museu há alguns anos. Foi ele quem propôs a expo­si­ção. O Hugo, que é quem admi­nis­tra os tra­ba­lhos lá, já abriu as por­tas do museu pra mui­tos outros dese­nhis­tas. É um lugar com uma longa e brava his­tó­ria. Foda mesmo.

Com uma tira diá­ria, como é seu método de tra­ba­lho, sua rotina?
Nunca bato cabeça na frente de folha em branco. Tenho muita coisa ano­tada e dese­nhos rabis­ca­dos em papéis sol­tos. Não deixo pra resol­ver na hora, por­que não con­sigo. Fui des­co­brindo meus limi­tes com o tempo. Tudo pra não trans­for­mar o que me dá pra­zer numa choradeira.

Há algo que o ins­pire? De onde vem as refe­rên­cias para o seu tra­ba­lho?
As con­tas no fim do mês me ins­pi­ram. Na ver­dade observo muito as coi­sas. Escuto mais do que falo, também.

Percebo um inte­resse pelo hor­ror em seus qua­dri­nhos, mas não um hor­ror obje­tivo, mas do sub­cons­ci­ente. Você pensa dessa forma quando dese­nha?
Acho o hor­ror uma efi­ci­ente forma de sátira do com­por­ta­mento humano levado ao extremo, levado ao medo. E hoje o medo foi incor­po­rado pela soci­e­dade, e tem gente ganhando uma grana e rindo muito de tudo isso. Sentido medo ou não, as mer­das estão acon­te­cendo. É uma ques­tão de opção, mas até isso fica difí­cil de perceber.

Pensa em reu­nir os qua­dri­nhos num com­pên­dio, cole­tâ­nea? Já rece­beu alguma pro­posta de edi­tora para lan­çar um livro?
Até o final do ano sai uma cole­tâ­nea pela novís­sima edi­tora Barba Negra, dos cama­ra­das Lobo e Odyr. Só alegria.

Quais outras tiras você cos­tuma acom­pa­nhar?
Não man­te­nho uma regu­la­ri­dade, mas tento acom­pa­nhar o tra­ba­lho dos com­par­sas. Gosto das tiras ver­bor­rá­gi­cas do Allan, gosto do Arnaldo, do Dhamer, Salimena, Bennet, Adão, Gabriel Renner. E o Laerte, cara, ele sim­ples­mente bota todos nós no bolso e sai assobiando.

Seu tra­ba­lho ficou conhe­cido pelo seu blog. Que acha da inter­net como forma de cons­truir uma car­reira? Acredita que o jor­nal ainda tem uma reper­cus­são maior?
A inter­net tem reper­cus­são maior que jor­nal. Consigo fazer outros tra­ba­lhos atra­vés desse con­tato que a inter­net pro­por­ci­o­nou. Mas, ape­sar de tudo, da his­tó­ria toda, de calar se frente ao depar­ta­mento comer­cial, o jor­nal ainda tem mais cre­di­bi­li­dade. Particularmente não conto com car­reira em jor­nal. Isso não existe mais.

Seu traço, suas idéias são bem reco­nhe­cí­veis. Como come­çou a car­reira e como che­gou ao estilo que man­tém hoje?
Comecei copi­ando tudo o que via até encon­trar meu cami­nho. Tudo o que eu não quero no dese­nho é ter­mi­nar copi­ando a mim mesmo. Formulismo é preguiça.

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comentários (01)

  • Tomei conhe­ci­mento do tra­ba­lho dele depois que vi uma TIRA dele no JacareBanguela.
    Não me inte­resso muito por esse tipo de arte ou quase nenhuma outra, mas gos­ta­ria muito de saber o sig­ni­fi­cado de uma que eu vi.

    Osmar 24.09.2009 11h15