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	<title>Revista O Grito! &#187; Alexandre Figueirôa</title>
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	<description>Cultura Pop Sem Contra-Indicação</description>
	<pubDate>Wed, 03 Dec 2008 20:30:12 +0000</pubDate>
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		<title>Alexandre Figueirôa: O Rio invadiu a &#8220;praia&#8221; paulistana</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Aug 2008 05:10:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Figueirôa</dc:creator>
		
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O inverno paulistano não é bem o que se pode chamar de inverno. Desde o início de julho, apenas alguns poucos espasmos meteorológicos, provocados por frentes frias mixurucas, conseguiram chegar ao Sudeste. Resultado: o céu da Paulicéia ficou azul e sem nuvens, o sol brilhou quase sempre, fez calor, a umidade relativa do ar despencou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/08/bossanaoca.jpg" alt="Foto: Divulgação" /></p>
<p style="text-align: justify;">O inverno paulistano não é bem o que se pode chamar de inverno. Desde o início de julho, apenas alguns poucos espasmos meteorológicos, provocados por frentes frias mixurucas, conseguiram chegar ao Sudeste. Resultado: o céu da Paulicéia ficou azul e sem nuvens, o sol brilhou quase sempre, fez calor, a umidade relativa do ar despencou e o ar poluído deu o tom. Só faltou uma praia de verdade. Mas, como por aqui tudo é mesmo meio <em>fake</em>, a pedida foi ir ao Ibirapuera, e na exposição <em>Bossa na Oca</em>, ver a praia de mentirinha que foi instalada por lá para lembrar os 50 anos do movimento que nasceu no Rio de Janeiro e se espalhou pelo Brasil e pelo mundo, e é referência, até hoje, quando se fala em música brasileira.</p>
<p style="text-align: justify;">A mostra instalada no Ibirapuera em louvor à <strong>Bossa Nova</strong> é um dos muitos eventos culturais que desfazem a idéia consagrada de que paulistas e cariocas não se bicam. O Rio de Janeiro invadiu SP em grande estilo. Para os fãs de <strong>Tom Jobim</strong>, <strong>Vinicius de Moraes</strong>, <strong>João Gilberto</strong>, e outros, a exposição é um passeio com charme e graça à altura da beleza da garota de Ipanema. A Bossa na Oca é uma superexposição repleta de recursos tecnológicos que consegue transformar a nostalgia em um encontro vibrante e atual graças aos inúmeros recursos tecnológicos de áudio e vídeo. Impossível não ficar encantado. A cada passo somos levados por apelos sensoriais a acompanhar a trajetória do movimento, imersos nos acordes musicais que fizeram a cabeça de muitas gerações.</p>
<p style="text-align: justify;">Se por acaso você for a São Paulo até o início de setembro, não deixe de curtir esse simulacro de Rio de Janeiro. Além da reprodução da praia, tem também um show virtual com projeções de Tom Jobim, <strong>Frank Sinatra</strong> e <strong>Ella Fitzgerald</strong> e uma espécie de enorme <em>chaise loungue</em>, onde um vídeo com imagens marítimas é projetado na parede da Oca, enquanto são tocados discos de João Gilberto. No Pavilhão da Bienal, tem também uma mostra interativa com fotos da época e uma seleção com cerca de 250 capas de discos de vinil e ainda fones para ouvir muita bossa nova.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, se você é mais chegado em literatura, o Rio de Janeiro do século XIX e início do século XX pode ser revivido pelas mãos de nada menos um dos maiores escritores brasileiros: <strong>Machado de Assis</strong>. O Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz, está abrigando a exposição “Mas esse capítulo não é sério”, inspirada no romance <em>Memórias Póstumas de Brás Cubas</em>, homenagem ao centenário da morte do seu autor. Dividida em capítulos, retrata o estilo de vida erudito do autor de <em>Dom Casmurro</em>, <em>Quincas Borba</em> e <em>Helena</em>, e, claro, de quebra, nos leva a conhecer um pouco de como era a vida carioca nos tempos de Assis.&lt;</p>
<p style="text-align: justify;">Para completar a invasão carioca, em frente à Estação da Luz, na Pinacoteca do Estado, tem ainda a exposição “<em>Antoine Taunay no Brasil: uma Leitura dos Trópicos</em>”. Tão importante quanto <strong>Debret</strong>, embora sem compartilhar da mesma fama, <strong>Taunay</strong> integrou a Missão Francesa convidada por dom João VI para retratar o Brasil. A mostra já passou pelo Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro e tem cerca de 70 obras do artista.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, se você, estiver cansado de tanta “identidade nacional fluminense”, não se desespere. No Museu de Arte Moderna, tem a primeira exposição de grande porte na América Latina dedicada ao francês <strong>Marcel Duchamp</strong>. Criador dos <em>ready-made</em>, o criativo e irreverente artista revolucionou as artes no início do século XX, alçando rodas de bicicletas, urinóis e outros objetos à condição de obra de arte. Falar da arte antes e depois de Duchamp não é, portanto, um exagero. Assim, vindo a São Paulo, além de comer pizza, não dispense um chopp. Paulistas e cariocas estão de bem neste inverno calorento.<br />
——<br />
<small>[+] <strong>Alexandre Figueirôa</strong> é doutor em cinema pela Sorbonne (França) e autor dos livros <em>Cinema Novo: A Nova Onda do Jovem Cinema e Sua Recepção na França</em> (Papirus) e <em>Cinema Pernambucano: Uma História em Ciclos</em> (FCCR). Atualmente é professor da Pós-Graduação em Cinema da Universidade Católica de Pernambuco. Escreve nesta coluna sobre os últimos lançamentos em DVD.</small></p>

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		<title>Alexandre Figueirôa: Fassbinder, um autor compulsivo</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Jul 2008 16:56:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Figueirôa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Alexandre Figueirôa]]></category>

		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[O Desespero de Veronika Voss]]></category>

