transborda amor e pop eletrônico em APKÁ!
NOTA8.5

Céu se reinventa em APKÁ!, seu novo disco, ainda que repita na sonoridade o mesmo estilo retrô eletrônico visto em alguns de seus trabalhos, a exemplo de Tropix, de 2016. Mas esse novo trabalho tem mais nuances e parte para um espaço mais subjetivo, menos literal, onde as emoções são acentuadas como se quisessem transformar em som o que não se materiliza: o amor, as vivências, o desejo. É um trabalho que reforça seu som original, muito baseado no eletrônico vagaroso, hipnótico, com um quê de psicodélico.

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Nas letras Céu apostou em um caminho de maior sinestesia, ainda que sua verve poética ainda seja muito trabalhada no romantismo. Além do amor, que domina tematicamente a obra, Céu também abre espaço para gritos de raiva, incompreensão. É uma maneira muito própria de responder a esses tempos tensos, confusos.

Como ela afirmou em entrevista aqui na Revista O Grito!, é um disco que foi fruto de uma mistura de vários sentimentos. Na sonoridade, Céu segue apostando na eletrônica, sobretudo no subgênero dub e no tecnopop (na ótima “Forçar o Verão”, onde canta “uma nuvem se aproxima no cartão postal”). Mas há também espaço para reggae puxado no eletrônico, como em “Nada Irreal” e psicodelia (a lenta “Corpocontinente). Além das suas composições próprias, ela canta ainda faixas feitas para o disco por Caetano Veloso (“Pardo”) e Dinho, do Boogarins (“Make Sure Your Head Is Above”), que conta com vocais de Seu Jorge.

Trabalhando novamente com os parceiros Hervé Salters e Pupillo (o mesmo de Tropix), Céu traz para este disco muito de seus trabalhos anteriores, o que reforça o seu domínio de sua estética já bastante particular. Por isso há um tráfego bem confortável por ritmos que vão do samba ao rock, passando pela MPB e electro e post-rock, recuperando influências do reggae de Vagarosa e o brega pop de Caravana Sereia Bloom. É um trabalho bastante maduro, que soa bastante fluído e coeso, o retrato de um dos nomes mais originais da música brasileira contemporânea.

CÉU
APKÁ!
[slap, 2019]
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