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	<title>Revista O Grito! &#187; Joana Coccarelli</title>
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	<description>Cultura Pop Sem Contra-Indicação</description>
	<pubDate>Wed, 03 Dec 2008 20:30:12 +0000</pubDate>
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		<title>Joana Coccarelli: O problema dos carneirinhos</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 01:49:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Coccarelli</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Joana Coccarelli]]></category>

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		<description><![CDATA[
não conheço ninguém que tenha conseguido dormir contando carneiros. minha experiência pessoal também fracassou espetaculosamente na infância, levando-me à farmacologia competente na vida adulta.
(falta pouco para livrar-me completamente dela, o que me faz feliz, posto que não me agrada a idéia de tomar ad infinitum substâncias que não deveriam passar de meras coadjuvantes. a menos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/11/2421145773_34185077c5_o.jpg" alt="" /></p>
<p>não conheço ninguém que tenha conseguido dormir contando carneiros. minha experiência pessoal também fracassou espetaculosamente na infância, levando-me à farmacologia competente na vida adulta.</p>
<p>(falta pouco para livrar-me completamente dela, o que me faz feliz, posto que não me agrada a idéia de tomar ad infinitum substâncias que não deveriam passar de meras coadjuvantes. a menos que seja para uso recreativo. lógico.)</p>
<p>é difícil entender como carneiros pulando cercas podem ter se tornado técnica tão confiada para adormecer. talvez, num passado distante, a repetição de um carneiro saltando atrás de outro carneiro exatamente igual e depois outro e outro e outro fosse monótona o suficiente para induzir o sono - e, mesmo assim, se o sujeito tivesse mente pouco curiosa. enfim, num lugar ou tempo onde o estresse inexistisse e as pessoas não elaborassem questões a respeito de carneiros em geral.</p>
<p>por exemplo: um redneck do interior do milawkee há sessenta anos atrás. deve ter funcionado para ele - a menos que fosse um redneck empreendedor ou que dominasse assuntos veterinários. aí sim poderia complicar. ele teria grandes chances de examinar os carneiros da hora de dormir, tipo este está tão magro, uh, vou mandar lorraine tosar aquele que passou, meu deus, a ovelha chrystabel está prenhe! de novo!. e então ele reprovaria na busca pelo r.e.m. perfeito.</p>
<p>foi mais ou menos isso que vivenciei em minhas tentativas de contar carneiros, mas com escrutínio bastante menos íntimo e veterinário. eu não reconhecia os carneiros pelo nome e por seu estado de saúde mas pela performance comparativa entre eles. como este carneirinho pulou mais alto que aquele, por que será?. e pela constituição sócio-política do rebanho, tipo um animal farm: cadê a ovelha negra da fazenda? é importante que haja alguém na contramão em algum lugar.</p>
<p>o detalhe amalucado é que nunca contei carneiros reais. ao invés, tomava emprestado os que o pica-pau ou o pernalonga enumeram quando vão pra cama. provavelmente devido a meu background urbano, que limitou meu número de experiências junto a rebanhos verdadeiros. fico mais à vontade com carneiros cartúnicos.</p>
<p>mas isso não era tudo. além de minha incapacidade de não me envolver com os carneiros contados, havia um agravante: de repente todos os carneiros que ainda estavam por vir invadiam a cena e atropelavam a cerca, e continuavam chegando às centenas. isto sempre acontecia. o décimo bichinho não chegava a pular que logo vinha a horda de carneiros endemoniados. era como se estivessem confinados por uma semana num espaço bem pequeno e de repente abrissem a porteira para a fuga em massa.</p>
<p>então eu rolava na cama, até que minha imaginação perdia o foco e se pulverizava num enredo fantástico que em pouco tempo me faria sonhar.</p>
<p>abdicar do controle é a chave pro castelo de morfeu.</p>
<p>——<br />
<small>[+] <strong>Joana Coccarelli</strong> é jornalista, autora do blog <a href="http://www.verbeat.org/blogs/narghee-la/" target="_blank">Narghee-La</a> e idealizadora do <a href="http://www.coccarelli.art.br/" target="_blank">Coccarelli.art</a>, coletivo de artistas, blogueiros e escritores. Escreve nesta coluna sobre estética, design e moda.</small></p>

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		<title>Joana Coccarelli: Meu primeiro moleskine</title>
		<link>http://www.revistaogrito.com/page/27/10/2008/joana-coccarelli-meu-primeiro-moleskine/</link>
		<comments>http://www.revistaogrito.com/page/27/10/2008/joana-coccarelli-meu-primeiro-moleskine/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 27 Oct 2008 14:54:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Coccarelli</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Joana Coccarelli]]></category>

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		<description><![CDATA[este ano ganhei um moleskine de presente de aniversário. imediatamente armou-se um drama de perfeccionismo utópico: faltou-me coragem para usar a elegantérrima caderneta - van gogh e picasso usavam moleskines para desenhar. hemingway fazia anotações nele.
admiti complexo de inferioridade diante de sua glória. nada do que eu escrever em suas estonteantes páginas vazias estarão à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/10/agenda.jpg" alt="" align="right" />este ano ganhei um moleskine de presente de aniversário. imediatamente armou-se um drama de perfeccionismo utópico: faltou-me coragem para usar a elegantérrima caderneta - van gogh e picasso usavam moleskines para desenhar. hemingway fazia anotações nele.</p>
<p>admiti complexo de inferioridade diante de sua glória. nada do que eu escrever em suas estonteantes páginas vazias estarão à altura de seu legendário glamour.</p>
<p>não foi a primeira vez que não me senti à altura de um caderno, mas foi certamente a mais grave. há anos comprei um caderno indiano com uma capa cintilante da deusa barra-pesada durga e páginas de papel mesclado com fios dourados. uau, paralisei. não escrevia nada ali. então me esforcei e passei a anotar a teoria da música clássica indiana aprendida em minhas lições de sitar - escalas, ragas, talas. mas não consegui ir muito adiante. arranquei as páginas usadas, livrando o caderno de minhas intervenções idiossincráticas. hoje, folhas vazias, ele simplesmente enfeita o móvel da sala.</p>
<p>mas não um moleskine.</p>
<p>apesar de ser um ultraclássico pretinho básico, ele demanda conteúdo. seu histórico sugere surpresa e genialidade. por um lado, o amigo que me presenteou só poderia estar me <em>homenageando</em>; por outro, houve toda aquela inquietação espiritual para fazer uso acertado dele.</p>
<p>i´m no genius. admitir facilita um bocado as coisas. provavelmente o meu melhor está no meu blog, numa ou outra coluna do grito, nas colagens que curto fazer e certamente em minhas amizades.</p>
<p>uma semana depois do cumpleaños comecei a escrever nele. ao invés das frases prontas que minha cabecinha produz ao fechar um raciocínio aleatório, registrei raciocínios emocionais produzidos por minha cabecinha randômica. como:</p>
<h2>não estacione</h2>
<p><em>é melhor um terreno baldio ou um estacionamento? talvez o terreno baldio. é bom passar em frente a um pedaço ocioso de urbano. o terreno baldio vira estacionamento quando da rápida necessidade de dinheiro aliada a uma profunda crise de talento ou propósitos. aluga-se espaço para automóveis barulhentos e poluentes e entupidores do espaço público sem praticamente nenhum investimento. é só capinar e botar alguém cobrando na saída.</em></p>
<p><em>no futuro, os detalhes pueris do presente serão as pedras preciosas da última encarnação.</em></p>
<p>——<br />
<small>[+] <strong>Joana Coccarelli</strong> é jornalista, autora do blog <a href="http://www.verbeat.org/blogs/narghee-la/" target="_blank">Narghee-La</a> e idealizadora do <a href="http://www.coccarelli.art.br/" target="_blank">Coccarelli.art</a>, coletivo de artistas, blogueiros e escritores. Escreve nesta coluna sobre estética, design e moda.</small></p>

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		<title>Joana Coccarelli: Gente como a gente</title>
		<link>http://www.revistaogrito.com/page/06/10/2008/joana-coccarelli-gente-como-a-gente/</link>
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		<pubDate>Mon, 06 Oct 2008 10:14:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Coccarelli</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Joana Coccarelli]]></category>