		<category><![CDATA[Querelle]]></category>

		<category><![CDATA[Rainer Werner Fassbinder]]></category>

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Os editores de O Grito! me sugeriram um texto sobre o cineasta alemão Wim Wenders. Achei a idéia ótima e prometo que falarei do diretor de Asas do Desejo brevemente. Contudo, por esses dias fui assaltado por uma nostalgia de outro incontornável cineasta alemão: Rainer Werner Fassbinder. Ao lado de Wenders e Werner Herzog, ele [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/07/rainer-werner-fassbinder.jpg" alt="" /></p>
<p>Os editores de <strong>O Grito!</strong> me sugeriram um texto sobre o cineasta alemão <strong>Wim Wenders</strong>. Achei a idéia ótima e prometo que falarei do diretor de <em>Asas do Desejo</em> brevemente. Contudo, por esses dias fui assaltado por uma nostalgia de outro incontornável cineasta alemão: <strong>Rainer Werner Fassbinder</strong>. Ao lado de Wenders e Werner Herzog, ele foi um dos pilares do chamado novo cinema alemão, movimento que, embora um pouco tardiamente em relação a outras cinematografias, provocou um grande furor lá pelos anos 70. Graças ao Consulado da Alemanha, os filmes do cineasta foram exibidos aqui no Recife em cópias em 16mm no início da década de 80, e foi ali que ficamos conhecendo um dos mais instigantes artífices de imagens do século passado.</p>
<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/07/o-casamento-de-maria-braun.jpg" alt="" align="left" />Ao morrer, por uma overdose de cocaína, na madrugada do dia 10 de junho de 1982,  Fassbinder deixou como legado, de 17 anos de carreira,  nada menos de 43 filmes produzidos para o cinema e televisão. Quando não tinha patrocínio financeiro, produzia filmes baratos, mas nunca deixou de exibir uma intensidade criativa invejável. Entre os representantes do novo cinema alemão, Fassbinder foi o mais provocativo, o mais anárquico, mas também um dos diretores modernos que melhor conseguiu transformar filmes em contundentes demonstrações da capacidade de uma artista compreender dramas humanos.</p>
<p>Ele começou no cinema em 1965, realizando um curta-metragem e, logo depois, foi fazer teatro com um grupo de Munique, o Teatro de Ação, que seguia o modelo do grupo norte-americano Living Theater. Como ator e diretor, Fassbinder, criou, junto com Peer Ruben e Hanna Schygulla, uma espécie de anti-teatro, assim denominado pela forma de representação pouco convencional dos espetáculos.  Mas, em 1969, ele já estreava seu primeiro longa-metragem O Amor É Mais Frio que a Morte. O filme foi bem-recebido pelo público e pela crítica e selou o seu destino como diretor cinematográfico.</p>
<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/07/rainer-werner-fassbinder-direita-em-fox-and-his-friends.jpg" alt="" align="right" />A vida do cineasta foi atribuladíssima e sempre marcada por uma convivência tumultuada com os que o acompanhavam, incluindo nesse rolo mãe, esposa, amigos e amantes (homens e mulheres), os quais atuavam nos seus filmes e peças. Quem se queixa do peso e angústia, sempre presentes nos filmes de Fassbinder, não deixa de ter razão. Não raro, os personagens engendrados pelo cineasta vingam-se de sua condição marginal pela morte dos seus algozes ou a própria, e caminham céleres para o desespero. Até quando escolhia romances para adaptação, como na monumental série para televisão Berlin Alexanderplatz, ele exibe uma mise-en-scène carregada de símbolos, que reforçam a impressão de uma história opressiva e sombria.</p>
<p>A mesma observação é válida para os filmes sobre o pós-guerra na Alemanha. Nota-se, claramente, o fato de Fassbinder nunca querer compartilhar a idéia de que o nazismo e, por tabela, as suas seqüelas estavam completamente resolvidas na alma do povo alemão. Revendo-se sua obra, verifica-se que boa parte dela continua de uma atualidade impressionante. Basta rever <em>O Casamento de Maria Braun</em> e <em>Lili Marlene</em>, seus trabalhos mais conhecidos comercialmente. Mas é em filmes como <em>O Desespero de Veronika Voss</em> e <em>Querelle</em> (adaptação do romance de Jean Genet), disponíveis em DVD, que vamos encontrar um Fassbinder ainda mais provocador, quando, sem abrir mão de uma estetização proposital na utilização dos cenários, da luz e da fotografia, nos faz deparar com as criaturas atormentadas e ambíguas que povoaram sua imaginação.</p>
<p>Nos filmes realizados por Fassbinder, admirador dos diretores Douglas Sirk e John Huston, assim como Fritz Lang e Joseph Von Sternberg, percebemos a mão de um autor completo. Se, no início da carreira, ele ainda se mostrava inseguro, um arremedo meio pobre da nouvelle vague francesa, ao consolidar seu estilo, ele construiu uma cinematografia vigorosa reflexo de uma existência escandalosa, mas intensa. Portanto, leitores de O Grito, não deixem de experimentar o gosto anárquico da fantasia.</p>
<p>——<br />
<small>[+] <strong>Alexandre Figueirôa</strong> é doutor em cinema pela Sorbonne (França) e autor dos livros <em>Cinema Novo: A Nova Onda do Jovem Cinema e Sua Recepção na França</em> (Papirus) e <em>Cinema Pernambucano: Uma História em Ciclos</em> (FCCR). Atualmente é professor da Pós-Graduação em Cinema da Universidade Católica de Pernambuco. Escreve nesta coluna sobre os últimos lançamentos em DVD.</small></p>

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		<title>Alexandre Figueirôa:  Morrer e reviver em Manchester</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jun 2008 08:34:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Figueirôa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Alexandre Figueirôa]]></category>

