No ano em que o rock pesado mos­trou tan­tas boas opções e o pop se mos­trou cada vez mais inven­tivo, O Grito! esco­lhe seus 30 melho­res dis­cos lan­ça­dos neste 2008. E não fal­ta­ram sur­pre­sas e elas vie­ram de todos os luga­res. Seja do Canadá, Suécia e até mesmo do pas­sado já morto — caso do Portishead — ou do mais recente, exem­plo do Sigur Rós. No pano­rama naci­o­nal, um disco indie que trouxe novi­da­des ao samba foi o melhor regis­tro bra­si­leiro. Sem mais delon­gas, vamos à lista.

Por Paulo Floro, Mariana Mandelli e Gabriel Gurman

30
KINGS OF LEON
Only By The Night

Apesar de ter que lidar com as cri­ti­cas de ter se tor­nado “comer­cial demais”, o Kings Of Leon mos­tra neste quarto álbum a con­so­li­da­ção do redi­re­ci­o­na­mento de sua car­reira, ini­ci­ada no disco ante­ces­sor, Because of The Times. O des­ta­que fica para o sin­gle “Sex on Fire”, onde o voca­lista Caleb Followill mos­tra como se tor­nou de cai­pira a um dos novos sex sym­bols do rock.


29
NO AGE
Nouns

Esta dupla da Califórnia foi a prin­ci­pal res­pon­sá­vel pela reva­lo­ri­za­ção do noise-rock no cená­rio inde­pen­dente. São ape­nas 30 minu­tos de muito baru­lho e expe­ri­men­ta­ção em gui­tar­ras. Tudo muito urgente, e, diga­mos juve­nil. Foi a prin­ci­pal aposta da Sub Pop para este ano e encon­trou uma boa res­posta do público e o mais curi­oso, das pis­tas de dança.


28
COOL KIDS
Bake Sale

Seja o namoro com o funk, seja o vocal sujo e pre­gui­çoso, o que importa é que o Cool Kids fez o melhor em expe­ri­men­ta­ções no Hip Hop este ano. Com isso, mais do que ganhar tone­la­das de dinheiro com um ins­ti­gante reper­tó­rio pop, esta dupla de Michigan con­se­guiu tra­zer novi­da­des para o gênero se afas­tando das para­das, mas ganhando rele­vân­cia den­tre os rap­pers. Também se des­ta­cam as boas letras, como “What It Is” e “Black Mags”, que ganhou clipe memo­rá­vel em 2007.

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27
PAUL WELLER
22 Dreams

Aos 50 anos de idade, Paul Weller ainda con­se­gue apre­sen­tar um vigor cri­a­tivo inve­já­vel. Ícone da cul­tura mod nos anos 1980, ele traz neste tra­ba­lho diver­sas refe­rên­cias de sua pró­pria car­reira. 22 Dreams se apre­senta ora pujante, ora jaz­zís­tico, ou até mesmo psi­co­dé­lico em alguns momen­tos. Um ambi­ci­oso disco duplo que em nenhum momento se torna can­sa­tivo, muito menos pedante. Se a diver­si­dade for mesmo man­tida, pode­mos espe­rar um álbum tri­plo em 2009.


26
WOLF PARADE
At Mount Zoomer

A tra­je­tó­ria dos cana­den­ses do Wolf Parade é curi­osa. Eles não seguem nenhuma cena e não per­ten­cem a nenhuma con­jun­tura da música pop. No entanto seus dis­cos sem­pre encon­tram lugar de pres­tí­gio entre crí­ti­cos e fãs de diver­sos paí­ses. Ainda que pou­cos conhe­ci­dos, a banda con­se­guiu um bom séquito de segui­do­res, sem­pre apos­tando num rock que pas­seia entre o expe­ri­men­tal e o pop dan­çante. Curioso é con­se­guir ser tão bem quisto com um vocal tão desa­jei­tado como o do líder Spencer Krug. At Mount Zoomer, ainda que esteja dis­tante da per­fei­ção de Apologies To The Queen Mary faz uso de todas as carac­te­rís­ti­cas que fez o WP famoso.


