As obras de arte vandalizadas pelos terroristas bolsonaristas

Criminosos destruíram obras de Di Cavalcanti, Marianne Peretti e danificaram os prédios históricos tombados pelo Iphan e Unesco

A obra de Di Cavalcanti vandalizada. (Foto: Reprodução. )

Os terroristas bolsonaristas que invadiram os prédios históricos na Praça dos Três Poderes, em Brasília, neste domingo (8), danificaram obras de arte e objetos históricos guardados no Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal. As edificações assinadas por Oscar Niemeyer fazem parte de um conjunto arquitetônico que é patrimônio cultural da humanidade reconhecido pela Unesco. Também são tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan.

Entre as obras danificadas está Araguaia, vitral de Marianne Peretti, de 1977, que fica no Salão Verde da Câmara dos Deputados. Bailarina, escultura em bronze de Victor Brecheret, está desaparecida. Uma réplica da peça original da Constituição de 1988, foi retirada. Segundo o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder do governo na Câmara, um relógio dado de presente a Dom João VI, no século 19, foi danificado. No Congresso, os golpistas ainda quebraram vidraças, fizeram pichações e rasgaram documentos e equipamentos.

O estado em que ficou o STF. (Foto: Alex Rodrigues/Agência Brasil).

No STF, os vândalos arrastaram para fora do prédio a cadeira da presidente da corte, Rosa Weber, que tem assinatura do designer Jorge Zalszupin. No mesmo local, a escultura A Justiça, de Alfredo Ceschiatti, de 1961, foi pichada e o crucifixo e o brasão da República, pendurados na parede, foram desmontados. Eles também vandalizaram todo o salão principal, arrancaram a porta do gabinete do ministro Alexandre de Moraes e picharam a frente do prédio.

Já no Palácio do Planalto, os golpistas destruíram parcialmente a tela Mulatas (1962), do pintor Di Cavalcanti (1897 – 1976), que recebeu cinco furos de faca. Cavalcanti foi um dos idealizadores da Semana de Arte Moderna de 1922 e um dos mais famosos artistas modernistas do mundo. Eles ainda invadiram e depredaram diversos gabinetes de ministros, quebraram presentes entregues por chefes de Estado, destruíram louças chinesas raras e destruíram o gabinete da Primeira-Dama, Janja Silva.

O Observatório de Censura na Arte, do site Nonada, registrou o episódio de vandalismo neste domingo. O secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, esteve nos prédios invadidos e disse que está sendo feita uma perícia para avaliar os danos.

O Iphan ainda irá avaliar o prejuízo causado pela invasão bolsonarista. Ao menos 1200 pessoas foram presas até o fim da noite de domingo, segundo o Ministério da Justiça.

Atualização: O texto foi alterado para acompanhar a atualização do número de presos, segundo o Ministério da Justiça.

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