Os Anos 00: Top 30 discos internacionais da década

OS MELHORES DISCOS DOS ANOS 00

Edição: Paulo Floro. Textos: Paulo Floro, Fernando de Albuquerque e Livio Paes Vilela. Diagramação: Wagner Beethoven


30
MORRISSEY
You Are The Quarry (2006)

O cantor inglês conseguiu abandonar os anos 1980, do qual era referência, elaborando novas agruras em forma de música para novas gerações. Forte pegada roqueira, maior abertura para falar de vida pessoal, amores gays e um leve tom de revide marcam o álbum.


29
BON IVER
For Emma, Forever Ago (2007)

Poucos discos chamam mais atenção por sua história do que pelo poder criativo das músicas. Em grande parte, as gravações são banais, protocolares. Este álbum de Justin Vernon criou um mito em torno de si, falando de sua reclusão, relacionamentos. Também inovou ao trazer experimentalismo ao folk-rock americano.


28
PJ HARVEY
Stories From The City, Stories From The Sea (2003)

Disco mais pop da década para PJ Harvey, este registro aproximou a cantora de um público maior, longe dos ardorosos fãs tão esquisitos quanto a cantora. Sem abandonar o peso das letras e arranjos, PJ fez um disco que tinha como meta um pop redondo. Ainda não superado.


27
KANYE WEST
The College Dropout (2002)

Presença marcante durante toda a década, West foi o exemplo do artista que construiu sua própria fortaleza dentro do mainstream. Egocêntrico, controlador e perfeccionista, sua busca por poder dentro do universo mainstream gerou sempre bons discos.


26
RUFUS WAINWRIGHT
Want One (2004)

Fruto de uma geração de compositores que não se furtam em expor intimidades, anseios, Rufus fez desse seu disco uma orquestração pop de seus dramas particulares. Em tom de tragédia, ainda conseguiu se fazer um ícone gay a partir deste álbum.


25
AMY WINEHOUSE
Back To Black (2007)

Antes de virar pauta bizarra (e fácil) para a imprensa, com seus escândalos e deslizes, Amy foi saudada como um sopro de renovação entre as cantoras pop. Este disco, produzido por Mark Ronson trouxe elementos do jazz e do soul, mas foi o carisma e a voz de Amy – além de sua personalidade, sempre no limite – que alimentou seu sucesso.


24
SIGUR RÓS
Ágætis Byrjun (2001)

Lançado em 1999 em sua terra natal, a Islândia, este segundo disco do Sigur Rós chegou ao resto do mundo em 2000 e 2001. Inovou por trazer um modo de cantar e tocar original, que tornou o post-rock conhecido e levou o experimentalismo à extremos ainda não alcançados com tanto êxito.


23
ANTONY AND THE JOHNSONS
I Am A Bird Now (2005)

Se alguém soube cantar as inquietações desta década – sobretudo com propriedade – esta pessoa foi Antony Hegarty. As questões de gênero, travestilidade, tornou esse álbum emblemático. Tem participações especiais que vão de Boy George a Devendra Banhart.


22
FRANZ FERDINAND
Franz Ferdinand (2005)

Hypado à época e ignorado depois, este disco do Franz Ferdinand ainda tem sua força. Perfeita combinação entre rock e dance music, ainda levou bom-humor ao pop que estava se renovando no início dos anos 00.


21
SURFJAN STEVENS
Illionoise (2004)

A meta era ambiciosa: criar um disco conceitual para cada estado norte-americano. Se falhou ou foi deixada de lado, nem importa tanto. Este álbum sobre Illinois ainda repercute como um dos mais exitosos exemplos de discos complexos, cheios de referências, mas ainda assim, altamente pop.


20
RADIOHEAD
Amnesiac (2002)

Considerado disco de sobras do Kid A, este álbum é um dos mais radicais do grupo, por explorar ainda mais as fronteiras da desconstruções rock x eletrônica. Também é incrivelmente triste, talvez o maior de toda essa lista.


19
DAFT PUNK
Discovery (2005)

Essa dupla ficou conhecida pelo tom primal de suas batidas no primeiro disco, Homework. Neste, inovaram ao propor um disco conceitual – deu origem a um filme em animação, Starla 5555 – com arranjos elegantes, que uniam pitadas de pop sessentista, vocais, atmosferas hipnóticas, além do house, do qual são mestres.


18
PANDA BEAR
Person Pitch (2007)

Superestimado para alguns, este disco de um dos membros do Animal Collective surpreende pela sinestesia que propõe em suas faixas. Também ficou conhecido pelo seu namoro com a psicodelia.


17
EMINEM
The Marshall Mathers LP (2002)

Eminem levou às últimas consequências a aproximação do hip hop com o mainstream. Sempre controverso, seus discos sempre alcançaram êxitos de crítica e público por sua qualidade de rimas e arranjos. Este álbum ainda hoje causa espanto/inveja/respeito entre artista do rap.


