VETERANO DA QUEBRADA
Rapper Criolo lança disco de Hip Hop com elementos de reggae, soul, samba e até brega. Mas sua originalidade é maior nas rimas
Por Paulo Floro
Da Revista O Grito!
Como um rapper, que aposta fichas em diversos gêneros musicais e caminha numa facção da música pop que ainda é tímida na preferência nacional pode criar um música com jeito para hino de sua década. Assim é Criolo com “Não Existe Amor em SP”, presente no álbum Nó Na Orelha, lançado de forma independente pelo músico.
Criolo, antes conhecido como Criolo Doido é um desses músicos que servem como estandarte de um estilo que luta para se tornar (mais) relevante. O Hip Hop que traz possui personalidade e ajuda a formar um panteão de bons nomes no gênero em sua geração, entre eles Flávio Renegado, Emicida e outros que ainda não nos chegaram aos ouvidos.
O rapper traz um apurado talento para o texto e fala de diversos temas, sempre com referências da cultura pop e um tanto de autobiografia. Em “Lion Man” discorre sobre a labuta de cantor independente, e entre críticas ao sistema atual, vai levando o ouvinte numa releitura do Hip Hop básico: rima cadente, batida uníssona e viciante. Quando se arrisca a ousar dentro do estilo, Criolo também se dá bem.
A faixa que abre o disco, “Bogotá”, um afrobeat com instrumentos de sopro, batucadas dá início a uma série de interações com outros gêneros, que ganha força na soul “Sambei Sambei” e no samba “Linha de Frente”, que tem letra inspirada e usa Turma da Mônica para falar de política. Dessa junção de boas letras, recuperando uma tradição letrista na MPB com a bem-executada mistura de estilos no Hip Hop, Criolo consegue parir um dos mais interessantes discos de 2011.
Produzido por Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, o disco traz faixas trabalhadas por Criolo em outras ocasiões, como “Subirusdoitiozin” e a já citada “Não Existe Amor em SP”. O sucesso e a boa recepção do disco leva a pensar que se trata de um neófito na “quebrada”. Kléber Gomes, 35, o alter-ego de Criolo trabalha no Hip Hop há 20 anos.
Este seu Nó na Garganta decidiu passear pelo reggae, soul e até brega, mas acabou mesmo se tornando conhecido como um dos mais criativos rappers do Brasil, hoje.
CRIOLO
Nó Na Orelha
[Independente, 2011]
NOTA: 9,0
[Recomendado]


Agora, 11h/12h, estreia do prog El Mapa de Todos, no Panamá http://t.co/iN6pG9XZ. Rodando Criolo — Lion Man (Brasil)
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