Diogum, "Acasalados" uma das obras expostas/ Divulgação

2º Salão de Beleza celebra potências e ausências da arte plástica pernambucana

O projeto artístico pensado por Izidorio Cavalcanti celebra a arte produzida no Estado, ao mesmo tempo em que denuncia a ausência do Salão de Artes de Pernambuco

Localizado no MAMAM, no Recife, o 2º Salão de Beleza celebra diferentes artistas com exposição plural até o dia 29 de outubro. O projeto artístico foi pensado por Izidorio Cavalcanti e surge como uma ode à arte produzida no Estado, ao mesmo tempo em que denuncia a ausência do Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, importante evento para o incentivo à arte plástica.

O projeto possui uma gigantesca importância para criar cada vez mais oportunidades e visibilidade para uma gama plural de artistas e acontece em 2022 através de recursos do Sistema Municipal de Cultura, pertencente à Prefeitura do Recife.

“O salão de Artes Plásticas, infelizmente não está acontecendo, mas a segunda edição do Salão de Beleza possibilitou reunir um grupo diverso de mais de 70 artistas. Foram abertas as inscrições e todas as pessoas que se inscreveram puderam participar e estão concorrendo a um prêmio. A ideia era mesmo de juntar todo mundo, movimentar a cena e fazer isso dentro de um espaço legitimado”, explicou o idealizador do projeto, Izidorio Cavalcanti.

Abertura do evento/ Foto: Divulgação

A primeira edição do evento havia sido realizada no ano de 2004 diante da falta do Salão de Artes Plásticas de Pernambuco naquele mesmo ano. Agora, em 2022, com a situação se repetindo, a intenção do Salão de Beleza é a de expor os artistas, cobrar do poder público mais investimento e ocupar um lugar legítimo de celebração das artes visuais locais.

“Nesse momento a gente não tem o Salão de Artes Plásticas, que é realizado pela secretaria de cultura do Estado. Então, diante dessa ausência Izidorio propôs fazermos um novo salão de beleza”, afirmou a produtora do projeto, Rebeka Monita.

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A ideia de ‘Salão de Beleza’ surgiu de uma brincadeira e ironia com o nome do Salão de Artes Plásticas de Pernambuco e de acordo com Izidorio, se relaciona também com a ideia de vaidade. “Por que as pessoas se inscrevem em um Salão de Artes Plásticas? Porque as pessoas vão para um salão de beleza? Fazemos esses questionamentos”, explicou o realizador.

Os organizadores do evento afirmaram também que todos os artistas participantes do Salão de Beleza estão concorrendo a três premiações não cumulativas e que não correspondem a uma ordem de primeiro, segundo e terceiro lugar. “É primeiro, primeiro e primeiro. São três premiações de R$ 2.000 cada e acontece pelo voto do público que vai até o evento, um voto online que é através das curtidas no Instagram e uma outra premiação que é a crítica de arte, que é formada pela comissão curatorial do Museu de Artes Plásticas Aloísio Magalhães – MAMAM”, afirmou Izidorio.

A comissão responsável pela última premiação atua de forma crítica através da análise de propostas de exposições e é formada pelas pernambucanas Joana D’arc de Souza Lima e Ana Luísa Lima, além do também crítico, Wagner Nardi, de Minas Gerais.

Entre os diversos artistas que fazem parte da exposição, um dos nomes em evidência no cenário pernambucano é o artista plástico André Luiz Santana, que utiliza o nome artístico de Alsal.

Com algumas de suas obras expostas no Salão, Alsal explica que “a arte é veículo de diálogo, é algo contínuo, que brota, que quer ser vista, ser refletida e sentida, que transforma, perpassa e é produzida por cada geração, por isso se faz necessário que existam salões de arte que incentivem e comportem toda essa produção”.

O artista, Alsal/ Divulgação

Na edição de 2022, o artista expõe suas obras de maneira física pela primeira vez e, junto a diversas gerações de artistas, ele afirma a grande importância desses espaços para a criação de oportunidades de serem vistos e contemplados. Com uma arte sensível, Alsal acrescenta:

“Espaços e salões de arte, como este proporcionam a oportunidade para os artistas de terem sua produção e trabalhos expostos, colocando-os de frente ao público, a olhares críticos e apreciadores da arte que garimpam novos nomes e talentos, também para as pessoas que circulam buscando na arte o entretenimento, a reflexão, novas expressões, ideias, estéticas, registro de história, novos pensamentos e conceitos”.

O Salão de Artes Plásticas de Pernambuco teve sua primeira edição em 1942, ainda como um salão de pintura, e foi aos poucos ocupando um espaço de destaque no circuito de artes visuais do Brasil. Em suas últimas edições contou com exposições que traçavam um panorama das artes plásticas, além de debates e residências artísticas. A 47ª edição foi realizada em 2011. O edital da edição seguinte chegou a ser divulgado em 2012, mas o evento acabou não acontecendo.

Alsal – Obra Diálogo/ Divulgação
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