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Domingo à noite, entrar numa sala de cinema para rever uma cidade da memória dos anos 80 é uma tentação a não ser recusada. Encontrar o Joy Division, muito menos. Só em São Paulo, Manchester e a transição entre o tédio gótico e o pop rock faziam um certo sentido para mim naquele momento, sobretudo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/06/joydiv.jpg" alt="" /></p>
<p>Domingo à noite, entrar numa sala de cinema para rever uma cidade da memória dos anos 80 é uma tentação a não ser recusada. Encontrar o <strong>Joy Division</strong>, muito menos. Só em São Paulo, Manchester e a transição entre o tédio gótico e o pop rock faziam um certo sentido para mim naquele momento, sobretudo, se isso se consubstanciaria por meio de recortes de uma possível realidade. Poderia ter ido numa outra direção, rumo a outro filme: <em>Control</em>, em que o mesmo ícone/ídolo, quase um anjo decaído, repaginado, ganha vida, aciona frissons e assume, em novos tons, a provocação musical e espiritual de uma época, agora revestida por um processo de edulcoração estética. A crueza do documentário, apesar de uma inevitável fascinação pelos mortos, contudo, re-significa com mais vitalidade aquele instante existencial de jovens suburbanos, flertando com o punk do <strong>Sex Pistols</strong> e dos <strong>Buzzcocks</strong> e que, quase por acaso, instauraram uma diferença no panorama das harmonias, cuja repercussão mundo afora foi um fato. E isso bastou para definir a decisão.</p>
<p>Sim, fui um desses, que, tomado pela sonoridade e uma inquietação inusitada, nos idos dos 80, reverenciei Closer e Ian Curtis. Embora numa atitude fugaz tenha, tal e qual os companheiros da banda, olhado para  frente e instituído o <strong>New Order</strong> como um prazer das noites. E é nisso, a meu ver, que o documentário de Grant Gee demonstra habilidade narrativa, pois realiza essa bifurcação de vórtices para voltar no tempo, sem traumas. Ao mostrar que <em>Love Will Tear us Apart</em>, o maior hit do Joy Division, já prenunciava uma transformação na batida e no ritmo a qual o grupo sucessor imprimiu à perfeição em Perfect Kiss e a tantas outras composições, é uma sacada certa. Associar a banda ao cenário de uma cidade decadente e agonizante, descobrindo-se emblema de um movimento, dá uma dimensão sócio-cultural no que poderia ficar restrita a eflúvios de rebeldia infantil. A banda espelha essa interpretação e expor isso sem ser chato é uma virtude.</p>
<p>Como qualquer documento filmado, boa parte dos protagonistas está lá, dando sua versão das emoções e, obviamente, tendo como eixo Ian Curtis, o suicida. A esposa, apenas citada, pairando como uma sombra; a amante belga; os produtores musicais; os companheiros Bernard Summer, Peter Hook e Stephen Morris, desfiando quem eram e o que pensavam do cara com quem conviviam, cumprem seus papéis de etnógrafos casuais. O fundo preto e o tom solene – sepulcral –  desses depoimentos fortalecem as inevitáveis incursões no ontem. Críticos reclamaram de idolatria ao morto. Bom, mas o filme é sobre o Joy Division e a banda era enfeitiçada pelo seu vocalista, cujos gestos no palco, interpretados como uma dança, mas uma dança quase primitiva banhada de angústia, fascinava e deixava-nos estupefatos. Nós, tão distantes, nos sentíamos assim, imaginem os que o viam todos os momentos, compartilhavam os quartos, os shows e ainda se abismavam com os surtos epiléticos, os poemas&#8230; ou simplesmente viam um produto a ser vendido.</p>
<div style="text-align: center;"><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/06/joydivision.jpg" alt="" /></div>
<p>Tanta recomposição de fragmentos, como não poderia deixar de ser, emana laivos de nostalgia. Rever aquelas imagens borradas, ouvindo sons deixados para trás e pensar nas sessões do Carbono 14 e nas hordas notívagas do Madame Satã da Paulicéa Desvairada dos anos oitenta é, no entanto, inesperadamente gratificante. Um pouco antigo, é verdade, mas, perdoem-me pela lógica deleuziana, como ultrapassamos a pós-modernidade, o eterno (entre limites os quais desconhecemos, claro) é uma possibilidade tão pertinente quanto o segundo (unidade de tempo). <img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/06/joy_division.jpg" alt="" align="right" />A prova são as criaturas, com o prazo de validade ainda por vencer, atraídas sabe-se lá por qual razão, sentarem-se ao nosso lado e também se interessarem por essa fresta luminosa e terem sua aulinha de cultura pop, tirarem suas conclusões, incorporarem algumas mensagens de acordo com seus sentidos. Isto é bom.</p>
<p>Um filme capaz de atiçar o juízo e refazer o clima de um mundo que parecia esgotado e o torna palpável, mesmo com imperfeições, deve ser considerado. Manchester, hoje, é uma pálida lembrança dessa cidade refeita. É só ir lá e comprovar a inexistência de algo ao menos parecido ao que foi a Factory. Nada, porém, contra o efêmero, e o formato documentário, nesse sentido, quando é sincero atesta sem remorsos que o tempo escorreu. Ouçamos o Joy Division, o New Order, o <strong>Franz Ferdinand</strong> e vamos em frente.  E quando puder, no cinema, baixando pela Internet, ou em qualquer outra dimensão, veja esse documentário e entenda melhor o que somos agora.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="&quot;wmode&quot;:&quot;transparent&quot;,&quot;allowFullScreen&quot;:&quot;true&quot;,&quot;src&quot;:&quot;http://www.youtube.com/v/K0dfd_L4tDk&amp;color1=11645361&amp;color2=13619151&amp;fs=1&quot;" src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-includes/js/tinymce/plugins/media/img/trans.gif" alt="" width="425" height="344" /></p>
<p>——<br />
<small>[+] <strong>Alexandre Figueirôa</strong> é doutor em cinema pela Sorbonne (França) e autor dos livros <em>Cinema Novo: A Nova Onda do Jovem Cinema e Sua Recepção na França</em> (Papirus) e <em>Cinema Pernambucano: Uma História em Ciclos</em> (FCCR). Atualmente é professor da Pós-Graduação em Cinema da Universidade Católica de Pernambuco. Escreve nesta coluna sobre os últimos lançamentos em DVD.</small></p>

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		<title>Alexandre Figueirôa: Luzes e sombras</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Jun 2008 23:15:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Figueirôa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Alexandre Figueirôa]]></category>

