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	<title>Revista O Grito! &#187; Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</title>
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	<description>Cultura Pop Sem Contra-Indicação</description>
	<pubDate>Wed, 03 Dec 2008 20:30:12 +0000</pubDate>
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		<title>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro: Da série do Bestiário</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Oct 2008 14:43:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[Rainha do Maracatu Roubada de Ouro]]></category>

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Adoro ditados da sabedoria popular. Não é à toa que se chama “sabedoria popular&#8221;. Venero a precisão e ironia por detrás de frases simples e certeiras. Duvida? “Cabeça vazia oficina do demônio”. É verdade. Quer coisa pior do que uma pessoa com poucos afazeres e que fica enchendo a cabeça de caraminhola? Há alguns até [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/10/img_1244.jpg" alt="" /></p>
<p>Adoro ditados da sabedoria popular. Não é à toa que se chama “sabedoria popular&#8221;. Venero a precisão e ironia por detrás de frases simples e certeiras. Duvida? “Cabeça vazia oficina do demônio”. É verdade. Quer coisa pior do que uma pessoa com poucos afazeres e que fica enchendo a cabeça de caraminhola? Há alguns até dos quais eu discordo. Aquele, por exemplo, que diz: “Dinheiro não traz felicidade”. Traz não, filhote? Seja feliz e me dê o seu, porque eu prefiro ser infeliz em Paris.</p>
<p>Enfim, há vários e outros, mas o fato é que eu tenho uma coleção particular de bestiário (nada remissivo a dicionário de animas, mas de coisas ‘bestas’) para definir algumas situações precisas. Vou deixar aqui alguns exemplos:</p>
<p><strong>Texto: “Menino, saí à noite do sábado e tomei um porre homérico. Daqueles de subir na mesa e tirar a roupa”.</strong><br />
<strong>Bestiário:</strong> “Acha bonito e, ainda por cima, conta”. Além do quê, profissional mesmo só bebe de domingo a quinta-feira. Sexta e sábado é coisa pra amador: bares cheios, um monte de menino na rua, o serviço, por conseqüência, é um horror. E tenho dito.</p>
<p><strong>Texto: “Olha, meu chefe me pediu pra conseguir o telefone celular do Bill Gates. É doido ou não é?”.</strong><br />
<strong>Bestiário:</strong> “Meu filho, o ‘não’ a gente já tem”. Taí uma verdade: na pior das hipóteses, a gente ganha um “sim”, mas só se tentar. Liga lá na Microsoft e desenrola, oras. Quanto a mim, consegui bater papo com o Marcelo Tas (www.marcelotas.com.br) assim mesmo. Quem sabe não funciona?</p>
<p><strong>Texto: “Ah, minha vida está ótima. Estou naquele mesmo emprego há 15 anos, minha mãe não larga do meu pé, meu namorado continua sendo uma josta no serviço sexual, aquela minha amiga invejosa continua dando matação pelas minhas costas&#8230;.Eita! Já te disse que eu virei amante do presidente da República há três meses?”</strong><br />
<strong>Bestiário:</strong> “Minha filha, como assim lead da matéria no final da notícia?!?!?!”. Para os não-jornalistas eu explico: Lead são as quatro informações principais de uma notícia (o quê, quem, quando, onde. Como e porquê, se possível) e devem constar do primeiro parágrafo. Algo do gênero “João matou Maria na Rua da Guia. Motivo: ciúme”.</p>
<p><strong>Texto: Mulher, nem te conto. Meu primo viajou pra Barra de Coruripe e encontrou um riporonga adepto a uma seita que mescla chá de curare com filosofia racional. Abandonou absolutamente tudo, raspou a cabeça e faz meditação enquanto consegue conversar com gnomos.</strong><br />
<strong>Bestiário:</strong> “Mas eu quero tomar é dessa!”. Frase sempre empregada quando uma pessoa vem com uma conversa sem pé nem cabeça que nos faz pensar que ainda não ingerimos a quantidade de álcool necessária para chegar a este grau de iluminação filosófica.</p>
<p><strong>Texto: Ai, amiga, preciso da sua ajuda. Hoje minha prima chega de São Paulo às 3:45h da matina e alguém precisa ir buscar ela lá no Terminal Rodoviário. Como você sabe, eu estou sem carro e a essa hora o metrô não funciona. Você pode pegar ela lá pra mim?</strong><br />
<strong>Bestiário: </strong>“Tem amigo safado quem pode”. É auto-explicativo.</p>
<p><strong>Texto: “Ai, não agüento mais essa coisa de brincar carnaval em Olinda. Essa coisa de subir e descer ladeira, me cansa só de olhar. É todo mundo melecado, com catinga de macaco e as ruas cheirando a xixi alheio&#8230;”</strong><br />
<strong>Bestiário:</strong> “Será que, quando eu crescer, eu fico assim, igual a você?”. Normalmente empregado quando pessoas mais novas do que você atacam com um papo de cansaço sem explicação plausível que não seja um câncer de fígado.</p>
<p><strong>Texto: “Decidi aplicar todo o meu suado dinheirinho em aplicações na Bolsa”</strong><br />
<strong>Bestiário</strong>: “Quem tem c&#8230; (leia-se ânus) tem medo”. Ou coragem de mamar em onça. Empregado para quando você acha a proposta uma Roubada de Ouro.<br />
<strong>Bestiário Versão 2</strong>: “Quem tem medo de cagar não come. Toma papinha”. Empregado quando você acha a idéia muito ousada, mas dá todo o apoio.</p>
<p>Bom, são essas e algumas outras do meu bestiário favorito. O que importa é: rir, sempre é o melhor remédio. Em vez de ficar se lamentando da vida, levanta essa bunda da cadeira do computador e vai lá fora olhar pro sol. É verão! Tempo de ser mais feliz. Eu, pelo menos, tento.</p>
<p>— —<br />
<small>[+] A <strong>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</strong> é o pseudônimo de uma jornalista pernambucana. Toda semana, escreve nesta coluna, crônicas de desabores, desencantos e memórias.</small></p>

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		<title>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro: Carta Aberta para amantes de HQs: Sobre o dia em que Maurício de Sousa me leu</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Oct 2008 10:16:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

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		<category><![CDATA[Turma da Mônica]]></category>

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Era uma sexta-feira, final de tarde, quando recebi um e-mail indicando que um leitor havia deixado um recado na coluna. O &#8216;textículo&#8217; era o seguinte:
Oi, Rainha. O Mauricio de Sousa leu seu texto sobre ele e ficou muitíssimo feliz. Por isso, pediu que eu entrasse em contato contigo. Pode me mandar um e-mail para conversarmos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/10/img_0002.jpg"/></p>
<p>Era uma sexta-feira, final de tarde, quando recebi um e-mail indicando que um leitor havia deixado um recado na coluna. O &#8216;textículo&#8217; era o seguinte:</p>
<blockquote><p>Oi, Rainha. O Mauricio de Sousa leu seu texto sobre ele e ficou muitíssimo feliz. Por isso, pediu que eu entrasse em contato contigo. Pode me mandar um e-mail para conversarmos a respeito?</p>
<p>Grato<br />
Sidney Gusman&#8221;</p></blockquote>
<p>Oi? Alguém aí sabe quem é o profissional em questão? Sabe não, ignorante? Então nunca leu quadrinhos de verdade. Confira <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sidney_Gusman">aqui</a>.</p>
<p>Não fosse o e-mail corporativo com o endereço &#8216;turmadamonica.com.br&#8217; (lógico, não vou deixar o endereço dele aqui, né?) eu sequer acreditaria no que estava lendo. Ele havia deixado um recado por um texto precedente publicado <a href="http://www.revistaogrito.com/page/02/09/2008/rainha-do-maracatu-roubada-de-ouro-eu-amo-o-mauricio-de-souza/">aqui mesmo</a>, na <strong>Revista O Grito!</strong> sobre o meu processo de alfabetização: feito em casa com minha mãe e com as revistinhas da Turma da Mônica.</p>
<p>Respondi. Num misto de estupefação e euforia, alegria e curiosidade. Seguem trechos da réplica do e-mail: os &#8216;XXXX&#8217; são as partes referentes à minha privacidade, certo?</p>
<blockquote><p>Caro Sidney,</p>
<p>Em primeiro lugar, deixa eu me apresentar: meu nome é XXXX, sou jornalista e que, na Revista O Grito usa a alcunha de Rainha do Maracatu Roubada de Ouro (coisa de piadinhas internas). Atuo com comunicação estratégica na XXXX, empresa sediada em Recife, mas com atuação nacional.</p>
<p>Te confesso que o seu e-mail me pegou de sopetão, de surpresa mesmo, quase caí da cadeira de susto. Deixa ver se eu me explico melhor:</p>
<p>Lá pelos idos de 2002 eu cheguei a fazer uma cartinha pro Maurício de Sousa e enviei pro e-mail institucional da empresa. Nunca tinha obtido qualquer resposta e acredito até que ele tenha recebido milhares de correspondências desta natureza: de pessoas que foram alfabetizadas através de suas obras. Quando eu recebi este presente da minha cunhada, meu coração não cabia no peito de tanta alegria. Era como se aquilo fosse uma mágica que tivesse se concretizado e, de alguma forma, alcançado uma menina de 32 anos do outro lado do mundo.</p>
<p>Por ser consciente do poder dos quadrinhos, sempre procurei utilizar este suporte na minha vida profissional (&#8230;) Minha monografia de pós-graduação em comunicação empresarial foi &#8216;A Comunicação Social como agente para a conscientização de problemáticas urbanas: O caso dos quadrinhos e XXX na Região Metropolitana do Recife&#8217;. </p>
<p>(&#8230;) por mais que eu me mexa, eu sempre me deparo com quadrinhos aqui e acolá. É gratificante. </p>
<p> Tudo isso pra dizer que Maurício de Sousa, como se vê, marcou muito a minha vida - pessoal e profissional. E o seu e-mail me deixou mais uma vez criança com a simples sentença &#8220;O Mauricio de Sousa leu seu texto sobre ele e ficou muitíssimo feliz&#8221;.</p>
<p>Ele é que me fez feliz. A vida toda. E ainda faz.</p>
<p>Então, aqui estou e cumpri direitinho a minha tarefa: respondi ao seu e-mail e abaixo seguem os meus contatos. Estou absolutamente à sua disposição para o que você desejar.</p>
<p>Abraços cordiais<br />
XXX  (Rainha do Maracatu Roubada de Ouro)</p></blockquote>
<p>Pronto. Findo o mistério, esperei a resposta do Sidney. Ele não me escreveu. Me ligou!</p>
<p>Isso mesmo. Pra dizer que, naquela sexta-feira (dia 19 de setembro), TODOS os funcionários da Maurício de Sousa haviam recebido cópia deste texto publicado na Revista O Grito.</p>
<p>Preciso dizer que eu chorei? Que fiquei boba? Que coisas bisonhas como essa acontecem de verdade? Assim e por acaso; do meio do nada, graças à revolucionária e encantadora Internet?</p>
<p>Juro que se estivesse num botequim e te conhecesse agora na mesa em meio a uma cervejada com mortadela você me dispararia na cara, em alto e bom tom a sentença: &#8216;Que mentira da gota serena!!!&#8217;</p>
<p>Então tá. Maurício de Sousa me leu. E – por cinco minutos que sejam – eu consegui deixar ele feliz. </p>
<p><strong>PS.:</strong> Além do Maurício de Sousa, é  preciso que se registre que o <a href="http://www.papelpop.com/">Papel Pop</a> e o <a href="http://oglobo.globo.com/blogs/antonio/">Blog do Antônio Carlos Miguel</a> Editor-assistente do Segundo Caderno, de O Globo) citaram a revista <strong>O Grito</strong> essa semana. Ou seja: toda a equipe está muito feliz.</p>
<p>— —<br />
<small>[+] A <strong>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</strong> é o pseudônimo de uma jornalista pernambucana. Toda semana, escreve nesta coluna, crônicas de desabores, desencantos e memórias.</small></p>

