O festival Rec-Beat SP apresenta edição especial online neste domingo (14), a partir das 15h, pelo YouTube. O tradicional evento do Carnaval pernambucano traz registros cinematográficos de SpokFrevo Orquestra, Mateus Aleluia, O Terno, Céu, MC Troia, entre outros, gravados em locais icônicos de São Paulo e do Recife.

A cantora Karol Conká estava originalmente escalada, mas teve sua apresentação suspensa pelo festival após a repercussão negativa de suas declarações xenófobas no Big Brother Brasil 21.

O Rec-Beat deixa, excepcionalmente este ano, a histórica rua do Cais da Alfândega, no Recife, onde acontece há 25 anos durante o Carnaval, para ocupar as plataformas digitais. Ele se une à lista dos festivais de música que realizaram edições virtuais por conta da pandemia do novo coronavírus.

O evento acontece dia 14 de fevereiro, domingo de Carnaval, com mais de cinco horas de duração, com apresentação comandada por China e Roberta Estrela D’Alva e transmissão gratuita através do YouTube do festival (youtube.com/recbeatfestival).

Resistência e cultura afro no Rec-Beat SP: um preview dos shows de Mateus Aleluia e Ilú Obá de Min

Mateus Aleluia e o grupo Ilú Obá de Min estão entre as atrações do Rec-Beat SP, festival que acontece de maneira digital no próximo domingo (14). As apresentações enaltecem a cultura negra com registros filmados em pontos históricos icônicos relacionados à negritude.   Mateus Aleluia põe em cena sua estética afro-barroca em um espetáculo que atravessa de forma sensível a presença dos povos bantos no Brasil. Acompanhado do Maestro Ubiratan Marques e pelo percussionista Vitor da Trindade, o show foi gravado […]

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Locais históricos, a exemplo do Marco Zero, no Recife, e o Largo do Paissandú, em São Paulo, foram usadas como locações para as gravações dos shows de cada uma das atrações programadas. São lugares que dialogam com a memória afetiva dessas cidades, alguns deles tradicionalmente ocupados pelo Carnaval de rua.

Além dos shows, performances compactas, em formato de drops de poesia, dança e música, pontuarão os intervalos dos shows. Se apresentam na programação de drops a poeta Kimani, a premiada escritora e também poeta Luna Vitrolira, a cantora e compositora Alice Marcone com seu queernejo, a violeira pernambucana Laís de Assis, o premiado bailarino e coreógrafo Rubens Oliveira, além da poesia de Adelaide Santos e uma homenagem ao emblemático poeta Miró da Muribeca.

Apresentação de Getúlio Abelha, em São Paulo. (Foto: Filipa Aurélio).

Onde foi gravado cada show

Gravado no topo de um edifício no centro da capital paulista, a cantora Céu, acompanhada por Pupillo e Lucas Martins, apresenta um show delicado e intimista com os hits dos seus mais de 15 anos de carreira, além de faixas do seu mais novo e aclamado álbum, “Apká”, trabalho em que ela adiciona ao pop eletrônico referências sonoras como o reggae e a psicodelia.

A programação conta também com o eterno Tincoã Mateus Aleluia. Seu álbum Olorum consta no topo das listas de melhores de 2020. A performance do músico baiano foi gravada no interior da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, território de resistência e articulação das culturas negras na cidade de São Paulo. O músico põe em cena sua estética afro-barroca em um espetáculo inédito que atravessa de forma sensível a presença dos povos bantos no Brasil. Acompanhado do Maestro Ubiratan Marques, com quem possui uma longa parceria criativa, e pelo percussionista Vitor da Trindade, ele passeará por um repertório que afirma a força das conexões espirituais, para além das formas e designações do homem.

Representantes da nova música brasileira, os paulistas d’O Terno derrubam as fronteiras entre a MPB e gêneros como jazz e rock e trazem seu aguardado show inédito do seu elogiado quarto álbum, “”, lançado no ano passado. Formado por Tim Bernardes na guitarra e voz, Guilherme no baixo e Biel Basile na bateria, a gravação foi realizada no Viaduto Santa Ifigênia, espaço histórico da capital paulista.

A vem internacionalizando o frevo ao levar o ritmo original pernambucano para festivais ao redor do mundo, do Roskilde, na Dinamarca ao tradicional Montreaux, na Suíça, entre outros. No show, com o Maestro Spok à frente de seus 17 músicos, a orquestra dá ao frevo um tratamento diferenciado, com arranjos modernos e harmonias que buscam a liberdade de expressão em improvisos, com clara influência do jazz. A apresentação no festival foi gravada no Marco Zero, um dos espaços tradicionais do Carnaval pernambucano.

Cantora, compositora e artista visual, Luiza Lian se apresenta ao lado de Charles Tixier numa performance que une espiritualidade e realidade urbana com repertório dos seus discos Azul Moderno e Oyá Tempo, e uma música inédita. Com mapping e iluminação planejadas especialmente para essa edição do Rec-Beat, o show foi gravado na escadaria do Theatro Municipal, espaço que já testemunhou eventos importantes da arte no Brasil.

Gravado no Cais da Alfândega, onde acontece tradicionalmente o Rec-Beat, o fenômeno do brega-funk recifense MC Troia realiza seu espetáculo com direito a dançarinas de passinho. O brega-funk é hoje um dos gêneros mais populares do país e uma das mais legítimas expressões das periferias do Brasil. O Rec-Beat foi pioneiro entre os festivais a incluir o gênero na programação e reconhecer sua importância, hoje um dos mais ouvidos do Brasil, no contexto da nova música brasileira.

MC Troia tocou no Cais da Alfândega. (Foto: José Britto).

O grupo Ilú Obá de Min é referência na cultura negra do Brasil e conhecido por seus cortejos pelas ruas de São Paulo, uma grande intervenção que promove a cultura negra, a cultura popular e a participação ativa da mulher na sociedade através da arte, e trazem diversas manifestações culturais negra, como o maracatu, batuque, coco, jongo, entre outras. O show foi registrado no Largo do Paissandú, na capital paulista, tradicional espaço do Carnaval de rua de São Paulo.

Unindo suas experiências no teatro, Getúlio Abelha, uma das grandes revelações da cena independente brasileira, traz seu olhar iconoclasta para os gêneros musicais em uma apresentação que une o forró tradicional, o pop (com atitude punk) e o eletrônico. Sua música reverbera questões de gênero, sexualidade e classe social ao mesmo tempo em que mescla referências da música tradicional nordestina. Getúlio prepara o lançamento do seu primeiro disco para este ano e acaba de fazer uma participação no disco da Pabllo Vittar, em dueto com “Amor de Que?”. Seu show acontece na Praça Antônio Prado, em São Paulo.

“Nesta edição digital do Rec-Beat conseguimos manter intactas as principais características do festival, principalmente no que se refere ao conceito artístico, com uma programação que transita livremente entre tradição e novas tendências, permanecendo atual, pulsante. O registro das performances, aproxima também esta edição de outra característica do festival, que é a experiência estética, da rua, do contato com o espaço público. Acredito que nossa ida para o digital ficará entre as edições mais memoráveis que já fizemos”, diz Antonio Gutierrez, o Gutie, mentor e diretor do Rec-Beat.

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