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		<description><![CDATA[
este jpg (imagem acima) amealhado na rede gerou loops nas tripinhas do meu cérebro.
&#8220;tecnologia é o que nos faz humanos&#8221;. fato. nos diferenciamos de outras criaturas pela capacidade de transformar o ambiente em função de nossas próprias necessidades. pela criação de técnicas e utensílios em nome da sobrevivência. básico.
mais: o que nos faz ainda mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/10/joana-coluna-technology.jpg" alt="" /></p>
<p>este jpg (imagem acima) amealhado na rede gerou loops nas tripinhas do meu cérebro.</p>
<p>&#8220;tecnologia é o que nos faz humanos&#8221;. fato. nos diferenciamos de outras criaturas pela capacidade de transformar o ambiente em função de nossas próprias necessidades. pela criação de técnicas e utensílios em nome da sobrevivência. básico.</p>
<p>mais: o que nos faz ainda mais humanos é a capacidade de transformar o ambiente também em função de nossos próprios desejos. e isso joga lenha na sempre chamuscante fogueira do pós humano. se hoje, por um lado, desejamos longevidade e juventude, por outro a ciência, a medicina e a indústria cosmética nos permite modificar nossos próprios corpos.<br />
phobos, deimos. a intuição geral é a de que, se eu resolvo instalar um gadget na minha medula óssea, um plug no meu ouvido, estou me tornando menos gente. talvez não. se tecnologia é o que nos faz humanos, por mais que tenha dado um passo na direção de me parecer com um robô, eu não estaria me distanciando do que me faz gente. pelo contrário: estaria afirmando minha condição de gente. a diferença é que, na prática, eu não seria mais uma humana clássica e sim uma pós-humana; conceitualmente, contudo, eu seria ainda mais humana.</p>
<p>essa racionália me desloca para uma festa há anos atrás, quando eu via no transhumano o final dos tempos. meu interlocutor, estudante de medicina, questionava: &#8220;mas será que a ação do futuro sobre as coisas não implica que tudo simplesmente se transforme? será que para o homem, tão intimamente ligado à criação de técnicas desde o começo, um futuro pós-humano não seja parte original de sua natureza?&#8221;</p>
<p>wise. fiquei um bom tempo perturbada com o argumento.</p>
<p>talvez um dia um corpo humano clássico não dê mais conta de um ambiente tão tecnologicamente saturado ou tão poluído. então não será mais questão de transformar o ambiente em função de nossos desejos, mas transformar nossos corpos em função de nossas necessidades.</p>
<p>pelo menos há opções disponíveis. ainda que por enquanto, e em grande parte na teoria.</p>
<p>——<br />
<small>[+] <strong>Joana Coccarelli</strong> é jornalista, autora do blog <a href="http://www.verbeat.org/blogs/narghee-la/" target="_blank">Narghee-La</a> e idealizadora do <a href="http://www.coccarelli.art.br/" target="_blank">Coccarelli.art</a>, coletivo de artistas, blogueiros e escritores. Escreve nesta coluna sobre estética, design e moda.</small></p>

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		<title>Joana Coccarelli: Ass Kisser</title>
		<link>http://www.revistaogrito.com/page/23/09/2008/joana-coccarelli-ass-kisser/</link>
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		<pubDate>Wed, 24 Sep 2008 02:03:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Coccarelli</dc:creator>
		
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Não sei se Lily Allen é modelo, atriz ou cantora, mas não é meio humilhante para medalhões tipo Elton John, depois de uma vida glam n´glitter nos palcos, se ver envolvido em cortiço com uma starletzinha que surgiu anteontem?
É a mesma coisa que assistir ao documentário onde Rita Lee gagueja que a Ptty é roqueirona [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/09/ass-kisser.jpg" alt="" /></p>
<p>Não sei se Lily Allen é modelo, atriz ou cantora, mas não é meio humilhante para medalhões tipo Elton John, depois de uma vida glam n´glitter nos palcos, se ver envolvido em cortiço com uma starletzinha que surgiu anteontem?</p>
<p>É a mesma coisa que assistir ao documentário onde Rita Lee gagueja que a Ptty é roqueirona e de imensa expressão para o b.rock atual. Ou o Frejat, em entrevista, tratando o NX Zero - vencedor maior do último prêmio multishow - como um igual. Ou ainda Madonna, ao performar com Britney Spears e entubar a sugestão de que ela seria sua sucessora. Gostando ou não de Rita, Frejat ou Madonna, cabe a pergunta: Será que eles realmente precisam se submeter a uma nova geração de merdinhas para continuar populares?</p>
<p>Que vômito. Como disse Ana Wintour sobre uma possível capa com Britney, &#8220;<em>She&#8217;s just not a vogue kind of girl</em>&#8220;. o repórter da revista completou: &#8220;She is not appearing on or in vogue&#8221;.<br />
Achei digno.</p>
<p>Final de semana passado eu e Javi debatíamos sobre o que deu na cabeça de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Chris_Robinson_(singer)" target="_blank">Chris Robinson</a> ao contrair núpcias com a Kate Hudson das comédias românticas bobinhas. Sabemos que se casar é diferente de comentar sobre ou performar com, mas mesmo assim. Concluímos que Robinson acreditou demais na personagem Penny Lane, de <em>Quase Famoso</em> - a única realmente suingada da carreira da atriz.</p>
<p>O pessoal da velha guarda podia parar de se sujeitar a esse balaio de gatos.</p>
<p>Hip Horray pro Lobão.</p>
<p>——<br />
<small>[+] <strong>Joana Coccarelli</strong> é jornalista, autora do blog <a href="http://www.verbeat.org/blogs/narghee-la/" target="_blank">Narghee-La</a> e idealizadora do <a href="http://www.coccarelli.art.br/" target="_blank">Coccarelli.art</a>, coletivo de artistas, blogueiros e escritores. Escreve nesta coluna sobre estética, design e moda.</small></p>

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		<title>Joana Coccarelli: Eins, Zwei, Drei, Vier</title>
		<link>http://www.revistaogrito.com/page/16/09/2008/joana-coccarelli-eins-zwei-drei-vier/</link>
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		<pubDate>Tue, 16 Sep 2008 15:13:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Coccarelli</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Joana Coccarelli]]></category>

		<category><![CDATA[Kraftwerk]]></category>

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		<description><![CDATA[
Quase nunca curti números. Os dois únicos sopros matemáticos que me perfuma(ra)m são &#8220;Nummern&#8221;, do Kraftwerk, e minhas aulas sobre números irreais no segundo grau.
Creio que alguém que sempre se deu tão mal em matemática só se daria bem se os números fossem, assim, inexistentes. Que é o caso dos números irreais e imaginários. Minha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/09/numbmd5.jpg" alt="" /></p>
<p>Quase nunca curti números. Os dois únicos sopros matemáticos que me perfuma(ra)m são &#8220;Nummern&#8221;, do <strong>Kraftwerk</strong>, e minhas aulas sobre números irreais no segundo grau.</p>
<p>Creio que alguém que sempre se deu tão mal em matemática só se daria bem se os números fossem, assim, inexistentes. Que é o caso dos números irreais e imaginários. Minha história é uma evidência inegável: fui fantasticamente reprovada no segundo ano em matemática. Para não repetir, cursava o terceiro ano de manhã e fazia dependência à tarde. Com muito esforço passei na dependência. Enquanto isso, no terceiro ano, eu só tirava notão na matemática e passei direto - resultado de meu doce romance com os números imaginários.</p>
<p>Mesmo assim, no vestibular tentei resolver as quatro primeiras questões e marquei letra c em todas as restantes. aquela falta de confiança primária.</p>
<p>Há os que alegam que problemas com matemática se devem a um sistema de ensino que simplesmente não consegue causar o interesse de personalidades menos numéricas. Que as escolas se limitam a empurrar matéria com o único objetivo de preparar para o vestibular e se esquecem de individualizar o ensino aos que têm dificuldades, e que isto traumatizaria potenciais futuros cientistas, que acabariam escolhendo belas artes ou comunicação por causa de uma péssima abordagem didática (realmente há péssimos jornalistas por aí e artistas ainda piores.)</p>
<p>Então eu nunca vou saber a raiz (quadrada?) do meu problema, mas posso afirmar que com certeza teve a ver com meu óbvio desfalque de parafusos existenciais na adolescência.</p>
<p>Semana passada começou minha cadeira de matemática financeira do MBA. Note que atenderei à formatura do curso no fim deste setembro, o que nos leva a concluir que estou empurrando essa matéria com a barriga já há muito tempo. Tenho uma HP 12-c na bolsa e um estojo cheio de más lembranças sobre as quatro operações. Então desejem-me sorte. não rezem porque eu sou atéia e a matemática prova que deus não existe. Se ele existisse de acordo com os meus padrões (hehe), o idioma da natureza seria a poesia e não a física, a química ou a trigonometria.</p>
<p>——<br />
<small>[+] <strong>Joana Coccarelli</strong> é jornalista, autora do blog <a href="http://www.verbeat.org/blogs/narghee-la/" target="_blank">Narghee-La</a> e idealizadora do <a href="http://www.coccarelli.art.br/" target="_blank">Coccarelli.art</a>, coletivo de artistas, blogueiros e escritores. Escreve nesta coluna sobre estética, design e moda.</small></p>