		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Aldous Huxley]]></category>

		<category><![CDATA[irmãos Lumière]]></category>

		<category><![CDATA[Marshal McLuhan]]></category>

		<category><![CDATA[Philippe K. Dike]]></category>

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		<description><![CDATA[
Desde o histórico momento, ainda no final do século dezenove, quando os irmãos Lumière lograram êxito, com a invenção do cinematógrafo, de registrar e reproduzir imagens em movimento, por meio de um equipamento simples e acessível, que o mundo nunca mais foi o mesmo. De lá para cá, as técnicas e processos de geração de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/06/coluna-alex.jpg" alt="Foto: Flickr /Hkvam" /></p>
<p>Desde o histórico momento, ainda no final do século dezenove, quando os irmãos <strong>Lumière</strong> lograram êxito, com a invenção do cinematógrafo, de registrar e reproduzir imagens em movimento, por meio de um equipamento simples e acessível, que o mundo nunca mais foi o mesmo. De lá para cá, as técnicas e processos de geração de imagens foram evoluindo num ritmo cada vez mais acelerado e, hoje, só possuindo uma bola de cristal poderíamos adivinhar com absoluta clareza o que nos aguarda no futuro.</p>
<p>Com a miniaturização crescente dos componentes eletrônicos, a convergência de meios, os processos de digitalização, o cenário do audiovisual é, no dias que se seguem, um dos campos mais fascinantes da produção de narrativas. Filmes, sem o suporte de película, transmitidos por satélite diretamente para as salas de cinema; redes de computadores e telefones celulares trocando imagens virtuais em tempo real; chips implantados no cérebro, reproduzindo imagens tridimensionais; enfim, parece não haver limites para tantas possibilidades de se contar histórias, sejam elas baseadas em fatos reais ou de ficção.</p>
<p>As novas portas da percepção foram abertas, mas uma questão emerge desse emaranhado de ondas e impulsos eletromagnéticos em circulação pelo planeta: estamos realmente preparados para deglutirmos tantas informações e tantas sensações? O admirável mundo novo, de <strong>Aldous Huxley</strong>, a aldeia global de McLuhan, os fantásticos delírios futuristas de Philippe K. Dike vão ser vividos com relativa tranqüilidade ou iremos sucumbir a uma histeria e a um estado de confusão mental em que não conseguiremos mais distinguir o real do virtual?</p>
<p>Teóricos da pós-modernidade e profetas do ciberespaço vêm tentando, é verdade, decifrar esses enigmas e nos garantem que alcançaremos a graça. Cavaleiros apocalípticos, no entanto, promulgam que estamos vivendo, sem perceber, a desintegração das consciências e, por isso, relutam em mergulhar nesse novo universo, defendendo com ardor a manutenção dos cânones clássicos das formas consagradas dos relatos e, como guerrilheiros em trincheiras escavadas na terra, advogam a manutenção de valores, para eles imutáveis, da nossa civilização.</p>
<p>Por outro lado, os adoradores da “nova era” apostam na diluição de todas as fronteiras e, sem receios, quebram os paradigmas vigentes, declarando a sua adesão total e irrestrita à composição binária zero e um, como a redentora de todas as barreiras que separam o homem de sua vocação universal. Quem ganhará essa batalha? Será que isso é um falso problema? Ou, o caminho que a civilização tomou é irreversível e só nos resta seguir? Estamos mesmo a partir de agora à mercê de mãos invisíveis que nos controlam e manipulam sem que façamos a menor idéia de onde tudo partiu? Embora passemos horas diante da tela de um computador em busca de uma resposta, ela nunca virá? Devemos jogar fora as TV’s de cristal líquido, os telefones de última geração, apagar todos os e-mails, desconectar todas as tomadas? Devemos largar tudo e voltarmos à condição de criaturas telúricas religadas com o divino e o sagrado para encontrar dentro de nós mesmos a resposta silenciosa e definitiva inquestionável capaz de tudo resolver?</p>
<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/06/2285845041_93fdaf8b8a_b.jpg" alt="Flickr /Midnight-digital" /></p>
<p>As questões estão postas e talvez não devamos ir muito além se não temos uma resposta, mas como perguntar não ofende, acho oportuno pararmos um pouco para pensar sobre esse momento ímpar de nossa trajetória enquanto produtores de sentidos. Como devemos avaliar a nossa capacidade de criadores de processos comunicativos, estaremos apenas sendo cordeirinhos e agentes úteis da dominação de bilhões de criaturas que não dispõem de acesso aos equipamentos de produção de imagens ou estamos construindo um mundo mais humano, democrático e justo?</p>
<p>Quando entro no Youtube e vejo milhares de imagens, circulando no ciberespaço, me questiono até onde essas inúmeras pequenas narrativas armazenadas sabe-se lá onde, estão deveras contribuindo para consolidar um modelo de existência que some e crie laços de solidariedade ou apenas satisfazem as necessidades narcísicas de seus criadores que produzem imagens para seu próprio gozo e de uns poucos que compartilham das mesmas idéias (sejam elas boas ou más). É curioso observar que apesar de todos os desvios ideológicos (e eles existiram) que os meios como o cinema e a televisão foram capazes de fomentar, sabíamos com o que e com quem estávamos lidando. Agora a conversa é outra. Eu faço um vídeo e o disponibilizo na rede, você o vê, mas ele parece não pertencer a ninguém, e será que isso é realmente o melhor dos mundos ou é a barbárie imagética em que o autor não existe, não se materializa, e assim, pouco importa o que ele está pensando e quais são suas reais intenções?</p>
<p>Portanto, caros leitores, ao mergulharem no universo mágico do audiovisual contemporâneo, não caiam na mera fascinação hipnótica das cores e sons. Riam, chorem, aprendam, debochem, mas também desconfiem, e não deixem de lado o senso crítico, pois sem querer ser alarmista ou criador de teorias de conspiração mirabolantes, é bom lembrar que existem mais mistérios entre o céu e a terra do que suspeitam as nossas frágeis mentes saturadas.</p>
<p>——<br />
<small>[+] <strong>Alexandre Figueirôa</strong> é doutor em cinema pela Sorbonne (França) e autor dos livros <em>Cinema Novo: A Nova Onda do Jovem Cinema e Sua Recepção na França</em> (Papirus) e <em>Cinema Pernambucano: Uma História em Ciclos</em> (FCCR). Atualmente é professor da Pós-Graduação em Cinema da Universidade Católica de Pernambuco. Escreve nesta coluna sobre os últimos lançamentos em DVD.</small></p>

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		<title>Alexandre Figueirôa: Jim Jarmusch em estado bruto</title>
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		<pubDate>Mon, 26 May 2008 03:13:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Figueirôa</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[Chet Baker]]></category>