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		<title>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro: Eu sou um ímã de malucos</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Sep 2008 15:10:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Rainha do Maracatu Roubada de Ouro]]></category>

		<category><![CDATA[João do Morro]]></category>

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Já disse pra vocês que trabalho com comunicação estratégica, né? Aqui no trabalho a gente tem algumas máximas que ajudam a aliviar o stress do cotidiano e pra facilitar a vida de vez em quando. Aquelas coisas que a gente sussurra mentalmente enquanto conta até dez pra não pular sobre o pescoço alheio quando é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/09/522222981_a6a8a53fc5_b.jpg" alt="" /></p>
<p>Já disse pra vocês que trabalho com comunicação estratégica, né? Aqui no trabalho a gente tem algumas máximas que ajudam a aliviar o stress do cotidiano e pra facilitar a vida de vez em quando. Aquelas coisas que a gente sussurra mentalmente enquanto conta até dez pra não pular sobre o pescoço alheio quando é afrontado sem quaisquer justificativas plausíveis. Uma delas diz: &#8220;Eu não quero ter razão, eu quero é ser feliz&#8221;.</p>
<p>Pois é. A gente bem que tenta, inventa, estica daqui e encolhe dali. Mas eu, particularmente, acho que sou praticamente um ímã de malucos. A quantidade de gente sem noção com quem eu topo devido ao trabalho não é careta não. Só nos últimos dois anos, acho que tive que enfrentar – pelo menos – oito casos clássicos. Coincidentemente, todos os focos de conflitos foram com mulheres. Ô raça complicada!</p>
<p>Tá achando pouco, né? É porque eu só contabilizo os que verdadeiramente são intragáveis. Gente que é &#8216;apenas&#8217; mala sem-alça, sonsa, falsa e mau-caráter sequer entra nessa minha lista.</p>
<p>Já tive que ouvir a seguinte pérola:</p>
<p><em>- Quem você pensa que é para definir quem vai dar entrevista pela entidade?</em></p>
<p>Oi? EU sou a assessora de imprensa da entidade. Oi? EU tenho mais de uma década de atuação no mercado. Oi? EU já tinha decidido isso com o superior da pessoa em questão, com quem EU trabalhava há OITO anos, ao contrário da &#8216;pessoa opiniosa&#8217;, que trabalhava com ele há TRÊS meses. Melhor do que isso foi a forma como perguntou: 1) Em tom de ameaça; 2) Na minha sala e 3) Na frente das minhas duas colegas de trabalho.</p>
<p>Se há algo que me irrita – além do fato de subestimarem a minha parca inteligência – é gente sem educação doméstica. Gente que nunca aprendeu a tratar as pessoas como gostariam de ser tratadas. Gente que não consegue sequer compreender a máxima de que elogios são feitos em público e críticas em particular e ao pé-do-ouvido do interessado. Para quê espalhar aos quatro ventos uma crítica que não necessariamente é 1)   Verídica, 2) Embasada ou 3) Faça sentido?</p>
<p>Estou intolerante, né? Mas avalia: hoje foi um daqueles dias em que uma pessoa manda um e-mail com uma crítica pessoal nº 2 (não embasada) e nº3 (sem qualquer sentido) para mim com cópia para OITO pessoas que não estavam envolvidos no processo. Ah, e antes que eu me esqueça, nem sequer a própria crítica estava envolvida no processo em questão.</p>
<p>Este ano também teve outra louca (mais uma mulher, né? Eita raça desunida!) que surtou! É meio cruel tentar explicar sem dar informações, datas ou fatos, mas o seguinte é que esta pessoa havia captado patrocínio para desenvolver uma ação que recebeu pouco destaque da mídia em detrimento de uma outra ação capitaneada por um parceiro comercial nosso que, pelo jeito, pareceu mais interessante aos olhos de imprensa e público. Adivinha?</p>
<p>A louca ligou pra os jornais. Ameaçou colunista, falou com editor, com superintendente e o zás-trás. Citava o meu nome com a &#8216;brilhante&#8217; justificativa de que eu (coitada de mim) estava querendo prejudicar seu magnífico trabalho.</p>
<p>Tsc-tsc&#8230;. No dia em que eu tiver plenos poderes de conseguir uma inserção em qualquer meio de comunicação que não seja fruto de um bom trabalho aliado a um bom produto significa que eu virei dona de jornal, emissora de TV ou de rádio. E vocês acham que eu iria estar aqui, me lamentando dessa pá de doido? Tava nada, menino! Estava mesmo era de frente pro mar, tomando uma flûte de espumante geladíssima, lendo um bom livro e sacolejando de rir dessas estorietas. Avalia? Euzinha me passando pelo mico de ligar pra redação pra falar mal dos outros? Credocruz! Vaderetro! Arre!</p>
<p>Lembrando apenas de outra máxima: o que é ruim de passar é bom de contar, né? E quem nunca teve um louco que cruzou o caminho do seu trabalho pelo menos uma vez na vida, que atire a primeira pedra.</p>
<p>Só pra encerrar o assunto, vou dar a vocês uma panorâmica de como eu dou sorte com as doidas de plantão. Certa vez – lá pelos idos de 1998, quando eu ainda trabalhava em Bsb (Brasília), a secretária do diretor da empresa para a qual eu trabalhava cismou da periquita que eu estava querendo tomar o lugar dela. Tentadora a proposta não? Eu, jornalista, ganhando o triplo do que ela ganhava (não que fosse muito porque jornalista é morta-fome mesmo). Ela, secretária.</p>
<p>Ahnnn, deixa eu ver? Acho que vou continuar a ser jornalista. Por enquanto.</p>
<p>Sabe o que ela fez? Esperou por mim na porta do prédio (onde trabalhavam umas 500 pessoas) e fez um e-s-c-â-n-d-a-l-o com tudo o que há direito. Literalmente teve um surto. Sem brincadeira, ela dispararia uma arma de fogo contra mim se pudesse. Como resultado, teve que ser internada por uns dias pra ficar sob controle de calmantes.</p>
<p>Tenho ou não tenho pára-raio pra mulher doida? Vocês devem estar pensando: &#8220;Mas essa <strong>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</strong> deve ser uma mala mesmo pra atrair essas loucas de plantão&#8221;. Sou não, filhote. Quisera eu! Tudo o que eu queria fazer era revidar vez por outra. Em vez disso, fico com a minha boa e velha educação doméstica que, aliada ao meu bom senso, me impedem de embolachar pessoas sem-noção. Fazer o quê? Vida que segue.</p>
<p><strong>PS.:</strong> Remédio para desafogar o fígado: domingueiras de João do Morro no Quintal do Lima até o final de setembro. Eu vou rir muito!</p>
<p><small>— —<br />
[+] A <strong>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</strong> é o pseudônimo de uma jornalista pernambucana. Toda semana, escreve nesta coluna, crônicas de desabores, desencantos e memórias.</small></p>

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		<title>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro: Eu Amo o Maurício de Souza</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Sep 2008 07:31:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[Rainha do Maracatu Roubada de Ouro]]></category>

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DA SÉRIE: EU AMO O MAURÍCIO DE SOUZA
Minha mãe (que Papai-do-Céu a conserve) era professora, motivo pelo qual tive o imenso privilégio de ser alfabetizada em casa. Aprendi a ler aos quatro anos de idade e como estratégias e subterfúgios para criar um pequeno monstrinho viciado em leitura minha mãe não tinha dó: do pescoço [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/09/t-turma.jpg" alt="" /></p>
<p><big><strong>DA SÉRIE: EU AMO O MAURÍCIO DE SOUZA</strong></big></p>
<p>Minha mãe (que Papai-do-Céu a conserve) era professora, motivo pelo qual tive o imenso privilégio de ser alfabetizada em casa. Aprendi a ler aos quatro anos de idade e como estratégias e subterfúgios para criar um pequeno monstrinho viciado em leitura minha mãe não tinha dó: do pescoço pra baixo era canela mesmo. Ela simplesmente apelava para Histórias em Quadrinhos (HQs).</p>
<p>Daí que ela não só me alfabetizou com quadrinhos, mas continuou assinando quadrinhos para mim até a sua morte (há nove anos). E as revistinhas em questão eram de <strong>Maurício de Sousa</strong> e sua trupe da <strong>Turma da Mônica</strong>. Ainda as compro quando posso, porque a sensação que me toma de assalto quando eu folheio as páginas é sempre de memória de infância: cheiro de mãe, de bolo de laranja, de panela de brigadeiro ainda quente, das fantasias que ela mesma costurava, dos discos de historinhas infantis contadas em vinil, dos livros, livros e milhares que livros que ela me deu, pois minha mãe sempre me deu livros de presente de aniversário e de dia das crianças (mesmo quando eu já tinha 15 anos, eu ganhei um exemplar de <em>Estorvo</em>, de <strong>Chico Buarque</strong>, recém-laçado).</p>
<p>Quando eu era já adolescente e até mesmo adulta, as revistinhas se tornaram motivo de briga quase judicial porque minha mãe, não-satisfeita com o meu vício de leitura, surrupiava na surdina boa parte das revistinhas mais antigas para doar aos meus primos menores, que estavam em fase de alfabetização e, portanto, provocava mais uma geração de viciados em quadrinhos e em <strong>Maurício de Sousa</strong>. Me lembro com saudades das discussões por causa destas pequenas subtrações semi-consentidas em prol de um bem maior.</p>
<p>Bom, eu já disse aqui que só tenho um irmão e que ele mora na China? Disse não? Pois é. Mora em <strong>Xangai</strong> com minha cunhada, que por acaso trabalha no consulado brasileiro. Recebi deles hoje um pacote que me deixou muito alegre e que fez de mim uma criança feliz de novo. <strong>Maurício de Sousa</strong> foi convidado pelo Governo Brasileiro a fazer uma edição especial da <strong>Turma da Mônica</strong> em Chinês para as crianças brasileiras que estão sendo criadas lá.</p>
<p>Minha cunhada coordenou este trabalho e eis o presente: recebi não apenas a revistinha, mas um DVD com curtas-metragens da turminha e a cereja do chantily: um postal do Maurício de Souza. Assinado pelo Maurício de Souza. Para mim!</p>
<p>Achou pouco? Ele ainda desenhou uma Magali com um balãozinho sobre a cabeça no qual, simpática, diz <em>Olá, RMRO</em>.</p>
<p>Tudo voltou à minha memória naquele momento: as mãos sempre secas da minha mãe, o barulho da máquina de costura, o cheiro de chuchus empanados, o sabonete <strong>Alma de Flores</strong>, os batons cor de café, as gemadas e fígados acebolados que sempre me recusei a ingerir, as unhas sempre cuidadas, os cabelos semi-grisalhos, as tapiocas irretocáveis, as tartarugas que ela gostava de criar, as suas plantas muito vivas, um livro sempre debaixo do braço, das canções de ninar, de sua risadinha tímida e de sua ingenuidade aconchegante.</p>
<p>Eu ainda sou uma leitora voraz. Ainda sinto saudades da minha mãe. O postal de <strong>Maurício de Sousa</strong> fez de mim de novo aquela criança feliz, naquele período em que a gente se sente amada incondicionalmente, independente de todas as asneiras que porventura a gente possa cometer nesta vida besta. Quando a gente ainda tem mãe. Eu ainda tenho livros ao lado da cabeceira. E várias revistinha da <strong>Turma da Mônica</strong>. São meus lenitivos nas noites de insônia. Quem disse que não posso ser criança aos 32?<br />
<small>— —<br />
[+] A <strong>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</strong> é o pseudônimo de uma jornalista pernambucana. Toda semana, escreve nesta coluna, crônicas de desabores, desencantos e memórias.</small></p>

