prosa

O Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM), que fica no Centro do Recife, recebe o novo trabalho do artista plástico e da professora e pesquisadora . A instalação 1 Dedo de Prosa, mobiliário formado por uma mesa e quatro bancos, ocupará o salão principal no térreo do museu. A ideia é discutir temas como segregação social, individualismo e mobilidade nos centros urbanos.

A montagem já começou e a abertura da exposição, que tem entrada gratuita, será no próximo dia 10 de março.

Antes de ser exposto, o mobiliário, adornado com jarro de planta, dominó, baralho e o livro Imagens do Recife: ruas, de Josivan Rodrigues, foi levado para calçadas e praças de seis bairros de diferentes classes sociais do Recife, criando um ruído na paisagem urbana e reações diversas nos moradores e transeuntes. Entre olhares de desconfiança, curiosidade e interesse gratuito, cenas e algumas conversas espontâneas foram registradas em vídeo e áudio, passando a interagir e integrar a obra, que traz à tona temas relevantes da atualidade, como mobilidade, individualismo e segregação social. Toda a interação poderá ser vista durante a exposição.

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“Uma caminhada pela cidade do Recife permite constatar que o homem vem, gradualmente, abrindo mão do espaço aberto. O abandono das calçadas como local de lazer ou de aproximação social saltou o meio fio e alcançou também a rua e as praças. Foi-se o tempo em que as vias convidavam ao passeio e as calçadas exibiam cadeiras onde a gente se sentava, comodamente e sem pressa, enquanto dividia um dedo de prosa”, escreveu Cristina no texto de apresentação da obra.

Para Marcelo, a ‘desimportância’ da calçada abre espaço para os veículos usarem a calçada. “As pessoas não caminham mais na calçada em direções laterais; é sempre em frente, em direção aos carros. E, aí, quando você encontra as calçadas, elas são de diferentes níveis de uma casa para outra. A diferença de nível é para você não se comunicar; não existe uma necessidade de quem constrói a sua calçada em comunicar com a calçada do vizinho.”

A obra é, sobretudo, sobre a retomada do espaço público. O projeto permanecerá em destaque no MAMAM até o dia 10 de abril.

Fotos: Lucas Hero/Divulgação.

Artista plástico Marcelo Silveira e a pesquisadora Cristina Huggins. (Divulgação).
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