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		<item>
		<title>Joana Coccarelli: Cérebros Remodelados Pela Internet</title>
		<link>http://www.revistaogrito.com/page/02/09/2008/joana-coccarelli-cerebros-remodelados-pela-internet/</link>
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		<pubDate>Tue, 02 Sep 2008 07:29:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Coccarelli</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Joana Coccarelli]]></category>

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		<description><![CDATA[
Foto: Flickr/ Cayusa
Cérebros remodelados pela internet: pós-humanos mentais
Embora ainda não seja uma nova totalmente difundida, sim, neurônios se reproduzem. E a psiquiatria começa a embasar as razões que levam diferentes tipo de psicoterapia a dar resultado: sugerindo, repetidamente, outra forma de o paciente enxergar um problema, remodela-se o caminho que as correntes elétricas percorrem em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/09/431036565_5bdcf0bf24_o.jpg" alt="Foto: Flickr/ Cayusa" /><br />
<sup>Foto: <a href="http://www.flickr.com/photos/cayusa/" target="_blank">Flickr/ Cayusa</a></sup></p>
<p><big><strong>Cérebros remodelados pela internet: pós-humanos mentais</strong></big></p>
<p>Embora ainda não seja uma nova totalmente difundida, sim, neurônios se reproduzem. E a psiquiatria começa a embasar as razões que levam diferentes tipo de psicoterapia a dar resultado: sugerindo, repetidamente, outra forma de o paciente enxergar um problema, remodela-se o caminho que as correntes elétricas percorrem em seu cérebro. Conclusão: aos poucos, as aflições se dissipam e o paciente se transforma. em outras palavras: <strong>change the thought and the feeling must go</strong>.</p>
<p>A neurocientista <strong>Susan Greenfield</strong> estuda de que forma o imediatismo e a empolgação de curto prazo trazidos pela interação internética está lesando nossas habilidades de seguir uma narrativa linear e entender contextos.</p>
<p>É foda. tenho três livros empilhados na minha cabeceira - lendo todos ao mesmo tempo. uma leitura começa a dar sono e eu pulo para outra, quase tão rápido como um clique no mouse. Há também o drama de ler páginas e não ter lido nada, nenhuma informação absorvida.</p>
<p>O escritor <strong>Nicholas Carr</strong> reclama da mesma coisa:</p>
<p><em>Immersing myself in a book or a lengthy article used to be easy. My mind would get caught up in the narrative or the turns of the argument, and i&#8217;d spend hours strolling through long stretches of prose. That&#8217;s rarely the case anymore. Now my concentration often starts to drift after two or three pages.<br />
(&#8230;)<br />
The net seems to be&#8230; Chipping away my capacity for concentration and contemplation. My mind now expects to take in information the way the net distributes it: In a swiftly moving stream of particles. Once i was a scuba diver in the sea of words. Now i zip along the surface like a guy on a jet ski.</em></p>
<p><strong>Íntegra no <a href="http://bps-research-digest.blogspot.com/2008/08/is-internet-changing-our-brains.html" target="_blank">Research Digest Blog</a> </strong>, com further links.</p>
<p>Ah, sim. No mesmo blog, artigo sobre PCU - <strong><a href="http://bps-research-digest.blogspot.com/2008/08/pathological-computer-use-is-real.html" target="_blank">Pathological Computer Use</a> </strong> que está cada vez mais perto de se tornar oficialmente reconhecido como doença que exige tratamento:</p>
<p><em>Computer use must be excessive (taking context into account); there must be signs of tolerance (a need to spend more time on a computer or games console to achieve the same level of satisfaction); the computer use must be mood altering; and finally and most importantly, the computer use must have led to problems, for example with relationships.</em></p>
<p>Ui. Pós-humanos começam a se formar na frente do computador!</p>
<p>——<br />
<small>[+] <strong>Joana Coccarelli</strong> é jornalista, autora do blog <a href="http://www.verbeat.org/blogs/narghee-la/" target="_blank">Narghee-La</a> e idealizadora do <a href="http://www.coccarelli.art.br/" target="_blank">Coccarelli.art</a>, coletivo de artistas, blogueiros e escritores. Escreve nesta coluna sobre estética, design e moda.</small></p>

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		<title>Joana Coccarelli: Desejos póstumos de feliz aniversário</title>
		<link>http://www.revistaogrito.com/page/18/08/2008/joana-coccarelli-desejos-postumos-de-feliz-aniversario/</link>
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		<pubDate>Mon, 18 Aug 2008 04:42:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Coccarelli</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Joana Coccarelli]]></category>

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A tecnologia dificultou muito as coisas para pessoas como eu. Digo, no sentido de desejar feliz aniversário ao próximo. Antes era só telefonema, não tinha muito o que fazer. Mas agora tem torpedo, e-mail, msn, gtalk, orkut, flog, blog. E as redes sociais não só adicionaram muito mais contatinhos ao seu antigo círculo de amigos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/08/coluna-jojo-parabens.jpg" alt="" /></p>
<p>A tecnologia dificultou muito as coisas para pessoas como eu. Digo, no sentido de desejar feliz aniversário ao próximo. Antes era só telefonema, não tinha muito o que fazer. Mas agora tem torpedo, e-mail, msn, gtalk, orkut, flog, blog. E as redes sociais não só adicionaram muito mais contatinhos ao seu antigo círculo de amigos como também sempre te lembram dos aniversários de cada um. Céus. Eu tenho que me planejar com dias de antecedência.</p>
<p>Daí fico com a data martelando na minha cabeça. Quarta-feira é aniversário do fulano. Domingo tem manguaça de aniversário da sicrana. Quando tem social de niver é mais tranqüilo, dá para parabenizar na ocasião. Mas freqüentemente furo em cima da hora. E daí não adianta nada.</p>
<p>Acabo sempre dizendo, &#8220;estou ligando atrasada mas pensei em você o dia inteiro no dia 12&#8243;. E é verdade. Para uma pessoa tão tensa em parabenizar a ponto de não parabenizar, eu passo o dia todo lembrando do sujeito. Acho que lembro tanto que no final não dou parabéns porque parece que fiquei grudada na pessoa.</p>
<p>É claro que poucos devem acreditar mas eu sempre tô falando a verdade. Quando me esqueço mesmo, simplesmente parabenizo depois, peço desculpas e ponto. No momento estou devendo três parabéns - dois dos quais lembrei intensamente na data. Pelo menos eu sempre sou perdoada.</p>
<p>Porque aniversário não é bem um dia. É um período de tempo que compreende dias antes e dias depois do dia D. Eu não levo meu aniversário muito a sério, se lembrarem dele no mês seguinte de repente até vou achar bem mais legal do que no dia. Fica aquela impressão de que a pessoa pensa em você constantemente e se perdeu no tempo. Que é exatamente o que eu sinto quando perco o dia de parabenizar alguém. Ou que nunca lembra de você, mas quando lembra sabe que seu aniversário passou e te deseja coisas boas mesmo assim.</p>
<p>——<br />
<small>[+] <strong>Joana Coccarelli</strong> é jornalista, autora do blog <a href="http://www.verbeat.org/blogs/narghee-la/" target="_blank">Narghee-La</a> e idealizadora do <a href="http://www.coccarelli.art.br/" target="_blank">Coccarelli.art</a>, coletivo de artistas, blogueiros e escritores. Escreve nesta coluna sobre estética, design e moda.</small></p>

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		<title>Joana Coccarelli: Da arte de envelhecer</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Aug 2008 05:34:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Coccarelli</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