25
MACACO BONG
Artista Igual Pedreiro

Artista Igual Pedreiro não é, de forma alguma, um disco fácil. Pra come­çar, seu gênero é de difí­cil rotu­la­ção. Não sabe­mos se esta­mos diante de um disco de surf music, metal, noise-rock, expe­ri­men­tal ou sei lá o que. A cer­teza é que o disco de estréia da banda é um dos mais impor­tan­tes lan­ça­men­tos bra­si­lei­ros pelo que tem imbuído de ide­o­lo­gia nele. Durante e antes do seu lan­ça­mento muito se dis­cu­tiu sobre o atual modelo de pro­du­ção da cena inde­pen­dente naci­o­nal, tudo moti­vado pelos con­cei­tos explí­ci­tos pela banda e tam­bém pelo grupo ao qual estão afi­li­a­dos, o cole­tivo Cubo.


24
GIRL TALK
Feed The Animals

Baseado no puro copy+paste somado a muita astú­cia, Greg Gillis con­se­guiu com este Night Ripper, supe­rar seu disco ante­rior, pra­ti­ca­mente um marco na música ele­trô­nica por tra­zer rele­vân­cia ao mash-up, uma ver­tente que até então se con­ven­ci­o­nava não levar muito à sério. Num momento onde a dis­cus­são sobre direi­tos auto­rais e entra­ves legais para down­load estão longe de amai­nar, o GT ainda vai per­ma­ne­cer por muito tempo na ber­linda. Vale res­sal­tar que ele con­ti­nua sem pagar nada de royal­tes e que suas fes­tas rega­das a mis­tu­ras inu­si­ta­das como Avril Lavigne + Yeah Yeah Yeahs estão longe do fim.


23
CRYSTAL CASTLES
Crystal Castles

A dupla cana­dense Crystal Castles for­mada por Ethan Kath e Alice Glass não pre­ci­sa­ram de muito para con­quis­tar o posto de mais inte­res­sante álbum de música ele­trô­nica do ano. Vocais dis­tor­ci­dos, tecla­dos vaga­bun­dos, mui­tos baru­lhi­nhos e o carisma e voz de Glass, que uma hora geme, na outra grita deses­pe­rada. Este debut do duo espanta pela contemporaneidade.


22
GUIZADO
Punx

Guizado, pro­jeto do músico Guilherme Mendonça tem tudo para ultra­pas­sar as bar­rei­ras da cena ins­tru­men­tal inde­pen­dente, da qual faz parte. Munido de seu trom­pete, ele fez de Punx um dos mais inven­ti­vos dis­cos bra­si­lei­ros deste ano. Cabe tudo aqui: ele­men­tos de música ele­trô­nica, acid jazz, hip hop e noise. Ainda se apre­senta como um tra­ba­lho sines­té­sico, suge­rindo em suas fai­xas diver­sas ima­gens e paisagens.


21
THE VERY BEST
Esau Mwamwaya & Radioclit Are the Very Best

Esau Mwamwaya vem do Malawi e remo­de­lou o con­ceito de afri­kan pop aos dias atu­ais. Quem o des­co­briu foram os ingle­ses do Radioclit, que jun­tos for­ma­ram este The Very Best. O disco é uma explo­são étnica e ao mesmo tempo urbana, que rea­loca toda a rele­vân­cia da dance hoje em dia. Com outras ban­das e artis­tas a saí­rem da África em breve e mais e mais pro­du­to­res de olho no con­ti­nente, o eixo Europa-EUA pode ser logo des­con­si­de­rado enquanto único pro­ve­dor de boas novi­da­des. Deste disco, as MP3 já roda­ram ante­ri­or­mente em blogs grin­gos, entre elas “Kamphopo”, e “Tengazako”


20
DR. DOG
Fate

Apesar de o nome da banda apa­ren­tar se tra­tar de um colega de 50 Cent, o grupo ame­ri­cana Dr. Dog traz em Fate um disco reche­ado de hits poten­ci­ais como a “wil­co­ana” “The Breeze”. A har­mo­nia vocal somada a melo­dias de fáceis assi­mi­la­ção, deixa can­ções sim­ples como “100 Years” e ‘Uncovering The old” belas o sufi­ci­ente para este quin­teto osten­tar um hones­tís­simo lugar entre os vinte melho­res dis­cos do ano.


