A revista independente pernambucana retorna ao mercado editorial de quadrinhos após nove anos com uma seleção de 40 colaboradores nacionais e internacionais. A seleção representa a diversidade de estilos, formatos e temas que permeia a cena de HQs no Brasil atualmente. Com 158 páginas, a Ragu 8 será lançada oficialmente no próximo dia 14 de julho pelo selo Cepe HQ, da Companhia Editora de Pernambuco, no canal do YouTube da editora. O preço sugerido é de R$ 70.

A saga da revista Ragu

Aviso importante: A revista retorna ao mercado de quadrinhos neste mês de julho, em uma nova edição com mais de 40 artistas e com edição minha, de Paulo Floro e dos fundadores da Ragu, Lin e Mascaro. Esta reportagem saiu originalmente na primeira edição da Plaf e, além do registro histórico de uma das mais importantes publicações de quadrinhos do Brasil, era também uma homenagem nossa a esses conterrâneos pioneiros. Numa sexta-feira pela manhã, sol a pino como de costume, […]

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A antologia será lançada com um bate-papo com os cinco editores que assinam a curadoria: o editor da Cepe, Diogo Guedes, a quem caberá fazer a mediação; Mascaro e (idealizadores do projeto); a jornalista, tradutora e editora de quadrinhos Dandara Palankof; e o jornalista Paulo Floro, editor das revistas O Grito! e Plaf. A capa tem assinatura do artista gráfico alemão Henning Wagenbreth.

Entre os artistas presentes nesta edição estão Laerte Coutinho, Gomez, Lin e Mascaro, Amanda Miranda, Cau Gomez, Miguel Carvalho, Greg Vieira, Nuno Sousa, Guazelli e Rafael Coutinho. “Ragu acaba sendo uma vitrine da diversidade do quadrinho brasileiro pela quantidade de artistas presentes”, diz Paulo Floro.

No universo das HQs, onde tudo é possível, a realidade contemporânea vira manifesto, até mesmo nas sutilezas de linguagens e estilos tão diferentes. Os artistas dialogam com questões essenciais para serem discutidas, denunciadas, como intolerância, negacionismo, violência, gênero, direitos civis e política. Em alguns momentos, o humor fino, ácido, irônico ou satírico reflete-se em dimensões atemporais, sem conotação panfletária. “Queríamos uma abordagem que instigasse reflexão, mas sem perder o lúdico. A vida já está bastante densa. Precisamos de válvulas de escape, mas sem alienação”, pontua Mascaro.

Paulo Floro chama a atenção para o fato de a publicação não ter uma pauta engessada. Os artistas ficaram livres para apresentar suas produções. “Mesmo sem trazer um tema de maneira óbvia, Ragu 8 faz um registro muito especial e criativo de seu tempo. Tem tudo para ser um documento histórico importante desse período da cena de quadrinhos brasileira”, ressalta.

Para o editor da Cepe, Diogo Guedes, Ragu é um projeto independente, importante em Pernambuco, mas de repercussão nacional. “Tenho muita alegria de participar desse recorte, espécie de curadoria afetiva, caótica, mas também diversa, com um olhar aberto para a independência de quem pensa as artes gráficas de forma diferente. Então, nada mais adequado para o selo Cepe HQ. Ficamos muito felizes com o resultado, trazendo esse misto de artistas pernambucanos, nacionais e internacionais de várias gerações, com trabalhos muito diversos. Tudo isso compõe exatamente o espírito da Ragu”, destaca.

A curadoria foi extremamente cuidadosa. Segundo Dandara Palankof desde o começo do projeto uma prerrogativa foi ter a presença de várias quadrinistas na Ragu 8. “Temos cada vez mais mulheres produzindo quadrinhos (assim como temos mais negros, mais LGBTQIA+…). É parte dessa diversidade que acreditamos de fato ser hoje a característica definidora do quadrinho nacional e a intenção era que essa nova edição refletisse um pouco essa pluralidade de vozes.  Particularmente, acho que o resultado ficou a cara da Ragu: um “caos coeso”. Porém, existia uma diferença fundamental nesse processo, que era a consciência de que dessa vez a Ragu estava sendo publicada em um cenário de profissionalização do quadrinista”, defende.

Dandara Palankof, , João Lin e Paulo Floro, editores da nova Ragu. (Wagner Ramos/Divulgação).

A história da Ragu

A revista estreou no ano 2000 como um projeto local. Aos poucos ocupou espaço e colaboradores de outras regiões, até ganhar projeção nacional. Segundo Dandara, Ragu pode ser considerada uma publicação pioneira. “Quando fui ao meu primeiro FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte), no ano de 2009, vários quadrinistas, ao saberem que eu era de Recife, me perguntavam sobre a Ragu. Acho que isso mostra que, mesmo numa época em que os olhares eram ainda mais voltados para a produção artística do Sudeste, e mesmo com essas dificuldades de distribuição, a Ragu conseguiu chegar longe, chamar atenção e marcar época”, conta.

João Lin analisa o fato de que as redes sociais e os meios digitais em geral permitiram que a produção de autores e autoras começasse a ser mais vista e comercializada. Entretanto, todos os períodos de grandes transições, como a promovida pela www, são espaços em que estão postas oportunidades e percalços. “Apesar desse potencial, há gargalos como a necessidade de fazer investimentos e adquirir conhecimento de estratégias que muitas vezes não estão à disposição de todo mundo”, pondera Lin.

Dandara reforça a opinião de Lin: “Nessa era de redes sociais e seguidores, algoritmos e engajamento, vejo muitos quadrinistas reclamando sobre como é difícil se desdobrar para produzir e obedecer a essas novas lógicas e poder ganhar espaço, furar bolhas. A forma de lidar com isso acaba sendo sempre muito particular para cada artista”.

Floro chama a atenção para as inovações estéticas que muitos desses artistas trazem, o que pode ser percebido na revista Ragu. “Apesar de toda essa efervescência, ainda há muito o que explorar. A quantidade de editoras no Nordeste e no Norte ainda é muito pequena, o que acaba dificultando a sustentabilidade da cena nessas regiões. Tem muito artista interessante com trabalhos autorais relevantes fora do eixo”, salienta Paulo Floro.

SERVIÇO
Lançamento: Ragu 8, live pelo youtube.com/cepeoficial
Data: 14 de julho
Horário: 19h
Preço do livro: R$ 70,00

A lista completa dos artistas desta edição:

Aline Lemos
Aline Zouvi
Allan Sieber
Alves
Amanda Miranda
Ayodê França
Cau Gomes
Celso Hartkopf
Christiano Mascaro
Fábio Zimbres
Flavão
Flavush
Gabriela Güllich
Gomez
Greg
Guazzelli
Henning Wagenbreth
Jaca
João Lin
João Pinheiro
Julia Balthazar
Laerte Coutinho
Lalo
LoveLove6
Luiza Nasser
Mafé
Márcio Vieira
Mariana Waechter
Marília Marz
Miguel Carvalho
Miguel Moura
Nuno Sousa
Puiupo
Rafael Coutinho
Rafael Sica
Raoni Assis
Raul Souza
Rogi Silva
Samuca
Silvino
Taís Koshino

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