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O curioso de começar a envelhecer é que ainda estamos suficientemente jovens para nos lembrar exatamente como era ser totalmente jovem.
Tudo bem que começamos a envelhecer quando nascemos. Não é este o ponto. O ponto é quando os sinais da velhice começam se manifestar.
Ao contrário do que se imagina, um ou outro fio de cabelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/08/1755290.jpg" alt="" /></p>
<p>O curioso de começar a envelhecer é que ainda estamos suficientemente jovens para nos lembrar exatamente como era ser totalmente jovem.</p>
<p>Tudo bem que começamos a envelhecer quando nascemos. Não é este o ponto. O ponto é quando os sinais da velhice começam se manifestar.</p>
<p>Ao contrário do que se imagina, um ou outro fio de cabelo branco não é sinal de velhice: enquanto você tiver disposição para atravessar raves inteiras dançando, curar ressaca em tempo recorde e energia para gastar em círculos sociais duvidosos, você é jovem. Meus cabelos brancos apenas se tornaram sinal inexorável de minha balzaquianice quando passei a ser conhecida como a pessoa mais socialmente furona que se tem notícia - ou por preguiça ou pelo inevitável foco nas responsabilidades profissionais que caracterizam meu atual estágio de vida adulta.</p>
<p>Apesar de acreditar que ninguém é completamente maduro antes dos quarenta. Ou mesmo depois.</p>
<p>Anyway, a poucos dias de meus trinta e dois anos, meus prolíferos brancos são legítimos sinais de que o tempo passa. Mas ainda não quero pintá-los. Porque a cor natural dos meus cabelos me é muito bem quista; e passar tinta por conta do pouco de cinza é eliminar minha maior parte de juventude por conta de (ainda) poucas marcas de velhice.</p>
<p>O principal, no entanto, mora numa equação muito mais atraente: para algumas de nós (sim, especialmente mulheres) o passar do tempo traz uma tranqüilidade interior que rejuvenece tanto quanto o creminho para rugas que passei a usar à noite.</p>
<p>É preciso duas, ao invés de uma semana, para queimar as gorduras localizadas extras de um feriado indulgente - mas o tesão está tão mais aflorado que seríamos capazes de ereções de rapazes pós-adolescentes, e no final das contas nos sentimos incríveis. Essas compensações são tão maiores que honestamente não, não penso em voltar no tempo, caso fosse possível. O ritmo natural do relógio traz recompensas rejuvenecedoras&#8230;</p>
<p>——<small><br />
[+] <strong>Joana Coccarelli</strong> é jornalista, autora do blog <a href="http://www.verbeat.org/blogs/narghee-la/" target="_blank">Narghee-La</a> e idealizadora do <a href="http://www.coccarelli.art.br/" target="_blank">Coccarelli.art</a>, coletivo de artistas, blogueiros e escritores. Escreve nesta coluna sobre estética, design e moda.</small></p>

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		<title>Joana Coccarelli: No futuro não haverá mais humanos</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Aug 2008 05:15:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Coccarelli</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Joana Coccarelli]]></category>

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E as máquinas irão governar. E as máquinas serão nós.
É o tipo de cinismo frio que nos acomete ao escutar de uma mulher que ela não deseja filhos. Conheci uma dessas outro dia, na cadeira de Responsabilidade Corporativa do meu MBA - a bonita da professora. Revoltada com o desperdício das classes altas, com teístas que se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/08/foto-flickr-losiek.jpg" alt="Foto: Losiek/ Flickr" /></p>
<p>E as máquinas irão governar. E as máquinas serão nós.</p>
<p>É o tipo de cinismo frio que nos acomete ao escutar de uma mulher que ela não deseja filhos. Conheci uma dessas outro dia, na cadeira de Responsabilidade Corporativa do meu MBA - a bonita da professora. Revoltada com o desperdício das classes altas, com teístas que se negam a apoiar contracepção, com a dissolução da terra em pó. Terrorismo poético, contra-propaganda. <em>Flash mobs</em>.</p>
<p>&#8216;Professora, você é vegetariana?&#8217;, e depois que todo mundo foi embora, &#8216;Professora, você acha que tem jeito?&#8217;. E ela, exatamente como uma amiga comentou sobre o parecer dos acadêmicos científicos europeus: <em>Não dá mais pra reverter nada não.</em><br />
<em>E é por isso que eu e meu marido não tivemos filhos.</em></p>
<p>E há tempos eu também acho que já era. E para mim ter ou não ter um bebê são duas opções igualmente plausíveis.</p>
<p>Então me olham como se eu fosse um cyborg, uma criatura transhumana que, muitos acreditam, estamos em vias de nos tornar. Qual o sentido do sensível, da curva, da maciez e umidade de uma mulher, se ela é indiferente sobre gerar uma criança?</p>
<p>Muito pós-tudo pro sujeito médio aceitar. Sei lá se para mim também, caso um dia eu engravide e ache que o sumo do feminino está em parir.</p>
<p>Porque, todos sabem, só os idiotas não mudam de idéia. Mas também só os argutos aderem para sempre às práticas mais incomuns.</p>
<p>——<br />
<small>[+] <strong>Joana Coccarelli</strong> é jornalista, autora do blog <a href="http://www.verbeat.org/blogs/narghee-la/" target="_blank">Narghee-La</a> e idealizadora do <a href="http://www.coccarelli.art.br/" target="_blank">Coccarelli.art</a>, coletivo de artistas, blogueiros e escritores. Escreve nesta coluna sobre estética, design e moda.</small></p>

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		<title>Joana Coccarelli: Não haverá outro homem de lata</title>
		<link>http://www.revistaogrito.com/page/28/07/2008/joana-coccarelli-nao-havera-outro-homem-de-lata/</link>
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		<pubDate>Mon, 28 Jul 2008 04:01:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Coccarelli</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Joana Coccarelli]]></category>

		<category><![CDATA[Edward Maõs-de-tesoura]]></category>

		<category><![CDATA[Frankenstein]]></category>

		<category><![CDATA[O Mágico de Oz]]></category>

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		<description><![CDATA[
Até o trans/pós-humanismo sugerir possibilidades tão reais como excêntricas, a fábula era desfiada na contramão: o drama das máquinas que queriam ser humanas. O Homem de Lata na terra de Oz, Pinóquio, Eduardo Mãos-de-Tesoura - todos produtos da vontade de criação do filho perfeito, desenhado para atender aos anseios de seu criador. Mesmo no passado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/07/tin-man-poster-hamlin.jpg" alt="Cartaz do musical The Wizard Of Oz (O Mágico de Oz)" /></p>
<p>Até o trans/pós-humanismo sugerir possibilidades tão reais como excêntricas, a fábula era desfiada na contramão: o drama das máquinas que queriam ser humanas. O <strong>Homem de Lata</strong> na terra de Oz, <strong>Pinóquio</strong>, <strong>Eduardo Mãos-de-Tesoura</strong> - todos produtos da vontade de criação do filho perfeito, desenhado para atender aos anseios de seu criador. Mesmo no passado restritivo, não era possível escravizar totalmente o desejo da prole adulta. O próprio <strong>Frankenstein</strong>, feito de matéria orgânica, é um invento tecnológico. Mesmo a ele faltava um elemento de emancipação real do pai inventor.</p>
<p>O pós-humano é a relação criador-criatura <em>do it yourself</em>: o desejo de criar um filho que supra necessidades é possível no próprio pai. É um arquétipo implantado à era do individualismo tecnicista. A tendência é enxertar tecnologia nos próprios corpos, de modo a estender as chances de satisfazer um desejo - mesmo o de eternidade, tão flagrante na cultura das dietas e vitaminas e exercícios, além do jamais superado pavor da morte.</p>
<p>No pós-modernismo, quando a eternidade existe enquanto o corpo dura; com a supremacia do eu em detrimento do outro; e com a possibilidade de nos trans-humanizarmos, filhos podem se tornar cada vez menos necessários para o êxtase de felicidade que passamos a acreditar ser o sentido da vida.</p>
<p>Dos homens, pelo menos. As mulheres seguem desafiadas pelas pulsões naturais. Ainda assim, elas andam resistindo bem melhor que antigamente. Mas essa conversa eu deixo pra coluna que vem. <img src='http://www.revistaogrito.com/page/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<hr /><span style="color: white;"> .</span></p>
<div>[+] <strong>Joana Coccarelli</strong> é jornalista, autora do blog <a href="http://www.verbeat.org/blogs/narghee-la/" target="_blank">Narghee-La</a> e idealizadora do <a href="http://www.coccarelli.art.br/" target="_blank">Coccarelli.art</a>, coletivo de artistas, blogueiros e escritores. Escreve nesta coluna sobre estética, design e moda.<br />
<a href="mailto:joana@revistaogrito.com">joana@revistaogrito.com</a>. | Leia as <a href="http://www.revistaogrito.com/page/sessao/colunas/joana/">colunas anteriores</a></div>

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		<item>
		<title>Joana Coccarelli: Lovewriting</title>
		<link>http://www.revistaogrito.com/page/21/07/2008/joana-coccarelli-lovewriting/</link>
		<comments>http://www.revistaogrito.com/page/21/07/2008/joana-coccarelli-lovewriting/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 21 Jul 2008 19:56:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Coccarelli</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Joana Coccarelli]]></category>