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		<title>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro: Da Série - Professores estranhos</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Aug 2008 14:08:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[Rainha do Maracatu Roubada de Ouro]]></category>

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		<description><![CDATA[
Da Série: professores estranhos&#8230;
&#8230;e atire a primeira pedra quem nunca teve pelo menos um deles. Dia desses estávamos comentando aqui no trabalho sobre uma aula bizarra: segue reprodução de diálogo:
Professora: O que é uma pérola?
Alunos: Uma jóia? Uma esfera? Um círculo de nácar?
Após várias tentativas fracassadas de respostas, segue a professora:
Professora: NÃO!!!! A PÉROLA É [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/08/doris-day-teachers-pet3.jpg" alt="" /></p>
<p><strong>Da Série: professores estranhos&#8230;</strong></p>
<p>&#8230;e atire a primeira pedra quem nunca teve pelo menos um deles. Dia desses estávamos comentando aqui no trabalho sobre uma aula bizarra: segue reprodução de diálogo:</p>
<p>Professora: <em>O que é uma pérola?</em><br />
Alunos: <em>Uma jóia? Uma esfera? Um círculo de nácar?</em></p>
<p>Após várias tentativas fracassadas de respostas, segue a professora:</p>
<p>Professora: <strong><em>NÃO!!!! A PÉROLA É O CÂNCER DA OSTRA!!!!</em></strong> (gritando, tá?)</p>
<p>Ok. Entendeu?<br />
Reza a lenda que a mesa professora ministra uma disciplina que se chama &#8216;Quebrando cristais 3&#8242;. Não tenho a mínima do que se trata.<br />
Meus colegas de trabalho, por exemplo, estão às voltas com uma disciplina de jornalismo para o terceiro setor. Seguem as opções dadas pela professora para a nota final:</p>
<ol>
<li>
<ol>
<li> Estagiar – voluntariamente e de forma não-remunerada – para uma ONG</li>
<li>Fazer um programa de rádio na comunidade Quilombola de Conceição das Crioulas. Sabe não onde é? Salgueiro, filhote. A apenas 516 km do Recife</li>
<li>Cobrir – durante sexta, sábado e domingo – um seminário sobre políticas de comunicação solidária</li>
</ol>
</li>
</ol>
<p>Bonitinha ela, né?</p>
<p><strong>Da série: porque eu adoro propaganda política</strong></p>
<p>&#8216;Wilson do Celular&#8217;, &#8216;Pedro Borracheiro&#8217;, &#8216;Gorda&#8217;. Onde mais você vai poder ter a ocasião de ver pessoas dessa envergadura debatendo política na TV? Fenomenal!</p>
<p><strong>Da série: eu adoro os comentários do Recife Rock</strong></p>
<p>Por quê? Onde mais você vai encontrar tanta gente revoltada com as críticas do pobre do Hugo Montarroyos? Gente, quando ele fala sobre <a href="http://www.revistaogrito.com/page/assunto/joao-do-morro/">João do Morro</a>, então é um Deus nos Acuda. Alguém aí leu a entrevista exclusiva que ele conseguiu com Gutie (Leia-se: o homem por trás da Cordel do Fogo Encantado e BNegão) em que ele afirma pela primeira vez que será empresário de João do Morro? Os comentários valem todas as risadas. Hugo querido, confiamos em você.</p>
<p>(<a href="http://www.reciferock.com.br/2008/08/18/entrevista-gutie-2/" target="_blank">http://www.reciferock.com.br/2008/08/18/entrevista-gutie-2/</a>)<br />
<small>— —<br />
[+] A <strong>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</strong> é o pseudônimo de uma jornalista pernambucana. Toda semana, escreve nesta coluna, crônicas de desabores, desencantos e memórias.</small></p>

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		<title>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro: Eu não sou indie&#8230;</title>
		<link>http://www.revistaogrito.com/page/11/08/2008/rainha-do-maracatu-roubada-de-ouro-eu-nao-sou-indie/</link>
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		<pubDate>Mon, 11 Aug 2008 05:34:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[Eddie]]></category>

		<category><![CDATA[Mombojó]]></category>

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		<category><![CDATA[Ratos de Porão]]></category>

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		<description><![CDATA[
One Night Only
Também nem queria. Em uma looooonga sessão de bate-papo com um primo muito querido e que é estudante de música na UFPE, vem a pergunta fatal:
- O que você acha da atual cena musical pernambucana?
Pronto! Agora deu! O que diachos eu, ‘jornalistinha de merda’ (entedeu não? Leia Um copo de cólera, de Raduan [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/08/one_night_only_377181a.jpg" alt="" /><br />
<sup><a href="http://www.myspace.com/onenightonlyonline" target="_blank">One Night Only</a></sup></p>
<p>Também nem queria. Em uma looooonga sessão de bate-papo com um primo muito querido e que é estudante de música na UFPE, vem a pergunta fatal:</p>
<p>- O que você acha da atual cena musical pernambucana?</p>
<p>Pronto! Agora deu! O que diachos eu, ‘jornalistinha de merda’ (entedeu não? Leia <em>Um copo de cólera</em>, de <strong>Raduan Nassar</strong>, ignorante!) tenho a dizer sobre esse assunto?</p>
<p>Vamos lá. ‘Jornalistinha de Merda’ sempre é um título - no mínimo - curioso. Jornalista é formado em que mesmo? Em generalidades. Me apontem aí uns dez bons críticos musicais que tenham conhecimento teórico – não empírico, faz favor! – pra falar algo sobre o assunto.</p>
<p>Pois é. Eu também não tenho não. Mas como boa jornalistinha que sou, também sou ‘opiniosa’.</p>
<p>Tenho mais de 30 anos. O que, trocando em miúdos, significa que tive o prazer de desfrutar de uma efervescência cultural na Mauritzstadt da década de 1990, dos caranguejos com cérebro, do manguebeat, da manguetown.</p>
<p>Saudosismos à parte, eu sou de uma época em que o acesso à informação era algo muito difícil. Os discos que trocávamos com amigos eram raros, caros, preciosos. Geração MP3 nem sabe mais o nome das músicas porque esquece de conferir no visor. Eu sou do tempo do vinil, em que o encarte realmente fazia diferença, da época em que disco trazia música em dois lados: A e B.</p>
<p>Hoje é tudo simples, pasteurizado. Gostou? Baixa na rede. Entretanto, acho que a gente corre o risco de enfrentar o paradigma: há uma grande diferença entre ter acesso à informação e saber analisar a informação. Acho que as gerações que se sucederam, sobretudo as alfabetizadas digitalmente, sequer ouviram falar em Enciclopédia ou são muito adeptos a bibliotecas. Essa é a geração Indie.</p>
<p>Pronto. Explicado este preâmbulo, voltemos à questão.</p>
<p>Me lembro assim, meio vagamente, que nos últimos anos me impressionei com algumas coisas. Poucas. Mas aí vou logo avisar: eu, pessoa física, gosto de coisas mais serenas. Já fui mulher pirata e já dei a minha cota de <strong>Ratos do Porão</strong>, hoje busco coisas que digam mais à minha alma do que à minha atitude. Vez por outra, me dou licença poética de buscar diversão sem compromisso.</p>
<p>Destas poucas coisas com as quais me impressionei na cena local algumas foram: <strong>Sa Grama</strong>, <strong>A Roda</strong>, <strong>Mombojó</strong>, <strong>Projeto Areia</strong> (difícil, heim amigo? Tivo que comprar um CD em Brasília porque não encontrei aqui). Gosto da alegria irreverente da <strong>Academia da Berlinda</strong>. Adoro o <em>Original Olinda Style</em> da <strong>Eddie</strong>, mas essa nem conta porque eu me lembro de ter ido a show da Eddie lá pelos idos de 1994 ou algo que o valha.</p>
<p>Vamos lá: ignorante que sou, o que me chega aos ouvidos pelo que tenho lido nos meios de comunicação me leva a crer que não sei o que se tem feito na cidade além da fórmula ‘Indie X galera de Olinda’. Sinto falta de mais discussões, sinto falta de ver sons diferenciados ou talvez estes não tenham tido muito acesso à mídia recentemente.</p>
<p>Tudo isso para responder à pergunta do meu primo:</p>
<p>- Não sei.</p>
<p>Ele, aliás, tem uma banda de chorinho autoral que se chama Executados no Cabaré. Muito boa, aliás, com formação de cinco estudantes de bacharelado/ licenciatura da UFPE que interpretam sambas de ‘varanda’ e até frevinhos gostosos. Quando a demo estiver pronta eu conto pra vocês. Por ora, podem ser conferidos aos domingos no Bar Nosso Canto, a partir das 12h, na Estrada do Arraial.</p>
<p>E você, tem alguma dica pra mim? Só não vale indie, ok?</p>
<p><small>— —<br />
[+] A <strong>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</strong> é o pseudônimo de uma jornalista pernambucana. Toda semana, escreve nesta coluna, crônicas de desabores, desencantos e memórias.</small></p>