		<category><![CDATA[James Dean]]></category>

		<category><![CDATA[Jim Jarmusch]]></category>

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Na decadente cena do pós-punk, no início da década de 1980, um cineasta de ascendência húngara, nascido em Ohio, nos Estados Unidos, conquistou as telas do planeta e se tornou um dos diretores badalados do período. Jim Jarmusch realizou alguns dos filmes mais cultuados pelos cinéfilos ávidos por obras que retratassem a ressaca dos agitados [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/05/permanent.jpg" alt="" /></p>
<p>Na decadente cena do pós-punk, no início da década de 1980, um cineasta de ascendência húngara, nascido em Ohio, nos Estados Unidos, conquistou as telas do planeta e se tornou um dos diretores badalados do período. <strong>Jim Jarmusch</strong> realizou alguns dos filmes mais cultuados pelos cinéfilos ávidos por obras que retratassem a ressaca dos agitados anos precedentes, entre os quais se destacaram <em>Estranhos no Paraíso</em> e <em>Daumbailó</em>. Agora, a Magnus Opus faz chegar ao mercado brasileiro o primeiro longa-metragem de Jarmusch: o curioso <em>Permanent Vacation</em>. O filme mostra três dias na vida do jovem Aloysious Parker. Um rebelde sem causa que não estuda, não trabalha, e preenche seu tempo andando pra lá e pra cá, conhecendo pessoas, cometendo pequenos delitos, e espantando seu tédio ouvindo <strong>Chet Baker</strong>, de quem é fã. Mas é claro que o rebelde de Jarmusch é bem diferente da galeria de personagens jovens angustiados à la <strong>James Dean</strong> que povoam o cinema. Ele lê <strong>Lautréamont</strong> (<em>Os Cantos de Maldoror</em>) com desdém, vagueia por ruas e becos sujos, dorme ao relento e suas palavras apenas revelam a bem-humorada banalidade da vida, algo que é característico de toda obra de Jarmusch.</p>
<p>O personagem foi inspirado no ator Chris Parker, protagonista do filme, cuja história pessoal não era muito diferente de Aloysious. Foi ele quem sugeriu o nome do personagem e os diálogos foram retirados das gravações que Jarmusch fez com ele enquanto escrevia o roteiro. No elenco, além de Parker, temos o músico <strong>John Lurie</strong>, com o seu inseparável saxofone, e que, mais tarde, reapareceria em outros filmes do diretor.</p>
<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/05/permanent_vacation.jpg" alt="" align="right" />O clima de <em>non sense</em>, reforçado pelos planos lentos e situações bizarras (a que Aloysious aparece dançando para sua garota é simplesmente hilariante), não deixam de traduzir um certo tom de experimentação, próprio de quem está dando seus primeiros passos na direção e faz de cada seqüência uma espécie de exercício estilístico para testar suas habilidades. Contudo, é interessante verificar como alguns temas caros ao cineasta já estão esboçados nesse seu primeiro trabalho. Os fãs de Jarmusch, provavelmente, vão babar.</p>
<p><strong>PERMANENT VACATION </strong>| Permanent Vacation<br />
Jim Jarmusch<br />
[Drama, 75 min, EUA, 1980]</p>
<p>——<br />
<small>[+] <strong>Alexandre Figueirôa</strong> é doutor em cinema pela Sorbonne (França) e autor dos livros <em>Cinema Novo: A Nova Onda do Jovem Cinema e Sua Recepção na França</em> (Papirus) e <em>Cinema Pernambucano: Uma História em Ciclos</em> (FCCR). Atualmente é professor da Pós-Graduação em Cinema da Universidade Católica de Pernambuco. Escreve nesta coluna sobre os últimos lançamentos em DVD.</small></p>

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		<title>Alexandre Figueirôa: Partner: O Cinema e Seu Duplo</title>
		<link>http://www.revistaogrito.com/page/19/05/2008/alexandre-figueiroa-partner/</link>
		<comments>http://www.revistaogrito.com/page/19/05/2008/alexandre-figueiroa-partner/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 19 May 2008 06:48:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Figueirôa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Alexandre Figueirôa]]></category>

		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Antonin Artaud]]></category>

