A escritora Lygia Fagundes Telles, um dos maiores nomes da literatura brasileira, morreu nesse domingo (3) aos 98 anos, em São Paulo. Ela ficou conhecida por sua imensa contribuição ao formato conto e recebeu os prêmios Camões e Jabuti. Atuante desde os anos 1980, ela era integrante da Academia Brasileira de Letras.

A autora faleceu em casa, de causas naturais, segundo informou Juarez Neto, da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Ao longo de sua extensa carreira, Lygia venceu o Camões (2005) e o Jabuti quatro vezes (1966, 1974, 1996 e 2001). Sua obra conta com clássicos como Antes do Baile Verde (1970), As Meninas (1973), Ciranda de Pedra (1954), O Jardim Selvagem (1965) e Seminário dos Ratos (1977).

Sua obra ficou conhecida pelo interesse na psique humana, em uma busca muito autêntica para o sentido na existência. Mas ela também se destacou pelo destaque que sempre deu às questões sociais de seu tempo.

Filha de um delegado e um promotor público, Lygia Fagundes Telles nasceu em São Paulo em 1923. Passou a infância em cidades do interior paulista, como Apiaí e Sertãozinho. De volta à capital, ela estudou na escola Caetano de Campos e, mais tarde, na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Em 1944 publicou seu primeiro livro de contos, Praia Viva. Em seguida veio O Cacto Vermelho, de 1948 e, em 1954, o primeiro romance, Ciranda de Pedra.

Sua produção mais conhecida veio nos anos 1970, com Antes do Baile Verde (1970), As Meninas (1973) e Seminário dos Ratos (1977), todos premiados.

A autora foi voz atuante contra a censura durante da ditadura militar e foi uma das autoras que assinaram o manifesto de intelectuais contra o regime.

Lygia não deixa descendentes. Seu único filho, o cineasta Goffredo da Silva Telles Neto, faleceu em 2006, aos 52 anos. Ele era fruto de seu primeiro marido, o jurista Goffredo Telles Júnior, que durou de 1947 a 1960.

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