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		<title>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro: Apoio a João do Morro</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Aug 2008 05:17:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Rainha do Maracatu Roubada de Ouro]]></category>

		<category><![CDATA[João do Morro]]></category>

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A última semana foi meio agitada. Além do corre-corre do trabalho, a gente se deparou aqui com uma notícia de viés que envolveu diretamente a Revista O Grito! e – como coluna é algo opinativo e pessoal – queria dizer das minhas impressões sobre a polêmica de João do Morro que saiu na imprensa nos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/08/joao-do-morro-gay-flag.jpg" alt="" /></p>
<p>A última semana foi meio agitada. Além do corre-corre do trabalho, a gente se deparou aqui com uma notícia de viés que <a href="http://www.revistaogrito.com/page/24/07/2008/joao-do-morro-cantara-na-parada-gay-do-recife/">envolveu diretamente</a> a <strong>Revista O Grito!</strong> e – como coluna é algo opinativo e pessoal – queria dizer das minhas impressões sobre a polêmica de <a href="http://myspace.com/joaodomorro">João do Morro</a> que saiu na imprensa nos últimos dias.</p>
<p>Foi assim: <strong>O Grito!</strong> publicou, em primeira mão, que João estaria sendo cotado para tocar na Parada Gay. Uma entidade atuante em torno de causas envolvendo pessoal GLBT ameaçou entrar com uma denúncia junto ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) por ‘homofobia’. O assunto rendeu, rendeu, rendeu e nossa pauta foi parar até no <a href="http://jc.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2008/08/01/joao_do_morro_sera_denunciado_ao_ministerio_publico_nesta_sexta-feira_23359.php" target="_blank"><strong>Blog do Jamildo</strong></a> e, por conseguinte, o assunto foi parar no porgrama de tevê <strong>Cardinot </strong>(TV Jornal/SBT, do Recife).</p>
<p>Homofobia? Pára o mundo que eu quero descer! Eu realmente nunca enxerguei no trabalho de João do Morro nada mais do que uma crônica social despachada e bem-humorada no melhor estilo ‘divertimento puro ou seu dinheiro de volta’. Para meu espanto, a música questionada é justamente <em>Papa-frango</em> o hit mais pedido do repertório de um artista que, em sua legião de fãs, possui vários gays, também freqüentes em seu círculo de amizade pessoal.</p>
<p>Nós, que fazemos <strong>O Grito!</strong>, nos sentimos solidários a João do Morro. E, entendam, somos absolutamente simpatizantes a quaisquer causas em defesa da vida humana. Mas acusar <a href="http://www.revistaogrito.com/page/assunto/joao-do-morro/">João do Morro</a> de &#8216;incitação à violência’ foi além do que minha parca inteligência pode alcançar. Eu não consigo enxergar essa violência. Está aquém daquilo que eu consigo ler e testemunhar como violência diária nos meios de comunicação, nas conversas de amigos.</p>
<p>Infelizmente, como moradora do Recife, tive a infelicidade de perder pessoas muito queridas em homicídios. Alguns gays. Outros não. Nenhum deles envolvido com práticas criminosas, mas absolutamente todos almas maravilhosas perdidas em meio a furtos mal-sucedidos. Absolutamente nenhum deles por ‘incitação à violência’ através de uma música.</p>
<p>Parafraseando um amigo (gay, diga-se de passagem), todo esse episódio nos leva a pensar que o mundo do ‘politicamente correto’ termina por levar certas pessoas a conclusões que – se não equivocadas –, no mínimo, precipitadas. Falamos com João várias vezes ao longo da semana e só encontrávamos um homem abatido, deprimido e sem ânimo.</p>
<p>É como, se o mundo do politicamente correto, evitasse todo e qualquer tipo de manifestação de forma ostensivamente preventiva sem sequer checar o seu conteúdo. Vamos caçar as bruxas? Por que, então, o excelente trabalho de Jeison Wallace e toda a sua trupe jamais foi questionado? Até onde me consta, também é humor.</p>
<p>Segundo João, ele jamais teve a intenção de magoar ou ferir alguém com seu trabalho e, se o fez, lamenta. Mas também lamenta o fato de não ter sido procurado pela ONG em questão. Caso houvesse uma conversa franca, o assunto não precisava de tanta encenação, tanto jogo de cena, tanto circo invisível ou ainda ameaças veladas: “Já conseguimos que uma igreja tivesse que se mudar, quanto mais com um cantor&#8230;” (sic).</p>
<p>Tudo isso pra dizer que eu, especificamente, fiquei triste. Respeito os direitos individuais, e este texto não é uma apologia a qualquer coisa que fira o bem-estar de qualquer cidadão. Mais uma vez, eu recomendo: vá ao show de João do Morro. É uma Ivete Sangalo de calças. Esbanja carisma e seu único propósito é divertir a platéia. Eu continuarei a ir. Com <em>Papa-frango</em> ou não.</p>
<p><small>— —<br />
[+] A <strong>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</strong> é o pseudônimo de uma jornalista pernambucana. Toda semana, escreve nesta coluna, crônicas de desabores, desencantos e memórias.</small></p>

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		<item>
		<title>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro: Rapidinhas e bizarrices</title>
		<link>http://www.revistaogrito.com/page/28/07/2008/rainha-do-maracatu-roubada-de-ouro-rapidinhas-e-bizarrices/</link>
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		<pubDate>Mon, 28 Jul 2008 04:03:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Rainha do Maracatu Roubada de Ouro]]></category>

		<category><![CDATA[Amy Winehouse]]></category>

		<category><![CDATA[Paris Hilton]]></category>

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		<description><![CDATA[
Da série: os piores empregos do mundo

 Masturbador de animais para inseminação artificial
Segurança de Amy Winehouse
Assessor de imprensa de Paris Hilton

Da série: pérolas da Internet

 Anti-Social Clube – Como assim? Que B’shah é essa?
Dona Solange, A gaga de Ilhéus

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=3_XuQWCdOog[/youtube]

Marla de Queiroz - Ela existe de verdade, heim?

Da série: O mundo é muito estranho
Dá pra me [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/07/masturbator.jpg" alt="" /></p>
<p><strong>Da série: os piores empregos do mundo</strong></p>
<ul>
<li> Masturbador de animais para inseminação artificial</li>
<li>Segurança de Amy Winehouse</li>
<li>Assessor de imprensa de Paris Hilton</li>
</ul>
<p><strong>Da série: pérolas da Internet</strong></p>
<ul>
<li> <a href="http://antisocialclube.wordpress.com/" target="_blank" class="broken_link">Anti-Social Clube</a> – Como assim? Que B’shah é essa?</li>
<li>Dona Solange, A gaga de Ilhéus</li>
</ul>
<p>[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=3_XuQWCdOog[/youtube]</p>
<ul>
<li><a href="http://www.doidademarluquices.blogspot.com/" target="_blank">Marla de Queiroz</a> - Ela existe de verdade, heim?</li>
</ul>
<p><strong>Da série: O mundo é muito estranho<br />
</strong>Dá pra me explicar o que é isto?</p>
<p>[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=P8mlqsDYpFk[/youtube]<br />
<span style="color: white;">.</span></p>
<hr size="1" /><span style="color: white;">.</span></p>
<div>[+] A <strong>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro </strong> é o pseudônimo de uma jornalista pernambucana. Toda semana, escreve nesta coluna, crônicas de desabores, desencantos e memórias.<br />
<a href="mailto:rainha@revistaogrito.com">rainhal@revistaogrito.com</a> | Leia as <a href="http://www.revistaogrito.com/page/sessao/colunas/rainha/">colunas anteriores</a></div>

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		<item>
		<title>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro: Leila Lopes e a indústria pornográfica</title>
		<link>http://www.revistaogrito.com/page/09/07/2008/rainha-do-maracatu-roubada-de-ouro-leila-lopes-e-a-industria-pornografica/</link>
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		<pubDate>Wed, 09 Jul 2008 16:34:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Rainha do Maracatu Roubada de Ouro]]></category>

		<category><![CDATA[Gretchen]]></category>

		<category><![CDATA[Leila Lopes]]></category>

		<category><![CDATA[Rita Cadillac]]></category>

		<category><![CDATA[Rocco Sifreddi]]></category>

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.
Fiquei absolutamente indócil ao descobrir que a ex-atriz global Leila Lopes seria a mais nova estrela da Brasileirinhas. Aliás, essa grande sacada da produtora pornô em associar seus produtos a nomes de peso como Alexandre Frota, Mateus Carrieri, Gretchen e até mesmo a mais turbinada das chacretes, Rita Cadillac é um verdadeiro assombro. Atire a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div align="center"><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/07/leila.jpg"/></div>
<p><font color="white">.</font><br />
Fiquei absolutamente indócil ao descobrir que a ex-atriz global <strong>Leila Lopes</strong> seria a mais nova estrela da Brasileirinhas. Aliás, essa grande sacada da produtora pornô em associar seus produtos a nomes de peso como <strong>Alexandre Frota</strong>, <strong>Mateus Carrieri</strong>, <strong>Gretchen</strong> e até mesmo a mais turbinada das chacretes, Rita Cadillac é um verdadeiro assombro. Atire a primeira pedra quem ainda não assistiu a algum dos filmes da empresa.</p>
<p>Deixa ver se eu me explico. Acho que só há dois tipos de pessoas: as que gostam de sexo e as que mentem. Com a indústria pornográfica a coisa funciona mais ou menos da mesma forma. Aliás, é um dos segmentos de mercado que vem crescendo vertiginosamente, conforme atesta uma reportagem da <strong><a href="http://portalimprensa.uol.com.br/revista/" target="_blank">Revista Imprensa</a></strong> (edição 214, de julho de 2006, pra ser mais precisa).</p>
<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/07/capa.jpg" align="right" />A matéria era focada na indústria editorial brasileira que veicula produção pornô. Sem citar nomes, a reportagem afirmava que todas as grandes editoras nacionais possuem, sim, uma linha neste segmento. Trocando em miúdos, a reportagem dizia que as revistas e produtos pornô eram iguais às filhas prostitutas: &#8216;São elas que botam dinheiro na mesa, mas nunca são assunto do jantar de família&#8217;.</p>
<p>Pois bem. Eu assisti aos filmes do Alexandre Frota. Ele nasceu pra isso! Não sei como perdeu tanto tempo tentando ser um galã sendo aquele cafuçu-orangotando-com-cara-de-peguéte. Um verdadeiro ‘ixpetáculo’ em cena. Praticamente um Rocco Sifreddi debaixo do Equador (e não existe pecado deste lado, diz a lenda). E se você NUNCA viu um filme de Rocco Sifreddi eu ouso dizer: ou não gosta de sexo ou nunca viu um pornô de verdade na vida. O cara é o que há! Seguindo a maratona de famosos no segmento: Mateus Carrieri (três filmes aos quais ainda não assisti), Rita Cadillac (também não assisti) e Gretchen. Ah, a Gretchen&#8230; Tsc-tsc-tsc&#8230; Uma verdadeira bomba o filme: além da performance pífia, a anatomia da ex-rainha do <em>freak le boom boom</em> não ajuda. Haja lipo, silicone e cicatriz de milhares de plásticas (que as câmeras, numa tentativa hercúlea, tentam esconder).</p>
<div align="center"><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/07/leila-e-bazuca.jpg" title="Carlos Bazuca e Leila Lopes (Foto: Divulgação)"/><br />
<sup>Carlos Bazuca (conhecido pelo slogan: 22 cm de puro prazer) e Leila Lopes na festa de lançamento do primeiro longa erótico, Pecados &amp; Tenações, no bar da Brahma</sup></div>
<p><font color="white">.</font><br />
Bom, voltemos à saga da Leila Lopes. Depois do anúncio na rede, ficamos eu e meus colegas de trabalho todos à cata de um bom DVD pirata. Nada no e-mule. Procuramos em todos os piratões de Recife: nada. Tirei uma semana de folga no Rio de Janeiro: nada. Fui à Bsb (Brasília) a trabalho por mais quatro dias e corri à Feira do Paraguai para tentar descolar o filminho: nada. Bom, eis que – esta semana – conseguimos baixar o danadinho pela rede. 1:30h de filme (o que é um filme longo para o gênero), e apenas três performances, duas delas de Leila e Mr. Bazuca (22 cm de instrumento). Achei meia boca. O figurino é lindo, o povo é lindo, tentativa de filme pornô francês. Mas a Leila&#8230;bom, fiquem à vontade para suas próprias conclusões. Antes fosse um pornô francês de fato. Estes sim, são os melhores.</p>