19
WHITE HINTERLAND
Phylactery Factory

Casey Dienel, mais conhe­cida como White Hinterland se baseou ape­nas em seu piano e numa voz bem bai­xi­nha e deli­cada para lan­çar um dos dis­cos mais melan­có­li­cos do ano. Incrível é ima­gi­nar como se pro­duz tanta soli­dão e tris­teza numa pes­soa com ape­nas 22 anos vivi­dos. Aqui, Casey está ainda mais amu­ada que seu pri­meiro disco. Sua voz se esconde atrás do piano e demais cons­tru­ções sono­ras. Destaque para a irô­nica “The Destruction of the Art Deco House”. Perdida e quase des­co­nhe­cida em 2008, é boa hora de pro­cu­rar saber sobre essa moça.


18
LIL WAYNE
The Carter III

Ninguém duvida do quanto Lil Wayne é um dos prin­ci­pais rap­pers de sua gera­ção. Talentoso nas letras, ele ainda se mos­tra ousado na cons­tru­ção de suas músi­cas, apos­tando ora na vio­lên­cia das bati­das, ora num levante bala­deiro. Também é mes­tre em criar obras con­cei­tu­ais sem cair no pedan­tismo de mui­tos de seus cole­gas. The Carter III é uma dos melho­res tra­ba­lhos de Hip Hop do ano e ganha pon­tos ao levar a ousaida de expe­ri­men­tar para o mains­tream. Isto sim, é algo a se lou­var, seja qual for o gênero.


17
COLDPLAY
Viva La Vida Or Death All His Friend

Depois do fiasco de X&Y (2005), o Coldplay con­se­guiu dar uma ver­da­deira virada na car­reira com o quarto disco. Produzido pelo mes­tre Brian Eno, Viva La Vida… é ori­gi­nal e ins­pi­ra­dor com suas influên­cias lati­nas e com­po­si­ções sobre vida e morte. A fór­mula do piano triste somado à voz com fal­sete deu espaço para gui­tar­ras ten­sas – “42” e “Violet Hill” – e para orques­tra­ções cri­a­ti­vas – “Viva La Vida” e “Cemeteries of London”. Apesar das freqüen­tes acu­sa­ções de plá­gio, a banda de Chris Martin vol­tou ao topo das para­das, das lis­tas de mais ven­di­dos e das indi­ca­ções a prê­mios, for­ta­le­cendo o Coldplay como uma das mai­o­res ban­das da atualidade.


16
DEATH CAB FOR CUTIE
Narrow Stairs

Depois da coe­são fofa de Plans (2005), Ben Gibbard resol­veu arris­car e, com um pé no expe­ri­men­ta­lismo, inje­tou em Narrow Stairs uma série de ingre­di­en­tes novos no som do Death Cab For Cutie, uma das ban­das mais que­ri­das do indie rock. Os oito minu­tos do sin­gle “I Will Possess Your Heart” e as bati­das quase tri­bais de “Pity And Fear” são prova da cora­gem do grupo. O gosto agri­doce, porém, de músi­cas ale­gres com letras dila­ce­ran­tes, per­ma­ne­ceu. Ainda bem.


15
LYKKE LI
Youth Novels

Quem conhe­ceu a sueca Likke Li este ano se deu bem. No meio termo entre uma Feist e uma Lily Allen, a moça mis­tura iro­nia e sen­su­a­li­dade com uma deli­cada voz de garota meiga. Articulada entre indies, caiu nas gra­ças de nomes como Bon Iver e agora pre­tende abra­çar mais e mais o pop mun­dial. Youth Novels será em 2009 seu car­tão de visi­tas para isso. Destaques para a doce I’m Good I’m Gone e o hit “Dance Dance Dance”.


