Foto: Divulgação.

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Mulheres recifenses se reúnem para lançar um bloco voltado ao feminismo. Estreia este ano o Grêmio Anárquico , com uma prévia improvisada para impactar na festa masculina de Os Barbas. Será no próximo sábado, 7 de fevereiro, a partir do meio dia, com concentração no Yellow Gastropub, para seguir em marcha (das vadias), até a já tradicional festa dos Barbas, no poço da Panela, às 16h.

O encontro será embalado pelos quitutes da chef Juliana Andrade e os drinks especiais do mixologista Junior WM, além de toda a irreverência do setlist preparado por Cláudia Aires, da Nuvem.

“A ideia do bloco é chamar atenção para a naturalização do comportamento sexual da mulher, não só no mas durante todo o ano. Assim como a definição da Marcha das Vadias exalta como a sociedade usa a vida sexual ativa feminina como algo depreciativo, o trocadilho do Essa Fada é uma defesa do direito da mulher à liberdade sexual e à segurança física e emocional, mais vulnerável numa festa como o , quando o comportamento machista gera ainda mais excessos”, diz a organização.

Além da prévia, a próxima aparição das fadas do grupo está marcado para a segunda-feira de Carnaval, nas ladeiras de Olinda, acompanhando o desfile do Mulher na Vara, já que vara e fada caminham juntas. A saída está marcada às 11h, na Ladeira da Boa Hora, na Cidade Alta, em Olinda.

Grêmio Anárquico Feminazi Essa Fada
Prévia, 7/2, 12h | Yellow Gastro Pub, Rua Conselheiro Nabuco, 190, Casa Amarela
Saída no Carnaval, segunda, 16/2, 10h, Rua da Boa Hora, Olinda
Informações: https://www.facebook.com/gremioessafada

Veja o manifesto do Bloco:

Manifesto | Essa fada não se importa com o que pensam

O Carnaval é aquela efeméride da catarse coletiva. Estão liberados os prazeres contidos, as personas incautas, o desvario em todos os seus excessos. A carne é de carnaval, o coração é igual. Mas a carne mais barata do mercado é a nossa e, de certo, o coração o mais vagabundo também. E eis aquele paradoxal julgamento social nosso de cada dia: nossos corpos devem ser louváveis, disponíveis como caças, entretanto, nosso comportamento, bem, esse deveria ser irretocável como prezam a moral e os bons costumes.

Entre as fantasias erótico-carnavalescas, há tantas projeções domésticas e servis, sempre hiper sensualizadas, da nossa condição feminina como enfermeiras, empregadas, freiras, colegiais, princesas, camponesas, coelhas, anjos. Nesses papéis, dissimulamos inocências em vestes nada pueris, e mantemos no jogo aquela imagem de perfeição e doçura, mesmo que numa provocação por pura ironia. No fundo, reproduzimos o que esperam que sejamos, mesmo que de faz de conta: boazinhas.

Mas há melhor cenário para colocar em prática o adágio de que as boazinhas vão para o céu, mas as outras vão aonde quiserem? Assim, nós, mulheres que queremos ser o que nos aprouver, somos qualqueres, ordinárias em quereres, somos essas, somos aquelas, somos tantas, somos todas as possibilidades de ser. Essas que rompem padrões, essas que não se submetem, essas que lutam, essas que buscam suas próprias expectativas ao invés de atender às alheias. Essas de corpo e mente livres. Sou dessas mulheres que dizem sim, sou essa que voa.

E assim, num ode à nossa liberdade selvagem, numa alegoria de divindade e alegria brincante que herdamos da natureza, sejamos fantasiosamente fadas, com o poder de realizar os próprios desejos, alçar voos e darmos conta (somente a nós mesmas) dos nossos prazeres. Sejamos imortais na nossa safadeza, na nossa natural lascívia que tanto tentam nos tolher no corte de asas. Todas que livres habitam e cintilam nessa fauna chamada humanidade, sejam bem-vindas ao Grêmio Anárquico Feminazi Essa Fada. Vamos espalhar Pó de Sim até a quarta-feira de cinzas.

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