Cena do longa/ Foto: Divulgação

“45 do Segundo Tempo” evoca a nostalgia necessária para a autodescoberta

Com Tony Ramos, Cássio Gabus Mendes e Ary França, o longa acompanha três amigos de colégio que se reencontram 40 anos depois

“45 do Segundo Tempo” evoca a nostalgia necessária para a autodescoberta
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45 do Segundo Tempo
Luiz Villaça
BRA, 2022, 1h50, Distribuição: Paris Filmes e Downtown Filmes
Com Tony Ramos, Cássio Gabus e Ary França

A amizade é uma relação desde sempre explorada no cinema, como é o caso do longa aclamado Stand by Me de 1986 e Thelma e Louise, de 1991, além de outras diversas histórias que exploram os sentimentos que decidem compartilhar a familiaridade do dia a dia. 

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Com a visão sobre uma amizade que já deixou de ser a mesma após anos de afastamento e amadurecimento pessoal dos envolvidos, a obra cinematográfica de Luiz Villaça, 45 do Segundo Tempo estreia nos cinemas de todo o Brasil nesta quinta (18) e traz um time de atores consagrados no elenco. 

Tony Ramos interpreta Pedro Baresi, um descendente de imigrantes italianos, completamente apaixonado por futebol e pelo seu time de coração, o Palmeiras, que vive em São Paulo cuidando do restaurante que é dono, a tradicional cantina italiana Baresi. Diante de uma situação de dificuldades financeiras e incertezas, o protagonista da história acaba por se reencontrar com dois amigos de infância, Ivan (interpretado por Cássio Gabus Mendes) e Mariano (Ary França) para juntos, recriarem uma foto de quando ainda estudavam juntos, na inauguração do metrô de São Paulo, no ano de 1974. 

Cena do longa/ Divulgação

Assim, a narrativa se desenvolve a partir desse reencontro. Porém, juntos outra vez, os problemas e dificuldades de cada um deles vem à tona de uma só vez e causa um gigante balançar em suas vidas. Com a revelação que Pedro faz para os amigos sobre querer se matar — mas apenas depois de que o Palmeiras se torne campeão —, os três iniciam em uma busca interna por transformação, partindo em uma jornada de autodescoberta. 

Discutindo os cenários tradicionais da sociedade, relações amorosas, sentimentos dos mais variados e envelhecimento, o grande destaque da obra é a atuação e entrega de Ramos, Mendes e França a seus personagens. 

De maneira concreta e real, os atores conseguem fazer o espectador acreditar fielmente nas questões e divagações que passam pelos interiores dos personagens, Pedro, Ivan e Mariano e com isso criam um filme empático, no qual os espectadores se pegam torcendo por eles. Isso, porém, não é o suficiente para abrilhantar totalmente o filme, que por vezes se torna monótono com cenas longas e uma história que avança com bastante lentidão. 

O filme sensibiliza pelas experiências particulares de cada um dos personagens, que é vivenciada também por grande parte das pessoas reais, fora das grandes telas do cinema. Envelhecer e perder o contato diário com os amigos do tempo de colégio, por exemplo, é uma situação comum entre muitos e por isso, os sentimentos de nostalgia e saudade se tornam presentes ao assistir o filme.

Com o amor ao futebol e também para com a cozinha italiana, é divertido ver a criança ainda presente em Pedro, situação na qual Tony Ramos consegue passar fielmente a empolgação e felicidade do personagem em contrapartida com a situação de dívidas e desânimo em que ele se encontra.

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