Cena do ucraniano A Gangue. (Foto: Divulgação).
Cena do ucraniano A Gangue. (Foto: Divulgação).

O festival Janela Internacional de Cinema do Recife entra no seu último final de semana com a programação mais eclética deste ano. O evento exibe desde Roberto Carlos em sua sessão de clássicos até o ultra-violento A Gangue, do ucraniano Miroslav Slaboshpitsky.

Leia Mais
Casa Grande e as tensões sociais nossas de cada dia
Turistas é thriller familiar tenso e divertido
Permanência, com Irandhir Santos, traz a dor de se lembrar
Poesia e alegorias do crescimento do Brasil marcam estreia

O sábado começa com as sessões matinê de Contos Cruéis da Juventude, no São Luiz, às 11h. O filme de Nagisa Ôshima é tido como o precursor da “Nouvelle Vague” japonesa. Nagisa filma seu país ainda no pós-Guerra, mas olhando para o futuro de jovens que querem romper com o passado e com as regras. A trama mostra o jovem casal, Makoto e Kiyoshi em uma relação desigual e violenta. No mesmo dia, às 11h no Cinema da Fundação passa a reprise do documentário musical Björk: Biophilia Live, que traz as experimentações da cantora islandesa em seu disco Biophilia, que explorou os sons da natureza.

Na tarde do sábado, o Janela exibe o longa Comboio do Medo, de William Friedkin, o mesmo de O Exorcista. O longa de 1977 é uma refilmagem norte-americana de O Salário do Medo, o clássico francês de Henri George-Clouzot. Na trama, em uma estrada perigosa homens são pagos para levar carregamento de explosivos em caminhões. É tido como um dos filmes mais tensos já feitos no cinema mundial. A exibição acontece após um problema na chegada da cópia que fez com que a sessão mudasse de horário (seria exibido na quarta).

Ainda na onda dos clássicos, que costumam lotar as sessões no Janela, o festival exibe Os Caçadores da Arca Perdida (1981), clássico absoluto de Steven Spielberg. No longa temos o herói retrô Indiana Jones em uma aventura narrada em ritmo frenético, com inúmeras estradas e becos, caminhões e aviões. 30 anos antes de Bastardos Inglórios de Quentin Tarantino, os nazistas recebem uma vingança cinematográfica como nenhuma outra.

Roberto Carlos em ritmo de aventura, de 1968, é a versão brasileira de Roberto Farias para o longa dos Beatles feito por Richard Lester. Dirigido por um dos mais competentes realizadores brasileiros do cinema comercial e popular, o filme foi um sucesso de público. A projeção mistura imagens de ação com musicas de RC e Erasmo Carlos, na mais perfeita matinê brasileira até hoje. Será exibido no São Luiz em 35mm restaurado.

Cena de Sangue Azul, de Lírio Ferreira. (Divulgação).
Cena de Sangue Azul, de Lírio Ferreira. (Divulgação).

Sertão mágico e brutalidade muda

O final de semana trará dois aguardados longas pernambucanos, ainda inéditos em circuito comercial. Ambos serão exibidos fora de competição. O primeiro é Sangue Azul, de Lírio Ferreira, e se passa em Fernando de Noronha. Na trama, há 20 anos, numa ilha vulcânica e paradisíaca, um menino de 10 anos foi separado de sua irmã. A mãe, temerosa que uma atração incestuosa se desenvolvesse entre os dois, mandou cada filho para um lugar. No entanto, o destino acaba unindo os dois. É um longa sobre amor proibido, mas também sobre o circo e o mar. A sessão encerra o Janela no domingo, às 20h.

A História da Eternidade, de Camilo Cavalcante, traz três histórias de amor e desejo em um vilarejo do Sertão. Com um olhar afetuoso, mas que foge dos clichês sertanejos, Camilo foi bastante elogiado quando exibiu o longa no último Festival de Paulínia.

O último grande destaque do final de semana é A Gangue, de Miroslav Slaboshpitsky. O filme ganhou o prêmio na Semana da Crítica no último Festival de Cannes. Diz a sinopse: Surdo-mudo, Sergey entra para uma escola especializada. Lá, encontra uma hierarquia ligada ao crime e à prostituição. Ao fazer parte de uma série de assaltos, ele entra para a gangue, mas acaba se envolvendo com uma das amantes do líder, quebrando, sem querer, as regras não escritas da “Tribo”. O longa chocou pelas cenas de sexo explícito e a violência e chama atenção pela homenagem que faz ao cinema mudo.

As entradas para os filmes custam R$ 4 e R$ 2 (meia), à venda nas bilheterias do cinema antes das sessões. Veja a programação do final de semana.

Sábado, 1

SÃO LUIZ
11h: CRUEL STORY OF YOUTH (96′)
13h30: MAD MAX 2 (95′)
13h – O COMBOIO DO MEDO (120′)
15h30: MES SÉANCES DE LUTTE (99′) c/ o diretor.
18h: LA VIE DE FAMILLE (95′) c/ o diretor
20h15: A HISTORIA DA ETERNIDADE (121′)
22h45: OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA (115′)

FUNDAJ
11h: BIOPHILIA, (97′)
13h45: CURTAS DISSENSO (93′) + debate
16h: LA MAMAN ET LA PUTAIN (217′)
20h: O COMBOIO DO MEDO (120′)

Domingo, 2

SÃO LUIZ
11h: ROBERTO CARLOS EM RITMO DE AVENTURA (97′)
15h: A FILHA DE RYAN (206′)
18h50: NOTURNO EM RÉCIFE MAIOR (35′)
20h: SANGUE AZUL (115′)

FUNDAJ
14h30: NÃO ME ESQUECE (93′)
16h30: A GANGUE (130′)
19h: J’ENTENDS PLUS LA GUITARE (108′)
21h10: LOVE STEACKS (89′)

Leia Mais
Livro reúne críticas e textos dos primórdios do cinema pernambucano