		<category><![CDATA[Revistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Minhas primeiras cartas de amor, elas foram escritas numa Olivetti Valentine 1969. Essa frase sozinha diz tudo.
Todavia:
A primeiríssima cartinha-declaração, a número um, recebi do sobrinho-neto da dona da escola. Levei um choque - mas não tão grande quanto ao receber, em seguida, a segunda cartinha-declaração, dessa vez do meu melhor amiguinho da primeira série. A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Minhas primeiras cartas de amor, elas foram escritas numa <em>Olivetti Valentine</em> 1969. Essa frase sozinha diz tudo.</p>
<p>Todavia:</p>
<p>A primeiríssima cartinha-declaração, a número um, recebi do sobrinho-neto da dona da escola. Levei um choque - mas não tão grande quanto ao receber, em seguida, a segunda cartinha-declaração, dessa vez do meu melhor amiguinho da primeira série. A dele me fez sentir traída: nós nos divertíamos tanto que mortifiquei quando imaginei que, enquanto isso, ele era a fim de mim. Ambos os pedidos foram negados em papel de carta da minha coleção particular, com uma caligrafia pós-alfabetização bem mobral. Então não foram cartas de amor e, sim, de educação-medo-timidez-extrema-beijos-joana-ps.imaginário-nunca-mais-fale-comigo. Por favor.</p>
<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/07/valentine.jpg" alt="" align="left" />Em algum momento, até meu segundo namorado, aos 13 anos, papai me deu sua <em>Olivetti</em> vermelha. E era nela que eu, aí sim, trocava declarações com o rapaz: ele com letra linda em folhas pautadas, e eu com a tipografia mais retrô <em>ever</em>, o auge do <em>vintage</em>, num papel sulfite branco. Nem eu nem o menino imaginávamos o glamour de uma carta de amor escrita a dedos numa máquina italiana vermelha 1969, passada de pai pra filha, do modelo <em>Valentine. Valentine!</em> E o namorado zangava, e dizia que máquina de escrever era muito impessoal, e sofria.</p>
<p>Na mesma época, tipo sexta série, tinha aula obrigatória de datilografia no colégio. A turma desprezava, eu adorava; e apliquei todas as técnicas no texto que criei para um concurso de redação da <strong>revista Capricho</strong>. Aos 14 anos, fiquei em 38º lugar entre as oito mil participantes de todo Brasil. Ganhei um kit da <em>Giovanna Baby</em> e citação na revista. Olha como eu ainda me vanglorio.</p>
<p>Com a <em>Valentine</em>, escrevi pequeninos romances abandonados pela metade e coisas realmente desenfreadas para Sebastian, o alemão, oficialmente a primeira grande paixão adolescente arrasadora.</p>
<p>E, um dia, eu tava na faculdade e tudo podia ser escrito num computador.</p>
<p>Logo saí de casa, e as tralhas eram tantas que devolvi minha <em>Olivetti</em> para papai.</p>
<p>Que, então, acomodou-a como parte da decoração de sua casa. E agora, dez anos e um punhado de súplicas depois, ela volta para a minha.</p>
<p>Afinal papai está saindo da casa dele para morar em outra.</p>
<p>E eu, finalmente, entendi que, dentre todos os caras que me aconteceram, a maior declaração de amor foi ter herdado uma <em>Olivetti </em>vermelha italiana 69 <em>Valentine</em> do único intermitente amor que pode existir na vida de uma moça.</p>
<hr size="1" />
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;"> .<br />
</span> [+] <strong>Joana Coccarelli</strong> é jornalista, autora do blog <a href="http://www.verbeat.org/blogs/narghee-la/" target="_blank">Narghee-La</a> e idealizadora do <a href="http://www.coccarelli.art.br/" target="_blank">Coccarelli.art</a>, coletivo de artistas, blogueiros e escritores. Escreve nesta coluna sobre estética, design e moda.<br />
<a href="mailto:joana@revistaogrito.com">joana@revistaogrito.com</a>.<br />
<span style="color: #ffffff;"> .</span><br />
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[+] <a href="http://www.revistaogrito.com/page/26/04/2008/joana-coccarelli-be-my-eighties/">Be My Eighties</a><br />
[+] <a href="http://www.revistaogrito.com/page/13/05/2008/joana-coccarelli-se-olha-no-espelho/">Se olha no espelho</a><br />
[+] <a href="http://www.revistaogrito.com/page/19/05/2008/joana-coccarelli-a-rebeldia-nasceu-na-holanda/">A rebeldia nasceu na Holanda</a><br />
[+] <a href="http://www.revistaogrito.com/page/26/05/2008/joana-coccarelli-a-arte-colagem-de-iuri-kothe/">A arte-colagem de Iuri Kothe</a><br />
[+] <a href="http://www.revistaogrito.com/page/10/06/2008/balkan-beats-rio/">Balkan Beats @ Rio</a><br />
[+] <a href="http://www.revistaogrito.com/page/30/06/2008/joana-coccarelli-o-primeiro-do-it-yourself-a-gente-nunca-esquece/">O primeiro <em>do it yourself</em> a gente nunca esquece</a><br />
[+] <a href="http://www.revistaogrito.com/page/09/07/2008/joana-coccarelli-barbie-attack/">Barbie Attack!</a></strong></p>

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		<title>Joana Coccarelli: Barbie Attack!</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Jul 2008 16:47:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Coccarelli</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Joana Coccarelli]]></category>