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</ul>

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		<item>
		<title>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro: Diversão de pobre é mesmo a praia</title>
		<link>http://www.revistaogrito.com/page/30/06/2008/rainha-do-maracatu-roubada-de-ouro-diversao-de-pobre-e-mesmo-a-praia/</link>
		<comments>http://www.revistaogrito.com/page/30/06/2008/rainha-do-maracatu-roubada-de-ouro-diversao-de-pobre-e-mesmo-a-praia/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 30 Jun 2008 17:14:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Rainha do Maracatu Roubada de Ouro]]></category>

		<category><![CDATA[João do Morro]]></category>

		<category><![CDATA[Tropa de Elite]]></category>

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		<description><![CDATA[
E olhe lá! Resolvi tirar uma semana de folga após 3 anos e meio sem pausa de trabalho. Lisa que sou (quem manda resolver virar &#8216;jornalistinha de merda&#8217;? Antes tivesse feito um curso de administração!), resolvi pegar um vôo pro Rio de Janeiro, que continua lindo e visitar uma amiga queridíssima que se mudou pra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/06/12_mhg_extra_praia.jpg" alt="" /></p>
<p>E olhe lá! Resolvi tirar uma semana de folga após 3 anos e meio sem pausa de trabalho. Lisa que sou (quem manda resolver virar &#8216;jornalistinha de merda&#8217;? Antes tivesse feito um curso de administração!), resolvi pegar um vôo pro Rio de Janeiro, que continua lindo e visitar uma amiga queridíssima que se mudou pra lá ano passado.</p>
<p>Vamos contar primeiro a saga do vôo. Avaliem um vôo Recife – Rio de Janeiro que dure 10 horas. Isso mesmo: DEZ infindáveis horas.</p>
<p>Como?</p>
<p>Assim: Recife, com escalas em Brasília, Campo Grande, Cuiabá e Curitiba (!?) para, só então, chegar ao Rio de Janeiro.</p>
<p>Pois é. Pelos módicos R$ 330,00 ida e volta, não tenho nem direito de reclamar. Pelo menos serviram sanduíches no vôo o que, em dias de hoje, é um luxo.</p>
<p>Como não sou besta nem nada, tomei um Rivotrill e dormi linda. É exigir demais de uma jornalista – e fumante! – que eu fique parada e sentada por dez consecutivas longas horas. Não há palavras cruzadas que cheguem!</p>
<p>Ok. Chegando ao Rio, nada de Cristo Redentor, de bondinho da Lapa ou do Morro da Urca. Preferi um samba da Rua do Ouvidor (a cada 15 dias, aos sábados à tarde e &#8216;de grátis&#8217;, no centrão da cidade) e uma boa e velha praia do Leme.</p>
<p>Aliás, a praia do Leme é um &#8216;must&#8217;. As pessoas têm celulite e tomam cerveja Itaipava. Levam cães pra areia e adoram conversar com estranhos. Abaixo Copacabana e os corpos sarados, gente bonita em clima de paquera naquele click descontraído. Salve o Leme e o espetinho de rua, a tapioca da esquina e as depilações de sombrancelhas feitas com cera.</p>
<p>Fiz amizade com o barraqueiro. Aliás, barraqueiro bom é um luxo. O do pedaço em questão – o Oliveira – foi garçom a vida inteira e resolveu se aposentar olhando pro mar. Além da cerveja gelada, disponibiliza um chuveirão improvisado de bomba a motor e ainda dá de graça a saideira. Melhor do que isso só ter dinheiro pra beber Itaipava até cair.</p>
<p>Ok. Pra não dizer que não fiz nenhum outro programa fui à gafieira do <a href="http://www.lanalapa.com.br/estabelecimentoDetalhe.asp?qiNuEstab=11" target="_blank">Clube Democráticos</a>, na Lapa. Entretanto, a alegria das curtas férias foi mesmo programa de pobre: praia.</p>
<p>Vamos lá: paga-se pelo aluguel da cadeira (R$ 2,00) e do guarda-sol (R$ 2,00). A cerveja custa R$ 2,00. Mas ainda é mais barato e relaxante do que tomar um chopp na Cinelândia (R$ 3,40!) ou no boteco da esquina (nenhum chopp no RJ custa menos do que R$ 3,00, socorro!). Tive até coragem de entrar no mar – o que, para mim, é um feito. Paraense da gema, já acho o mar de Boa Viagem gelado, avalia só!</p>
<p>Como eu não presto pra nada mesmo, ainda disseminei João do Morro em terras cariocas (conhece inda <a href="http://www.myspace.com/joaodomorro" target="_blank">não?</a>). Levei a bolachinha do moço, que foi a verdadeira sensação com as jornalistas de ocasião que, aliás, são super fãs de outra banda menos ortodoxa ainda: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=nLDAI375T5A" target="_blank">Tanga de Sereia</a>.</p>
<p>Tive direito até a tiroteio, menino! Leia-se morros do Chapéu Mangueira (que fica atrás da casa da minha amiga) e Babilônia (também nessas bandas e que é alvo do filme <em>Tropa de Elite</em>). Só faltou mesmo foi ver o Wagner Moura vestido de fantasia sexual (leia-se Capitão Nascimento). Em compensação, os bofes do BOPE que montaram guarda na rua (considerada rota de fuga) durante um dia inteiro eram um verdadeiro ‘ixpetáculo’. Praticamente incomensuráveis.</p>
<p>Pois é. O Rio de Janeiro continua lindo. E eu, lisa. Divertimento de pobre é mesmo a praia, mais democrático dos espaços em território nacional. De norte a sul.</p>
<hr size="1" /><span style="color: white;">.</span></p>
<div>[+] A <strong>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro </strong> é o pseudônimo de uma jornalista pernambucana. Toda semana, escreve nesta coluna, crônicas de desabores, desencantos e memórias.<br />
<a href="mailto:rainha@revistaogrito.com">rainhal@revistaogrito.com</a>.</div>
<p><span style="color: white;">.</span><br />
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		</item>
		<item>
		<title>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro: Eu sei que não devia&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Jun 2008 23:15:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Rainha do Maracatu Roubada de Ouro]]></category>

		<category><![CDATA[João do Morro]]></category>

		<category><![CDATA[Lula Queiroga]]></category>

		<category><![CDATA[Quanta Ladeira]]></category>

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		<description><![CDATA[
Eu sei que eu não devia&#8230;
Contar! Mas eu vou! (Nunca fui moça obediente mesmo&#8230;) 
Entre algumas experiências inesquecíveis na minha vida tenho algumas pérolas das quais me orgulho. Umas foram dias felizes e intensos. Outros, micos memoráveis. Aliás, costumo dizer que sou a rainha das gafes (daí a alcunha Maracatu Roubada de Ouro). Quer ver?
Da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/06/coluna-rainhadomaracaturoubadadeoutro-vergonha.jpg"/></p>
<p>Eu sei que eu não devia&#8230;</p>
<p>Contar! Mas eu vou! (Nunca fui moça obediente mesmo&#8230;) </p>
<p>Entre algumas experiências inesquecíveis na minha vida tenho algumas pérolas das quais me orgulho. Umas foram dias felizes e intensos. Outros, micos memoráveis. Aliás, costumo dizer que sou a rainha das gafes (daí a alcunha Maracatu Roubada de Ouro). Quer ver?</p>
<p>Da Série: Quantas pessoas você conhece que&#8230;.</p>
<p><strong>1. &#8230;Ganham, de presente surpresa de aniversário, um fogão?</strong></p>
<p>Pois bem. Neste meu aniversário de 2008, eu ganhei não apenas UM fogão, mas DOIS fogões de aniversário. Um do meu pai e outro dos meus amigos. </p>
<p>Coincidência das coincidências, os dois eram brancos. Um Esmaltec 6 bocas. Outro Brastemp 4 bocas. Pra quem cozinhava em praticamente uma boca só (era só o que funcionava do meu fogão anterior), fiquei passada por ter 10 bocas pra escolher. </p>
<p><strong>2. &#8230; usufruem de um mini Quanta Ladeira de presente plus de aniversário?</strong></p>
<p>Eu tive. Neste mesmo aniversário em que ganhei dois fogões, havia uma banda de chorinho e Lula Queiroga no mesmo ambiente. Não podia dar outra, né?</p>
<p><strong>3. &#8230; brincam o carnaval com o próprio ginecologista?</strong></p>
<p>Essa é ruim de explicar, heim? Mas é a mais pura verdade. O melhor de tudo foi o primeiro carnaval que brincamos juntos. Boa aquariana que sou, ganhei uma festinha surpresa de aniversário na qual ele estava presente e que me prepararam um bolo de chocolate cuja vela tinha 18 cm e era vermelha&#8230;.nem te digo qual o formato, tá?</p>
<p><strong>4&#8230; almoçaram com o então ministro da Justiça Renan Calheiros?</strong></p>
<p>Horror, horror, quase tão difícil de explicar quanto o brincar carnaval com o ginecologista. Aviso logo que foi a trabalho. E lá pelos idos de 1997.</p>
<p><strong>5&#8230; Saíram pra tomar uma cervejinha básica em Caruaru e terminaram saltando de pára-quedas?</strong></p>
<p>Pois é. Coisas da vida. Ganhei de presente de dia das crianças aos meus 26 aninhos. De sopetão.</p>
<p><strong>6&#8230; dividiram apartamento com dois policiais?</strong></p>
<p>Vá lá. Da Polícia Rodoviária Federal. Gaúchos. Intraduzível, né?</p>
<p><strong>7&#8230;foram ser cumprimentadas à mesa por João do Morro?</strong></p>
<p>Eu fui. Não devia contar, mas dia desses fui ver um show dele no 100% Brasil. Um amigo foi avisá-lo que eu estava na mesa. Ele sabia que eu tinha dado a dica do som dele pra Folha de Pernambuco. Não só foi me conhecer como mencionou meu nome em pleno show. Como diria um amigo aqui do grito “A-H-A-Z-Ô”!</p>
<p>Mais mil outros maracatus roubada de ouro pra contar: meu único irmão mora em Xangai; eu falo com cachorros sem dono no meio da rua; já beijei boca de homem comprometido e depois me comprometi com ele; enfim&#8230;.deixemos pra outras colunas, outros dias, outras risadas.</p>
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<font color="white">.</font></p>
<div align="justify">[+] A <strong>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro </strong>  é o pseudônimo de uma jornalista pernambucana. Toda semana, escreve nesta coluna, crônicas de desabores, desencantos e memórias.<br />
<a href="mailto:rainha@revistaogrito.com">rainhal@revistaogrito.com</a>.</div>
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		<title>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro: Futebol é terapia do povo</title>
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		<pubDate>Mon, 26 May 2008 03:23:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[Rainha do Maracatu Roubada de Ouro]]></category>

