Edição: Paulo Floro e Tulio Vasconcelos.

Por mais óbvio que seja adiantar, o ato de fazer listas é bem difícil. Mas é um exercício importante por colocar em perspectiva trabalhos que ressoam no imaginário do público neste ano que passou. É também a hora de enaltecer sons inovadores que muitas vezes passaram batido. E também de discutir temas que foram canalizados pelas vozes e acordes dos artistas.

E 2019 foi o ano em que o pop mais se aproximou de um debate público muito urgente e atual. Racismo, questões de classe, transfobia, mas também afetos e memórias, tudo coube na música este ano que acabou. Aqui na Revista O Grito! reunimos as 50 melhores faixas, mais uma vez unindo brasileiros e estrangeiros no mesmo bolo.

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50
Tassia Reis – “Pode Me Perdoar”


Tassia Reis lançou um disco que reflete muito sua diversidade e ecletismo, o que mostra sua segurança em propor pontes entre o hip hop e o pop, samba, jazz e diversos outros gêneros. “Pode Me Perdoar” é um pedido de desculpas bem lânguido e sexy levado pela voz cheia de suíngue de Tassia.

49
Helado Negro – “Running”

Roberto Carlos Lange é um dos principais nomes do pop mais experimental. “Running” reflete muito sua inquietação artística em trazer a experiência latina na América dentro de uma proposta mais psicodélica e emotiva.

48
Drik Barbosa – “Liberdade”

2019 foi o ano de Drik Barbosa acontecer! Um dos nomes mais promissores do rap BR lançou um ótimo disco que reafirma sua criatividade nas rimas. “Liberdade” é pura positividade e feminismo para convocar as manas pra luta.

47
Torre – “Tinta”

O rock alternativo pernambucano vai ressurgindo e fazendo emergir grupos interessantes como o Torre. Depois de uma estreia bem recebida, a banda aposta na memória como ponto de partida para traduzir inquietações do presente. O som mudou bastante, mas a proposta imersiva segue em alta, como pode ser percebido em “Tinta”.

46
Ariana Grande – “break up with your girlfriend, i’m bored

Ariana começou com bastante fôlego em 2019 com um disco cheio de segurança quanto à sua estética pop bem particular. Esta faixa segue os moldes de praticamente todos os seus hits pós-Sweatener: base hipnótica, letra cheia de saliência, vocais no máximo e batidas cheias de graves.

45
Linn da Quebrada com Liniker e os Caramelows, Urias, Jup do Bairro, Veronica Decide Morrer e Alice Guél – “Oração”

Linn da Quebrada nos pega pela palavra. “Oração” traz uma letra que propõe ressignificados de termos e conceitos que ganham uma nova força quando cantados por Linn e sua turma (Liniker, Urias, Jup, Veronica Decide Morrer e Alice). Corpos que se insurgem em meio a um país nefasto, mas que agora também se querem ouvidas.

44
Burna Boy – “Anybody

Burna Boy é a prova de que a música pop africana atingiu um status de maturidade para alcançar novos continentes. E Burna fez isso sem perder um pingo de identidade de sua sonoridade nigeriana. “Anybody” é um hit que evoca muito do dancehall e o afrobeat, mas com um verniz muito pop.

43
Jorge Mautner – “Marielle Franco

Jorge Mautner escreveu esta música assim que soube do assassinato da vereadora Marielle Franco. É possível perceber o senso de urgência dessa marchinha, que segue à flor da pele em seus pouco menos de dois minutos. Bate forte e é bem emotiva, porém perdura por horas e dias após a audição.

42
Angel Olsen – “All Mirrors

Angel Olsen é da geração de artistas que levaram o rock para um status de relevância nos anos 2010. Sua música dramática e cheia de camadas soturnas discute temas como insegurança, medos e anseios ao mesmo tempo em que traz diferentes texturas e instrumentação bastante complexa, como pode ser ouvido em “All Mirrors”.