		<category><![CDATA[Alfred Hitchcock]]></category>

		<category><![CDATA[Barbie]]></category>

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.
Pra vocês verem como eu sou mesmo uma balzaquiana, lembro-me do jingle do comercial de lançamento da Barbie no Brasil.
Barbies brazucas de então, começo dos anos 80, diferiam das estadunidenses por causa do rosto mais tosco e o cabelo que espigava logo. A minha tinha brincos ofuscantes e vestido azul.
Daí meus pais viajaram para Nova [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/07/barbie-the-birds.jpg" alt="" /></div>
<p><span style="color: white;">.</span><br />
Pra vocês verem como eu sou mesmo uma balzaquiana, lembro-me do jingle do comercial de lançamento da Barbie no Brasil.</p>
<p>Barbies brazucas de então, começo dos anos 80, diferiam das estadunidenses por causa do rosto mais tosco e o cabelo que espigava logo. A minha tinha brincos ofuscantes e vestido azul.</p>
<p>Daí meus pais viajaram para Nova York e me trouxeram uma Barbie que eles acharam o hype. Ela usava calça jeans, camiseta de pelúcia rosa e botas de caubói da mesma cor. No universo inteiro não existe Barbie que não seja extra cafona, nem as da linha Oscar de la Renta se salvam, mas meus pais pensavam que essa fugia à regra. Já eu a achava horrivelmente simplória - mas fiquei feliz porque pelo menos o rosto era bem mais bonito e o náilon do cabelo era decente.</p>
<p>Já contabilizava umas sete Barbies, um Bob, um Ken com cabelo e uma Skipper quando meu padrasto me deu a mais estonteante criatura de plástico criada pela Mattel: a Japanese Barbie 1st Edition 1985. Em outras palavras, uma Barbie gueixa.</p>
<p>Foi explosivo como Hiroshima entre minhas amiguinhas barbeadas, o auge do exótico. Mesmo assim, ninguém me pedia para ficar com ela na hora de brincar: Barbie tinha que ser loira de olho azul e bochecha rosada. Não para mim. Boneca alguma era mais arraso do que a de olhos e cabelos negros e maquiagem laranja que eu tinha. Ela não sorria, o charme definitivo. E nunca foi chamada de Barbie. Barbie eram as outras. Minha japa girl era Yoko. Arigatô.</p>
<p>Eu tinha uma Barbie Rocker, uma de férias em Honolulu (que atualmente reside na estante da sala de papai trajando um modelo anos dourados que costurei enquanto assistia ao drama de Lurdinha e Marcos na Globo), uma grã-gala cintilante (a cara da Cybill Sheperd) e muitas outras à imagem e semelhança da querida Olivia Newton-John. Mas a balada era com Yoko. Minhas Barbies usufruíam de imbatível variedade de modelitos e acessórios, automóvel, móveis e banheira de espuma sugestiva, mas era a Yoko, com seu quimono vermelho fechado até o pescoço, que conquistava o Bob e o Ken.</p>
<p>Semana passada, num dos diversos blogs de design que consulto diariamente, deparo-me com a The Birds Barbie – uma Barbie em homenagem ao filme Os Pássaros, do Hitchcock. Corvos malditos e expressão aterrorizada incluídos. E meninos eu vi. Ou melhor, me vi pedindo a The Birds para meu padrasto, vinte e quatro anos mais tarde. Presente de aniversário.</p>
<p>Minutos depois, espreitava barbies nos corredores das Lojas Americanas na hora do almoço. Foi mais forte que eu. Não consegui evitar.</p>
<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/07/nikki.jpg" alt="" align="right" />A maior parte das barbies continua loura de olhos claros, mesmo as de cabelo castanho. Deixei o biotipo nórdico por conta da The Birds que ganharei. Como eu também precisava responder à necessidade imediata, continuei olhando e encontrei lá embaixo, na prateleira perto do chão, a Barbie perfeita: Nikki, da coleção Tropical Beach.</p>
<p>Nikki é mulata de olhos castanhos e biquíni - a brasileira típica (sobretudo na era da escova de chocolate e da chapinha). Além disso, seus pés são descalços, não adaptados para chatésimos sapatos de salto. É claro que o padrão gringo de pernas finas e compridas continua, mas os peitos diminuíram um pouco e a barriga e quadris são bem mais legais que as barbies do meu tempo.</p>
<p>Logo fiquei preocupada com a precariedade dos trajes de Nikki. Afinal estamos no inverno. Então fui à caça de roupinhas para barbies, mas as poucas que tinham eram detestáveis (claro). Tipo travesti. De modo que estou repetindo outro hábito de infância, que era costurar roupas à mão para elas.</p>
<p>Por fim passei na ala de lingerie para pegar um sutiã e fui pra fila do caixa. Havia uma mulher com uma garotinha que começou a choramingar quando viu minha boneca. Mulheres que contabilizam duas décadas desde seus primeiros sutiãs, comprando barbies para elas próprias? A autonomia do devir feminino chegou a níveis nunca antes imaginados.</p>
<p><strong>Confira abaixo alguns personagem que a boneca encarnou ao longo da vida:</strong><br />
<a href="http://i290.photobucket.com/albums/ll261/wagnerbeethoven/fotos%20do%20grito/joana-babie/barbie-romance.jpg" target="_blank"><img src="http://i290.photobucket.com/albums/ll261/wagnerbeethoven/fotos%20do%20grito/joana-babie/th_barbie-romance.jpg" border="0" alt="" width="75" height="75" /></a> <a href="http://i290.photobucket.com/albums/ll261/wagnerbeethoven/fotos%20do%20grito/joana-babie/barbie-rock.jpg" target="_blank"><img src="http://i290.photobucket.com/albums/ll261/wagnerbeethoven/fotos%20do%20grito/joana-babie/th_barbie-rock.jpg" border="0" alt="" width="75" height="75" /></a> <a href="http://i290.photobucket.com/albums/ll261/wagnerbeethoven/fotos%20do%20grito/joana-babie/Barbie-night.jpg" target="_blank"><img src="http://i290.photobucket.com/albums/ll261/wagnerbeethoven/fotos%20do%20grito/joana-babie/th_Barbie-night.jpg" border="0" alt="" width="75" height="75" /></a> <a href="http://i290.photobucket.com/albums/ll261/wagnerbeethoven/fotos%20do%20grito/joana-babie/barbie-monique.jpg" target="_blank"><img src="http://i290.photobucket.com/albums/ll261/wagnerbeethoven/fotos%20do%20grito/joana-babie/th_barbie-monique.jpg" border="0" alt="" width="75" height="75" /></a> <a href="http://i290.photobucket.com/albums/ll261/wagnerbeethoven/fotos%20do%20grito/joana-babie/barbie-kimora.jpg" target="_blank"><img src="http://i290.photobucket.com/albums/ll261/wagnerbeethoven/fotos%20do%20grito/joana-babie/th_barbie-kimora.jpg" border="0" alt="" width="75" height="75" /></a> <a href="http://i290.photobucket.com/albums/ll261/wagnerbeethoven/fotos%20do%20grito/joana-babie/barbie-carolina-herrera.jpg" target="_blank"><img src="http://i290.photobucket.com/albums/ll261/wagnerbeethoven/fotos%20do%20grito/joana-babie/th_barbie-carolina-herrera.jpg" border="0" alt="" width="75" height="75" /></a></p>
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<div>[+] <strong>Joana Coccarelli</strong> é jornalista, autora do blog <a href="http://www.verbeat.org/blogs/narghee-la/" target="_blank">Narghee-La</a> e idealizadora do <a href="http://www.coccarelli.art.br/" target="_blank">Coccarelli.art</a>, coletivo de artistas, blogueiros e escritores. Escreve nesta coluna sobre estética, design e moda.<br />
<a href="mailto:joana@revistaogrito.com">joana@revistaogrito.com</a>.</div>
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		<title>Joana Coccarelli: O primeiro do it yourself a gente nunca esquece</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jun 2008 17:12:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Coccarelli</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Joana Coccarelli]]></category>

		<category><![CDATA[Barbie]]></category>

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		<description><![CDATA[
Bonecas tradicionais não eram suficientes: eu também queria as de papel. Ficaram way more popular com o advento da internet, mas não era piquenique encontrá-las no comecinho dos anos 80, sobretudo no Brasil. Uma vez por ano num jornaleiro, noutra por acaso numa livraria. Vida ingrata para nós, paper dolls little freaks.
Então eu me virava [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/06/1doll.jpg" alt="" /></p>
<p>Bonecas tradicionais não eram suficientes: eu também queria as de papel. Ficaram <em>way more</em> popular com o advento da internet, mas não era piquenique encontrá-las no comecinho dos anos 80, sobretudo no Brasil. Uma vez por ano num jornaleiro, noutra por acaso numa livraria. Vida ingrata para nós, <em>paper dolls little freaks</em>.</p>
<p>Então eu me virava e desenhava minha própria boneca. Quando estava pronta, colocava uma folha sobre ela e criava as roupinhas que ela iria usar. Desenhava muito mais modelos que uma boneca de papel comprada por aí. Foi meu <em>début</em> no universo <em>diy</em>, que até hoje se prolonga na figura da minha amada costureira.</p>
<p>Hoje faço <em>do it yourself for myself</em>.</p>
<p>E muito antes do carro da barbie e da banheira da barbie e do namorado da barbie aportarem no país, minhas bonecas de papel já tinham seus próprios aviões e barquinhos de papel e namorados de papel. Estes não trocavam a roupa. Já eram criados com a calça e a camisa que usariam por todas suas vidas úteis. Nada de sacanagem na cama de papel da minha boneca de papel.</p>
<p>Ora essa. Elas eram bonecas de papel, não infláveis!</p>
<hr size="1" />[+] <strong>Joana Coccarelli</strong> é jornalista, autora do blog <a href="http://www.verbeat.org/blogs/narghee-la/" target="_blank">Narghee-La</a> e idealizadora do <a href="http://www.coccarelli.art.br/" target="_blank">Coccarelli.art</a>, coletivo de artistas, blogueiros e escritores. Escreve nesta coluna sobre estética, design e moda.<br />
<a href="mailto:joana@revistaogrito.com">joana@revistaogrito.com</a>.<br />
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		<title>Joana Coccarelli: A revisão do português será a internet da língua falada</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jun 2008 08:33:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Coccarelli</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Joana Coccarelli]]></category>

