está de volta. Seu novo single “Anjos Tronchos” acabou de sair e é o primeiro single de Meu Coco, que sairá em outubro deste ano pela Sony Music. Caetano mira sua composição para a internet e toda as questões sociais e políticas que permeiam as redes sociais e big techs. “Agora a minha história é um denso algoritmo”, diz ele na letra.

A poética de desta vez irá discutir sobre nossas relações pessoais na chamada cibercultura. O poder das grandes corporações a partir dos algoritmos são citados no trecho “anjos tronchos do Vale do Silício”, enquanto que a extrema direita beneficiada pela rede aparece no verso “palhaços líderes brotaram macabros”, uma referência ao ex-presidente Donald Trump e Jair Bolsonaro, duas figuras ligadas à proliferação das fake news na web.

Caetano ainda cita outros fenômenos online como os nudes e os comportamentos tóxicos dos usuários (“um post vil poderá matar”), o vício em redes sociais, bem como traz um aceno às possibilidades criativas trazidas pela internet, a exemplo de Billie Eilish, que construiu uma carreira de popstar; e a Primavera Árabe, o mais célebre levante revolucionário que começou como uma articulação online.

Toda a música é guiada por uma guitarra meio soturna, com grave bem marcado. A ambientação densa é quebrada por um triângulo de forró perto do fim da música.

“Anjos Tronchos” foi lançado nessa quinta (16) com um bate-papo de Caetano pelo Spaces, do Twitter. Ele falou que o seu novo trabalho será muito marcado por essas questões que nasceram com a popularidade da internet. No papo ele ainda comentou sobre a política atual e como a web colabora para a proliferação dos tais “palhaços líderes citados na música”.

“Toda a campanha de [Donald] Trump, na qual a do Bolsonaro foi inspirada, teve orientação do Steve Bannon. Isso foi um negócio que causa essa doença social, um aspecto apavorante, horrendo, nesse desenvolvimento da internet e das redes sociais”, disse. “Falo que aconteceu no império e nos seus vastos quintais, porque também aconteceu aqui, mas aconteceu nas Filipinas, na Polônia, na Hungria, e não deixa de ter sua importância em toda parte —na intensa afirmação da China, na quase desesperada atitude geopolítica da Rússia.”

Para Caetano, estamos sofrendo as consequências danosas da eleição de Bolsonaro, sobretudo em relação à arte e cultura. “A cultura está sendo muito maltratada”, disse. “A arte está sendo espezinhada pelo governo e seus representantes, o que é uma tragédia para um país inspirado como o nosso. O Brasil está vivendo uma ressaca dessa eleição. A maioria da população rejeita Bolsonaro, mas ele é o presidente”.

“Anjos Tronchos” marca o retorno de aos trabalhos autorais, o primeiro desde Abraçaço, de 2012. Segundo o jornalista Mauro Ferreira, do G1, o disco trará ainda “Pardo”, que foi gravada por Céu em 2019 e “Noite de Cristal”, que foi interpretada por Martia Bethânia em 1988. Já “Autoacalanto” foi tocada em uma live neste ano. Todas as canções serão inéditas no repertório de Caetano, nunca gravadas por ele. Ainda segundo Ferreira, o disco trará participações do ritmista Marcelo Costa, do percussionista Marcio Victor (do Psirico), o sanfoneiro Mestrinho e o multi-instrumentista Vinicius Cantuária.

sempre foi conhecido por comentar assuntos do tempo presente, ainda que muitos dos seus discos mais conhecidos abordem temas como relacionamentos e amor. Mas são os seus trabalhos mais conceituais e políticos que reforçam a maestria de sua poética em servirem como registros históricos. Transa (1972), Cinema Transcendental (1979),(2006), Zii e Zie (2009) e Abraçaço (2012) são alguns exemplos.

O novo disco será lançado em outubro. Já “Anjos Tronchos” ganhará clipe nesta sexta (17), às 20h.

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