41
Rincon Sapiência – “Meu Ritmo

Rincon Sapiência abraçou o clima de baile em seu novo disco. “Meu Ritmo” bate direto nas batalhas de dança e reforça o interesse do rapper em formar pontes com o afrobeat e outros ritmos africanos.

Foto: Marcos Hermes/Divulgação.

40
Elza Soares – “Comportamento Geral

A interpretação de Elza Soares para esta faixa de Gonzaguinha traduz muito o estado de tensões que vive o Brasil hoje. É uma das faixas mais interessantes do novo disco da cantora, que se aprofundou ainda mais em ser porta-voz de temas urgentes apostando em um som cada vez mais pesado.

39
Jamila Woods – “BASQUIAT

Evocando um dos artistas mais importantes do século 20, Jamila Woods canaliza toda a insatisfação de jovens negros que são diariamente questionados quanto ao seu valor e ainda precisam responder questões absurdas como “por que você está com raiva”. “BASQUIAT” tem uma das interpretações mais fortes do R&B este ano.

38
Boogarins – “Sombra ou Dúvida”

Isso é sede que não vem da água, canta o Boogarins nesta faixa cujo desejo é refletir sobre os anseios que nos levam adiante. A banda mantém em alto nível sua sonoridade psicodélica com forte influência noventista.

37
Heavy Baile com CH da Z.O., MC Baby Perigosa e Salah do Nordeste – “Grelinho de Diamante (Brega Funk Remix)“.

O coletivo de funk Heavy Baile vai trazendo novas propostas para o gênero, a começar pela mudança de perspectivas nas letras (aqui a mina essencialmente pede para fazer com talento). Além da novidade MC Baby Perigosa, essa versão ainda adiciona o sabor recifense com um remix no tom do brega-funk local.

36
BaianaSystem com Curumin e Edgar – “Sonar

O BaianaSystem se une a Curumin e Edgar para buscar uma proposta mais experimental ao seu som muito calcado na catarse. “Sonar” traz novas possibilidades para o som do grupo baiano, mas sem perder a vibe de sua identificação com o público.

35
– “Motivation

Normani demorou para emplacar uma carreira solo pós-Fifth Harmony, mas chega bastante segura nesta sua estreia. “Motivation” é a essência do pop moderno: busca por positividade, personalidade na interpretação , batidas que fogem de obviedades, mas ao mesmo tempo bastante apelo para a jogação.

34
Céu – “Coreto”

Céu segue experimentando na onda eletrônica neste novo disco. “Coreto” relata uma relação estremecida em meio a uma letra que busca criar imagens para traduzir tristeza, mas também superação. O som chega bem encorpado e com muita influência de dub, que é bem a cara da artista. Céu finaliza a década com um dos mais consistentes estilos entre as cantoras de sua geração.

33
Jenny Hval com Laura Jean – “Accident”

A norueguesa Jenny Hval trata de temas como sexualidade, corpo e feminismo em seus trabalhos. “Accident” trata de gestação e o mistério da concepção. A poeticidade da artista foge das obviedades e serve de base para uma canção dançante e tensa, singela e áspera, bastante esquisita, enfim. Os vocais contam com a participação da australiana Laura Jean.

32
Cate Le Bon – “Home To You

A cantora galesa Cate Le Bon faz uma música que não é nada familiar no que diz respeito à música pop, porém cria uma conexão forte com o ouvinte. “Home To You” traz a voz imponente de Cate com arranjos meio barrocos que criam um clima sessentista e dançante.

31
Yola – “Faraway Look

A cantora Yola une o soul e o country em uma faixa de forte interpretação que recupera muito do clima e estilo do pop dos anos 1960. É uma música que remete muito a um hit antigo, mas que ao mesmo tempo é atual e cheio de vigor. A faixa chamou atenção ao aparecer no final da temporada de Veronica Mars (da Hulu), que explodiu a popularidade da artista e seu disco de estreia, Walk Through Fire.