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		<category><![CDATA[Copa 94]]></category>

		<category><![CDATA[Futebol]]></category>

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Há alguns anos, tive a minha primeira experiência de ir a uma partida de futebol in loco. Era um Clássico pernambucano, pois há 11 anos as equipes do Sport e Santa Cruz não se cruzavam num campeonato brasileiro. Estranho isso de ir a um grande clássico. Ainda mais quando jamais se pôs os pés num [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/05/spxsa6.jpg" alt="Foto: Divulgação" /></p>
<p>Há alguns anos, tive a minha primeira experiência de ir a uma partida de futebol <em>in loco</em>. Era um Clássico pernambucano, pois há 11 anos as equipes do Sport e Santa Cruz não se cruzavam num campeonato brasileiro. Estranho isso de ir a um grande clássico. Ainda mais quando jamais se pôs os pés num estádio, campo, arquibancada ou geral. Vamos lá.</p>
<p><big><strong>Do Estádio<br />
Arruda – um monumento ao sofrimento</strong></big><br />
Torcedor do Santa Cruz é sofredor-nato. Há anos o time não sente o gostinho de ganhar um campeonato estadual. Em compensação, o Estádio que sedia o clube – o Arrudão – é motivo de orgulho para qualquer torcida por seu gramado e instalações. Lembrando: a seleção canarinha, quando disputou uma das eliminatórias da Copa de 94 no estádio, prometeu ao público pernambucano que Recife seria a primeira cidade onde a seleção pisaria se trouxesse a taça. E trouxe.<br />
No dia do clássico, havia 49.000 pessoas no Arruda. Nas ruas, torcedores fanáticos, fantasiados, vibrantes; espalhavam-se pela cidade. Bares, restaurantes ou casa de amigos; todo lugar é lugar desde que se assista ao jogo e tenha cerveja – gelada, óbvio!</p>
<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/05/16.jpg" align="right"/><big><strong>Torcida – o 12º jogador</strong></big><br />
O estádio é e sempre será o palco da democracia. De vendedor de picolé a governador de Estado, tudo se encontra. Na partida em questão, por exemplo, foram registradas as presenças do governador, prefeito e seus respectivos vices. Deputados e vereadores, homens de trabalhos braçais e intelectuais, polícias militar e civil, ambulantes. Futebol é mesmo paixão. Pra lá de nacional.<br />
A torcedora mais entusiasmada, contudo, encontrei no banheiro feminino dos camarotes. Uma “Tia Maria” dessas; uma senhorinha com seus 70 e uns que ficava tomando conta do banheiro. Xingava juiz e jogador. Técnico e cartola. Dizia ela que trabalhava no estádio desde que ele foi inaugurado. Haja tempo! Imagina quanta adrenalina esta senhora já botou pra fora xingando a mãe do próximo!</p>
<p><big><strong>Dos Clássicos</strong></big><br />
Um Clássico sempre é uma aula de cultura popular.<br />
Sim! Porque não? Aprendi uns 15 palavrões que jamais havia ouvido, umas vinte canções de torcida organizada, vi umas 10 blusas diferentes de cada time, aprendi coreografias inusitadas, testemunhei fidelidade e evangelização de cada torcedor por seu time de devoção.<br />
Sim! Porque não? Porque futebol é evangelização! O “time do coração” sempre será o “time do coração”, não importando o credo, raça, técnico ou padrão social dos jogadores que compõem a equipe. O “time do coração” é escolha aleatória e emocional. Não porque é o melhor ou o pior. Não há racionalidade na emoção de ver o time no campo. Mas porque há identificação entre fã e equipe.<br />
O que explica o fator, não sei. Quem o souber que o diga. Mas que todo mundo sonha em ver a sua equipe levantar a taça – mundial, nacional, estadual, municipal, clube de quinta categoria, pelada com amigos – isso sonha! E isso é evangelização. Significa  “ter fé”. E a Fé se basta a si só: não precisa de nada ou ninguém. É uma sobrevivente.</p>
<p><big><strong>Futebol – uma Paixão<br />
De futebol e carnaval</strong></big><br />
Tive a oportunidade de descer ao campo antes da partida. Observei, perplexa, aquelas 49 mil pessoas que estendiam olhos e coração para o gramado onde eu me encontrava. Gritos, trombetas, palmas, baticum de bateria improvisada, manifestos apaixonados de raiva rodeavam o palco onde se desenrolariam as duas horas seguintes de jogo.</p>
<p>Só testemunhei emoção e comportamentos parecidos no carnaval de Olinda com suas cores inimagináveis e carrosséis de alegria. Impossível tentar descrever o que se passava nas escadarias, corredores repletos, gerais ou camarotes.</p>
<p><big><strong>Das conclusões</strong></big><br />
Ainda não cheguei a qualquer uma delas. Dias depois, fui a outro jogo. Desta vez, Sport X Gama. Apesar do público ser menor – 15.000 torcedores – poderia dizer que a partida foi mais emocionante que a primeira. Pelo menos do ponto de vista dos curiosos.<br />
Um jogador do Gama, irritado com o segundo gol feito contra seu time, acertou um chute em cheio em um jornalista que se encontrava à beira do gramado. O jornalista, enfezado do juízo, seguiu direto para a delegacia do estádio, onde prestou queixa contra o atleta.<br />
Em pleno segundo tempo, a polícia invade o gramado e começa uma corrida alucinada contra o jogador. O resultado não foi testemunhado pela multidão, pois polícia e fugitivo adentraram o vestiário mais do que às pressas. Nunca pensei, contudo, que iria testemunhar uma perseguição policial em pleno estádio. Achei que estas coisas só eram testemunhadas em reportagens policiais de mau gosto.</p>
<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/05/final.jpg" alt="Foto: Divulgação" /><br />
<big><strong>O Futebol é a terapia do Povo</strong></big><br />
Fica, contudo, a primeira impressão de uma marinheira de primeira viagem: o futebol é a terapia de grupo não a mais barata – porque o carnaval de Olinda é gratuito; mas espaço democrático permanente como forma de manifestação popular. Mexe com a Fé, promove a interação entre pessoas que jamais se viram. Todos sofrem juntos. Ou comemoram unidos. Infelizmente, contudo, fica o saldo de violência ao final de algumas partidas – uma forma de externar toda a insatisfação social contida ao longo do ano; ou melhor: tudo aquilo que acontece no intervalo entre as partidas de futebol e o “antes” e “depois” dos quatro dias de Momo.</p>
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<div align="justify">[+] A <strong>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro </strong>  é o pseudônimo de uma jornalista pernambucana. Toda semana, escreve nesta coluna, crônicas de desabores, desencantos e memórias.<br />
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		<title>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro: Sobre esporros e afins&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 19 May 2008 06:43:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Rainha do Maracatu Roubada de Ouro]]></category>

