Anielle Franco assume o Ministério da Igualdade Racial: “O Brasil do futuro precisa responder às dívidas do passado”

Discurso da ministra foi marcado pelo combate ao racismo e ao fascismo e por lembranças da sua irmã, a vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018

"O enfrentamento ao racismo e a promoção da igualdade racial é um dever de todos nós", ressaltou Anielle Franco em seu discurso de posse. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil).

Em solenidade realizada nessa quarta-feira (11), a jornalista e ativista Anielle Franco foi empossada ministra da Igualdade Racial. O evento, que aconteceu no Palácio do Planalto, em Brasília, marcou também a chegada de Sonia Guajajara ao comando do Ministério dos Povos Indígenas. Planejadas para acontecer separadamente na segunda (9), as cerimônias de posse foram remarcadas em uma única solenidade devido à invasão e depredação dos prédios dos Três Poderes por bolsonaristas.

“A cerimônia de hoje guarda um simbolismo muito especial. Depois dos atentados sofridos por esta casa e pelo povo brasileiro no último domingo, pisamos aqui em sinal de resistência a toda e qualquer tentativa de atacar as instituições e a nossa democracia. O fascismo, assim como o racismo, é um mal a ser combatido em nossa sociedade”, enfatizou a nova ministra em seu discurso de posse, que foi marcado pelo combate ao racismo e por lembranças da sua irmã, a vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018.

Ainda no púlpito, Anielle chamou a atenção para a necessidade de fortalecer políticas de reparação da dívida histórica do país com o povo negro e cobrou o envolvimento dos não negros na superação das desigualdades. “O Brasil do futuro precisa responder às dívidas do passado. E é por isso que em um governo de reconstrução nós gostaríamos também de falar com os não negros. O enfrentamento ao racismo e a promoção da igualdade racial é um dever de todos nós”.

A ministra garantiu que vai trabalhar para fortalecer a Lei de Cotas e ampliar a presença de jovens negros e pobres nas universidades públicas. Ela adiantou também que a pasta deve relançar o plano Juventude Negra Viva, que promoverá ações que visem a redução da letalidade contra a juventude negra brasileira e a ampliação de oportunidades para jovens brasileiros.

A cerimônia contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que durante a solenidade sancionou uma lei aprovada pelo Congresso Nacional que equipara o crime de injúria racial ao de racismo e amplia as penas.

Com informações da Agência Brasil.

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