14
SHE & HIM
Volume 01

Doce, muito doce. Impossível não se apai­xo­nar pelas bala­das lumi­no­sas can­ta­das na voz de Zooey Deschanel e pelas melo­dias quase ten­ras de M. Ward. Volume One, o debut da dupla norte-americana, aposta no soft rock e folk-pop dos anos 60. Com letras mei­gas e arran­jos sua­ves, Deschanel e Ward con­quis­ta­ram cora­ções mundo afora com a ino­cên­cia de can­ções como “Sweet Darlin’”, “Sentimental Heart” e “I Thought I Saw Your Face Today”. Um charme.


13
BURAKA SOM SISTEMA
Black Diamond

É muito pouco dizer que o prin­ci­pal mérito do Buraka Som Sistema foi popu­la­ri­zar o kuduro no cená­rio pop este ano. Formado por músi­cos de Portugal, Angola, Brasil e Inglaterra, o disco traz um sopro de reno­va­ção no pop como há muito não se via. A diver­si­dade e o caos das peri­fe­rias de todo o mundo se fazem pre­sen­tes aqui, seja o funk cari­oca, semba, kalemba, hip hop, dance ou música ele­trô­nica. Black Diamond trouxe para o mesmo bonde M.I.A., Deize Tigrona e a MC Saborosa, de Angola.


12
TV ON THE RADIO
Dear Science,

Entre tan­tas melho­res ban­das da última semana, o TV On The Radio mos­tra neste ter­ceiro álbum uma mis­tura per­feita entre expe­ri­men­ta­lismo com can­ções aces­sí­veis, pro­vando que a banda não é ape­nas uma cri­a­tura do hype que asso­lou Nova Iorque pós-Strokes. Os des­ta­ques ficam para “Dancing Choose” e “Stork & Owl”.


11
HERCULES AND LOVE AFFAIR
Hercules and Love Affair

Outra boa sur­presa das pis­tas, o disco-projeto do DJ/produtor Andy Butler cau­sou rebu­liço ao se jun­tar com uma trupe des­co­lada enca­be­çada por Antony Hegarty, do Antony and The Jonhsons. Estão pre­sen­tes no disco ainda, Kim Ann, DJ e conhe­cida desig­ner de jóias em Nova Iorque e a sexy-competente Nomi, can­tora de modern soul. Não fal­tam hits no disco, entre eles “Blind”, faixa que desde o ano pas­sado movi­menta as pis­tas de dança.


10
CURUMIN
Japan Pop Show

Japan Pop Show, segundo disco de Luciano Nakata, mais conhe­cido como Curumin é o melhor disco bra­si­leiro do ano. Aqui Curumin mis­tu­rou ao seu samba, psi­co­de­lia, funk, afro­beat e rock e fez um regis­tro que traz um fres­cor de coisa nova ao gênero — algo que não se podia espe­rar de todas as can­to­ras sam­bis­tas que pro­li­fe­ra­ram no cená­rio musi­cal em tem­pos recen­tes. Também não fal­tam boas par­ti­ci­pa­ções, entre elas Marku Ribas, Tommy Guerrero e Blackalicious. Para não dei­xar de tocar o sambito.


09
FLEET FOXES
Fleet Foxes

É só olhar as lis­tas de melho­res dis­cos do ano: vai ser bem difí­cil não achar o nome desta banda de Seattle no top 10. Considerado a maior reve­la­ção de 2008, o Fleet Foxes aposta num folk obs­curo que ganhou ouvi­dos e cora­ções dos aman­tes de uma música densa, vigo­rosa e quase ecu­mê­nica. Melodias belas e arran­jos espi­ri­tu­o­sos – deno­mi­na­dos pela banda como “baro­que har­mo­nic pop jams” – domi­nam o lirismo de “Sun It Rises”, as som­bras de “Tiger Mountain Peasant Song” e o clima atmos­fé­rico de “Heard Them Stirring”, por exem­plo. Vozes em coro, mui­tas cor­das e tecla­dos fazem a har­mo­nia do pri­meiro disco do grupo, que ainda bebe do indie pop e do sadcore.


