1602 – Edição Definitiva
7.5

Mesmo longe de sua melhor performance, Gaiman faz um pequeno clássico da Marvel

1602 – Edição Definitiva
Neil Gaiman (texto) e Andy Kubert (arte)
[Panini, 256 págs, R$ 44,90]

1602 apoia-se sobretudo no nome do autor inglês Neil Gaiman, exímio em conduzir narrativas pautadas pelo fascínio ao fantástico. O que pode ser mais fantasioso que as “maravilhas” (Marvels), aqui transportadas para o período vitoriano?

Lançado em formato de minissérie em 2004 pela Panini, 1602 ganhou formato encadernado em 2008. Inúmeros são os motivos para o frisson com que a série foi recebida. Foi a primeira colaboração do cultuado Neil Gaiman com a Marvel, depois de uma relação de anos com o selo Vertigo, da DC Comics. Após 1602, a editora de Homem-Aranha e X-Men retomou sua atenção aos romances gráficos, criando obras nem sempre bem-sucedidas, mas marcadas pela tentativa de fugir à mesmice na forma e no conteúdo de suas revistas mensais.

Gaiman pegou os nomes mais conhecidos da Marvel e os transportou 400 anos no passado, quando a rainha Elizabeth 1ª governava a Inglaterra. O rei James, da Escócia planeja ampliar seus domínios tomando para si a coroa inglesa e é nesse cenário de intrigas que a trama se instala. Completam a história uma série de eventos climáticos misteriosos, que serão investigados pelo médico e mago real, Stephen Strange.

Como é típico em seu estilo de escrever, Gaiman desmancha o roteiro, tornando-o sinuoso, elíptico. Dessa maneira, o leitor acaba imerso na história ao tentar encontrar os diversos pontos de ligação na trama. É divertido. A aparição dos mutantes como sanguebruxos pode, de início, parecer um pouco forçado, mas se sustentam conforme a trama avança. Só ficou um pouco sem sentido a utilização de Hulk, que poderia ser melhor aproveitado, ou até mesmo, não usado.

1602 entrará com certeza no rol de grandes obras da Marvel em tempos recentes, mas não nas melhores de Neil Gaiman. A razão é simples: por mais que o autor de Deuses Americanos e Sandman seja bom em construir personagens e narrativas de fantasia, 1602 é uma história de super-heróis marvel e todas suas idiossincrasias. Gaiman consegue contorná-las, mas esta HQ está longe de todo seu potencial como escritor de quadrinhos.

Os desenhos de Andy Kubert estão primorosos. Utilizando a técnica de lápis melhorado, o desenhista dispensou arte-finalistas e foi colorido por Richard Isanove. O trabalho casou bem com a ideia de Gaiman. Graficamente, 1602 é uma das obras mais impactantes dos quadrinhos recentes. A edição de luxo lançada agora, comprova isso. Agora com outros projetos pela Marvel, Gaiman mostrou que seu retorno com esta série foi proveitoso para as HQ’s. [Paulo Floro]

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