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		<description><![CDATA[
Há tempos imagino como alunos do ensino médio de hoje lidam com gramática, vocabulário e ortografia em tempos de internet. Minhas suspeitas se confirmam. Livre tradução de artigo do site americano Newsday:
Professores dizem que abreviações de mensagem-texto confundem estudantes
Existem três letras que fazem Jeff Littwin tremer quando ele dá notas em trabalhos. A garotada &#8220;faz [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/06/meu-caminho-016.jpg" alt="" /></p>
<p>Há tempos imagino como alunos do ensino médio de hoje lidam com gramática, vocabulário e ortografia em tempos de internet. Minhas suspeitas se confirmam. Livre tradução de artigo do site americano <a href="http://www.newsday.com/news/local/education/ny-litext175730047jun17,0,5110825.story" target="_blank" class="broken_link"><em>Newsday</em></a>:</p>
<p><strong>Professores dizem que abreviações de mensagem-texto confundem estudantes</strong></p>
<p>Existem três letras que fazem Jeff Littwin tremer quando ele dá notas em trabalhos. A garotada &#8220;faz um comentário personalizado e coloca &#8216;LOL&#8217; no trabalho&#8221;, diz ele, professor de inglês na Roosevelt High School. A abreviação para &#8220;laughing out loud&#8221; comumente segue piadinhas quando a juventude de hoje se comunica por meio celulares e mensagens instantâneas pela internet. Littwin e outros educadores de Long Island dizem que a rápida e casual escrita está penetrando a expressão acadêmica dos estudantes. &#8220;Tudo é abreviado&#8221;, diz ele. &#8220;Nada começa com maiúscula. A ortografia é horrível. Não há vírgulas, não há ponto final&#8221;.</p>
<p>De vinte provas, o professor Phillip Cicione, da Commack High School, diz que seis ou sete contêm erros como simplesmente usar a vogal &#8220;u&#8221; ao invés da palavra  &#8220;you,&#8221; ou um &#8220;i&#8221; em caixa baixa para o pronome &#8220;I&#8221;. Jennifer Motl, professora da Bay Shore High School, tem visto tarefas de casa com a abreviação &#8220;BFFN,&#8221; atalho para &#8220;best friend for now&#8221;, o numeral &#8220;2&#8243; para &#8220;to&#8221; ou simplesmente &#8220;b&#8221; para &#8220;be&#8221;. Cicione disse que começou a notar tais erros há seis anos atrás. &#8220;Eu olhava para um trabalho de casa e via muitas dessas abreviações&#8221;.</p>
<p>Kalli Braunstein, 15, veterana da Half Hollow Hills High School East, disse que às vezes ela não consegue evitar a inserção de gírias eletrônicas nos trabalhos da escola: &#8220;Eu sei que algumas vezes abrevio palavras acidentalmente numa prova&#8221;, disse. &#8220;Eu simplesmente não penso nisso&#8221;. A escorregada mais comum, confessa, é escrever &#8220;cuz&#8221; ao invés de &#8220;because&#8221;. Ela também tende a substituir &#8220;s&#8221; por &#8220;z&#8221;, apenas porque é a moda do texto. Braunstein, que admite trocar mensagens instantâneas com pelo menos 45 pessoas diariamente, diz que sua professora se irrita quando as particularidades do texto eletrônico escapam para os exercícios da escola. &#8220;Ela tira pontos. Ela escreve, &#8220;podemos usar palavras de verdade?&#8221;</p>
<p>Kimmy Lopes, 14, caloura da Mineola High School, enviou 3.700 mensagens via Blackberry em maio. Ela diz que raramente usa abreviações ou gírias em suas mensagens instantâneas: &#8220;Não quero pegar o hábito. Meus amigos me acham estranha porque eu escrevo a coisa toda”. Educadores enxergam o valor das formas modernas de comunicação eletrônica, mas reiteram a importância de separar a escrita formal de mensagens enviadas a amigos. &#8220;Por outro lado, às vezes, quando você dá a eles a oportunidade de se expressarem pelas convenções que julgam mais confortáveis, é possível encontrar respostas muito interessantes&#8221;, diz Cicione. Ocasionalmente, ele dá tarefas como criar uma página de Facebook para o protagonista do livro &#8220;O Apanhador no Campo de Centeio&#8221;, Holden Caulfield.</p>
<p>Theresa McGinnis, professora-assistente de Literatura na Hofstra University, acredita que os professores precisam reconhecer como a tecnologia está mudando a comunicação. Erros da linguagem de mensagens instantâneas devem ser usados como oportunidades para &#8220;falar sobre público e propósito. A maior parte dos adolescentes dirão que sabem que existe uma diferença&#8221;.</p>
<p>Para Littwin, mensagens de texto marcam uma lacuna de gerações. Seus estudantes enviam mensagens eletrônicas com tanta freqüência que ele tomou sete aparelhos na última terça. &#8220;Eles são tão hábeis que fazem tudo por debaixo da mesa, sem nem precisar olhar pro teclado”, diz. &#8220;Eu sou <em>old school</em>. Se eu recebo uma chamada, ligo assim que for possível&#8221;.</p>
<p>A revisão ortográfica da língua portuguesa entraria para a vanguarda se absorvesse os equivalentes nacionais do artigo acima. Ao invés disso, e para meu completo mau-humor, se ocupou em limar o acento agudo em ditongos, acentos circunflexos diversos e tremas. A princípio não pretendo me adaptar, mas sabe como é, eu também era uma dessas que resistiu às abreviações internéticas por bastante tempo e escrevia e-mails e chats no mais inteiriço português. A diferença é que, na instantaneidade da cybercomunicação, <em>bjs</em> é realmente mais negócio que beijos, enquanto heróico é de fato muito mais passível de acertos fonéticos do que heroico - a tendência será pronunciar heroíco, sobretudo para pré-alfabetizandos e para os semi-analfabetos. Será que, assim como passamos a ortografar textos de novas formas, a falta de acentuação prevista pela revisão ortográfica provocará novos hábitos fonéticos no futuro?</p>
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<div align="justify">[+] <strong>Joana Coccarelli</strong> é jornalista, autora do blog <a href="http://www.verbeat.org/blogs/narghee-la/" target="_blank">Narghee-La</a> e idealizadora do <a href="http://www.coccarelli.art.br/" target="_blank">Coccarelli.art</a>, coletivo de artistas, blogueiros e escritores. Escreve nesta coluna sobre estética, design e moda.</p>
<p><a href="mailto:joana@revistaogrito.com">joana@revistaogrito.com</a>.</div>
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		<title>Balkan Beats @ Rio</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Jun 2008 23:16:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Coccarelli</dc:creator>
		
