SOB O SIGNO DA VENDA
reúne as prin­ci­pais escri­to­tas best sel­lers dos EUA em his­tó­rias bem suce­di­das que des­ve­lam um outro lado do sonho da for­ma­tura
Por Fernando de Albuquerque

FORMATURAS INFERNAIS
Meg Cabot, Stephenie Meyer, Kim Harrison, Michelle Jaffe e Lauren Myracle
[2009, , 318 págs]

O que Meg Cabot, Stephenie Meyer, Kim Harrison, Michelle Jaffe e Lauren Myracle tem em comum além de serem escri­to­ras, mulhe­res e terem livros best sel­lers? O inte­lec­tu­a­lóide res­sen­tido de Paulo Coelho diria que é a pro­du­ção de lite­ra­tura de ter­ceira. Ledo engano. A ver­dade é que essas escri­to­ras, cujas obras estão adap­ta­das ao mer­cado edi­to­rial, estão reu­ni­das em torno de Formaturas Infernais, cole­ção de con­tos da Galera , que toca fundo no ima­gi­ná­rio em torno da prin­ci­pal festa do período ado­les­cente: a formatura!

Mesmo que sejam auto­ras que escre­vem para ado­les­cen­tes e com uma lin­gua­gem que não con­se­gue fugir ao este­reó­tipo ian­que, os con­tos estão inse­ri­dos no que H.P. Lovecraft deno­mi­nou de lite­ra­tura fan­tás­tica com lin­gua­gem de ter­ror, muito mais que suas obras mais famosas.

Dividido em cinco con­tos, o pri­meiro, “A Filha do Exterminador”, traz como nar­ra­tiva cen­tral o assas­si­nato de um vam­piro. Com um esti­li­nho Buffy, Mary se vê envol­vida na neces­si­dade de sal­var sua amiga (sedu­zida por um vam­piro gos­to­são), coor­de­nar seus sen­ti­dos e impul­sos sexu­ais por Adam, lidar com o enclau­su­ra­mento de sua mãe (aqui a metá­fora da dona de casa) e as inven­ci­o­ni­ces do pai imerso na ten­ta­tiva de sal­var a amada esposa (outra metá­fora pater­na­lista para o homem pro­ve­dor). Uma his­tó­ria bem ses­são da tarde.

Em “O Buquê”, de Lauren Myracle, a nar­ra­tiva nos impul­si­ona à tris­teza e segue a linha da enun­ci­a­ção do trá­gico tal como Edgar Alan Poe em “The Monkey’s Paw”, que já foi levada ao cinema, e apre­goa a velha máxima do “cui­dado com o que você deseja”. No conto seguinte, de Kim Harrison, inti­tu­lado “Madison Avery e a Morte”, apre­senta a his­tó­ria de uma jovem que encon­tra a morte durante o baile de for­ma­tura. Ela dança com a morte e segue uma per­se­gui­ção com o desen­vol­vi­mento de uma mito­lo­gia pró­pria. O final, con­tudo, deixa bas­tante a dese­jar e é impos­sí­vel não ten­tar achar alguma pista do final da his­tó­ria na internet.

“Salada Mista”, de Michele Jaffe, con­tra­diz todas as ante­ri­o­res lan­çando mão do humor, da tris­teza e do mis­té­rio. A escri­tora traz per­so­na­gens bem cons­truí­dos e uma pro­ta­go­nista que tem seus con­fli­tos expli­ca­dos por livros de auto-ajuda. A última his­tó­ria, “Inferno na Terra”, a tão aguar­dada his­tó­ria de Stephenie Meyer, autora da série Crepúsculo é bem diver­tida e apre­senta a tra­di­ci­o­nal busca pela feli­ci­dade cons­truida em torno da dobra­di­nha bem ver­sus o mal. A rapi­dez do conto tal­vez não seja para Meyer que deixa seus lei­to­res ensos­sa­dos na falta de ine­di­tismo e ponto de vis­tas mais apu­rado dos personagens.

Entre a neces­si­dade de diver­são e um bom livro, Formaturas Infernais cum­pre seu papel enquanto resul­tado da reu­nião de escri­tó­rias best sel­lers. Um livro ideal e que pro­mete diver­tir todos aque­les que vêem com cinismo as tra­di­ci­o­nais encur­ra­la­das do sonho pueril.

NOTA: 7,0

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