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		<description><![CDATA[
Você trabalha? Costuma levar o bom marmitão pro seu local de emprego? Lembra de levar os copos e pratos que usou? Coloca o lixo no lugar certo? Baixa a bosta da tampa de privada depois de um mijão? Convivência é uma coisa tão complexa quanto intimidade (e a intimidade é uma m&#8230;, concordo). O problema [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/05/5741517_833e092c38.jpg" alt="" /></p>
<p>Você trabalha? Costuma levar o bom marmitão pro seu local de emprego? Lembra de levar os copos e pratos que usou? Coloca o lixo no lugar certo? Baixa a bosta da tampa de privada depois de um mijão? Convivência é uma coisa tão complexa quanto intimidade (e a intimidade é uma m&#8230;, concordo). O problema é que no meu trabalho eu ando organizando um motim: eu simplesmente O-D-E-I-O levar esporro.</p>
<p>Vamos ser sinceros? Quem gosta de tomar esporro? Eu, ainda que esteja toda errada, completamente equivocada e melada de cocô até o ‘pau da venta’, não suporto. E ultimamente anda rolando uma patrulha ideológica por aqui que não é careta não. Essa semana minha paciência foi pro espaço depois de rolarem três esporros no mesmo dia sobre coisas com as quais eu não tinha absolutamente coisa alguma a ver. </p>
<p>Minha teoria reza a seguinte cartilha: não é O que se diz, mas COMO se diz. Diferença tola, pequena e básica. Não deu pra resistir. Passei um e-mail coletivo pra externar o desaforo que ficou entalado na garganta. </p>
<p>“Povos e povas</p>
<p>Para ajudar as colegas do departamento ao lado, que têm zelado pela nossa limpeza coletiva, gostaria de pedir mais uma vez a atenção de todos com os quesitos de convivência coletiva. Sei que ninguém tem intenção consciente de contribuir para a desordem natural de qualquer ambiente, mas seguem algumas considerações.</p>
<p><strong>Canecas</strong>: Canecas individuais estão sendo usadas por todos. Hoje, alguém usou a de coleguinha X e esqueceu de fazer a gentileza de não lavar.</p>
<p><strong>Comidas na geladeira</strong>: lembrar de livrar a geladeira de insumos que não serão mais utilizados. Se alguém trouxe o almoço ou brebotes comestíveis e não comeu por mais de 3 dias, é recomendável que o produto seja descartado. As bactérias agradecem pelo fato de se reintegrarem à natureza. Não contem com a nossa colega da faxina porque, como houve um desencontro de informação precedente acerca de retirada de comida sem autorização e pré-julgada velha na geladeira, ela não retira mais qualquer item de lá. </p>
<p><strong>Cestos de lixo</strong>: o cestinho verde, do corredor, é utilizado apenas para papel. Comidas, embalagem, sacos plásticos, guimbas de cigarro e afins no lixeiro amarelo do quintal, please!</p>
<p><strong>Pratos e talheres</strong> - esfregar os coitados com mais carinho, eles gostam! A fiscalização ainda detecta pratos lavados com restos de comida grudados.  </p>
<p><strong>Pia</strong> - antes de lavar os pratinhos e afins, lembrar de jogar os restos de comida no lixo. Em algumas situações, o resto de comida fica na pia. Só lembrando: a dieta da coitada prescreve apenas água e sabão. Quem gosta de resto de comida é barata, formiga, rato e lixeira, ok?</p>
<p><strong>Comida à mesa</strong>: lembrar de olhar se não caiu farelo, grãos ou algo no chão. Se comer um brebote que tenha embalagem, lembrar de jogar a embalagem no lixo. Ninguém é obrigado a comer feito princesa, mas quando se é um periquito, é de bom tom deixar o ambiente como encontrou, né?</p>
<p><strong>Cinzeiros</strong> - esvaziar os cinzeiros ao final do dia. </p>
<p>Resumindo: se cada um cuidar do que é seu, evitamos estas saias justas desnecessárias. Acho o e-mail mais eficaz neste sentido: cada um lê em silêncio e evita ser exposto de forma coletiva, ainda que ninguém seja acusado de coisa alguma.</p>
<p>Bom, acho que é isso. E acho chato também. Mas temos que cuidar com carinho do ambiente. Afinal, ele é nosso, né?</p>
<p>Me odeiem. Tô fazendo o papel uó que me cabe neste latifúndio. Ossos do orifício. </p>
<p>Beijos e queijos</p>
<p>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro (RMRO)”</p>
<p>Pronto, queridos. Eis o meu grande e pior segredo de todos. Quer me tirar do prumo? Me dê um esporro. Me tira do tempo bem mais rápido do que:<br />
a) gente que fura fila na maior cara dura;<br />
b) gente que acredita que pessoas ‘gordas’ vestem a partir de manequim 40;<br />
c) fila de casa lotérica;<br />
d) atraso de tudo: de vôo, do amigo que marcou uma cerveja, da entrega do disquinho que comprei pela Internet;<br />
e) gente que subestima a minha parca inteligência;<br />
f) gente metida a esperta e sabida que quer se dar bem sobre os cadáveres alheios;<br />
g) servidor público escorão e de má-vontade, que só não é pior do que o servidor público que é corrupto;<br />
i) gente preconceituosa, sobretudo em relação à orientação sexual alheia (socorro!);<br />
j) gente sem educação doméstica que não tem tato para juntar duas frases sem agredir alguém por perto;<br />
l) gente que gosta de falar comigo pegando em mim sem a minha autorização;<br />
m) garçons franceses, que – via de regra – são mal-criados;<br />
n) vento terral naquele final de semana que você achou que ia ser perfeito na praia;<br />
o) falta de luz durante o final de semana que você achou que ia ser perfeito na praia; p) vento terral e falta de luz concomitantemente naquele final de semana que você – apesar de tudo isso – achou que ia ser perfeito na praia;<br />
q) ter que conviver em qualquer ambiente (profissional, acadêmico ou não) com gente mau-caráter;<br />
r) gente que vai à sua casa sem ser convidado e NUNCA traz cerveja;<br />
s) gente boazinha demais que vive tomando na cabeça e não aprende;<br />
t) gente que não te chama pra tomar cerveja mas sempre bate na tua porta quando está deprimido e te faz de psicólogo de botequim;<br />
u) gente que pede o teu último cigarro da carteira;<br />
v) humor que degrada terceiros;<br />
w) gente que espalha estórias alheias;<br />
x)Café frio;<br />
y) cerveja quente;<br />
z) transa morna.</p>
<p>Viu só? Eu nem sou irritável ou irritadiça. É só ser uma pessoa estranhamente normalzinha que eu amo de cara. Mas pelamordedeus, esporro não!</p>
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		<pubDate>Tue, 13 May 2008 06:06:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

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		<category><![CDATA[João do Morro]]></category>

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		<description><![CDATA[
Foto: Flickr
RMRO vai à festinha VIP. A trabalho. Entende xongas de música eletrônica (a temática do baffon). É diurna (vira abóbora sempre às 2h da matina, seja ébria ou absolutamente sóbria). Não veste manequim 38. É avessa a badalações exclusivas.
Deu pra entender o deslocamento?
Deu não?
Eu era a única, mas ÚNICA mesmo, mulher de salto baixo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/05/268839319_8195f01e8f_o.jpg" alt="Foto retirada do Flickr (March F)" /><br />
<sup>Foto: <a href="http://flickr.com/photos/shered/">Flickr</a></sup></p>
<p>RMRO vai à festinha <strong>VIP</strong>. A trabalho. Entende xongas de música eletrônica (a temática do <em>baffon</em>). É diurna (vira abóbora sempre às 2h da matina, seja ébria ou absolutamente sóbria). Não veste manequim 38. É avessa a badalações exclusivas.</p>
<p>Deu pra entender o deslocamento?</p>
<p>Deu não?</p>
<p>Eu era a única, mas ÚNICA mesmo, mulher de salto baixo na festa. Quer dizer, a única sem salto algum. Não uso saltos por opção. Já os usei muito. Mulheres piratas são assim mesmo: umas continuam na luta, outras amadurecem e casam. Não que seja o meu caso. Adoro dizer que sou ‘amasiada’, pois jamais fui mulher pra casar. Não tenho vergonha alguma em assumir isso. Ou outro delito qualquer.</p>
<p>Aliás, eu prefiro ir ao show do João do Morro (se não sabe quem é, leia em colunas interiores, a de título ‘João do Morro’) e beber <em>Schincariol</em> quente a tomar <em>whisky</em> com energético ouvindo música eletrônica. Nada contra o <em>whisky</em>. Contra o <em>whisky</em> com energético vá lá, pois alguns deles têm gosto de ‘ki-suki’. Mas a música eletrônica é algo que – confesso – não faz a minha onda, a minha cabeça, a minha felicidade. E, parafraseando Lula Queiroga, felicidade não precisa de culpa.</p>
<p>Festa Estranha com Gente Esquisita. Não que eu prefira uma Festa da Lavadeira (se não conhece ainda, nem vá: lama + Schincariol quente + povo esquisitinho + chuva que Deus dá), mas essa coisa de mulher fina e fofa deixo para a colunista <a href="http://www.revistaogrito.com/page/sessao/colunas/valentina/">Valentina Finocchiaro</a>. Eu não sou uma <strong>Very Important Person (VIP)</strong>. Não faço questão de sê-la.</p>
<p>O pior não é nada. É quando te tratam feito um animal raro se você simplesmente não consegue atingir a ‘<em>vibe</em>’ da moçada. Fingi que era boa moça e tomei drinques à base de vodka com abacaxi. Balancei o corpinho na pista pra lá e pra cá no ritmo exigido (aliás, ‘ritmo’ não. Sonoridade, please!). Fiz o <em>networking</em> básico e, às 3h da matina (muito depois do meu horário habitual de virar abóbora) peguei o rumo de casa. </p>
<p>Consigo não, meu rei. Coisa de gente que acha que o melhor da vida é carnaval: festa para bravos ou insanos. Quer apostar?</p>
<p>Gostar de carnaval é praticar – ao longo de quatro dias – uma verdadeira maratona olímpica de exercícios que você passaria um ano inteiro para dar conta. Tudo isso sob o cálido sol de 40 graus Celsius. É dançar freneticamente ao som de um ritmo secular que só é executado durante as festas de momo e se esfregar na multidão que, assim como você, está fétida, lambuzada e suarenta, pra não dizer com catinga de macaco. É achar Olinda a coisa mais bela do mundo – ainda que cheire a mijo. É achar tudo isso maravilhoso enquanto pisa no xixi alheio e sobrecarrega o pobre do seu fígado com porres homéricos de qualquer coisa equivalente ou com grau etílico superior a 5,4%. </p>
<p>Tá vendo? Eu disse que não era uma <em>Very Important Person</em>. Eu prefiro a multidão.</p>
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<font color="white">.</font></p>
<div align="justify">[+] A <strong>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro </strong>  é o pseudônimo de uma jornalista pernambucana. Toda semana, escreve nesta coluna, crônicas de desabores, desencantos e memórias.<br />
<a href="mailto:rainha@revistaogrito.com">rainhal@revistaogrito.com</a>.</div>
<p><font color="white">.</font><br />
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		<title>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro: Da Infância em geral</title>
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		<pubDate>Mon, 05 May 2008 06:37:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>