		<category><![CDATA[Bernardo Bertolucci]]></category>

		<category><![CDATA[Fiodor Dostoievski]]></category>

		<category><![CDATA[Maio de 68]]></category>

		<category><![CDATA[Píer Paolo Pasolini]]></category>

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No calor dos acontecimentos do ano de 1968, o diretor italiano Bernardo Bertolucci era um cineasta ainda com o nome em consolidação. Antes de fazer cinema, tinha conquistado alguma fama como poeta, até tornar-se, em 1961, o assistente de direção de Píer Paolo Pasolini, no filme Accatone (no Brasil, Desajuste Social). Em 1962, dirigiu La [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/05/partner1.jpg" alt="" /></p>
<p>No calor dos acontecimentos do ano de 1968, o diretor italiano <strong>Bernardo Bertolucci</strong> era um cineasta ainda com o nome em consolidação. Antes de fazer cinema, tinha conquistado alguma fama como poeta, até tornar-se, em 1961, o assistente de direção de <strong>Píer Paolo Pasolini</strong>, no filme <em>Accatone</em> (no Brasil, <em>Desajuste Social</em>). Em 1962, dirigiu <em>La Commare Seca</em> e <em>Antes da Revolução</em>, obra que lhe deu reconhecimento e revelou seu comprometimento político, radicalizado em <em>Partner</em>, obra que agora chega em DVD pela Versátil.</p>
<p>O filme é radical em diversos aspectos, sobretudo, pela ousadia na experimentação. Baseado no romance <em>O Duplo</em>, de <strong>Fiodor Dostoievski</strong>, Bertolucci fez uma adaptação livre da história do escritor russo, para contar a trajetória de Jacob, um professor de teatro, cuja existência solitária é abalada pelo aparecimento de uma réplica de si, que o incentiva a romper com as normas de comportamento e a ter um maior engajamento político. Não é, portanto, uma obra fácil. Ela está repleta de referências às inquietações típicas do período e dialoga com o teatro e o cinema, sempre expondo, por meio de uma narrativa densa e complexa, as contradições do personagem, vivido com intensidade visceral pelo excelente ator francês <strong>Pierre Clémenti</strong>.</p>
<p>Dessa maneira, vamos nos deparar em <em>Partner</em> com todos os dilemas que marcaram a <strong>geração de 68</strong>, quando as palavras de ordem eram “é proibido proibir”, “é vedado vedar” e “liberem as paixões”. Bertolucci não faz concessões e vai buscar inspiração tanto em <strong>Antonin Artaud</strong>, quanto nos cineastas soviéticos teóricos da montagem. É um filme para ser visto sob a perspectiva do contexto do período em que foi rodado, quando ser revolucionário era tanto contestar os padrões estéticos vigentes, quanto preparar um coquetel molotov, por sinal, uma das suas cenas mais curiosas. É também uma interessante, e instigante, confrontação com os processos da representação artística, em que o ato de filmar se mostra um desdobramento das múltiplas possibilidades expressivas, em que o autor é sempre um poeta em embate com sua própria criação.</p>
<p>Nessa edição da Versátil existe um problema com o formato da tela, pois o filme foi rodado em<em> Techniscope</em>. O Techniscope era um processo de tomadas bastante empregado nos anos 60, em que o filme 35 mm avançava na câmera de duas perfurações por imagem no lugar das quatro perfurações usuais. Isso dava uma imagem negativa no formato Scope. Para obtenção de cópias de projeção, a imagem era, em laboratório, comprimida horizontalmente (anamorfose) e ampliada na dimensão do Scope, e que foi muito usado, por medida de economia, nos famosos <em>westerns spaghetti</em> italianos. Mas, na transcrição para o formato widescreen do DVD, as bordas laterais acabaram sendo suprimidas o que, em algumas cenas, faz com que não vejamos o plano por completo.</p>
<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/05/partner" alt="" align="right" />Esse senão técnico, todavia, é compensado pelos extras que acompanham o filme, com destaque para uma longa entrevista com o diretor Bernardo Bertolucci. Ela inicia-se com imagens feitas na época, ainda nos locais das filmagens, e continua com o cineasta, nos dias de hoje, analisando todo o processo de confecção do filme. É nela que tomamos conhecimento da participação dos atores da famosa escola de cinema Centro Experimental de Roma; de como o ator Pierre Clémenti trazia, para Bertolucci, informações dos últimos acontecimentos das ruas de Paris, que eram imediatamente incorporados ao filme; e dos experimentos e escolhas estéticas do realizador que, mais tarde, iriam marcar sua filmografia. Para quem espera do cinema mais do que uma historinha bem contada, ver <em>Partner</em> pode ser uma ótima ocasião para refletir sobre os rumos da sétima arte e o que isso pode contribuir para o confuso cenário do audiovisual contemporâneo.</p>
<p><strong>PARTNER</strong> | PARTNER<br />
Bernardo Bertolucci<br />
[Drama, 105 min, Itália, 1968]</p>
<p>——<br />
<small>[+] <strong>Alexandre Figueirôa</strong> é doutor em cinema pela Sorbonne (França) e autor dos livros <em>Cinema Novo: A Nova Onda do Jovem Cinema e Sua Recepção na França</em> (Papirus) e <em>Cinema Pernambucano: Uma História em Ciclos</em> (FCCR). Atualmente é professor da Pós-Graduação em Cinema da Universidade Católica de Pernambuco. Escreve nesta coluna sobre os últimos lançamentos em DVD.</small></p>

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		<title>Alexandre Figueirôa: Queer Duck</title>
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		<pubDate>Tue, 13 May 2008 06:07:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Figueirôa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Alexandre Figueirôa]]></category>

		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Os Simpsons]]></category>

		<category><![CDATA[Queer as folk]]></category>

		<category><![CDATA[Queer Duck]]></category>

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Bisbilhotar as prateleiras das revendedoras de DVD’s pode ser um esporte divertido para cinéfilos em busca de filmes curiosos e pouco divulgados. Foi assim que me deparei com Queer Duck, o Filme, essa divertida animação com as peripécias de um patinho gay, escrita pelo mesmo criador de Os Simpsons, Mike Reiss,  e desenhada por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/05/alexandre-coluna-queerduck.jpg" alt="" /></p>
<p>Bisbilhotar as prateleiras das revendedoras de DVD’s pode ser um esporte divertido para cinéfilos em busca de filmes curiosos e pouco divulgados. Foi assim que me deparei com <strong>Queer Duck, o Filme</strong>, essa divertida animação com as peripécias de um patinho gay, escrita pelo mesmo criador de <em>Os Simpsons</em>, Mike Reiss,  e desenhada por Xeth Feinberg. <em>Queer Duck</em> é uma criação da <strong>Icebox</strong>, site idealizado para divulgar desenhos animados da produção independente. Os curtas, todavia, fizeram tanto sucesso, junto aos internautas, que passaram a ser exibidos na televisão norte-americana, após os episódios da série <em>Queer as Folk</em>, que no Brasil foi veiculada por quatro temporadas, com o título de <em>Os Assumidos</em>, pelo Cinemax.</p>
<p>O longa-metragem é um desenho humorístico-musical que retoma os personagens dos filminhos, de maneira divertida e criativa, e brinca com uma série de estereótipos sobre a homossexualidade. Seus autores não são gays, mas isso não impede deles jogarem com essas questões de uma forma inteligente e desprovida de preconceitos ou pudores. Além disso, fazem inúmeras referências a filmes clássicos, desenhos da Disney, musicais e ícones cultuados pela cinefilia gay. Basta ouvir a musiquinha de abertura, uma deliciosa paródia ao tema de abertura do desenho Manda Chuva, interpretada por Ru Paul, para perceber o que vem pela frente.</p>
<p><em>Queer Duck</em> é um enfermeiro casado com um jacaré, o <em>Openly Gator</em> (trocadilho com a expressão “fora do armário” em inglês), e tem como amigos o urso Bi Polar Bear (alusão aos gays peludos e gordinhos) e o dono de um antiquário, com ares de nobre inglês, o gato Oscar Wildcat (outra brincadeira com um ícone da cultura gay). Para completar, o patinho biba tem uma irmã sapatão, a caminhoneira Melissa.  O filme tem como marca a irreverência e, já nos primeiros minutos, tira o maior sarro desses pregadores religiosos que adoram propagar aos quatro ventos que são capazes de “curarem” homossexuais. O entrevistado de um programa na televisão diz que há seis meses não é mais gay, e <em>Queer Duck</em> mostra a calça que o “convertido” esquecera na festinha nada comportada que ele dera na noite anterior! Hilário.</p>
<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/05/produto_p_12770.jpg" alt="" align="right" />O DVD traz ainda extras bem interessantes para quem desejar conhecer a trajetória do desenho. Tem cinco curtas impagáveis do projeto original e depoimentos dos realizadores sobre a elaboração dos desenhos, a escolha dos atores para as vozes dos personagens, além de outras informações curiosas sobre o filme. Alguns conselhos: veja o desenho na versão original legendada.  Evite vê-lo dublado, pois se a tradução para as legendas não compromete o teor da história, quem assinou o texto para dublagem não tinha a menor noção do que estava fazendo, desconhece totalmente o universo ao qual o desenho se refere, e inúmeras piadas ficaram completamente sem sentido. Também não vá deixar o DVD à toa para que seu irmãozinho e os coleguinhas, acidentalmente, o assistam, achando que é um desenho do Planeta Xuxa. Eles podem até gostar, mas seus pais certamente pensarão que você está querendo perverter criancinhas inocentes.</p>
<p><strong>QUEER DUCK - O FILME</strong> | Queerduck<br />
Mike Reiss<br />
(Animação, 72 min, EUA, 2006)</p>
<p><strong>Queer Duck - I&#8217;m Coming Out!</strong><br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="355" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="wmode" value="transparent" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/TcAG8bKhXZo&amp;hl=en" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="355" src="http://www.youtube.com/v/TcAG8bKhXZo&amp;hl=en" wmode="transparent"></embed></object></p>
<p>——<br />
<small>[+] <strong>Alexandre Figueirôa</strong> é doutor em cinema pela Sorbonne (França) e autor dos livros <em>Cinema Novo: A Nova Onda do Jovem Cinema e Sua Recepção na França</em> (Papirus) e <em>Cinema Pernambucano: Uma História em Ciclos</em> (FCCR). Atualmente é professor da Pós-Graduação em Cinema da Universidade Católica de Pernambuco. Escreve nesta coluna sobre os últimos lançamentos em DVD.</small></p>

