Catálogo destaca diversidade do quadrinho no exterior

Obra bilíngue reúne 100 HQs de artistas brasileiros dos mais diversos gêneros e de todas as regiões do país

Detalhe da capa do catálogo. (Foto: Divulgação).

O catálogo HQ Brasil ganha uma edição ampliada com textos em inglês e francês destacando o melhor da produção brasileira em quadrinhos nos últimos dez anos. Produzido pela Bienal de Quadrinhos em parceria com o Ministério das Relações Exteriores – Itamaraty, a obra está disponível para download.

Com curadoria do jornalista e tradutor Érico Assis, o catálogo traz informações e imagens de 100 títulos lançados entre 2009 e 2019.

A obra foi lançada originalmente em 2019, em Lisboa, como parte do programa Brasil em Quadrinhos, que destaca a relevância e diversidade da HQ brasileira. A publicação foi distribuída para todos os Centros Culturais do Brasil no exterior, e também para editoras estrangeiras e festivais especializados. Como reconhecimento, o catálogo foi indicado ao Troféu HQMIX na categoria “Publicação Teórica 2020”

Esta nova versão foi ampliada com inclusão de textos em francês após uma parceria com o Consulado de Montreal, no Canadá.

A ampliação deste projeto reforça a relevância que a HQ feita no Brasil tem alcançado no mundo, com diferentes títulos ganhando espaço em mercados ao redor do mundo. “O número de publicações de quadrinistas brasileiros no exterior aumentou na última década e tivemos inclusive bons prêmios nos EUA, na França, na Alemanha, no Japão. A função do Catálogo é aproveitar esta onda e mostrar que tem mais por aqui. E bom”, diz Érico Assis, em entrevista à Revista O Grito!.

Uma das obras do catálogo. (Divulgação).

Segundo Érico, o ponto de entrada desses títulos no mercado externo diz mais respeito ao modo como são produzidos e ao formato das obras. Em um país grande como o Brasil, os quadrinhos acabam refletindo uma diversidade que torna difícil resumir de maneira simples a cara única da “HQ brasileira”. “Essa coisa chamada “HQ brasileira” é muito variada pra gente tratar assim, de forma geral”, explica. “Acho que os quadrinhos de brasileiros que já são produzidos conforme o típico quadrinho norte-americano, ou o típico quadrinho franco-belga ou o típico quadrinho japonês são bem recebidos nesses respectivos mercados. Não falo tanto de temas, mas do formato de publicação”.

Reunir as 100 obras para ampliação do catálogo foi outro desafio. As embaixadas que financiaram o trabalho e o Ministério das Relações Exteriores buscavam diversidade de gênero e também de procedência, com obras de vários estados brasileiros. A curadoria incluiu critérios de diversidade, estilo artístico e narrativo e também temas. E ainda fizeram o recorte de 100 trabalhos lançados entre 2009 e 2019.

“Mesmo com esse monte de critérios, foi difícil. Teve mais de mil quadrinhos brasileiros nesses dez anos. Tem mais de cem que são muito bons, que eu recomendaria ‘para exportação’. Foi complicado fechar a lista, mas fechamos”, diz Érico. “Torço que, como eu escrevo no fim da introdução, sirva só como uma primeira apresentação do quadrinho brasileiro a uma editora estrangeira, e que a pessoa saiba que há muito, muito mais.”

O catálogo está disponível para download no link.

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