30
Maxo Kream – “Meet Again”

O rapper Maxo Kream fez uma declaração honesta sobre a vida na prisão (e também sobre familiares e amigos que estão fora das grades, mas são diretamente afetados). É um trabalho forte, mas sem muita condescendência, com relatos verdadeiros de quem já sentiu na pele a experiência. E Maxo fez isso com um estilo funkeado cujas batidas viciantes servem de base para uma rima direta, mas cheia de cadência.

29
Freddie Gibbs com Madlib – “Crime Pays”

A parceria entre Freddie Gibbs e Madlib segue inspirada e a dupla continua buscando pontes entre o rap e gêneros como jazz e soul. Nessa instiga de propor batidas e bases longe do óbvio chegamos a “Crime Pays”, uma das mais ousadas entre as faixas de Bandana, mais novo álbum do duo.

28
BTS com Halsey – “Boy With Luv”

Se é impossível ficar impassível ao fenômeno do k-pop, mais difícil ainda é não se curvar à influência do BTS na música pop como um todo. “Boy With Luv”, com participação de Halsey é um clássico do gênero, mas também um indicativo de como a música pop coreana trouxe inovação para seus pares no ocidente.

27
Saskia com Edgar – “Tô Duvidando

A mineira Saskia é uma revelação da cena alternativa gaúcha e aposta no pop experimental para mandar seu texto, que é baseado em um ativismo muito consciente e sincero. “Tô Duvidando” (com Edgar) é o melhor cartão de visitas dessa artista que chega com uma proposta cheia de ideias arriscadas, e por isso mesmo instigantes.

26
Lizzo – “Juice

Lizzo começou o ano como uma das promessas do pop e terminou como um fenômeno cultural. Sua música canalizou debates importantes sobre empoderamento, positividade corporal e feminismo. “Juice” é um hino com um groove poderoso que infesta o ambiente com uma energia positiva já nos seus primeiros acordes.

25
YMA – “Vampiro”

A estreia de YMA foi uma grata surpresa – um daqueles álbuns cheios de despretensão, mas que se revelam inovadores e complexos. Propondo um pop experimental, mas com inspiração noventista, “Vampiro” é uma música climática e soturna que envolve o ouvinte em um terreno da qual sabemos muito pouco.

24
Clairo – “Bags”

“Bags”, de Clairo, é um clássico que se repete de tempos em tempos: um artista que se apoia na honestidade de suas vivências para criar uma faixa que serve de escape de seus próprios conflitos. Um rock que se traz guitarras, sintetizadores e piano para criar uma sonoridade complexa e cheia de camadas.

23
Peggy Gou – “Starry Mix – Original Mix”

Peggy Gou é uma amostra de como a música pop coreana é diversa. “Starry Mix” tem uma mensagem bem positiva ao mesmo tempo que traz uma eletrônica bem experimental com muita influência dos bailes disco dos anos 70 e 80.

22
Caroline Polachek – “So Hot You’re Hurting My Feelings”

Caroline Polachek chegou bem ousada na sua estreia solo após o fim do seu duo Chairlift. Além de propor uma eletrônica incorpada e cheia de experimentações, ela sabe explorar seu vozeirão para fazer faixas carregadas de interpretação como essa.

21
KAYTRANADA com Kali Uchis – “10%”

Quase que Kaytranada ficava de fora das listas de melhores, já que acabou soltando seu novo disco no apagar das luzes de 2019. Seria injusto: “10%” é mais uma ótima faixa do produtor canadense e consegue canalizar a energia do dance music para o R&B com maestria. E ainda conta com a participação de luxo de Kali Uchis.

20
Felipe Original com MC Kevin O Chris, Sodré e JS O Mão de Ouro – “Hit Contagiante

Felipe Original terminou o ano como uma das principais estrelas do brega-funk este ano. “Hit Contagiante” é uma das mais viciantes faixas do legítimo pop brasileiro e conta ainda com outra força do gênero: Kevin O Chris.

19
Black Alien – “Carta Para Amy”

Black Alien expurgou suas inseguranças e medos neste seu novo trabalho. “Carta Para Amy” fala sobre superações de vícios de maneira aberta e sem condescendência. A cadência cheia de carisma de Alien (e suas rimas que mais parecem uma conversa com alguém próximo) seguem afiadas.

