Na estreia de estúdio após 15 anos, disco traz coco, afoxé e ciranda, mas também destaca um poderoso apelo pop

Casas Populares da BR 232 reforçam ancestralidade no disco de estreia, Negra Índia
NOTA8.5

Com 15 anos de estrada, a banda pernambucana Casas Populares da BR 232 lança agora seu primeiro álbum de estúdio. Reforçando sua forte ligação com as tradições culturais do Nordeste e do Norte do Brasil, o disco Negra Índia exalta a ancestralidade afro-brasileira na nossa música e ritmos locais como coco, carro-chefe da banda, mas também o afoxé, samba e a ciranda.

O disco, porém, não se furta em enaltecer um verniz pop bem acentuado, o que o coloca como um dos representantes mais interessantes do global music a sair de Pernambuco.

As faixas reúnem músicas que estavam presentes no repertório da banda há mais de 15 anos e que só agora são registradas em estúdio. Para isso, os integrantes contaram com nomes como o rabequeiro Maciel Salú (que toca na ótima “Peleja Ancestral”) e Isaar (que, além de produzir o álbum, empresta o canto em “Terra Preta & Negraíndia”).

O disco tem uma produção bem sofisticada, o que destaca todo o poder dos instrumentos e a força do canto das integrantes. Resgata muito do espírito dos shows do Casas Populares ao vivo.

Os temas das letras resgata o poder da oralidade das negras e índias, com histórias que não estão nos livros, mas que são parte do imaginário nordestino. Um dos melhores discos pernambucanos deste ano.

CASAS POPULARES DA BR 232
Negraíndia
[Duafe Produções, 2019]

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