		<category><![CDATA[Rainha do Maracatu Roubada de Ouro]]></category>

		<category><![CDATA[Barbie]]></category>

		<category><![CDATA[Monteiro Lobato]]></category>

		<category><![CDATA[Sítio do Pica-Pau Amarelo]]></category>

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De meninas e bonecas
Acredito que todos devem ter lembrança de algum presente de infância: pode ter sido aquele pião, o jogo de bolas de gude, uma boneca de trapo, um carrinho de madeira, uma bola de pelotão, não importa muito o quê. Fato nisso é que não fui muito dada a infâncias convencionais, daquelas em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/05/01.jpg" alt="Barbie" /></p>
<p><big><strong>De meninas e bonecas</strong></big></p>
<p>Acredito que todos devem ter lembrança de algum presente de infância: pode ter sido aquele pião, o jogo de bolas de gude, uma boneca de trapo, um carrinho de madeira, uma bola de pelotão, não importa muito o quê. Fato nisso é que não fui muito dada a infâncias convencionais, daquelas em que as meninas brincam de casinha e os meninos de corre-corre. Gostava mais é dos jogos de esconde-esconde, de cemitério (ou queimada, tal como se prefira dizer), barra-bandeira, bete (ou taco), patins, bicicleta ou qualquer coisa que me vencesse uma energia irrecuperável que eu me dispunha a desprender em meio a todo aquele fuzuê de menina irrequieta e – também e contraditoriamente - contemplativa. </p>
<p><big><strong>Primeiras decepções de infância : o mundo tal qual é</strong></big></p>
<p>Aos seis anos de idade, tive duas decepções. Vamos começar pela primeira delas: descobrir que <strong>Papai Noel</strong> não existia. Foi assim; de forma seca e direta. Na noite de Natal recebemos os presentes diretamente das mãos de nossos responsáveis. Éramos quatro crianças frustradas entre cinco e sete anos (eu, meu irmão e um casal de primos) em meio a uma sala que ostentava uma tímida árvore de Natal e uma ceia conforme requer a ocasião. </p>
<p>Tal qual não foi nossa decepção ao ver, descendo as escadas de nossa residência à beira da Praça da República, em Belém, nossas mães carregando pacotes. O que deveria ser aquilo? Presentes? Que bom! Adoramos presentes, mas onde está Papai Noel? Puxa, da primeira vez em que tivemos permissão para ficarmos acordados até tarde (e criança adora insistir em ficar acordada até mais tarde para receber em mãos o tão sonhado presente de Papai Noel!) e descobrir, assim, que Papai Noel não existia!</p>
<p>Não que não esperássemos um presente, mas a minha imagem de Papai Noel estava necessariamente mais ligada a um conceito etéreo de alguém que avaliaria o meu desempenho disciplinar ao longo do ano e, após tal julgamento, definiria se eu havia sido uma menina boa o suficiente que merecesse uma recompensa. Era mais um conceito idílico e pueril em torno de uma figura mística, quase como um Deus onipresente que seria abalizado a me julgar (e não é essa a imagem de Divindade que trazemos dentro de nós? Algo superior e intocável capaz de nos compreender e julgar nossas falhas e desenganos?).</p>
<p>Pois foi assim. Papai Noel (e minha primeira imagem de Divindade, ou ao menos, seu primeiro Porta-estandarte), não existia. Deixaria de existir para todo o sempre dentro de mim, que mais tarde descobriria que se tratava nada mais do que uma estratégia de marketing bem sucedida. Tristes esses dias de globalização e supremacia americana em benefício do consumismo; esse mal que aflige a população mundial desde a instalação definitiva do capitalismo tardio&#8230;</p>
<p>Minha segunda decepção foi quase tão grave quanto a primeira: como estávamos em duas meninas (eu e minha prima), ganhamos o mesmo presente: cada uma recebeu uma <strong>Barbie em Roupa de Gala</strong>. O ano era 1982 e a boneca, sucesso absoluto há pelo menos 20 anos no exterior, era artigo recém-lançado no Brasil, coisa fina, desse tipo de presente que a gente leva à escola e as amiguinhas dizem “Noooooooossa, mas você ganhou uma <em>Barbie</em>?!?!?!?!”</p>
<p><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/05/tri9098.jpg"/></p>
<p>Eu odeio a <em>Barbie</em> (nada contra a empresa que a produz, entendam-me, por favor!) Mas esse conceito estúpido e <em>slogan</em> machista imputado à eterna diva das bonecas “Tudo o que você quer ser”, não me convencia nem quando eu media 1m de altura! Eu não gostava de bonecas! Eu queria jogos interativos, um estojo de pintar, um livro do <strong>Sítio do Pica-pau Amarelo</strong>, qualquer coisa&#8230;mas uma boneca? Em roupa de gala?</p>
<p>Crescidinha que já estou, explico: Eu nunca quis ser a <em>Barbie</em>. A <em>Barbie</em>, nada mais seria do que a representante das loiras altas, de longas pernas, esguias e com seios que apontam para o firmamento, ricas, peruas e que tem dois namorados (Bob e Ken). Não que eu seja feminista, mas, sinceramente, alguém conhece alguma mulher que gostaria de ter sido a <em>Barbie</em> um dia? Acredito que hajam algumas por aí (por que não? Viva a democracia!) Mas não é o meu caso. Eu odeio a <em>Barbie</em>. Ponto final.</p>
<p><big><strong>Homens e mulheres definitivamente não se entenderão jamais</strong></big></p>
<p>A cada dez amigos que conto nos dedos, nove são homens. Não que eu tenha algo contra mulheres, mas confesso que invejo aquele corporativismo masculino inerente à classe. Mulheres se vestem para mulheres e se despem para homens. Homens não discutem a relação, não tem <strong>Tensão Pré Menstrual (TPM)</strong>, enfim, os homens estão dominando essa barbárie chamada mundo há um bom decênio de milênio de anos e as mulheres – que botam eles no mundo - não fizeram muita coisa para mudar a situação. Por que será?</p>
<p>Em se tratando de relações masculinas/ femininas ao longo da infância, sofri duplamente: se de um lado era excluída das brincadeiras de casinha por não ser muito afeita àquela coisa monótona e previsível de “vamos dar comida ao filhinho, banho no filhinho, surra no filhinho”; tornava-me duplamente excluída porque os meninos – estes mesmos que se tornaram meus amigos depois de adultos – excluíam-me também devido àquele corporativismo essencial à relação entre eles. </p>
<p>Eu não pertencia a clube qualquer: as portas do clube de meninos e meninas estavam fechadas para mim que, coitada, apeguei-me ao que me restava – a literatura infantil e todo aquele universo que lhe é próprio e peculiar que me transportava para outras dimensões e me afastava da convivência salutar com crianças cruéis, sinceras e voluntariosas como todas elas podem ter sido um dia. Fazer o quê? A paixão pela literatura acompanhou-me pelo resto do tempo e passou de <em>hobby </em>a emprego (jornalismo) e depois paixão de novo (literatura).</p>
<p>Hoje agradeço aos meninos e meninas que me excluíram das brincadeiras de casinha e jogos de barra-bandeira ou <em>vídeo game</em>. Viva a literatura! </p>
<div align="center"><img src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2008/05/barbiefamily.jpg"/><br />
<sup>Barbie e seus dois namorados</sup></div>
</p>
<p><big><strong>Da socialização na infância</strong></big></p>
<p>Mas eu me tornei um “ser social” necessário. A minha socialização deu-se no momento em que descobriram ambos os clubes mirins (feminino e masculino) que eu era ótima “trepadeira”. Subia em árvores tão bem quanto o melhor menino qualificado para a função, que era dois anos mais velho do que eu. E para quem conhece Belém e seus pés de suculentos jambos grandiosamente roxos, saberia da importância de tal qualificação.</p>
<p>Assim sendo, saía das aulas eternamente acompanhada. “Você vai pegar jambos hoje?” Vou sim, porque não? E subia nos jambeiros que mediam algo equivalente a um prédio de três andares enquanto juntava, aos pés da árvore, um apunhado de meninos e meninas que pediam, com seus olhinhos obedientes e servis, que eu lhes jogasse os maiores, os mais bonitos, os mais gostosos.</p>
<p>E eu? Lógico que sentava-me confortavelmente nos galhos mais altos e saboreava os melhores! Castigo bem empregado para os anos de exclusão social aos quais haviam me condenado todas aquelas crianças sadicamente cruéis e interesseiras. Hahahaha! Ri melhor quem ri por último&#8230;</p>
<p><big><strong>Da redenção da Barbie</strong></big></p>
<p>Cinco anos após a minha primeira <em>Barbie</em>, consegui obter um 10 em uma prova de matemática. Tal feito não seria mais do que obrigação de qualquer aluno ou filho. O problema é que o dez era em uma prova de matemática aplicada no colégio militar (essa tortura deliciosamente saudosa à qual fui obrigada durante a minha infância) e meu pai resolveu me presentear como recompensa ao meu esforço sobre-humano (naquele ano apenas dois alunos haviam obtido tal nota no temido exame).<br />
            Adivinhem o que meu querido pai me deu?<br />
            Uma <em>Barbie</em>!<br />
            Em nova versão de roupa de gala, rubro carmim, com saias rodadas e sapatos dourados! (Claro que nem poderia ser diferente! A Barbie sempre foi metida a <em>perua fashion</em>).<br />
            Confesso que o presente me comoveu. Não por ser uma boneca (eu não gostava de bonecas). Muito menos porque era uma <em>Barbie</em> (eu odeio a <em>Barbie</em>!). Mas porque era a primeira vez em que meu pai saía às rua para me comprar um presente. Era um presente sincero, de pai para filha e não de “mãe-que-compra-boneca-para-o-pai-presentear-a-filha”, sabe?</p>
<p>E, nesse dia, a boneca serviu de elo de ligação entre mim e meu pai, num gesto honesto e sincero de amizade e devoção. Foi a redenção da <em>Barbie</em>.</p>
<p><big><strong>A Barbie Pós-Moderna</strong></big></p>
<p>No Natal de 2002, meu amigo <strong>Superpowerpuff Bicha</strong> (Lógico, porque uma mulher de verdade tem - pelo menos - um grande amigo gay de estimação) me deu uma terceira <em>Barbie</em>. Uma dessas <em>Barbie</em> Malibu vai à praia. Minha primeira iniciativa - ainda durante o jantar - foi tosar sua peruca loira, pintar olheiras sob seus olhos irresistivelmente azuis e desenhar váaarias tatuagens em seu corpo delineado. De castigo, coloquei a moça pra morar de ponta-cabeça num dos galhos de um pé de filus que eu mantive na minha sala por longos anos e que foi motel de passarinhos mais afoitos. Foi batizada com o nome de <strong>Thabhitha Jullianna</strong> (assim mesmo, com todos estes &#8216;h&#8217;, &#8216;l&#8217;, &#8216;n&#8217; e por aí vai) </p>
<p>Com pena da coitada, meu amigo Camarada Púshkin resolveu me presentear com <strong>Max Steel</strong> para faxer companhia a ela. Pára tudo! O Max Steel tinha uma tatuagem prateada no braço. Lowgico que tinha que ser gay. Foi batizado com o nome de &#8220;<strong>Jhorge Mauritzio</strong>&#8221; e passou a habitar galhos da mesma árvore da Barbie. Meu irmão - designer e fotógrafo - passou a fotografar os dois - o que ele considerava uma &#8220;obra pós-moderna&#8221;.</p>
<p><big><strong>A Fuga de Thabhitha e Jhorge</strong></big></p>
<p>Assim que eu me mudei para a Vieira Souto de Santo Amaro (leia-se &#8216;Rua da Aurora&#8217;), coloquei o pé de ficus - com Thabhitha e Jhorge - no hall de entrada do meu apartamento.<br />
            Adivinha? Dois dias depois os galhos do pé de ficus estavam desabitados.<br />
            Não sem quem foi o mentor da fuga ou os comparsas que levaram os bonecos.<br />
            Eu fiz minha catarse em relação à Barbie.<br />
            E ela fugiu com o Max Steel gay.</p>
<hr size="1"/>
<font color="white">.</font></p>
<div align="justify">[+] A <strong>Rainha do Maracatu Roubada de Ouro </strong>  é o pseudônimo de uma jornalista pernambucana. Toda semana, escreve nesta coluna, crônicas de desabores, desencantos e memórias.<br />
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<font color="white">.</font><br />
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