08
MGMT
Oracular Spectacular

Um sen­ti­mento juve­nil per­meia todo o álbum de estréia do MGMT. A banda tem esse claro desejo de ser atual, mostrando-se visi­o­ná­ria, mas ainda se far­tam dos escom­bros do pas­sado para cons­truir sua teia cósmico-transcendental. o disco é uma mis­tura intri­gante de dance-rock, folk, música ele­trô­nica e pop psi­co­dé­lico. Uma via­gem cha­pante com risco de vício para o ouvinte, após músi­cas como “Kids” e “Time To Pretend”.


07
SIGUR RÓS
Með Suð í Eyrum Við Spilum Endalaust

A angús­tia eté­rea de uma das ban­das mais con­sa­gra­das do post-rock está de volta com toda a força no quinto álbum de estú­dio do Sigur Rós. Grandioso e orques­trado, o disco traz melo­dias triun­fan­tes – como “Ára bátur” – e fai­xas base­a­das em um piano deli­ca­da­mente aflito – ouça “Festival”, “Fljótavík” e “All Alright”. O mini­ma­lismo ainda está pre­sente, mas dessa vez o grupo pin­ce­lou sua música com mais vozes e cor­das – tem até influên­cia folk, pre­sente em fai­xas como “Illgresi” e “Gobbledigook”. Með suð… é uma ver­da­deira ode à beleza de sons deli­ca­dos e hip­nó­ti­cos. Belíssimo disco.


06
LITTLE JOY
Little Joy

Lançado no final do ano, o Little Joy é a tri­lha sonora per­feita para o iní­cio deste verão. Com um som deli­ci­o­sa­mente prai­ano, esta banda for­mada por Fabrizio Moretti, bate­rista do Strokes, Rodrigo Amarante, do Los Hermanos, além de Binki Shapiro, já nas­cida grande, mos­tra que este inter­câm­bio de expe­ri­ên­cias fun­ci­o­nou (apa­ren­te­mente) de maneira natu­ral. Descompromissado, o disco é reche­ado de músi­cas pega­jo­sas como “Brand New Start”, “Shoulder to Shoulder”, além das melo­sas “Unattainable” e “Evaporar”, can­ta­das res­pec­ti­va­mente por Shapiro e Amarante.


05
SANTOGOLD
Santogold

Santogold tomou todos de assalto quando apa­re­ceu, no iní­cio do ano. Voz ana­sa­lada, muito sin­te­ti­za­dor, influên­cias que iam do reagge ao funk e uma ligeira com­pa­ra­ção com M.I.A.. Seu álbum de estréia, homô­nimo, é um mix de refe­rên­cias que ser­vem a ape­nas um único pro­pó­sito: ser uma máquina de hits, sobre­tudo para as pis­tas. “L.E.S. Artistes”, “You’ll Find A Way”, “Say Aha” e “Creator” fica­ram na memó­ria deste ano como o melhor que uma can­tora pop pode fazer. Santogold, ante­na­dís­sima foi o ápice cri­a­tivo entre as vozes femininas.


04
VAMPIRE WEEKEND
Vampire Weekend

Estourados no hype da cena indie-blog com o web-hit “A-Punk”, os nova ior­qui­nos do Vampire Weekend con­quis­ta­ram crí­tica e público com sua irre­ve­rente mis­tura de música popu­lar afri­cana com pop-rock. Não que esta mis­ce­lâ­nia rít­mica nunca tenha sido feita, aliás, é clara a influên­cia de Paul Simon no som deste quar­teto, mas a soma desta mis­tura somada à incrí­vel capa­ci­dade des­tes jovens de cri­a­rem can­ções esti­mu­lan­tes e pega­jo­sas fez a banda se tor­nar uma das gran­des sur­pre­sas de 2008.