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		<title>Alexandre Figueirôa: Touro Indomável</title>
		<link>http://www.revistaogrito.com/page/05/05/2008/alexandre-figueiroa-touro-indomavel/</link>
		<comments>http://www.revistaogrito.com/page/05/05/2008/alexandre-figueiroa-touro-indomavel/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 05 May 2008 06:35:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Figueirôa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Alexandre Figueirôa]]></category>

		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Marlon Brando]]></category>

		<category><![CDATA[Martin Scorsese]]></category>

		<category><![CDATA[Robert de Niro]]></category>

		<category><![CDATA[Silvester Stallone]]></category>

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		<description><![CDATA[
Martin Scorsese é um dos diretores incontornáveis do cinema norte-americano contemporâneo. E a oportunidade de ter em mãos o clássico Touro Indomável (Raging Bull), em edição especial para colecionador, em DVD duplo, por apenas R$ 19,90 é imperdível. O filme por si só já justificaria sua aquisição. Ganhador de 2 Oscars e apontado como uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/05/touro_indomavel03.jpg" alt="" /></p>
<p><strong>Martin Scorsese</strong> é um dos diretores incontornáveis do cinema norte-americano contemporâneo. E a oportunidade de ter em mãos o clássico <em>Touro Indomável</em> (<em>Raging Bull</em>), em edição especial para colecionador, em DVD duplo, por apenas R$ 19,90 é imperdível. O filme por si só já justificaria sua aquisição. Ganhador de 2 Oscars e apontado como uma das mais bem sucedidas obras sobre lutas de boxe já realizadas pelo cinema, nessa edição, cinéfilos e fãs de Scorsese poderão, além de ver ou rever o melhor trabalho da dupla Scorsese e Robert De Niro, acompanhar, nos extras, detalhes da produção, algo que certamente ajudará a entender porque este é considerado um dos filmes mais importantes do diretor.</p>
<p><em>Touro Indomável</em>, realizado em 1980, narra aspectos de 23 anos da vida do campeão de peso-médio das décadas de 40 e 50, Jake La Motta. Ele inicia-se com La Motta já decadente, em 1964, como apresentador em um night-club e, em seguida, em flashback retorna ao ano de 1941, quando o pugilista está no início da ascensão de sua carreira. O filme centra-se na relação entre ele e seu irmão e empresário Joey (Joe Pesci) e sua paixão obsessiva e ciumenta com Vickie (Cathy Moriarty), sua segunda esposa.</p>
<p>O filme, todavia, não é uma biografia tradicional, dessas que oferecem, aos espectadores, um personagem fantasioso desprovido de contradições, em que, mesmo os atos desagradáveis são justificados, dando ao biografado uma aura de herói ou de vítima. Também evitou a repetição do clichê usual de filmes de boxe com lutadores bem intencionados que são manipulados por gangsteres inescrupulosos. La Motta é retratado por Scorsese em toda sua dimensão e sem meias palavras. O diretor quebrou uma tradição do cinema comercial produzido pelos grandes estúdios. Ele criou um protagonista mau caráter, péssimo marido, traidor do irmão e que tem revelado, no desenrolar da trama, seu lado histérico, paranóico e a tendência auto-destrutiva de sua personalidade. No ringue, transforma-se exatamente naquilo que o título do filme sugere e pelo qual era reconhecido: “o touro do Bronx”, um animal enfurecido que batia sem pena.</p>
<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/05/touro_indomavel_poster.jpg" alt="" align="right" />E, efetivamente, são as cenas de luta, um dos aspectos mais interessantes do filme, que graças à fotografia em preto e branco e à montagem rápida, criam uma atmosfera de tensão e envolvimento nunca vista, até então, em obras sobre o tema. Nesse sentido, a performance de De Niro é um espetáculo à parte. Aqui temos o ator em sua plena capacidade interpretativa, bem antes de se transformar no ator “munganguento” e repetitivo dos dias atuais. Para encarnar Jake La Motta, ele chegou a engordar 30 quilos, para mostrar as duas fases da vida do personagem.  Mas, é nas lutas que ele, realmente, se mostra mais convincente. Para quem duvidar, basta assistir um dos extras do DVD em que tomadas de De Niro são confrontadas com imagens do próprio La Motta, no ringue, em filmes noticiários da época. O ator por sua atuação superou nomes como Marlon Brando, James Cagney, outros grandes artistas a representarem boxeadores na tela, e põe a nocaute Silvester Rocky Balboa Stallone. Confira.</p>
<p><strong>TOURO INDOMÁVEL</strong> | Raging Bull<br />
Martin Scorsese<br />
(Drama, 129 min, EUA, 1980)</p>
<p>Elenco: Robert De Niro, Cathy Moriarty, Joe Pesci, Frank Vincent, Nicholas Colasanto e Theresa Saldana.</p>
<p>——<br />
<small>[+] <strong>Alexandre Figueirôa</strong> é doutor em cinema pela Sorbonne (França) e autor dos livros <em>Cinema Novo: A Nova Onda do Jovem Cinema e Sua Recepção na França</em> (Papirus) e <em>Cinema Pernambucano: Uma História em Ciclos</em> (FCCR). Atualmente é professor da Pós-Graduação em Cinema da Universidade Católica de Pernambuco. Escreve nesta coluna sobre os últimos lançamentos em DVD.</small></p>