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Eugene Hutz {Gogol Bordello &#124; Festa Ciganomania (21/05/2008) Foto: Flickr /HeleN
O LESTE COMO NORTE
Rio vive fervor da cena neocigana que movimenta o mundo pop, com produção de documentário e festas neogypsy
Por Joana Coccarelli, colunista do Grito!
É o que tenho em comum com Nara Varela e Maria Almeida, organizadoras das festas cariocas Go East e Ciganomania: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/06/eugene-hutz-gogol-bordello-festa-ciganomania-210508-foto-divulgacao-la-cumbuca.jpg"/><br />
<sup>Eugene Hutz {Gogol Bordello | Festa Ciganomania (21/05/2008) Foto: Flickr /HeleN</sup></p>
<p><strong><big>O LESTE COMO NORTE</big></strong><br />
<em>Rio vive fervor da cena neocigana que movimenta o mundo pop, com produção de documentário e festas neogypsy</em><br />
Por <a href="mailto:joana@revistaogrito.com">Joana Coccarelli</a>, <strong>colunista do Grito!</strong></p>
<p>É o que tenho em comum com Nara Varela e Maria Almeida, organizadoras das festas cariocas <strong>Go East</strong> e <strong>Ciganomania</strong>: o amor pela música bálcan começou com a trilha sonora do filme <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0114787/" target="_blank">Underground</a></em>, do cineasta bósnio <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001437/" target="_blank">Emir Kusturica</a>. Eu fiquei só na magia e no mistério, sempre imaginando a luta que seria encontrar o som do filme mesmo na internet. Nara e Maria fizeram muito mais: foram até o leste europeu e trouxeram de presente as primeiras noites <em>neogypsy/balkan beats</em> do Brasil.</p>
<p>Com a <strong>Go East</strong>, a cena se formou instantaneamente no Rio de Janeiro. Sua irmã mais nova, a Ciganomania, teve duas edições no fim do mês passado – ambas estreladas por ninguém menos que o ucraniano Eugene Hütz, o tresloucado líder da banda bálcan punk <strong>Gogol Bordello</strong>. Os eventos arrastaram gente de várias partes do país até o Cine Lapa, quartel general das festas. Muitos paulistas, presentes ou via internet, reclamavam Eugene para sua capital. Boatos corriam que ele não pôde se apresentar em São Paulo, porque o Gogol Bordello já estaria escalado para o TIM Festival 2008. Os que puderam fazer a viagem até o Rio de Janeiro esticaram cartolinas com tietagem de efeito para o ídolo.</p>
<p>Uma noite neocigana jamais é moderada. A música borda ombros agitados, braceios exóticos, gargalhadas mil. Todo mundo dança com todo mundo indiscriminadamente, numa dessas raras histerias do bem. O próprio Eugene Hütz autoproclama-se um “exhaustoholic”, aquele sujeito que não pára até cair. <em>Fanfare</em>, típico estilo musical bálcan, é a raíz da palavra que melhor explica o que acontece numa pista dessas: fanfarronagem.</p>
<p>Abaixo, Nara e Maria contam como fizeram a coisa chegar a este ponto.<br />
<strong>Como surgiu a idéia da festa Go East? E da Ciganomania?</strong><br />
<strong>Maria</strong>: Nosso primeiro contato com a música dos bálcans foi em 2001, quando, durante uma festa em que nós estávamos tocando, um amigo romeno nos entregou uma fita K7 e pediu que tocássemos. Ele disse, &#8220;é música da Iugoslávia!&#8221;. Na verdade, era a trilha sonora do filme <em>Underground</em>, do Kusturica, com música de <strong>Goran Bregović</strong>. A festa, que estava paradona, virou uma coisa de outro mundo: todo mundo, literalmente todos da festa, vieram pra pista e dançaram até se acabar. Foi uma coisa mágica. Passamos anos só escutando essa trilha sonora, conhecíamos de cor cada acorde. Anos mais tarde, um amigo meu do Canadá, sabendo que eu gostava de umas coisas do leste europeu, me apresentou à música do Gogol Bordello, Eu surtei! Lembro que no mesmo dia gravei CDs pra Nara e pros meus amigos, pra mostrar o som novo pra eles. Foi aí que começamos a pesquisar músicas na mesma linha, e veio uma enxurrada de coisas que nos deixou completamente loucos. A Go East surgiu dessa necessidade nossa de mostrar pro pessoal daqui um tipo de música com o qual a gente estava - e ainda estamos, cada vez mais - encantados e viciados. Justamos força e fizemos a primeira edição, dando a cara a tapa mesmo. Não tínhamos nenhuma garantia de que daria certo - e deu!</p>
<p><strong>Nara</strong>: Com ajuda de um amigo nosso, o DJ búlgaro Kosta Kostov, resolvemos fazer, na cara e na coragem, a &#8220;Go East&#8221;. Foi um sucesso, pois alcançamos lotação máxima em todas as festas. De alguma forma, Eugene Hütz tomou conhecimento do que estávamos fazendo. Era vontade dele morar no Rio e começar uma cena, e por sorte éramos os únicos que haviam feito isso antes. Conhecemos primeiro a Diana (Mititika), namorada e pesquisadora da cultura cigana, e depois Eugene. Então eles vieram com o projeto da Ciganomania. Ambas as festas Ciganomania foram sucesso de público.</p>
<p><strong>Quem de vocês já esteve na Europa Oriental?</strong><br />
<strong>Maria</strong>: No fim de 2007 e início de 2008, eu e Nara conseguimos finalmente ir pros Bálcãs. Passamos dois meses entre a Sérvia e a Bulgária, absorvendo tudo que a gente podia da cultura, música e costumes. Ficamos a maior parte do tempo em Belgrado, capital da Sérvia, e passamos o Natal na Bulgária, em Varna. Pessoalmente, me encantei por Belgrado. É meu lugar preferido no mundo hoje em dia.</p>
<p><strong>Nara</strong>: Foram dois meses incríveis. Também vimos a cena na Alemanha.</p>
<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/06/versodoflyerembaixaun3.jpg"/><br />
<sup>Flyer da Ciganomania</sup></p>
<p><strong>Como fizeram contato com os DJs e artistas gringos, como o Kosta e o Eugene?</strong><br />
<strong>Maria</strong>: O Kosta conhecemos através de um amigo em comum. Ele nos colocou em contato no final de 2006, quando começou a idéia fixa de trazer essa cena pra cá. Em março de 2007, ele chegava ao Brasil pela primeira vez. Com os outros DJs foi na cara de pau mesmo: tomei coragem e saí por aí mandando e-mails pra eles via <em>Myspace</em>, dizendo &#8220;Ei, adoro sua música, como faço pra tocar isso ou trazer você pra cá?&#8221;. E o pessoal, claro, mandou material promo. Começamos a nos falar e aí a coisa desenrolou. O contato com o Eugene foi fruto desse movimento todo que começamos. Ele ouviu falar das nossas festas através de conhecidos via internet. Daí nos mandou um email dizendo que vinha pro Brasil e perguntando se a gente não topava produzir uma festa com ele, que ele estava louco pra tocar por aqui. Claro que a gente topou!</p>
<p><strong>Nara</strong>: Um DJ do nordeste entrou em contato com a gente e nos pediu para receber e conseguir alguma festa para o Kostov. Como fazíamos performances em festas de rock e electro com os nossos figurinos (somos universitários de Figurino, Artes Plásticas, Design e Moda), conhecíamos alguns produtores. Eu sempre digo que a Europa Ocidental já possui uma cena que está a mais de quatro anos rolando, e que já tava mais do que na hora de cruzar o oceano e &#8220;balkanizar&#8221; o Brasil.</p>
<p><strong>Alguém já freqüentou essa cena fora do Brasil? E dentro?</strong><br />
<strong>Nara</strong>: Fora do Brasil eu tive a oportunidade única de ver a primeira festa em Belgrado de temática &#8220;tradição do leste europeu + eletrônico&#8221;, ou <em>balkan beats</em>. Foi maravilhoso! Na Alemanha fui na BalkanXpress e em Amsterdam estive na Nuit Zigane. Aqui no Brasil, eu vi apenas nossos DJs amigos tocando um som do leste. Sei que há DJs do Brasil e América Latina que exploram esse som, mas não sei se as festas que participam são 100% focadas nisso, como é na Go East.</p>
<p><strong>Maria</strong>: Praticamente todas as maiores cidades européias de cada país tem festas fixas nessa linha, e mais um monte de eventos e festivais também. Em Belgrado, na Sérvia, estávamos presentes na primeira festa de balkan beats nos bálcans, realizada por um duo eletrônico de Belgrado chamado Shazalakazoo. Foi mágico! É engraçado isso: apesar da música dos Bálcãs ser sucesso na Europa Ocidental, o pessoal da Sérvia e do resto da Europa Oriental não faz idéia da febre que a música deles, remixada e relida, é nos outros países.</p>
<p><strong>Quantas pessoas foram às festas em cada noite?</strong><br />
<strong>Maria</strong>: Na primeira Go East tivemos 400 pessoas. Na segunda, onde usamos apenas metade do espaço da primeira, tivemos 300 - num dia de chuva torrencial aqui no Rio. Na Ciganomania, tivemos cerca de 350 pessoas em cada edição, também utilizando metade do espaço da Go East. Batemos o recorde de lotação da casa, que já tinha sido estabelecido por nós mesmos, com a segunda Go East.</p>
<p><strong>O que os artistas e DJs acham da emergência de uma cena bálcan no Rio de Janeiro?</strong><br />
<strong>Maria</strong>: Eles acham fenomenal. Muitos deles, que já tinham um contato grande com a cultura musical daqui - o Kosta e principalmente Eugene e Killo Killo - acham que realmente tem tudo a ver. Que o Brasil é um país que tem potencial pra fazer dessa cena algo muito expressivo, por causa da semelhança do povo, de alguns tipos de música e tudo o mais. O MC Killo Killo, por exemplo, toca numa bateria de samba em Novi Sad, na Sérvia, chamada sambaNSa (o NS maíusculos são de Novi Sad). Lá eles são um sucesso, são dezenas de milhares de pessoas em cada show. Já o Kosta iniciou em Köln, recentemente, uma festa nova só de música de países lusofônicos (Brasil, Portugal, Angola e por aí vai). Eugene volta e meia se apresenta com um grupo de batucada no Bulgarian bar, em New York City. É legal porque essa troca, entre os músicos de lá em contato com a música daqui, gera um quê a mais na cena que está surgindo no Brasil, que a diferencia de tudo o que existe na Europa até agora. É um passo além do que a cena bálcan/ Leste Europeu alcançou na Europa.</p>
<p><strong>Eles curtem tocar aqui?</strong><br />
<strong>Maria</strong>: Muito! Quem não curte? Todo mundo quer vir, mandam e-mails pedindo e tal. </p>
<p><strong>Nara</strong>: Eles amam tocar aqui. Temos um público incrivelmente aberto e participante. Pessoas nas festas vão caracterizadas com figurinos, gritam e cantam os refrões sem saber o que significam. Dançam dança-do-ventre e um abraça o outro sem nem se conhecer. A energia é maravilhosa. Além do mais, o pessoal do Leste possui uma forte identificação com a cultura brasileira. Eles vêem o Brasil como um paraíso distante.</p>
<p><strong>O que eles fazem aqui quando não estão tocando?</strong><br />
<strong>Maria</strong>: Pesquisam! Acho que o ponto em comum de todos os que já vieram é que todos pesquisam muito sobre a música local enquanto estão aqui. E claro, curtem a noite na cidade, vão a festas, shows, bares, praia&#8230; e comem muito, hahaha. Todo mundo ama comida brasileira!</p>
<p><strong>Nara</strong>: A praia é o lugar preferido deles. Também curtem muito ver a cena local, cada um com seu tipo preferido. O Kostov é completamente apaixonado pelo funk carioca, o Eugene fica hipnotizado com forró e o Killo Killo deixa escapar um grande sorriso quando ouve os primeiros batuques de samba. Todos curtem muito a nossa cachaça; e a gente pede pra eles trazerem Rakjia em suas malas.</p>
<p><strong>SAIBA MAIS</strong><br />
Blog: <strong><a href="http://lacumbuca.blogspot.com/">http://lacumbuca.blogspot.com</a></strong><br />
Comunidade: <strong><a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=48289740">www.orkut.com</a></strong></p>
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<div align="justify">[+] <strong>Joana Coccarelli</strong> é jornalista, autora do blog <a href="http://www.verbeat.org/blogs/narghee-la/" target="_blank">Narghee-La</a> e idealizadora do <a href="http://www.coccarelli.art.br/" target="_blank">Coccarelli.art</a>, coletivo de artistas, blogueiros e escritores. Escreve nesta coluna sobre estética, design e moda.<br />
<a href="mailto:joana@revistaogrito.com">joana@revistaogrito.com</a>.</div>
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