03
BON IVER
For Emma, Forever Ago

Por trás do nome Bon Iver está Justin Vernon, com­po­si­tor e músico que lan­çou, de forma inde­pen­dente, seu pri­meiro disco com seu mais novo pro­jeto. Um dos dis­cos mais líri­cos do ano, For Emma, Forever Ago é cer­ta­mente uma com­pi­la­ção de tris­teza e melan­co­lia em forma de folk music. Grandioso e emo­ci­o­nante, é ideal para os aman­tes de Sufjan Stevens, Arcade Fire, Beirut e Jeff Buckley. Vernon apos­tou na com­bi­na­ção de vozes, gui­tar­ras, bati­das, pia­nos e efei­tos orques­tra­dos que embe­le­zam de modo encan­ta­dor fai­xas como “Flume”, “Skinny Love” e “Blindsided”. Um álbum puro, sin­cero e decla­ra­da­mente angus­ti­ado que é, com cer­teza, uma obra-prima de 2008


02
PORTISHEAD
Third

Sobreviver aos anos 1990 já é sufi­ci­ente para uma banda ser tida como vito­ri­osa. Voltar depois de 12 anos e lan­çar um disco que ao mesmo tempo reen­con­tra seu pas­sado e lança novas pers­pec­ti­vas ao som do grupo, isso só mesmo o Portishead. Se antes, eles enca­be­ça­vam um movi­mento em ascen­ção (pra não dizer hype), hoje eles repre­sen­tam por si só uma ins­ti­tui­ção den­tro do cená­rio pop. Third traz de volta a voz doce e angus­ti­ante de Beth Gibbons, adi­ci­o­nada agora de uma ten­são em cada faixa, algo quase ausente nos dois dis­cos ante­ri­o­res. Para mui­tos, uma mácula na tra­je­tó­ria da banda, esse fre­nesi pre­sente em quase todas as fai­xas é a prova de como o trio con­se­gue ainda expe­ri­men­tar, fazendo jus a uma repu­ta­ção, mas não se ren­dendo a ela.

01
DEERHUNTER
Microcastle

É no baru­lho que o ter­ceiro disco do Deerhunter se apóia, mas esta banda de Atlanta (EUA) mos­tra suas qua­li­da­des nos peque­nos deta­lhes e no modo como se rela­ci­ona com o silên­cio, a fra­gi­li­dade e a deli­ca­deza. Microcastle é um pequeno petardo de expe­ri­men­ta­lismo roqueiro, mas acena para futu­ros mais pop para a banda. “Agoraphobia”, “Never Stops” e “Little Kids” apre­sen­tam pro­pos­tas ter­nas até ter­mi­na­rem em uma pro­fu­são de gui­tar­ras, baru­lho e dis­tor­ção. É desta bri­lhante dico­to­mia que o disco se revela belo. E a beleza que o Deerhunter viu no peso não foi vis­lum­brada por nenhuma outra banda que se engra­çou pelo gênero noise. Tantas rever­be­ra­ções cau­sam uma sen­sa­ção de sus­pen­são no ouvinte, cri­ando pai­sa­gens sono­ras, sines­te­sia. Provocar estas sen­sa­ções, que de forma alguma são ime­di­a­tas, é um mérito que pou­cas ban­das conseguem.

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comentários (05)

  • fal­tou dia santo do jam da silva , sera que ele lan­cou em 2008 ou 2009, nao me lembro …

    paulo 23.11.2009 11h45
  • Faltou “This Is The Life” de Amy MacDonald.

    Rodolfo 07.05.2009 01h27
  • Apesar do lugar comum, ao dizer que o ótimo “Day & Age” é ruim, tenho que con­cor­dar que esta lista está exce­lente! Claro que além do álbum do “The Killers”, fal­tou “Made In The Dark”, do Hot Chip!

    Humberto Lima 03.01.2009 03h30
  • Faltou a grande reve­la­cao do ano , wan­de­nio, com influ­en­cia dos mel­lo­trons. A melhor coisa que eu ja ouvi.

    ana 30.12.2008 08h36
  • Onde estão as maté­rias das artes plas­ti­cas, dos fil­mes do ano e dos blogs? Falou galera!

    renan esteves 26.12.2008 12h51