16
THE AVALANCHES
Since I Left You (2000)

O grupo australiano provocou empatia com muita gente assim que surgiu no início da década. Depois, um aguardado novo disco, nunca surgiu. Nessa retrospectiva, diversas publicações resgataram este debut do Avalanches, lembrando que muitas vezes, a força de um único álbum é maior do que uma longa carreira.


15
BURIAL
Untrue (2007)

O dubstep ameaçou virar febre, mas seus artistas nunca foram muito populares. Principal exemplo do gênero, este misterioso produtor, que atendia pelo nome de Burial fez desse disco uma das melhores experiências em música eletrônica na década. Pequenos barulhinhos que exploraram um estilo de tocar digamos, desolador.


14
OUTKAST
Stankonia (2001)

Esta dupla trouxe uma proposta de hip hop bem humorado, descolado, pensados como uma performance fashion, mas sem se desligar totalmente das referências – algumas bem tradicionais – do gênero. Este disco é emblemático por colar o estilo a outras nuances do pop. Nesta mesma linha, o duo ainda lançaria outro álbum bem-sucedido.


13
LCD SOUNDSYSTEM
Sound Of Silver (2007)

Este projeto do produtor James Murphy não lançou apenas dois ótimos álbuns. Foi responsável também por revelar toda uma nova safra de bandas que exploraram batidas dançantes. Criou um referencial, um estilo, que muitos chamaram de “dance-punk”. Este Sound Of Silver é o ápice criativo de Murphy.


12
WILCO
Yankee Hotel Foxtrot (2002)

O quarto álbum de estúdio do Wilco poderia ser apenas um voz & violão que ainda seria um dos álbuns mais emocionalmente devastadores de todos os tempos. Ainda que sejam extremamente pessoais, as 11 canções que Jeff Tweedy reservou para o disco são de emocionar que quer seja. Ao invés de derramarem lamúrias simplesmente, cada canção funciona como parte de um exame minúncioso no coração de cada, cada acorde revelando um novo nervo, uma nova camada de sentimento. No entanto, “Yankee Hotel Foxtrot” não é apenas um “voz & violão”. Mérito principalmente da parceria com Jim O’Rourke, a sonoridade do álbum vem para sublinhar a força das letras e músicas de Tweedy, fazendo cada ruído, cada dissonância, reflexos das nossas próprias doenças sentimentais.


11
PORTISHEAD
Third

A banda já tinha conquistado seu lugar no inventário da música pop de todos os tempos por ser o principal expoente do Trip-Hop. Quase uma década depois, traçam novas diretrizes na música eletrônica com este Third, cada vez mais afunilando um estilo musical único da banda.


10
THE WHITE STRIPES
Elephant (2008)

Jack White poderia ter ganho o prêmio de funcionário do ano, tanto são suas colaborações, projetos paralelos e discos lançados nestes 10 anos. Este disco é o mais bem elaborado de sua banda principal, o White Stripes, com diversos hits. Sem falar nas brincadeiras estéticas vermelho e preto, que tornou o rock mais divertido nesse tempos.


09
MISSY ELLIOTT
Miss E… So Addictive (2001)

A produtora Missy Elliott, ao lado de Timbaland e Jay Z foram os mais poderosos nomes da indústria musical norte-americana. Mas foi Elliott a mais certeira em apostar em tendências. Este seu disco já mostrava um apanhado de onde a música pop, cada vez mais próxima do hip hop deveria caminhar e como o R&B iria caducar até chegar ao tamanho atual. Visionária.


08
INTERPOL
Turn On The Bright Lights (2002)

A comparação com o Joy Division não foi totalmente descabida. Mas a força criativa deste disco isolou o Interpol num estilo tão particular, que acabou gerando crias a partir dele, como o National e outros.


07
JAY Z
The Blueprint (2001)

Talvez nenhum disco de hip-hop tenha alcançado tanto sucesso quanto este sexto álbum de estúdio de Jay Z. Clássico do gênero, foi trilha de um país atacado pelos atentados terroristas da Al Qaeda, e ainda hoje é bastante reverenciado. Eminem foi o único rapper convidado. Reforça ainda sua força de clássico, as produções de Kanye West e Timbaland.


06
RADIOHEAD
Kid A (2000)

Como vários outros grandes álbuns na história da música pop, Kid A funciona como um marco divisório. Não importa quem, nem quando, nem onde se ouça, o quarto disco do Radiohead é daqueles que definem sua vida em antes e depois. Por mais que seja fácil rastrear o que levou a banda a sair com aquele som – muitos horas de IDM, jazz, Bowie, Scott Walker, Brian Eno, Kraftwerk e estourando nos ouvidos – nada te prepara propriamente para montanha-russa de sensações trazidas pelo álbum. Daí que essa característica ajudou a cravar o álbum no imaginário da década, tornando-o uma espécie de profecia quase-sem-palavras de tudo que estaria por vir – da derrocada da indústria fonográfica (foi um dos primeiros discos a vazar) às intempéries climáticas (“ice age is coming”).


