Beyoncé traz Renaissance ao mundo com homenagens à era disco, black music e cultura queer

Álbum é o primeiro dos três a serem lançados nesta nova era. Veja as referências e samplers do álbum

Foto: Divulgação.

Após um hiato de seis anos, desde Lemonade (2016), sumiço, fotos apagadas nas redes, dicas misteriosas, rumores e tudo o que um Beyhive tem direito para sofrer, o sétimo álbum solo da carreira de Beyoncé, Renaissance foi oficialmente lançado. Este, que promete ser o primeiro de três álbuns produzidos pela cantora no período de pandemia, intitulado Ato 1, traz 16 faixas inéditas, com exceção de “Break My Soul”, que foi a canção antecipada desta nova era.

Renaissance é o primeiro disco de Beyoncé a ser lançado em todas as plataformas digitais. Há mais de um ano sendo produzido, o novo trabalho traz homenagens a pioneiros da cultura musical negra, queer, pop e dos anos de 1970 ao início dos anos 2000.

Inspirada pelos filhos, e pela história de vida do tio Johnny, que lhe presenteou com uma memória musical afetiva, responsável por influenciar a composição de Renaissance, Beyoncé reuniu uma gama de referências através de samples.

“Plastic Off The Sofa”, “Virgo’s Groove”, ”Move”, “Heated”, “Thique” e ”All Up In Your Mind” fazem parte de um grupo não sampleado mas que bebe das influências pop, afro, house, hip hop, dance music, que remete às décadas passadas. 

“I’m That Girl” vem com sample do hip hop “Street Shit” (1998), música dos rappers Tommy Right III e Princess Loko. Tommy fez sucesso na década de 1990, conhecido pelo estilo rápido, letras fortes e beats originais. Princess Loko foi uma grande influência no hip hop underground, uma das mulheres pioneiras no ramo. “Cozy” traz samples dos artistas de house music Lidell Townsell e o duo M.T.F, do álbum Harmony (1992). A mais provável inspiração é “Nu Nu (Club Mix)”. 

Foto da capa por Carlijn Jacobs.

“Alien Superstar” faz referência a Right Said Fred, banda pop/eurodance inglesa formada em 1989, os donos do hit “Im Too Sexy” (1991); e a Foremost Poets também conhecido como Johnny Dangerous, poeta, cantor, DJ, famoso por colaborações com nomes como Rick James e Marvin Gaye. Em “Cuff It”, Beyoncé resgata samples de Teena Marie, que foi uma cantora e produtora de R&B, também apelidada de “Lady T” e “Rainha de Marfim do Soul”, sucesso entre as décadas de 1970 e 1980.

“Energy”, além de referenciar Teena novamente, incorpora o som da cantora Kelis, dona de canções lançadas de 1998 para o início dos anos 2000. Esta faixa marca sua participação com o rapper jamaicano/norte americano BEAM. A antecipada “Break My Soul” traz samples de Robin S, cantora do R&B, house, dance pop, conhecida pelo hit “Show Me Love”, sucesso lançado em 1993; e de Big Freedia, dona da voz que introduz a faixa, rapper trans de hip-hop, e uma das responsáveis por popularizar o gênero musical bounce, no início dos anos 1990.

Ao fazer jus ao título, “Church Girl”, se inspira na música do grupo gospel The Clark Sisters, que de 1973 até os dias de hoje segue carreira. Outro sample utilizado é do artista do hip hop e rap DJ Jimi, que em contraste com o conjunto gospel, produzia canções com letras explícitas, lançadas no início dos anos 1990. “America Has a Problem” traz samples do rapper Kilo Ali, aliado ao bass music, com músicas de sucesso nos anos 1990, como “Baby Baby”.

“Pure/Honey” é inspirada na musicalidade da drag jamaicana Moi Renee, que foi uma estrela da cena gay em Nova York nos anos de 1990, também dona do dance single “Miss Honey”, que bebe de um house underground. Outra inspiração vem das produções musicais de Kevin Aviance, também drag, dançarina e design de moda. Fechando a lista, “Summer Renaissance” agracia samples de Donna Summer, a rainha do disco music, de 1970 aos anos 2000. 

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