Foto: Flora Pimentel/Divulgação.

Foto: Flora Pimentel/Divulgação.

Rec-Beat começa celebrando novos ídolos locais

Como festival indie do dentro gigantesco do Recife, o Rec-Beat tem função privilegiada na hora de celebrar novos ídolos. Algo que é bastante difícil para outros palcos, pouco afeitos a experimentações. Neste primeiro dia de show, dois nomes pernambucanos mostram que o público está ávido por novidades locais. Juvenil Silva e Bruno Souto apresentaram seus trabalhos solo no Cais da Alfândega, já com uma boa base de fãs.

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Tanto Juvenil quanto Bruno começaram a carreira em bandas locais, o primeiro no Dunas do Barato (entre outras) e o segundo na Volver. despontou após se aventurar solo com seu disco Desapego, em que experimenta uma psicodelia misturada com rockabilly. Ele tem uma personalidade vocal muito própria, com versos quase declamados, teatrais. Seu show no Rec-Beat teve a mesma explosão performática que vimos no festival No Ar Coquetel Molotov no ano passado.

Aninha Martins com Juvenil: cena nova (Foto: Flora Pimentel/Divulgação)

com Juvenil: cena nova (Foto: Flora Pimentel/Divulgação)

É assim que Juvenil funciona: a neo-psicodelia precisa fluir de sua apresentação, indo bem além das músicas. E tudo aparece muito descontraído, sem nenhuma afetação de ídolo, o que é ajudado pelo fato do cantor conversar bastante com o público. O show teve ainda faixas do novo disco Superqualquer No Meio de Lugar Nenhum, incluindo o single “Bodeado”, lançado semanas atrás. Aninha Martins, que toca neste domingo no festival, subiu novamente ao palco para dividir os microfones com Juvenil. Ambos fazem parte da mesma cena musical emergente do Recife, dos quais também fazem parte Graxa, Jean Nicholas e Matheus Mota.

Bruno Souto pós-Volver. (Foto: Ralph Fernandes/Divulgação)

pós-Volver. (Foto: Ralph Fernandes/Divulgação)

Já Bruno Souto vive um processo de reinvenção. Ao lado de sua banda, a Volver, ele conseguiu alcançar espaços pouco explorados por bandas de rock de sua geração. Foi escalado para festivais importantes, ganhou destaque na antiga MTV e juntou fãs. Agora, na sua fase solo, o cantor decidiu experimentar bem mais do que o pop-rock de seu grupo original. A estreia solo Estado de Nuvem tem reggae, eletrônica e canções mais melancólicas. No Rec-Beat, Souto trouxe ainda faixas da Volver, claro, e a cover “Você Não Serve Pra Mim” (de Renato Barros).

Blues no Carnaval

O primeiro dia foi fechado com a presença de , um dos nomes mais importantes do blues ainda em atividade. Ele é filho da lenda do gênero, Muddy Waters, que foi responsável por fazer a fama do blues de Chicago. Vestido um elegante paletó vermelho brilhante, ele conseguiu instigar o público a dançar/curtir o ritmo em pleno Sábado de Zé Pereira.

Bem carismático, Mud pareceu claramente emocionado em alguns momentos. Com sua voz de barítono, vem conseguindo ser um grande divulgador da obra do pai, além de conseguir fãs também com suas músicas próprias. No show no Rec-Beat ele foi acompanhado pela Uptown Band e pelo gaitista carioca Jefferson Gonçalves. E a relação do músico com a cidade é antiga. Ele já veio ao Recife duas outras vezes, em julho e novembro de 2013, para shows no Downton Pub.

Ele se apresenta terça no Garanhuns Jazz.

O Rec-Beat teve ainda shows do grupo belga de música experimental Die Anarchistische Abendunterhaltung, ou DAAU, que trouxe diversas sonoridades do leste europeu, misturado com música eletrônica.

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