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		<title>Alexandre Figueirôa: Amantes Constantes</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Apr 2008 20:36:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Figueirôa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Alexandre Figueirôa]]></category>

		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Amantes Constantes]]></category>

		<category><![CDATA[Philippe Garrel]]></category>

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Passados 40 anos das rebeliões estudantis que tomaram as ruas de Paris, o Maio de 68 permanece no imaginário ocidental como uma espécie de marco de um mundo cujas idéias em ebulição abririam as portas para uma série de mudanças no comportamento político e existencial das gerações seguintes. Amantes Constantes (Les Amants Réguliers), de Philippe [...]]]></description>
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<p>Passados 40 anos das rebeliões estudantis que tomaram as ruas de Paris, o Maio de 68 permanece no imaginário ocidental como uma espécie de marco de um mundo cujas idéias em ebulição abririam as portas para uma série de mudanças no comportamento político e existencial das gerações seguintes. <em><strong>Amantes Constantes </strong></em>(Les Amants Réguliers), de Philippe Garrel, mergulha nas entranhas do movimento, mas ao contrário de muitas outras obras em torno do tema, concentradas nos aspectos políticos do período, vai aproximar-se da alma dos jovens rebeldes, pelo viés do amor, da poesia e do ópio, ao relatar o encontro entre dois estudantes que, em meio às barricadas do Quartier Latin, iniciam uma relação emblemática e reveladora dos desdobramentos provocados pela inquietação surgida após o retorno à “normalidade”.</p>
<p>Garrel pode falar com propriedade do que aconteceu naqueles dias quando a imaginação queria tomar o poder. Na época, era também um jovem cineasta envolvido com os acontecimentos, em plena realização de um curta-metragem de vanguarda intitulado <em>Le Révélateur</em> e se considerava um poeta das imagens, seguindo os passos da então dominante estética da Nouvelle Vague no cinema francês, movimento ao qual, de certa forma, se mantém relativamente fiel, a julgar pelos seus filmes precedentes, os quais infelizmente nunca chegaram por aqui. <em>Amantes Constantes</em>, portanto, é o seu primeiro trabalho a chegar ao circuito comercial brasileiro e agora ganha versão em DVD.</p>
<p>O filme, com quase três horas de duração, exige do espectador disponibilidade não apenas de tempo. Para acompanhar os passos do estudante poeta François Dervieux (Louis Garrel, filho do diretor, e o novo bombom do cinema francês – ele pode ser visto em <em>Os Sonhadores</em>, de Bernardo Bertolucci e em <em>Les Chansons d’Amour</em>, de Christophe Honoré) e sua convivência com a bela Lilie (Clotilde Hesme), é preciso desvencilhar-se de uma série de vícios impostos pelo formato estandartizado do cinema contemporâneo. É uma obra para ser vivida como uma experiência sensorial e estética, a começar pelo uso da fotografia em preto e branco, os planos longos, uma reconstituição teatralizada das cenas dos confrontos e por uma câmera, buscando alcançar a essência dos seus protagonistas, o que vai permitir entender efetivamente como era a vida desses jovens burgueses, durante algum tempo acreditando em uma vida diferente na qual poetas e pintores de parede teriam o mesmo valor.</p>
<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/04/amantesconstantes.jpg" alt="" align="right" />É nesta extensão proposital da narrativa por onde Garrel vai nos revelar sua visão romântica e sublimada da derrota imposta pelas forças da ordem sobre os jovens rebeldes. Este ponto de vista do diretor, efetivamente, pode ser questionado e com certeza nem todos terão paciência de compartilhar de suas premissas. Contudo, basta encarar o filme não como um mero espetáculo sobre uma época, mas como uma reconstituição íntima de ideais e de sonhos que pouco a pouco vão se diluindo como a fumaça escapando dos cachimbos repletos de ópio, e, no final, a paixão foi tragada pela necessidade de encarar a realidade e a morte foi o último refúgio para os que não conseguiram suportar a dor de ver como as palavras apenas eternizam as ilusões.</p>
<p><strong>AMANTES CONSTANTES</strong> | Les amants réguliers<br />
Philippe Garrel<br />
(Drama, 178 min, FRA, 2005)</p>
<p>Elenco: Louis Garrel, Clotilde Hesme, Julien Lucas, Eric Rulliat, Nicolas Bridet, Mathieu Genet, Raïssa Mariotti, Caroline Deruas-Garrel, Rebecca Convenant, Marie Girardin, Maurice Garrel e Cécile Garcia-Fogel.</p>
<p>——<br />
<small>[+] <strong>Alexandre Figueirôa</strong> é doutor em cinema pela Sorbonne (França) e autor dos livros <em>Cinema Novo: A Nova Onda do Jovem Cinema e Sua Recepção na França</em> (Papirus) e <em>Cinema Pernambucano: Uma História em Ciclos</em> (FCCR). Atualmente é professor da Pós-Graduação em Cinema da Universidade Católica de Pernambuco. Escreve nesta coluna sobre os últimos lançamentos em DVD.</small></p>

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