18
Charli XCX com Christine and The Queens – “Gone”

Charli XCX chegou em 2019 com bastante pressão de entregar algo inovador para pop, dada a sua fama de provocadora e artista experimental do gênero. Ela não ligou para essas expectativas e fez um disco bem diversificado. É o caso de “Gone”, em que ao mesmo tempo em que aposta em seu estilo mais alternativo e esteticamente ousado, traz ainda muito de um pop mais tradicional (mas viciante).

17
Lil Nas X – “Old Town Road”

Hit absoluto de 2019, “Old Town Road” fez sucesso na plataforma Tik Tok e se transformou Lil Nas X em ícone cultural. A faixa mistura rap com country e reforça a personalidade de X como um dos rappers mais carismáticos de sua geração.

16
Big Thief – “Not””

O Big Thief lançou nada menos que dois discos (ótimos) em 2019. Mas nenhuma música teve tanta força quanto “Not”, uma faixa que recupera a carga dramática que o rock alternativo sempre teve.

15
Sharon Van Etten – “Seventeen”

Sharon Van Etten reflete sobre seu próprio passado enquanto rememora a Nova York de seus 17 anos nesta que é uma de suas melhores composições. Interpretação emotiva, algo romântica, e com um instrumental complexo e cheio de camadas.

14
Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões”

Ana Frango Elétrico lançou um dos melhores (e mais improváveis) discos do ano. “Promessas e Previsões” é o carro chefe e traz muito do que Ana tem de melhor: interpretação cheia de carisma, esquisitices nos arranjos e vocais e letras que fogem do lugar comum. Sua música tira a música pop brasileira da zona de conforto ao mesmo tempo em que a enaltece.

13
Djonga – “HAT-TRICK”

Djonga discute racismo e questões de classe em “HAT-TRICK”, uma música muito sincera e árida para falar de violência (sobretudo a violência simbólica). “Eu faço tudo da forma mais honesta / e mesmo assim vão me chamar de ladrão/ ladrão”. canta o rapper em uma de suas faixas mais pesadas.

12
Weyes Blood – “Andromeda”

O synth-pop encontra o folk e o psicodélico nesta faixa de Weyes Blood (nome artístico da norte-americana Natalie Mering), “Andromeda”, um convite a uma viagem etérea conduzida por um vocal dramático, quase barroco e ótimos riffs de guitarra.

11
ROSALÍA com J Balvin e El Guincho – “Con Altura”

Depois de um disco incrível em que promove o encontro do pop e trap com o flamenco tradicional (El Mal Querer, de 2018), Rosalía chegou este ano com o intuito de experimentar em diversas frentes. No meio desse processo acabou se tornando uma das maiores estrelas pop de sua geração. “Con Altura”, ao lado de J Balvin e El Guincho reúne o melhor do reggaeton aliado ao seu estilo contagiante inconfundível.

10
Pabllo Vittar – “Amor de Que”

Pabllo Vittar é a nossa maior estrela pop, inconteste. “Amor de Que” é a epítome da fórmula encontrada pela artista em unir ritmos bem populares com uma produção sofisticada de pop moderno. Puro gafieira misturado com batidão de pista nesta que é uma das melhores faixas da carreira de Pabllo, que ainda tem muito a mostrar.

Foto: Helia Scheppa.

09
Karina Buhr – “Amora”

O novo disco de Karina Buhr é factual, pois se coloca o desafio de discutir afetivamente questões muito urgentes dos dias de hoje. Mas, em meio ao debate sobre o desmanche do Brasil temos “Amora”, uma das melhores faixas do repertório da cantora e que traz uma letra bela e complexa com uma interpretação que faz a pessoa viajar.

08
MC Tha – “Rito de Passá”

MC Tha uniu referências da umbanda e espiritualidade em um hit que fala de identidade e superações. Com essa faixa (e o disco de mesmo nome) ela se firma como um dos nomes mais interessantes do pop brasileiro por trazer uma visão muito particular do funk.