05
MIA
Kala (2007)

A explosão de MIA no cenário pop serviu para alertar que a globalização tinha sim feito seus bons frutos. Aproximando sonoridades da África com a música pop da Europa, a cantora anglo-cingalesa foi o exemplo mais contemporâneo que a indústria musical já viu nessa década. Seus exageros estéticos, suas referências caóticas que uniam terrorismo, marcas multinacionais, moda e periferia comprovou que sua antena de tendências era mais avançada entre todos.


04
ANIMAL COLLECTIVE
Merriweather Post Pavillion (2009)

Em Merriweather Post Pavilion, o Animal Collective conseguiu construir por meio de máquinas eletrônicas um dos discos mais humanos dos últimos tempos. Seja pelos conceitos que se propõe a transmitir – a simplicidade e a comunhão como os reais baratos da vida – ou pelas emoções que encerra em suas melodias, este é um álbum que fala direto ao coração, tão rico, quanto imediato. Uma obra que, mesmo sem um mínimo de auto-importância, parece pronta para ser tudo aquilo que se destina.


03
THE STROKES
Is This It? (2001)

Mesmo tendo sido conservador em seu rock que chupava influências do passado, Strokes é relevante por ter sido o passo primordial para a música pop entrar num novo estágio. Desleixado, mostrou o caminho para um sem-número de bandas, além de ser expoente para o que seria o rock nesta década: algo bem além da música, com interesses (declarados ou não) em moda, estética e até mesmo política.


02
ARCADE FIRE
Funeral (2003)

Este grupo canadense foi aclamado por crítica e público no lançamento de seu primeiro disco. Cria da geração web, que divulgou o disco através de links e fez o hype do lançamento. Com temas depressivos, que falam de morte e perdas, a banda talvez tenha feito sucesso apenas pelas boas ideias, arranjos diferentes e letras que causa empatia com a plateia. Simplesmente emocionam. Ou, mais objetivamente, talvez sua música seja mesmo inovadora, com o uso de instrumentos não muito utilizados, como banjo, sanfona, violinos. Ou o grande número de integrantes. Ou mesmo a sinergia do grupo, que criou uma atmosfera misteriosa em torno de si, como uma seita. O grupo ainda lançou outro disco bastante exitoso, e concluiu sua aclamação com uma turnê, que chegou até o Brasil, no TIM Festival.


01
RADIOHEAD
In Rainbows (2007)

Para alguns, o álbum Kid A é o mais importante registro do Radiohead, mais do que este mais recente disco, In Rainbows. Mas, se estamos falando de discos relevantes, cuja importância vai além da pura e simples repercussão entre fãs e público, então In Rainbows se situa como o álbum mais importante destes últimos dez anos. Quando vazamentos de discos já eram corriqueiros e as discussões sobre downloads e direitos autorais caminhava para a estagnação, o grupo inglês radicalizou em sua proposta de distribuir sua música. Eles “apenas” lançaram a celeuma: quando vale a música hoje?

Pra completar, a musicalidade do disco mostra um avanço musical da banda. Depois de retornar às paragens roqueiras com Hail To The Thief, o grupo retoma um hibridismo pop entre música eletrônica, rock e outros gêneros como o jazz neste In Rainbows. É algo tão misto que é possível estocar o som do grupo em um compartimento particular dentro da música pop. E, se ninguém ainda conseguiu alcançar o nível de experimentação do Radiohead com êxito, esses ingleses ainda manterão sua influência para os anos 10 até uma nova reviravolta na música surgir. Torcemos?

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4 comentários em “Os Anos 00: Top 30 discos internacionais da década”

  1. Sempre estas listas de TOP alguma coisa geram polêmica. Nunca vão ficar 100% satisfeitos. O que vale é a forma de expor a sua opinião. Bem interessante… bem tendenciosa ao RadioHead é verdade, mas muito bem colocados Strokes, Jay-Z, Eminem e Daft Punk. Agora a impressão ao ver essa lista é que a música por mais que esteja se renovando, parece estar entrando em um parafuso de qualidade e novas tendências, perto da explosão dos anos 70 e 80. Não é ser nostalgico, mas vejo um movimento através das décadas onde a música seja lá qual seu estilo ou ritmo tem se fechado… por mais que as novas tecnologias permitam coisas novas, a criatividade tem andando em baixa. Pelo menos é o que parece pra mim. Belo post. Viste meu blog de textos http://www.sempreerrado.zip.net

    Um abraço

  2. Ramon disse:

    e cade a top list brasileira?? ouvi dizer que esse este site era de criticos brasileiros

    • Paulo Floro disse:

      Oi Ramon. Como explicamos no post com as 100 músicas, esta lista é apenas de discos e músicas internacionais. A dos discos nacionais será lançada em parceria com o blog Bloody Pop e o Move Up The Jukebox, num projeto chamado BR00, agora no fim do mês. Abraços

  3. Rodolfo disse:

    Não gostei da lista. Tem muito Radiohead. Eu não esqueceria dos álbuns:

    Norah Jones – Come Away With Me. Fiona Apple – Extraordinary Machine. Muse – Absolution. Joss Stone – The Soul Sessions. The Killers – Hot Fuss. Bat For Lashes – Two Suns.

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Recife, 2010, Ano 4

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