07
Tyler The Creator com Playboi Carti – “EARFQUAKE”

“EARFQUAKE” traz Tyler The Creator mais uma vez explorando as possibilidades do rap ao propor uma música cheia de romantismo e ironia com uma interpretação que cria um personagem dramático em uma trama rocambolesca presente no álbum IGOR. A música é cheia de viradas e possui batidas climáticas que envolvem o ouvinte dentro desse universo criado pelo rapper.

06
Billie Eilish – “bad guy”

Com apenas 17 anos, Billie Eilish já conseguiu apontar novos caminhos para o pop ao trazer ideias fora da caixa para um gênero superconcorrido. Seu jeito lânguido e exagerado resume bem “bad guy”, uma faixa viciante que explora a personalidade da artista e vai fundo no tom repetitivo e viciante costurado por uma base de graves. Hedonismo puro, como preconiza o melhor do gênero.

05
Solange – “Almeda”

Solange seguiu investindo em seu debate artístico sobre a situação de negras e negros na América. “Almeda” recupera as raízes sulistas da cantora para falar do poder conferido pela memória. A faixa celebra essa negritude e suas referências e conta com a participação de Playboi Carti e The-Dream.

04
Lana Del Rey – “The greatest”

O novo disco de Lana Del Rey, Norman Fucking Rockwell tem como proposta revolver as referências americanas para discutir deficiências desse mundo idílico. “The greatest” é uma balada que aprofunda esses debates e traz em sua letra a nostalgia característica de Lana, mas aqui em uma complexa melodia que toma rumos inesperados em meio a um clima apocalíptico.

03
Liniker e os Caramelows – “Calmô”

Liniker e os Caramelows atingiram um outro patamar artístico com esse disco. “Calmô” é a melhor faixa para discutir essa proposta de Liniker em buscar novas sonoridades e cargas afetivas da música popular brasileira. Com uma poética bastante livre que beira o surrealismo, a cantora adiciona ainda uma base instrumental bastante encorpada e cheia de personalidade.

02
FKA twigs – “Cellophane”

FKA twigs sempre foi conhecida pelo esmero com que interpreta suas canções, com cada agudo e acorde milimetricamente posicionado. “Cellophane” é a faixa em que ela se mostra mais solta – e também por isso é a sua música mais visceral. Dolorida e pesada, a música leva o ouvinte a um estágio de suspensão. A canção começa delicada e toma um rumo totalmente inesperado da metade pro final aliado a uma produção bem sofisticada que serve para enaltecer ainda mais a voz de fka.

Foto: Julia Rodrigues.

01
Emicida com Larissa Luz e Fernanda Montenegro – “Ismália”

“Ismália” é a mais pesada faixa de AmarElo, disco mais recente de Emicida e traz um debate antigo (mas também urgente) da relativização da dor do negro na sociedade brasileira. Usando referências à mitologia grega, a faixa tem um tom teatral para tratar do tema, mas é direta nas suas intenções. “A felicidade do branco é plena / a felicidade do negro / é quase”, canta Larissa Luz em uma participação cheia de peso. Fernanda Montenegro, uma das maiores atrizes de nossa história, declama um trecho de um poema em que fala de dor e morte. Emicida chega mais direto impossível relembrando a morte de __ com 80 tiros pela polícia. “Ismália” diz muito sobre o Brasil de 2019, em que o azedume do cotidiano ficou mais evidente, mais palpável. A faixa escancara o defeito social que é viver em estado de tensão e dor, mas faz isso mostrando que a poesia e a arte seguem como armas potentes de revide.

Errata: Uma versão anterior desta lista trazia a faixa “Mariners Apartment Complex”, de Lana Del Rey. A música, na verdade, foi lançada no final de 2018. Como a ideia era representar o disco Norman Fucking Rockwell e sua proposta artística, nós decidimos incluir “The greatest” em seu lugar.

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